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4 REQUISITOS QUE DEVEM SER OBSERVADOS PARA

4.2 Obrigações tributárias de residentes fiscais brasileiros que possuem ativo

4.2.2 Imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza (IR)

4.2.2.2 Rendimentos

A distribuição de lucros de uma empresa brasileira aos seus sócios é isenta de tributação para os beneficiários do rendimento, no entanto, tal isenção não abrange a distribuição de lucros de uma empresa no exterior.

No caso de pessoas físicas, conforme artigo 53, II, da Instrução Normativa RBF nº 1.500/201426, os rendimentos advindos de fonte no exterior sujeitam-se ao recolhimento

mensal obrigatório pelo programa Carnê-Leão independentemente de onde tenham sido auferidos ou de onde os recursos sejam mantidos (RECEITA FEDERAL, 2014).

Ressalte-se, mais uma vez, que não há necessidade de os recursos serem repatriados ao Brasil, basta que os rendimentos estejam à disposição do contribuinte. Além disso, a distribuição de lucros, ainda que de maneira indireta, como na hipótese de

26 Art. 53. Está sujeita ao pagamento mensal do imposto a pessoa física residente no País que recebe: [...]

II - rendimentos ou quaisquer outros valores de fontes do exterior, tais como trabalho assalariado ou não assalariado, uso, exploração ou ocupação de bens móveis ou imóveis, transferidos ou não para o Brasil, lucros e dividendos;

§ 1º Os rendimentos em moeda estrangeira devem ser convertidos em dólar dos Estados Unidos da América, pelo valor fixado pela autoridade monetária do país de origem dos rendimentos na data do recebimento e, em seguida, em reais mediante utilização do valor do dólar fixado para compra pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da 1ª (primeira) quinzena do mês anterior ao do recebimento do rendimento.

§ 2º Os rendimentos sujeitos ao recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão) recebidos por pessoas consideradas dependentes do contribuinte são submetidos à tributação como rendimentos próprios.

§ 3º No caso de serviços de transporte, o rendimento tributável corresponde:

I - a 10% (dez por cento), no mínimo, do rendimento decorrente de transporte de carga e de serviços com trator, máquina de terraplenagem, colheitadeira e assemelhados; e

II - a 60% (sessenta por cento), no mínimo, do rendimento decorrente de transporte de passageiros.

§ 4º No caso a que se refere o inciso II do caput, para fins de compensação do imposto pago no exterior, deve ser observado o disposto no § 2º do art. 65.

§ 5º O disposto no inciso II do caput não se aplica no caso de ganho de capital decorrente da alienação de bens ou direitos e da liquidação ou resgate de aplicações financeiras, adquiridos em moeda estrangeira, e da alienação de moeda estrangeira mantida em espécie.

§ 6º Aplica-se o disposto no inciso IV do caput, independentemente de o beneficiário ser considerado dependente para fins do disposto no art. 90.

Art. 54. Os rendimentos sujeitos ao recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão) devem integrar a base de cálculo do imposto na DAA, sendo o imposto pago considerado antecipação do apurado nessa declaração. Art. 55. O recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão), relativo aos rendimentos recebidos no ano- calendário de pessoas físicas ou de fontes situadas no exterior, será calculado com base nos valores das tabelas progressivas mensais constantes do Anexo II desta Instru o Normativa. (RECEITA FEDERAL, 2014).

pagamento de despesas pessoais dos sócios pela empresa offshore, constitui fato gerador do Imposto de Renda no Brasil.

Nesse contexto, o Carnê-Leão é uma antecipação do imposto anual devido pelo contribuinte e deve ser apurado mensalmente com base na tabela progressiva de Imposto de Renda da Pessoa Física em cada ano-calendário, podendo variar de 0% a 27,5%, e deve ser pago até o último dia útil do mês posterior ao da disponibilidade do rendimento. Cabe salientar que essa sistemática é aplicável a todos os rendimentos, exceto ganhos decorrentes da liquidação ou resgate de aplicações financeiras e ganhos na alienação de bens ou direitos.

O valor do imposto recolhido pelo Carnê-Leão poderá ser descontado do Imposto de Renda devido pela pessoa física ao final do ano-fiscal, calculado quando da entrega da DIRPF.

No que tange às pessoas jurídicas, tendo em vista que elas só poderão optar pelo regime de tributação do lucro real, conforme exposto acima, a tributação dos dividendos auferidos no exterior se sujeitará à mesma regra do ganho de capital, nos moldes do disposto nos artigos 415 e 446 do Decreto nº 9.580/2018 e no artigo 25 da Lei nº 9.249/1995 (BRASIL, 2018, 1995b).

Salienta-se que o imposto de renda pago por pessoas físicas e jurídicas em país com o qual o Brasil tenha firmado acordos, tratados ou convenções internacionais prevendo a compensação, ou naquele em que haja reciprocidade de tratamento, poderá ser deduzido do imposto devido no Brasil, desde que não seja compensado ou restituído no exterior, nos moldes dos artigos 11527 e 46528 do Decreto nº 9.580/2018 (BRASIL, 2018).

