CAPