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Requisitos e Normalização

2. PAVIMENTO INTERTRAVADO DE CONCRETO

2.9 Requisitos e Normalização

A seguir serão apresentadas as principais normas nacionais relacionadas à avaliação de PCP e execução de pavimentos intertravados. Também serão abordadas algumas normas internacionais e seus respectivos requisitos para certificação e aceitação das peças.

2.9.1 NORMAS NACIONAIS

Atualmente, a principal norma vigente em território nacional e voltada especificamente à avaliação de PCP é a ABNT NBR 9781, de 2013. Sua função é estabelecer os requisitos e métodos de ensaio exigíveis para aceitação de peças. Além das dimensões e tolerâncias máximas permitidas, a norma traz ainda os valores limites exigidos para os ensaios de resistência à compressão, absorção de água, resistência à abrasão, critérios a serem observados durante a inspeção visual e processo de amostragem. Alguns desses parâmetros são apresentados pela Tabela 1.

Tabela 1 - Requisitos da ABNT NBR 9781: 2013

Requisitos Limites aceitáveis

Tolerâncias dimensionais (mm) Comprimento ≤ 250 ± 3 Largura * ≥ 97 ± 3 Espessura ≥ 60 ± 3 Resistência à compressão (MPa)

Tráfego de pedestres, veículos leves e veículos comerciais de linha ≥ 35 Tráfego de veículos especiais e efeitos de

abrasão acentuados ≥ 50 Absorção de água (%) ** ≤ 6 Resistência à abrasão

(largura da cavidade em mm)

Tráfego de pedestres, veículos leves e veículos comerciais de linha ≤ 23 Tráfego de veículos especiais e efeitos de

abrasão acentuados ≤ 20 * medida real da largura mínima na área da peça destinada à aplicação de carga no ensaio de resistência à compressão. As peças podem apresentar pontos com largura inferior a 100 mm, desde que possuam uma área plana isenta de rebaixos e juntas falsas onde possa ser inscrito um círculo de 85 mm de diâmetro.

** não são admitidos valores individuais maiores do que 7 %.

Fonte: Adaptado de ABNT NBR 9781 (2013)

Uma outra norma nacional relacionada às PCP é a ABNT NBR 15953: 2011. Esta, por sua vez, estabelece os principais requisitos para a execução do pavimento intertravado. A norma conta com a atribuição das responsabilidades do processo, passando pelas etapas de projeto, execução em si e fiscalização. Exigências na construção das camadas que compõem o pavimento (subleito, base e/ou sub-base, camada de assentamento), tais como: distribuição granulométrica recomendada, ferramentas e equipamentos necessários. Por fim também são apresentadas instruções para transporte e recebimento das peças, ajustes e arremates no

assentamento, inspeção final para liberação do tráfego bem como condições para boas práticas no cumprimento da limpeza e manutenção do pavimento.

2.9.2 NORMA BRITÂNICA

Instituída em maio de 2003 pela Instituição Britânica de Normalização (BSI) com o título “concrete paving blocks requirements and test methods”, a BS EN 1338: 2003 consta de definições gerais, requisitos de materiais e produtos fabricados, critérios para a avaliação da conformidade dos produtos produzidos e oito anexos voltados à descrição dos ensaios requeridos. Em função da sua credibilidade no cenário internacional, a norma britânica passou a ser adotada pelo Comitê Europeu de Normalização (CEN) sendo inserida no Eurocode e tornando-se a base para as versões de vários países europeus, países do Oriente Médio (entre eles a Turquia), e da África, como é o caso do Egito.

Como diferenças principais entre a norma brasileira e a norma britânica, têm-se por parte da segunda a exigência de ensaios de ciclos de gelo e degelo (que em função das condições climáticas não se aplicam ao Brasil), resistência à frenagem/escorregamento e o ensaio de tração por compressão diametral como forma de avaliação da resistência mecânica das peças. A Tabela 2 traz alguns dos principais requisitos propostos pela norma britânica.

Tabela 2 - Requisitos da BS EN 1338: 2003

Requisitos Limites aceitáveis

Tolerâncias dimensionais (mm)

Altura da peça Comprimento Largura Espessura < 100 ± 2 ± 2 ± 3 > 100 ± 3 ± 3 ± 3 Resistência à tração por

compressão diametral (MPa)

Resultados individuais > 3,6 Carga/comprimento da

seção de ruptura (N/mm) > 250

Absorção de água (%) ≤ 6

Resistência à abrasão (largura da

cavidade em mm) ≤ 23

Fonte: Adaptado de BS EN 1338: 2003

2.9.3 NORMAS NORTEAMERICANA E CANADENSE

Na Tabela 3 serão abordados alguns limites requeridos pela normalização dos Estados Unidos e do Canadá, no que se refere às dimensões, bem como às propriedades físicas e mecânicas das PCP.

Tabela 3 - Requisitos nos Estados Unidos e Canadá Requisitos

Limites aceitáveis

Estados Unidos

ASTM C936: 2016 A231.2: 1995* Canadá CSA Tolerâncias dimensionais (mm) Altura da peça ≥ 60 ± 3,2 ± 3 Comprimento ± 1,6 -1/+2 Largura ± 1,6 -1/+2 Resistência à compressão (MPa) Média ≥ 55 ≥ 50 Valores individuais ≥ 50 ≥ 45 Geometria dos

corpos de prova Peça inteira

Cubo ou cilindro extraído da peça (diâmetro/altura=1/1) Absorção de água (%) Média ≤ 5 - Valores individuais ≤ 7 - Resistência à abrasão Perda de material em (massa ou volume) ≤ 15 cm³/cm² - Perda na espessura (mm) ≤ 3 -

Fonte: Adaptado de ASTM C936: 2016 e Fioriti (2007)* 2.9.4 RESISTÊNCIAS EXIGIDAS EM OUTROS PAÍSES

Na África do Sul, a norma SANS 1058: 2009 adota o ensaio de resistência à compressão para avaliação das PCP e estipula como valores mínimos: de 25 MPa para peças submetidas ao tráfego de veículos leves e 35 MPa para o tráfego de veículos pesados. Enquanto isso, na Austrália e Nova Zelândia a norma AS/NZS 4456.4: 2003 exige que as peças tenham 15 MPa de resistência à compressão quando instaladas em ciclovias e estacionamentos, 25 MPa para o tráfego de veículos leves, e 60 MPa quando submetidas à circulação de veículos especiais (BITTENCOURT, 2012).

Segundo Fioriti (2007), os valores mínimos de 35 MPa e 50 MPa para resistência à compressão, exigidos pela normalização nacional, se mostram um tanto quanto elevados quando comparados ao que estabelecem países como Austrália e África do Sul. Algo que deveria fomentar discussões acerca da possível criação de novas classes de resistência. Classes que permitissem valores menores e compatíveis com a aplicação em calçadas, praças e demais locais tomados pelo trânsito leve. De acordo com o autor, tal decisão também permitiria a redução dos custos de produção, atendendo ao mesmo passo ao aspecto ambiental, uma vez que, peças com resistências menores demandariam por um menor consumo de cimento.