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4.3 REPRESENTATIVIDADES DA UNIDADE OU DO UNO

3.7 Distribuições volumétrica, superficial, linear e pontual

4.3 REPRESENTATIVIDADES DA UNIDADE OU DO UNO

Do ponto de vista das representações, poder-se-ia fazer a representação de como um ser vivo, viveria na dimensão zero. Um ser vivo que só fica parado no mesmo lugar,

Dimensão zero do ponto Formato de representação: Ponto Noção nova: um Vértice

Iniciada e Finalizada pelo Nada

Dentro do ponto não há nenhuma estrutura ou infinitas Equação Geométrica das Dimensões na Zerodimensão: 𝑉 = 1

Dim.D X Var. Dim. Vértice V Elementos no interior da dimensão zero Equação Geométrica das Dimensões 0D 1 1 , 𝑽 = 𝟏

sem opções de movimento, para frente, para trás, para o lado esquerdo ou direito, para cima ou para baixo, poderíamos dizer que ele está confinado na dimensão zero. Como exemplo, poderíamos citar uma bactéria nascida em uma placa de Petri, vinculada à sua gelatina de alimentação. Ela estaria vinculada em sua vivência à limitação da zerodimensionalidade, naquela posição em que o alimento está à sua volta e ela ali permanece. Um exemplo antropológico da zero dimensionalidade seria o de um ser humano em uma prisão, onde ali confinado perde a possibilidade de se movimentar em qualquer direção, condição em que por irresponsabilidade de seus atos anteriores, fica condenado a impossibilitado de realizar mais atos antissociais. Assim sendo, seu livre arbítrio de possibilidades relativas, estariam reduzidas à zerodimensionalidade espacial, ficando limitado em seu movimento para todas as direções do espaço.

Outra analogia do desenvolvimento da vida no planeta que ficou aperfeiçoando seres unicelulares durante três bilhões de anos, e só então começaram a existir os seres multicelulares, multidimensionais e a se tornarem cada vez mais complexos.

Ainda assim, hoje, os seres multicelulares surgem, em origem, da unidade de uma única célula.

O Universo também pela Física surgiu de um ponto singular, através do Big Bang, de onde o Universo mantém sua expansão.

Em razão de todos os corpos existentes poderem surgir, aparecer, ganhar representação geométrica no espaço, a partir de um único ponto, a unidade, dimensão zero, faz-se aqui uma homenagem à unidade que cria todas as outras dimensões. Faz-se isto através de escritos de autores de um passado distante, berço do início das civilizações e seu intelecto. Para isso recorremos à grandes citações da criação, ligadas à unidade, por autores diferentes, de lugares diferentes da Terra e de épocas distintas.

Cita-se inicialmente ao Quadrivium, da idade média, cita-se, Xenófanes, da Grécia e cita-se, Lao Zi ou Lao Tse, da China, na poesia, na prosa, na contextualização de interessantes homenagens ao uno, à unidade, de formas distintas, como se no uno tivesse toda a origem da criação, como ocorre também neste trabalho em que a criação de todos os corpos das mais diversas dimensões, podem ser obtidas pelo uno, o ponto, na virtualidade de todas as criações dimensionais, como se no uno, a unidade, a dimensão zero, reverberasse para toda a criação dimensional e toda a criação dimensional reverberasse para o uno.

De acordo com o primeiro livro, o “Quadrivium, As Quatro Artes Liberais Clássicas da Aritmética, da Geometria, da Música e da Cosmologia”, p. 14, organizado por John Matineau, a representatividade da unidade, na Aritmética, receberia as denominações abaixo.

Unidade. O Uno. Deus. Espelho de maravilhas. A eternidade imóvel. Permanência. Há incontáveis nomes para descrevê-lo.

De acordo com certa perspectiva, não se pode realmente falar do Uno, porque falar dele é torná-lo um objeto, que implica estar separado dele, deturpando, assim, a essência da unidade desde o princípio - que é um enigma misterioso. O Uno é o limite de todas as coisas: o primeiro antes do princípio e o último antes do fim. alfa e ômega, o molde que dá forma a todas as coisas e a única coisa formada por todos os moldes; a origem a partir da qual o universo emerge; é o próprio universo e o centro para o qual este retorna. É ponto, semente e destino. O Uno ecoa em todas as coisas e trata a todos da mesma forma. Sua estabilidade entre os números é sem igual, permanecendo ele mesmo quando multiplicado ou dividido por si mesmo; e a unidade de qualquer coisa é aquela coisa. O Uno é, por si só um todo e não pode existir nada que o descreva.

