ANTÓNIO DE SPÍNOLA
REQUERIMENTO
Quinta-Feira, 10 de Março de 2011
Exmo. Sr. Chefe do Estado Maior do Exército,
Eu, Aspirante Aluno Diogo Miguel Milhanas Rato, portador do bilhete de identidade militar 05295504, encontro-me a terminar o Curso de Cavalaria da Academia Militar. Nesta fase do curso estou a desenvolver o meu Trabalho de Investigação Aplicada, subordinado ao tema: Caracterização do Comando e Liderança do Marechal António de Spínola.
Com vista à realização de um melhor trabalho tenho a necessidade de aceder a vários documentos existentes no Arquivo Geral do Exército (ArqGEx), nomeadamente o Processo Individual de António de Spínola. Refiro-me especificamente à sua nota de assento, de forma a ter acesso aos louvores e condecorações de que foi alvo. Estes documentos existentes no ArqGEx são muito importantes para que seja possível realizar um trabalho credível, fundamentado e realista, com fontes fidedignas e que retratem o real passado histórico do Marechal António de Spínola.
Desta forma pretendo requerer o acesso ao Processo Individual de António Sebastião Ribeiro de Spínola.
Diogo Miguel Milhanas Rato Asp Al CAV
ANEXO Y: CRONOLOGIA DE SPÍNOLA
1910, 4 Nov: nasce em Estremoz 1916, 5 Jun: morte da mãe
1917: parte para casa dos avós paternos,
na ilha da Madeira
1918: regressa a Lisboa, onde conclui o 2.°
Grau da instrução primária
1920: ingressa no Colégio Militar
1928: matricula-se na Escola Politécnica de
Lisboa, onde completa os estudos preparatórios militares
Promovido a 1° Sargento-Cadete e colocado em Cavalaria 4
1930: ingressa na Escola Militar, onde
escolherá a arma de Cavalaria
1932, 18 Ago: casa com Maria Helena
Monteiro de Barros
1933, 1 Nov: promovido a alferes
1933 - 1934: frequenta o tirocínio da arma Na
Escola Prática de Cavalaria em Torres Novas
1936 - 1939: Chefia como voluntário colunas de abastecimento aos rebeldes franquistas, em Espanha
1937, 1 Dez: promovido a tenente
1939, 23 Out: nomeado ajuda11te-de-
campo do comandante-geral da GNR e seu sogro
Nov: co-fundador e colaborador da
Revista da Cavalaria
1941, Nov: visita pelo lado nazi a frente
germano-soviética em Leninegrado (São Petersburgo)
1942: frequenta o curso de Comandos de
Esquadrão com a classificação de «Muito Apto»
1943, 15 Mar: colocado em Lanceiros 2
como adjunto do comando
1944, 20 Mar: promovido a capitão, assume
o comando do 2.° Esquadrão de Lanceiros 2 21 Out: reingressa na GNR assumindo o comando do 4.° Esquadrão do Regimento de Cavalaria
1945, 5 Fev: regressa ao Ministério da
Guerra
5 Jun: mobilizado para o Estado-
Maior do Comando dos Açores
1946: condecorado com a Medalha de
Mérito Militar de 3ª classe
30 Jan: reassume o comando do 4.°
Esquadrão do Regimento de
Cavalaria da GNR
1947: nomeado para uma missão de estudo
na Guarda Civil espanhola
1948: recebe o grau de Oficial da Ordem
Militar de Avis
1950, Mai: louvado pelo ministro da Guerra
pela acção desenvolvida na Revista da Cavalaria e pelas suas «altas virtudes militares e fé nos destinos do Exército»
1953: nomeado para a comissão de
regulamentos da arma de Cavalaria
1955: como desportista hípico, alcança
diversos prémios nacionais e
classificações honrosas em Madrid e em Barcelona
Jan: integra a administração da
Siderurgia Nacional (até 1964)
Fev: nomeado ajudante-de-campo do
comandante-geral da GNR, General Afonso Botelho
1956, 17 Mar: morte do pai
frequenta o curso para oficial superior, onde obtém a classificação de «Muito Apto»
30 Jun: promovido a major, regressa
ao Regimento de Cavalaria da GNR como adjunto do comando
Ago: presta serviço cm acumulação
na Direcção da Arma de Cavalaria (até Fevereiro de 1957)
