5 RESULTADOS E DISCUSSÃO
5.1 Rendimentos extrativos dos óleos essenciais
5.1 Rendimentos extrativos dos óleos essenciais
Os valores obtidos para: (a) Massas de folhas coletadas dos espécimens BS1, BS2, BS3 e BS4 nos três períodos do dia e em cada estação do ano; (b) Volume de OE obtido em cada extração; (c) Rendimento do processo de hidrodestilação das folhas; e (d) Rendimento médio e desvio padrão absoluto(s) estão organizados nas TAB. 3-6. Os rendimentos foram obtidos através do quociente entre o volume (ml) obtido de OE após a hidrodestilação e a massa (g) das folhas utilizadas no processo (COSTA, 2009; de BARROS, 2009).
TABELA 3
Massa de folhas de BS1, BS2, BS3 e BS4, coletadas em 12/12/2009 (primavera), volume e rendimento do óleo essencial extraído.
Planta Período Massa (g) Volume (ml) Rendimento v/p (%)
Rendimento médio (%) BS1
Matutino 109,32 0,30 0,27
0,28 ± 0,09 Vespertino 51,79 0,10 0,19
Noturno 26,59 0,10 0,38
BS2
Matutino 65,85 0,10 0,15
0,19 ± 0,04 Vespertino 55,41 0,10 0,18
Noturno 43,56 0,10 0,23
BS3
Matutino 71,26 0,20 0,28
0,26 ± 0,02 Vespertino 39,42 0,10 0,25
Noturno 42,10 0,10 0,24
BS4
Matutino 70,18 0,10 0,14
0,21 ± 0,06 Vespertino 39,05 0,10 0,26
Noturno 42,00 0,10 0,24
TABELA 4
Massa de folhas de BS1, BS2, BS3 e BS4, coletadas em 19/03/2010 (verão), volume e rendimento do óleo essencial extraído.
Planta Período Massa (g) Volume (ml) Rendimento v/p (%)
Massa de folhas de BS1, BS2, BS3 e BS4, coletadas em 18/06/2010 (outono), volume e rendimento do óleo essencial extraído.
Planta Período Massa (g) Volume (ml) Rendimento v/p (%)
TABELA 6
Massa de folhas de BS1, BS2, BS3 e BS4, coletadas em 17/09/2010 (inverno), volume e rendimento do óleo essencial extraído.
Planta Período Massa (g) Volume (ml) Rendimento v/p (%) inverno, assim, não se obteve OE nos períodos vespertino e noturno. A quantidade reduzida de folhas pode estar associada às maiores pressões ambientais que atuam sobre esse espécimen, devido à sua localização geográfica, próximo à estrada de acesso. Esta localização torna esse espécimen mais susceptível a ataques de herbívoros, podendo ocorrer também uma maior competição interespecífica devido à possibilidade de fixação de espécies exóticas invasoras, prejudicando assim o desenvolvimento natural do espécimen. Este fato é reportado por alguns autores como Efeito de Borda (SOBRINHO et al., 2009).
A partir dos dados de rendimento extrativos de OE foi possível a construção dos GRAF. 18-21 referentes a cada espécimen estudado (BS1, BS2, BS3 e BS4). Dessa forma, pode-se observar o perfil de produção ou armazenamento de OE através das variações nos rendimentos das extrações ao longo do dia e em cada estação do ano. A comparação entre as estações somente não é possível para BS4 no inverno, pelos fatores citados anteriormente.
GRÁFICO 1 - Rendimento das extrações circadianas e sazonais do óleo essencial
Matutino Vespertino Noturno Matutino Vespertino Noturno Matutino Vespertino Noturno Matutino Vespertino Noturno
Primavera Verão Outono Inverno
Rendimento % (V/P)
Estações do ano e periodos do dia
0,15
Matutino Vespertino Noturno Matutino Vespertino Noturno Matutino Vespertino Noturno Matutino Vespertino Noturno
Primavera Verão Outono Inverno
Rendimento % (V/P)
Estações do ano e periodos do dia
GRÁFICO 3 - Rendimento das extrações circadianas e sazonais do óleo essencial das folhas de BS3.