27 Art. 115. As pessoas físicas que declararem rendimentos provenientes de fontes situadas no exterior

poderão deduzir, do imposto apurado na forma estabelecida no art. 79, o cobrado pela nação de origem daqueles rendimentos, desde que:

I - em conformidade com o previsto em acordo ou convenção internacional firmado com o país de origem dos rendimentos, quando não houver sido restituído ou compensado naquele país; ou

II - haja reciprocidade de tratamento em relação aos rendimentos produzidos no País.

§ 1º A dedução não poderá exceder a diferença entre o imposto sobre a renda calculado com a inclusão daqueles rendimentos e o imposto sobre a renda devido sem a inclusão dos mesmos rendimentos.

§ 2º O imposto pago no exterior será convertido em reais por meio da utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América estabelecido para compra pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do m s anterior ao do recebimento do rendimento. (BRASIL, 2018).

28 Art. 465. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto sobre a renda incidente, no exterior, sobre os

lucros, os rendimentos, os ganhos de capital e as receitas decorrentes da prestação de serviços efetuada diretamente, computados no lucro real, até o limite do imposto sobre a renda incidente, no País, sobre os referidos rendimentos, ganhos de capital e receitas de prestação de serviços.

§ 1º Para fins de determinação do limite estabelecido no caput , o imposto sobre a renda incidente, no País, correspondente aos lucros, aos rendimentos, aos ganhos de capital e às receitas de prestação de serviços auferidos no exterior, será proporcional ao total do imposto e do adicional devidos pela pessoa jurídica no País.

Por fim, convém ressaltar que, em 2016, foi sancionada a Lei nº 13.254/2016, regulamentada pela Instrução Normativa nº 1627/2016 (BRASIL, 2016a; RECEITA FEDERAL, 2016), que instituiu o Regime Especial de Regularização Cambial e Tributária (RERCT), o qual objetivou incentivar o envio de valores obtidos de forma lícita de volta para o Brasil, para arrecadar quantia considerável aos cofres públicos. Desse modo, para evitar que os recursos repatriados fossem ilícitos, como originários de lavagem de dinheiro, foi necessário um procedimento específico de comprovação.

A legislação se aplicou aos residentes ou domiciliados no país em 31 de dezembro de 2014 que eram proprietários ou titulares de ativos, bens ou direitos em períodos anteriores a 31 de dezembro de 2014.

Para a regularização dos ativos do exterior, o contribuinte deveria pagar Imposto de Renda à alíquota de 15%, além de uma multa de igual percentual. Dessa forma, o custo para a regularização correspondia a 30% do montante mantido de forma irregular no exterior. A partir de então, foram anistiados crimes como evasão de divisas e sonegação fiscal.

De fato, em 2016, o contribuinte que se encontrava com bens omissos e transações financeiras não declaradas experimentou uma verdadeira oportunidade de regularização, que incluía expressamente os investimentos em empresas offshore. Importa salientar que não há previsão de que um novo regime de repatriação seja implantado nos próximos anos no Brasil, ensejando que os investidores observem atentamente os requisitos impostos pela legislação para utilização do instituto de forma lícita.

§ 2º Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto sobre a renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada brasileira no país em que for devido o imposto.

§ 3º O imposto sobre a renda a ser compensado será convertido em quantidade de reais, de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que o imposto foi pago, e caso a moeda em que o imposto tenha sido pago não tiver cotação no País, será ela convertida em dólares dos Estados Unidos da América e, em seguida, em reais.

§ 4º Para fins da compensação do imposto sobre a renda de que trata este artigo, em relação aos lucros, a pessoa jurídica deverá apresentar as demonstrações financeiras correspondentes, exceto na hipótese prevista no inciso II do § 9º do art. 446.

§ 5º Fica dispensada da obrigação de que trata o § 2º a pessoa jurídica que comprovar que a legislação do país de origem do lucro, do rendimento ou do ganho de capital prevê a incidência do imposto sobre a renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado.

§ 6º O imposto sobre a renda retido na fonte sobre rendimentos pagos ou creditados a filial, sucursal, controlada ou coligada de pessoa jurídica domiciliada no País, não compensado em decorrência de a beneficiária ser domiciliada em país enquadrado nas hipóteses previstas no art. 254 , poderá ser compensado com o imposto sobre a renda devido sobre o lucro real da matriz, controladora ou coligada no País quando os resultados da filial, da sucursal, da controlada ou da coligada, que contenham os referidos rendimentos, forem computados para fins de determinação do lucro real da pessoa jurídica no País.

§ 7º O disposto no caput aplica-se à compensa o do imposto sobre a renda a que se refere o 6 . (BRASIL, 2018).

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