Todas as coisas estão imersas no oceano sem fim da Unidade. A qualidade da unidade a tudo permeia, e, enquanto não há nada sem ela, também não há nada dentro dela – como ocorre até com uma comunicação ou uma ideia que necessita de partes que se relacionem entre si. Como a luz do sol e a chuva suave, o Uno é incondicional em seu amor, mas sua majestade e mistério permanecem velados e fora do alcance da compreensão, pois somente o Uno pode compreender-se a si mesmo. O Uno é, por si só, um todo, e não pode existir nada que o descreva. O Uno é simultaneamente círculo, centro e o mais puro som. (MARTINEAU, J.; QUADRIVIUM, p.14, 2014).

Segundo Xenófanes (570-475 a.C., 95 anos)):

“O Uno não é nada semelhante ao homem, nem na forma, nem no pensamento. Vê inteiro, pensa inteiro, ouve inteiro. Mas sem esforço ele tudo governa com a força do mental. E sempre habita o mesmo lugar sem nada mover, nem convém deslocar-se de um lado para o outro.”

Aristóteles (384-322 a.C.,62 anos) atribui a Xenófanes, como sendo o primeiro a descrever um ser, que a partir de uma percepção relativa, tinha características unas e a tudo representava. Xenófanes fazia disso uma interpretação sua, desta forma de pensar, comparando a outros pensadores da época. Xenófanes, fundador da escola de Eléa, considerava a unidade no todo.

Aristóteles em seu livro Metafísica, afirma que Xenófanes (570-475 a.C.,95) foi o primeiro a postular a unidade e disse:

A partir desta definição podemos entender o significado dado por esses antigos ensinamentos de que os elementos do mundo natural são uma pluralidade. Outros, no entanto, teorizaram sobre o universo como uma entidade única; mas suas doutrinas não são todas semelhantes em questão de robustez ou em respeito à conformidade com os fatos da natureza. Para os propósitos de nossa atual pesquisa, um relato dos ensinamentos é bastante irrelevante, uma vez que eles não são; enquanto assumem uma unidade, ao mesmo tempo deduzem que o Ser é gerado da unidade assim como da matéria, assim como para alguns físicos, mas

fornecem uma explanação distinta; pois os físicos presumem também o movimento, de qualquer forma quando explanam a geração do universo; mas esses pensadores defendem que ele é imóvel. Entretanto, assim, muito é pertinente para a nossa presente investigação. Parece que Parmênides idealizou da unidade como una em definição, mas Melissus como materialmente una. Assim o primeiro diz que ele é finito e o segundo que ele é infinito. Mas Xenophanes, o primeiro expoente da unidade, (pois Parmênides é dito ter sido seu discípulo), não deu nenhum ensinamento definido, nem pareceu ter concebido quaisquer destas definições de unicidade; mas considerando todo o universo material ele estabeleceu que a unidade é Deus.

Esta escola, então, como temos dito, pode ser descartada para os propósitos da presente investigação; dois deles, Xenophanes e Melissus, podem ser completamente ignorados, como sendo algo muito grosseiro em seus pontos de vista. Parmênides, contudo, pareceu falar com mais significado. Pois ao defender como ele o faz, que o Não Ser, em contraste com o Ser, não é nada, ele necessariamente supõe que o Ser é Uno, e que não há nada além (discutimos essa questão em maior detalhe na Física); mas sendo compelido a concordar com os fenômenos, e assumindo que o Ser é uno por definição, mas múltiplo com respeito à sensação, ele afirma por sua vez duas causas, isto é, dois primeiros princípios, Quente e Frio; ou em outras palavras, Fogo e Terra (ARISTÓTELES, 1952, p. 504) tradução nossa.17

Ainda podemos citar Lao Zi ou Lao Tse (Tzu, Tze) (601-531a.C.,70) filósofo chinês, autor do Dao De Jing ou Tao Te Ching, publicado na própria China, em Chinês e Português, que no Capítulo 39, nos fala sobre a unidade, o resultado fundamental da Equação Geométrica das Dimensões, através de todas as dimensões criadas. Lao Tzi menciona em forma de poesia, em 570 a.C., também relacionando a unidade, como nesta equação, com todos os assuntos da vida e do mundo da época.

