2.2 DESIGN
2.2.3 Relevância do Design no contexto econômico
Este item traz pensamentos sobre a importância do design para a economia nacional e internacional em relação à competitividade, inovação, fator de diferenciação, seus reflexos na imagem da empresa, qualidade, satisfação de clientes e usuários, importância para exportação, redução dos custos de produção, preservação ambiental.
Para BAHIANA (1998), o design é um dos fatores de diferenciação de produtos e serviços, destacando que aspectos como: identidade, qualidade e satisfação são condicionantes fundamentais para a manutenção e conquista de mercado, além de ser uma alternativa para a redução dos custos de produção e auxilio na área de preservação ambiental. Destaca que os benefícios de sua utilização são:
• na imagem da empresa: torna-a inovadora, coerente com as novas tendências mundiais. Quando há a mesma identidade visual da empresa e dos produtos, o consumidor olha o produto e o associa à sua imagem;
• na otimização de custos: por usar formas mais eficientes, matéria-prima e processos de fabricação adequados, evitando o desperdício, o design fabrica produtos mais econômicos; • na exportação: um bom projeto facilita a venda no exterior; no aumento da
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77 se diferenciam pelo design. Vence a que se destacar para o cliente por seu design em constante inovação.
Segundo PFEIFER (1999), depois do império das marcas é a vez da arquitetura da empresa e seus produtos como estratégia de longo prazo. O autor apresenta um estudo publicado pela Harvard Business Review que estabelece a chamada “economia da experiência”, em que empresas conquistam espaços ao oferecer sensações agradáveis a seus clientes. Analistas econômicos têm proposto, ainda segundo o autor, que o marketing sensorial (sinônimo de identidade visual e design de ambientes) participa da construção do produto e propõe a experiência de uso como forma de conquistar a lealdade do consumidor. WOOK MIN (2001) confirma esta tendência e prevê para o varejo investimentos de busca pela ambientação no ponto de venda (PDV).
Para PETERS (1998), Design certamente não é meramente "tornar bonito". Quando se torna uma habilidade central, significa o que chama de "atenção ao design", ou seja, como o gerenciamento da qualidade total em sua melhor fase: quando o design faz uma diferença, ele é um modo de vida, e quando é um modo de vida, é parte do esforço para o desenvolvimento de cada produto ou serviço desde o início, não como reflexão tardia. Para Hayes30, apud PETERS (1998), há pouco tempo as empresas competiam em preço; atualmente, competem em qualidade, em pouco tempo competirão pelo design. Peters diz, ainda, que no inicio dos anos 90, Hayes começou a perseguir a possibilidade da vantagem do design para as empresas, e com o acúmulo da sua extensa pesquisa chegou a uma verdade simples: o segredo é design, pois está em tudo e deve ser visto como uma oportunidade. Pode ser uma vantagem fenomenal se a administração estiver permanentemente sintonizada com ele, até mesmo com suas menores manifestações.
O quadro 19 mostra alguns pensamentos sobre a relevância do Design para a economia brasileira e mundial, sob a ótica de alguns autores da área de administração, empresários e políticos:
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Relevância para a economia Fonte
Qualidade perante o mercado passou a ser um pressuposto, enquanto novos diferenciais são exigidos ao lado de preço e inovação. Neste contexto é que o design se apresenta como importante estratégia competitiva, como elemento fundamental para agregar valor e criar identidades próprias a produtos, serviços e empresas.
Francisco Dornelles Cabe ao PDRJ promover o verdadeiro papel do designer, que ainda é confundido como um desenhista técnico
secundário, em que o design se resume à programação visual com enfoque exclusivamente estético. Marcelo Alencar
Produtos e serviços de mundo inteiro são oferecidos aqui, bem como os nossos disputam sua fatia de mercado no exterior. Devemos ser inovadores, eficientes e tenazes para oferecer atrativos adaptados às mais variadas culturas. Devemos, como nossos concorrentes, lançar mão do design.
Marcelo Alencar
Rio com Design: a cidade investe de design para melhorar a qualidade de vida de seus moradores Luiz P. Conde
Após décadas de negligência não há mais como protelar a incorporação do design como fator de competitividade.
CNI
Design ajuda empresa a exportar mais, é um fator decisivo na competição. Gazeta Mercantil,
2/7/99 A diferença tecnológica entre produtos similares, de diferentes fabricantes a desaparecer. Um sistema de
refrigeração não é muito melhor que o outro. Relógios de um fabricante funcionam de maneira tão precisa quanto à de seu concorrente. Assim, o consumidor passa a se nortear pela marca, pelo preço e pelo design.
Gazeta Mercantil, 18/02/1999 Design garante competitividade de empresas nacionais. Diante da abertura do mercado, indústria e comércio
investem em tecnologia e design para atrair consumidor e vencer produtos importados.
Design Urgente, junho/1997 Design é uma atividade crucial no processo de inovação onde as idéias são geradas, não só no domínio da
criatividade, mas também são acopladas entre possibilidades técnicas e demandas e oportunidades de mercado. Freeman, C. 1983
O design tem muito a contribuir no tocante a quase todos os aspectos da visão que a engenharia e o marketing devem exercitar por direito: desde a ergonomia e o design de novos métodos de produção a novos métodos de análise do mercado e condução ou interpretação de pesquisas de mercado. Não são as habilidades rotineiras para esquematizar, formatar ou colorir que transformam o design em um recurso valioso, mas a habilidade multifacetada para contribuir para o trabalho ou outras disciplinas e para estimular, interpretar e sintetizá-lo.
Lorenz, C. 1986
Não compreendo porque o design continua sendo um segredo tão profundo e obscuro. A Sony, a Rubbermaid e
a John Deere entendem disso. Elas ganham (muito) devido ao design. Tom Peters, 1997
Supomos que todos os produtos concorrentes terão basicamente a mesma tecnologia, o mesmo preço, o mesmo
desempenho e as mesmas características. O design é a única coisa que diferencia um produto do outro. Norio Ohga, CEO da Sony
As velhas armas para a diferenciação real tornaram-se inadequadas. A vantagem comparativa não pode mais ser sustentada por muito tempo, com custos menores de tecnologia melhores. A dimensão do design não é mais uma parte opcional de marketing e da estratégia corporativa, mas deve estar em seu núcleo.
Christopher Lorenz Quadro 19. Relevância ou valor do Design para a economia (autores de administração, empresários e políticos) Fonte: Adaptado de Schiavo (2003)