GRÁFICO 4 - Rendimento das extrações circadianas e sazonais do óleo essencial das folhas de BS4.
(*) Coleta de folhas não realizada nos períodos vespertino e noturno no inverno.
Pode-se observar que entre os espécimens estudados, não há um padrão circadiano na quantidade de OE obtida. No entanto, há uma tendência desses espécimens a produzir ou armazenar mais OE no verão.
Os rendimentos médios de extração do OE em cada dia de coleta, para cada espécimen, estão representados no GRAF. 22. Observa-se a influência sazonal na quantidade de OE fornecida pelos espécimens estudados: no verão extraiu-se mais OE ao longo do dia e,
0,28
Matutino Vespertino Noturno Matutino Vespertino Noturno Matutino Vespertino Noturno Matutino Vespertino Noturno
Primavera Verão Outono Inverno
Rendimento % (V/P)
Estações do ano e periodos do dia
0,14
Matutino Vespertino Noturno Matutino Vespertino Noturno Matutino Vespertino Noturno Matutino Vespertino Noturno
Primavera Verão Outono Inverno (*)
Rendimento % (V/P)
Estações do ano e periodos do dia
a primavera foi a época em que se obteve volume menor de OE nos diferentes períodos do um baixo nível de precipitação média desde o início da estação até o dia da coleta, pode estar associada à maior produção de OE pela maioria dos espécimens. Esse comportamento vegetal, apresentando maior produção de OE no período do dia em que a temperatura é mais elevada, tem sido evidenciado por vários estudos envolvendo a quantificação circadiana de OE produzido/armazenado por outras espécies vegetais. Outros estudos mostram que as plantas produtoras de OE, em fotoperíodos maiores como ocorre no verão, podem aumentar o teor de OE produzido (de BARROS et al., 2009; GOBBO-NETO & LOPES, 2007;
Primavera Verão Outono Inverno
0,28
TABELA 7
Temperaturas, precipitações médias e desvio padrão (s) referente aos períodos compreendidos do início das estações até os dias de coleta.
Estação do ano
Período de registro das temperaturas
Temperatura média máxima
(ºC)
Temperatura média mínima
(ºC)
Precipitação média (mm) Primavera 23/09/2012 a
12/12/2009 28,20 ± 3,10 17,40 ± 1,80 7,10 ± 20,00 Verão 22/12/2009 a
19/03/2010 29,30 ± 1,90 18,40 ± 1,40 2,40 ± 6,6 Outono 20/03/2010 a
18/06/2010 25,70 ± 2,90 14,80± 3,60 1,50 ± 4,00 Inverno 21/09/2010 a
23/09/2010 23,60 ± 2,40 11,80 ± 3,20 0,10 ± 0,40 Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). Disponível em:
<http://www.inmet.gov.br>. Acesso em 8 ago. 2011.
Vários fatores podem estar associados ao baixo rendimento extrativo (GRAF. 5) observado na primavera, em todos os espécimens. A floração da B. salicifolius ocorre nesse período (Gupta, 2008), época em que foi coletada amostra para confecção da exsicata. Dessa forma, as condições ambientais e o ciclo fenológico da planta podem ter exercido influência na produção/armazenamento de OE. Os baixos rendimentos do teor de OE extraído na primavera coincidem com o maior nível de precipitação média observado em todas as estações do ano, uma vez que as chuvas podem contribuir para redução do teor de OE produzido/armazenado nas folhas. Outro fator a ser considerado é o aumento da biomassa vegetal na primavera devido à presença das flores, o que pode contribuir para uma menor concentração do OE, devido à diluição com o surgimento de novos órgãos (de BARROS et al., 2009; GOBBO-NETO & LOPES, 2007).