Desde a antiguidade, adquiria-se o Um; o céu adquiriu o Um e tornou-se límpido; a terra adquiriu o Um e tornou-se serena; o espírito adquiriu o Um e tornou-se vivificado; os vales adquiriram o Um e tornaram-se plenos; as miríades de seres adquiriram o Um e tornaram-se vivos; os príncipes e reis adquiriram o Um e

17 From this survey we can sufficiently understand the meaning of those ancients who taught that the

elements of the natural world are a plurality. Others, however, theorized about the universe as though it were a single entity; but their doctrines are not all alike either in point of soundness or in respect of conformity with the facts of nature. For the purposes of our present inquiry an account of their teaching is quite irrelevant, since they do not, while assuming a unity, at the same time make out that Being is generated from the unity as from matter, as do some physicists, but give a different explanation; for the physicists assume motion also, at any rate when explaining the generation of the universe; but these thinkers hold that it is immovable. Nevertheless, thus much is pertinent to our present inquiry. It appears that Parmenides conceived of the Unity as one in definition, [20] but Melissus as materially one. Hence the former says that it is finite, and the latter that it is infinite. But Xenophanes, the first exponent of the Unity (for Parmenides is said to have been his disciple), gave no definite teaching, nor does he seem to have grasped either of these conceptions of unity; but regarding the whole material universe he stated that the Unity is God.

This school then, as we have said, may be disregarded for the purposes of our present inquiry; two of them, Xenophanes and Melissus, may be completely ignored, as being somewhat too crude in their views. Parmenides, however, seems to speak with rather more insight. For holding as he does that Not-being, as contrasted with Being, is nothing, he necessarily supposes that Being is one and that there is nothing else (we have discussed this point in greater detail in the Physics); but being compelled to accord with phenomena, and assuming that Being is one in definition but many in respect of sensation, he posits in his turn two causes, i.e. two first principles, Hot and Cold; or in other words, Fire and Earth.(Aristóteles, 1952, p.504)

tornaram-se justos. Alcançaram a supremacia do Um. Se o céu não se tornou límpido, corre o risco de dividir-se. Se a terra não se tornar serena, corre o risco de estremecer. Se os vales não se tornarem plenos, correm o risco de esgotar-se. Se os seres não se tornarem vivos, correm o risco de extinção. Se os príncipes e reis não se tornarem justos, correm o risco de destronamento. Por isso o nobre utiliza a humildade como Princípio. O alto utiliza o baixo como base. Assim, príncipes e reis se autodenominam de solitários, de insuficientes e de desvirtuosos. Isto não seria utilizar a humildade como Princípio? Portanto, nem a reputação plena é obtenível; não desejar a brilho do jade nem a durabilidade da pedra. (LAO ZI, China, Dao De Jing, Cap. 39)

Ainda no Capítulo 42, Lao Tzi nos diz: “O Tao gera o Um. O Um gera o Dois. O dois gera o Três. O Três gera todas as criaturas.” Esta frase está diretamente ligada à intenção desta pesquisa de reconstrução dimensional indo da dimensão zero, a unidade do ponto, que irá gerar a dimensão um, que irá gerar a dimensão dois, que irá gerar a dimensão três e assim por diante gerar todas as outras dimensões superiores.

Esta menção ao uno, de forma poética, se refere a uma analogia que fazemos da tendência de retorno de todas as figuras dimensionais à dimensão zero, o ponto, a unidade do ponto, através de suas variáveis dimensionais, como se o ponto contivesse o uno e o uno se reverberasse para todas as dimensões maiores. Assim sendo, como veremos, através de todas as variáveis adquiridas por toda a criação geométrica através de suas variáveis geométricas dimensionais, há uma expressão de origem, de potencial unitário, que faz estas variáveis se relacionarem em lógica ao uno fazendo à unidade retornar sempre, por meio da relação obtida de infinitas variáveis geométricas dimensionais nas infinitas dimensões, unidas suas construções por meio desta equação geométrica das dimensões, como veremos adiante.