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Relembrar o passado, reviver experiências

No documento ANDREA CRISTINA MATTEI (páginas 80-83)

4 ESCOLA E O PROFESSOR: DIÁLOGOS SOBRE O FAZER DOCENTE

4.1 Relembrar o passado, reviver experiências

Podemos conhecer as histórias dos/das protagonistas, reconstituir a história da organização escolar rural. A partir dos relatos ou narrativas advindas da História Oral, detectamos parte das trajetórias que professores e professoras rurais percorreram para ensinar crianças no município de Ariquemes. Para Lopez (2013, p. 57), reconhecer a mem ria compreender outras experiências significativas, ter um vínculo com outras épocas para conhecer a riq e a do homem q e g arda a c lt ra .

Tendo a pesquisa histórica como ponto de partida, buscamos traçar a constituição da organização escolar rural a partir das narrativas ou dos fragmentos das memórias. Desse modo, foi possível verificar como se efetivou à docência nas escolas rurais, ou seja, como os professores e professoras buscavam subsídios para ensinar, em meio às dificuldades de falta de materiais pedagógicos diante de precária infraestrutura.

Meihy (2005, 77) adverte que precisamos ficar atentos aos discursos de cada sujeito, pois a memória é sempre dinâmica e mutável, mudando de acordo com tempo em que está

vivendo. Assim, sempre m damos nossa forma de recordar e montamos esq emas narrati os dependentes de fatores e ternos a n s mesmos . Portanto, o objeto de análise não é simplesmente a narrativa, mas a descrição daquilo que ficou marcado na mente das pessoas e que será passado para a escrita por meio da transcrição da entrevista realizada.

Dessa forma, utilizamos como instrumento de coleta de dados a entrevista semiestruturada, com a participação de 11 colaboradores, sendo professores e professoras que, por inclusão na pesquisa, optamos por selecionar os que estivessem dentro dos critérios da investigação, sendo eles: a) professor ou professora que atuou em uma escola rural, no município de Ariquemes, no período de 1977 a 1998; b) que demonstre interesse e disponibilidade em contribuir com a pesquisa e c) concorde em assinar a autorização/termo de consentimento.

Além disso, os colaboradores precisam aceitar e ter disponibilidade para participar da pesquisa por meio da plataforma virtual (Google Meet) a fim de atender as recomendações das autoridades públicas para evitar o contágio pelo COVID-19. Foi realizado o contato via Whatsapp com cada um dos colaboradores, explicando sobre a pesquisa. Em algumas situações, foi necessária a ajuda de outros interlocutores que conheciam os colaboradores para a entrevista, fazendo um primeiro contato, falando de modo rápido sobre a intencionalidade da pesquisa.

Todos os colaboradores consultados aceitaram participar da pesquisa e de imediato já foram agendados o dia e o horário da entrevista, de forma muito receptiva. Durante esse primeiro contato, foram feitos alguns questionamentos gerais para saber informações iniciais sobre a trajetória dos participantes. Também foi dito que, no dia da entrevista, seria enviado o roteiro com as questões para se familiarizarem com as perguntas do instrumento de coleta de dados, uma vez que estamos lidando com a memória, que muitas vezes precisamos reconstituir mentalmente nossas experiências para poder expressá-las de forma coerente.

Havia a intenção de incluir mais colaboradores, mas, na hora de marcar a data da entrevista, houve certa resistência, talvez medo de rememorar as lembranças, ou pelo fato de não se sentirem confortáveis para fazer a entrevista via plataforma digital. Desse modo, não havendo retorno favorável ao agendamento da entrevista, optou-se em permanecer com os 11 colaboradores.

Desse modo, foram entrevistados professores e professoras que atuaram em diferentes momentos históricos, entre 1977 e 1998, em escolas que funcionaram em suas próprias casas ou em locais destinados às atividades escolares. O recorte temporal inicial corresponde à emancipação do município de Ariquemes, no ano de 1977. No ano de 1998, foi instituída a Lei n.º 719/1998, que criou o Sistema Municipal de Ensino do município de Ariquemes, Rondônia.

