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Fonte: Elaboração Própria

A partir da descrição das variáveis trabalhadas nos mapas acima, passa- se ao seu cruzamento na forma de gráficos. No gráfico 17, relaciona-se a renda média em paridade do poder de compra com a proficiência média no PISA. O resultado é um tanto paradoxal – as diferenças de proficiência entre as tipologias são em parte explicadas pela renda per capita – as tipologias cujos países são mais ricos tendem a ter desempenho melhor do que aquelas cujos países são mais pobres. Por outro lado, é intrigante, o aumento da renda per capita não aumente o desemprenho escolar dentro de cada tipologia. Esperar-se-ia que existisse uma relação causal de mão dupla entre ambas as variáveis (melhor desempenho econômico gera maior desenvolvimento educacional e vice-versa). A única tipologia que apresentou claramente um aumento correlacionado em ambas as dimensões foi a da desarticulação. Por outro lado, o aumento da renda per capita nas demais tipologias se relacionou à queda da proficiência média, embora os resultados no caso da tipologia latino-americana não sejam constantes.

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GRÁFICO 17: PROFICIÊNCIA MÉDIA E RENDA PPP - TIPOLOGIAS

Fonte: Elaboração Própria

No gráfico 18, o resultado é quase o mesmo, embora se substitua a renda per capita pelo IDH, que, cabe lembrar, é composto, também, por indicadores de educação, como anos de escolaridade média e índice de analfabetismo. Ainda que as tipologias com maior IDH tendam a obter uma nota média maior no PISA (com exceção do tipo confuciano, cujo IDH não é tão elevado, mas tem a maior proficiência), o aumento temporal do IDH entre as décadas de 1990 e 2010 dentro de cada tipologia não levou a nenhum aumento óbvio da proficiência.

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GRÁFICO 18: PROFICIÊNCIA E IDH - TIPOLOGIAS

Fonte: Elaboração Própria

Assim, nem o desenvolvimento econômico (operacionalizado pela renda per capita), nem o desenvolvimento social (operacionalizado pelo IDH) parecem ter uma relação muito direta com a proficiência média, ao menos quando o resultado é controlado pela tipologia. Isso, de certa forma, indica que a escolha empírica desta pesquisa, de expandir a análise para além do mundo desenvolvido, não é tão problemática quanto Dubet intuiu, pois o desempenho escolar não está relacionado diretamente ao grau de desenvolvimento. Veja-se, agora, a relação entre o desenvolvimento social e as desigualdades escolares (gráfico 19).

Aqui, os resultados são um pouco mais interessantes. Os países latino- americanos tiveram uma queda acentuada na desigualdade escolar entre as

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décadas de 1990 e de 2010, acompanhada de uma relativa melhora no IDH. O mesmo foi observado nos tipos da reprodução, desarticulação e ex-comunista.

É interessante observar que as desigualdades educacionais da tipologia latino-americana nos anos 2010 são menores do que as desigualdades do tipo da desarticulação e da reprodução nos anos 1990. O IDH dos países latino- americanos selecionados na década de 2010 é, também, quase igual ao do sul da Europa nos anos 1990. Esses fatos indicam que as tipologias devem ser entendidas como fenômenos dinâmicos e passíveis de transformação e não como cristalizações de estruturas sociais atávicas.

GRÁFICO 19: DESIGUALDADES EDUCACIONAIS E IDH - TIPOLOGIAS

Fonte: Elaboração Própria

É provável que a proficiência média no PISA e as desigualdades escolares tenham alguma ligação de longo prazo com o investimento público em educação em proporção do PIB, como já foi indicado na seção 5.1, ainda que países com

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mais recursos econômicos, mensurados a partir da renda per capita, possam investir uma proporção maior do PIB em educação pública. O cruzamento é observado no gráfico 20.

Os resultados são variados. Enquanto, na tipologia latino-americana, o aumento da renda per capita levou a um aumento acentuado do investimento público (que estava, nos anos 2010, quase no mesmo nível dos países desenvolvidos da tipologia da reprodução), nos países ex-comunistas, ele declinou à medida que as economias foram transitando para o capitalismo. Ainda assim, os países do tipo da fluidez são aqueles que investiram, em todas as décadas analisadas, uma maior proporção do PIB em educação.

GRÁFICO 20: INVESTIMENTO PÚBLICO EM EDUCAÇÃO E RENDA PPP - TIPOLOGIAS

Fonte: Elaboração Própria

A teoria do capital humano, em sua forma clássica (SCHULTZ, 1973) postula o impacto do investimento em educação no desenvolvimento econômico

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e social. Autores mais recentes, como Parziali & Scotti (2016), lembram que o investimento em educação é, também, um fator primordial para a inovação social, o que corrobora os resultados acima.

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5.2 Desigualdades, Capital Social e Democracia

Amartya Sen (2010, p. 210) lançou a hipótese de que governos democráticos tendem a ser pressionados por seus eleitores por melhores serviços públicos, ao contrário de ditaduras, que não teriam um interesse intrínseco em melhorar as condições sociais em seus países. Nesse sentido, o autor postula que nunca uma fome coletiva foi registrada em uma democracia, mesmo em lugares pobres, como a Índia. Nesse sentido, governos democráticos podem vir a ser pressionados a diminuir as desigualdades socioeconômicas através, por exemplo, de investimentos em educação e melhor qualidade no serviço prestado. Não é possível deixar de citar, também, o potencial da educação no desenvolvimento de uma personalidade democrática, como proposto por Mannheim (1972).

No mapa 10, apresenta-se a distribuição espacial no índice de democracia do Polity IV Project (MARSHALL; GURR; JAGGERS, 2014). Exemplos de democracias plenas são encontrados na Europa Ocidental, na Anglosfera, no Japão, Indonésia e América Latina, enquanto China, Catar e Vietnã são classificados como regimes autoritários. Alguns países no mundo islâmico e a Rússia encontram-se em uma posição intermediárias.