A participação das mulheres nos espaços de poder no Brasil ainda é considerada extremamente baixa, segundo os dados do IBGE supracitados. Mesmo que seja em menor quantidade, a presença feminina em termos dos registros de candidaturas é algo fundamental para o fortalecimento da democracia, afinal, a representatividade feminina é relevante em um contexto no qual, como se sabe, ainda há muito preconceito, exclusão e violência contra elas.
Atualmente as mulheres representam grande parte do eleitorado no Brasil, de acordo com informações coletadas no portal eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no ano de 2016, através do estudo denominado: “Estatísticas do eleitorado – Por sexo e faixa etária”. Desta forma, as mulheres contam com 52,2% em números de eleitores e os homens 47,6% entretanto, elas permanecem minoria no Parlamento, no Executivo e no Legislativo, apesar da existência de cotas previstas em lei.
Contudo, esta pesquisa realizada pelo DataSenado em 2014: “Mulheres na Política”, mostra que o principal motivo apontado pelas próprias mulheres para não se candidatarem é a falta de apoio dos Partidos Políticos com 41% das respostas. O curioso é que como se sabe as mulheres, muitas vezes, têm uma jornada tripla de trabalho, como mãe, dona de casa e
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trabalhadora e nesta pesquisa a falta de apoio da família e as tarefas domésticas são pouco citadas, ficando apenas com 6 e 5% das respostas, respectivamente, como mostra a figura abaixo:
Gráfico 1- Mulheres na política
Fonte: Gráfico construído por esta pesquisa a partir de dados do DataSenado, (2014).
Considerando que em sua rotina diária a mulher lida de perto com vários tipos de questões sociais, podemos entender que as mesmas possuem entendimento para impulsionar a representação nos parlamentos ou em outros tipos de poder.
Mas, quando indagadas quanto ao seu interesse pela política, a principal razão da não participação parece ser o controle que os partidos exercem em relação às candidaturas femininas, o que nos mostra que a estrutura de poder dos Partidos Políticos brasileiros é, historicamente, dominada por homens. Apesar de existir no Brasil um sistema de cotas de candidatas, de acordo com a Lei 9.504/97 que estabelece as normas para as eleições, essas vagas geralmente são preenchidas por candidatas “fantasmas”.
No Gráfico 2 podemos observar que a falta de interesse pela política é apontada como a segunda principal causa, e pode ser decorrente desses fatores acima mencionados. A
0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% 45% Falta de apoio dos partidos políticos Falta de interesse por política Dificuldade de concorrer com um homem Falta de opoio da família Tempo dedicado as taferas domésticas Outro NS/NR
Qual o principal motivo que leva uma mulher
a NÃO se candidatar para um cargo politíco?
porcentagem de mulheres que manifestam alto interesse por política é de 13% e está 15 pontos percentuais abaixo dos homens com 28%.
Gráfico 2 – Percentual de interesse por política
Fonte: Gráfico construído por esta pesquisa a partir de dados do DataSenado, (2014).
É bastante curioso que em um mundo onde homens e mulheres compartilham as responsabilidades, os custos e os benefícios da modernidade sejam em sua maioria, os homens quem deliberem na hora da tomada de decisões.
Vivemos num mundo cheio de constantes transformações e as mulheres estão arraigadas no centro dessas mudanças, implantando claras estratégias de gênero tendentes a aumentar a sua cota de participação e de poder social. Embora os papéis sociais tenham se tornado menos rígidos, na maioria das vezes as mulheres continuam como as principais responsáveis pela administração e organização doméstico-familiar.
Ao se tratar de direitos políticos, a mulher precisou enfrentar muitos obstáculos para que fossem reconhecidas em todo o mundo. Durante décadas a mulher foi excluída da categoria de eleitora, sendo o sufrágio “universal” aplicável somente a determinados homens que cerceavam a representatividade feminina pelos interesses masculinos.
0% 10% 20% 30% 40% 50% 60%
NS/NR Nenhum Baixo Médio Alto
Como você avalia o seu interesse por
política?
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No Brasil, a mulher só conquistou o direito de votar sem restrições no ano de 1936, e a partir disso, uma nova luta começou. Uma batalha para que as mulheres colocassem a política como algo que fizesse parte de suas vidas, para que estas começassem a ter sua independência e iniciassem o envolvimento e participação nas decisões da gestão pública (MEDEIROS; CHAVES, 2017, p. 100).
As mulheres foram ganhando espaço, depois de muitos anos de reivindicações e discussões, e desta forma Miguel e Biroli (2014) salientam que “Além desse efeito simbólico, havia a ideia de que o voto era a via de acesso aos espaços de tomada de decisão, que se tornariam mais permeáveis à presença das mulheres e mais sensíveis a suas demandas.” Desta maneira as mulheres estavam conseguindo a sua cidadania, abrindo espaço para uma série de conquistas, que geravam modificações de fato na nossa sociedade, na estruturação das famílias, no mercado de trabalho e nas relações sociais.
É inegável que há um crescimento e fortalecimento da visualização do papel da mulher na sociedade, especialmente ao se falar em empoderamento feminino, estabelecendo lideranças para a igualdade de gênero, tratando todos os homens e mulheres de forma justa no trabalho, indo contra a discriminação social, promovendo educação e formação profissional às mulheres, além de mediar e publicar progressos para alcançar a igualdade de gênero, entre outros.
Mesmo nos aspectos mais cotidianos, como nos desafios que implicam a conciliação das responsabilidades profissionais e familiares, as mulheres vivem um momento de projeção na conquista de seu espaço na sociedade.
No tocante a representatividade feminina, podemos entender que as mulheres conseguiram avançar perante as desigualdades de gênero, mas em relação a participação na esfera política ainda existe discriminação, apesar de as mulheres participarem da política brasileira desde o século XX, foi somente no século XXI, no ano de 2011, que o Brasil elegeu a primeira mulher presidente da república, Dilma Rousseff.