1957: condecorado com a Medalha de
Assiduidade de Segurança Pública
1958: condecorado com a Medalha de
Mérito Militar de 2.ª Classe
16 Nov: regressa a Lanceiros 2 como
comandante do 21° Grupo de Esquadrões
1959: condecorado com o grau de
comendador da Ordem Militar de Avis
1961, 9 Jan: promovido a Tenente-Coronel Abr: no rescaldo do «golpe Botelho
Moniz» escreve urna carta a Salazar criticando alguns aspectos da sua acção política
Mai: oferece-se como voluntário para
combater em Angola
Nov: recebe a Medalha de Prata de
Serviços Distintos e embarca para Angola depois de organizar o Grupo de Cavalaria n.° 345
2 Dez: nomeado 2.° Comandante e
Comandante de Lanceiros 2
1963, 25 Jul: condecorado com a Medalha
de Prata de Valor Militar com palma
29 Out: promovido a Coronel,
continua a seu pedido à frente do 345
1964, Mar: regressa a Lisboa e é colocado
na direcção da arma de Cavalaria, cumulativamente com a chefia do serviço de Preboste; condecorado com a Medalha Comemorativa das Campanhas de Angola e com a Medalha de Ouro de Comportamento Exemplar
1965, Nov: frequenta o Curso de Altos
Comandos, que termina com a classificação de «Muito Apto»
1966, Jun: regressa a direcção da Arma de
Cavalaria, onde é inspector
30 Dez: promovido a Brigadeiro 1967, 15 Mar: nomeado 2° Comandante da
GNR
1968, 2 Mai: designado Governador e
Comandante-Chefe das Forças
Armadas da Guiné
Ago: recebe um louvor do Ministro do
Interior pela acção desenvolvida no comando da GNR
1969, 4 Jul: promovido a general por
escolha do Conselho Superior da Defesa Nacional
1970: publica Guiné melhor, com discursos,
mensagens e entrevistas; inicia contactos secretos com o PAIGC; entrega a Caetano o documento «Algumas ideias sobre a estruturação política da nação»
12 Nov: escreve a Caetano dizendo
que ou neutraliza o PAIGC nos
santuários ou «perdemos
irremediavelmente a guerra»; pede autorização para invadir Conacri em 22 (Operação Mar Verde)
1971: publica Linha de Acção, mais um livro
com os seus discursos
1972: publica No Caminho do Futuro,
reunindo discursos e intervenções
18 Mai: encontra-se com o presidente
Leopold Senghor, do Senegal
10 Jun: condecorado pelo Ministro da
Defesa com a Medalha de Ouro de Valor Militar com palma
11 Jul: escreve a Caetano sobre a
revisão constitucional
24 Out: em carta a Caetano avisa
sobre a necessidade de negociar com o PAIGC e da sua vontade de deixar a Guiné
1973: publica o livro Por Uma Portugalidade Renovada
Fev: escreve nova carta a Caetano
sobre o problema colonial
31 Mai: recebe a Ordem Militar da
Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, no grau de Grande Oficial com palma, a mais alta condecoração nacional
9 Jun: solicita ao Ministro do Ultramar
o abandono do cargo na Guiné
6 Ago: regressa a Lisboa em licença,
não voltando à Guiné por não aceitar
a terceira recondução como
Governador e Comandante-Chefe
Set: condecorado com a Medalha
Comemorativa das Campanhas da Guiné
14 Set: encontro com os generais
Venâncio Deslandes e Kaúlza de Arriaga, onde se levanta a hipótese da substituição de Caetano
18 Out: recebe das mãos do
Presidente da República as insígnias de Grande-Oficial, com palma, da Ordem da Torre e Espada
Nov: rejeita o convite de Caetano
para ser ministro do Ultramar
Dez: primeiro contacto com o
Movimento dos Capitães
1974, 17 Jan: toma posse como VCEMGFA; promovido a general de quatro estrelas
Informa Caetano da publicação iminente de um livro seu sobre a questão ultramarina
21 e 24 Jan: encontros com Otelo
Saraiva de Carvalho e Vasco
Lourenço, do Movimento dos
Capitães
22 Fev: publica o livro Portugal e o
Futuro, em que defende uma solução política para a guerra colonial;