Com o intuito de elaborar um projeto condizente com a proposta e a faixa etária escolhida, também tornou-se necessário o estabelecimento de requisi- tos e características como parte das diretrizes para o projeto do brinquedo. Levou-se em consideração os atributos relacionados ao contexto e objetivo da meditação mindfulness e seu praticante, estudados na fundamentação teórica.
Além disto, determinou-se a implementação do Ergodesign como con- ceito para a elaboração de aspectos condizentes com a metodologia do design emocional. Optando-se ainda, pela averiguação dos fatores de segurança ne- cessários ao brinquedo, pois considerou-se que a seguridade do artefato é um característica componente do design centrado no usuário.
Desta maneira, constituíram-se como critérios de referência para requisitos e características do projeto: o formato adequado, a versatilidade e intuitividade no uso, a segurança do artefato, e a inovação.
ERGODESIGN
Moraes (2013) atesta que a ergonomia é uma ciência que estuda o com- portamento e reações do sujeito em relação ao seu trabalho, atentando-se ao modo como ele realiza sua tarefa, e ao ambiente da estação de trabalho.
Mont’Alvão e Damazio (2008) relatam que quanto ao design, além da atratividade e funcionalidade do projeto, há uma contribuição cultural que reflete a civilização de sua época. Em acréscimo, surge a integração dos termos “Ergonomia” e “Design”, configurando o termo “Ergodesign”.
[...] um importante conceito desenvolvido para construir uma ponte e tornar mais eficiente uma interação entre as duas disciplinas. [...] A sinergia e simbiose dessa união
As autoras também apontam que como frutos dessa integração há uma contribuição para a qualidade de vida, aumento do bem-estar e desempenho dos produtos. Moraes (2013, p.3) colabora, explanando que “[...] ergodesign garante a otimização do desenvolvimento das tecnologias da ergonomia e do design no processo criativo”, e ainda, que se trata de um conceito novo.
Com relação ao fator emocional, Mont’Alvão e Damazio (2008) constatam que pela perspectiva da Ergonomia, o “conforto físico” e a “usabilidade” são termos relacionados a satisfação do usuário, fazendo com que aspectos emo- cionais nem sempre sejam considerados. No entanto, as autoras expõem que
A inclusão do fator emocional como fator humano, atri- buindo ao produto a propriedade de atender a aspirações qualitativas como fantasia e ideologia, já é reconhecida como importante em design. (MONT’ALVÃO; DAMAZIO, 2008, p.17)
Mont’Alvão e Damazio (2008) apontam que no projeto de Ergodesign, o desenvolvimento dos produtos está centrado no usuário, considerando a dimensão emocional, visto que a agradabilidade se torna um atributo não simplesmente do produto, mas da interação entre um produto e uma pessoa. As autoras consideram ainda as formas de uso, efeito e ação do usuário tam- bém como parte do Design Emocional, em virtude do aumento da imposição de satisfazer mais que somente as necessidades mecânicas do projeto.
Para este trabalho tomou-se o conceito de Ergodesign exposto por Mont’Alvão e Damazio (2008), pois defende uma abordagem interdisciplinar. Além disso, pondera o aspecto emocional, o processamento de dados ergo- nômicos no processo projetual proposto, e também a satisfação de alguns requisitos prováveis, tais como conforto postural, adequação dimensional, segurança no uso, lógica do processamento cognitivo, facilidade de manipu- lação, e compatibilidade de movimentação.
Oliveira (2013) afirma que por ser um período de desenvolvimento físi- co, a infância é marcada por um gradual crescimento da altura e do peso da
à ergonomia. Conclui-se que em um projeto para crianças deve-se atentar para a existência de variáveis de grandes proporções no que se refere às dimensões corporais entre as faixas etárias das crianças, a fim de obter critérios adequados na elaboração do projeto.
Com relação à antropometria, Boueri (2008, p. 27) destaca que trata-se da
Aplicação dos métodos científicos de medidas físicas nos seres humanos, buscando determinar as diferenças entre indivíduos e grupos sociais, com a finalidade de se obter informações utilizadas nos projetos de arquitetura, urbanismo, desenho industrial, comunicação visual e de engenharia, e, de um modo geral, para adequar esses produtos a seus usuários [...].
Pequini (2005) relata que para o desenvolvimento de produtos ergonômicos, faz-se necessária a aplicação correta das dimensões humanas, mas, devido a variáveis das dimensões durante o crescimento, o uso de dados antropométri- cos em um projeto para crianças torna-se complicado. Assim, sugere-se como solução, a utilização de dados relacionados à intervalos entre faixas etárias, definindo relações de maior e menor usuário de acordo com o parâmetro de idade. Em consonância, segundo Dahrouj e Paschoarelli (2007), o design de produtos para crianças deve, necessariamente, considerar os aspectos físicos e cognitivos próprios da faixa etária específica.
Todavia, mesmo utilizando como respaldo dados específicos de uma faixa etária, deve-se atentar para a não linearidade no crescimento físico das crianças, aonde de acordo com Iida (2016), diversos fatores como faixa etária, etnia ou nutrição, podem influenciar na velocidade de crescimento.
Por exemplo, duas crianças que tenham a mesma estatura aos cinco anos de idade e alcancem a mesma estatura final,
Assim, as escolhas relacionadas às dimensões do projeto de produto aqui exposto, foram baseadas na pesquisa comparativa de produtos dentro do con- texto da faixa etária escolhida para este trabalho, levando em consideração os fatores de satisfatoriedade de prováveis requisitos do ergodesign.
Ademais, os aspectos do Ergodesign em congruência com as conclusões obtidas das técnicas heurísticas aplicadas, constituíram os seguintes critérios de referência para o projeto: o formato adequado, a versatilidade no uso, a segurança no uso, a inovação e a intuitividade do usuário.