O roteiro de entrevista foi estruturado junto à equipe de pesquisadores e pesquisadoras do grupo EDUCA e divido por eixos: o primeiro eixo sobre informações relativas ao próprio entrevistado, ou seja, identificação, data e local de nascimento, quando começou a trabalhar; o segundo eixo foi sobre formação inicial e/ou continuada e/ou processos formativos que habilitaram para exercício da docência rural; o terceiro eixo foi sobre os modelos de escola, quais características tinham, como eram instituídas; o quarto e último eixo foi sobre a experiência de trabalho ou atuação profissional em escolas do meio rural, como eram contratados os professores e professoras e por quanto tempo atuou; e sobre os materiais didáticos disponíveis para desenvolvimento das práticas docentes.

Na medida em que os professores e professoras determinavam a data e o local da entrevista, a autora desta dissertação pediu à colega36 do grupo de pesquisa para abrir a sala na plataforma Google Meet e iniciar a gravação. Ela se apresentava ao(à) entrevistado(a), depois fechava a câmera e o microfone para não interferir no processo. Desse modo, tiveram início as entrevistas narrativas com cada um deles, com a intenção de conhecer suas memórias sobre os modelos de escola, formação à docência e a trajetória na escola rural. As entrevistas foram gravadas com a autorização dos colaboradores, que já haviam sido informados na abordagem inicial para a participação da pesquisa. Na definição de documento oral, Meihy (2005) deixa claro que tudo que é gravado e conservado se constitui em documento ou fonte oral.

Durante as entrevistas, a autora desta dissertação evitou interromper os colaboradores, mantendo-se atenta às respostas e prestando atenção às suas falas, por meio de gestos e evitando dar opiniões. Porém, em alguns momentos das entrevistas, foi necessário que fazer outros questionamentos e perguntas para que os colaboradores pudessem concluir suas respostas. Em muitos casos, as perguntas constantes nos eixos para serem utilizados no segundo momento da entrevista já eram antecipadas pelos colaboradores, não sendo necessário repetir a pergunta depois. Sempre ao final das entrevistas, fazia-se um questionamento se o entrevistado(a) gostaria de acrescentar mais alguma coisa, e geralmente eles contavam mais alguns fatos sobre a trajetória deles.

Após a realização de cada entrevista, algumas anotações eram registradas em uma espécie de diário de bordo. Concluindo todas as entrevistas, fizeram-se as transcrições das narrativas. Para a sistematização e análise dos dados, utilizamos os recursos do software Maxqda37.

36 A colega do grupo de pesquisa EDUCA e mestra Andressa Lima da Silva é professora do Instituto Federal de Rondônia (IFRO), portanto, a plataforma Google Meet permitiu a gravação do conteúdo.

37 Ver: https://www.maxqda.com/workshoptrainer/prof-dr-josemir-almeida-barros. Acesso em: 14 out. 2021.

Segundo Bogdan e Biklen (1994, p. 205), a an lise de dados o processo de b sca e organização sistemático de transcrições de entrevistas, de notas de campo e de outros materiais , e serão utilizados durante a pesquisa. Contudo, a análise dos dados e dos documentos encontrados foi feita sem perder de vista os questionamentos e/ou problematizações entre as fontes.

Para Ludke e André (2018), após a transcrição das entrevistas e organização dos dados, o pesquisador deve proceder várias vezes a leitura dos dados, examinando para detectar temas e tem ticas mais tili adas. Esse procedimento, essencialmente ind ti o, ai c lminar na constr o de categorias o tipologias (LUDKE; ANDRÉ, 2018, p. 50).

Sistematizamos o conjunto de categorias recorrentes nas narrativas analisadas: i) formação e atuação no magistério rural: características dos professores e professoras rurais; ii) organização da escola: normas, modelos, estrutura física e mobiliário e iii) o fazer docente:

práticas pedagógicas, organização da sala de aula e materiais didáticos.

No documento ANDREA CRISTINA MATTEI (páginas 80-83)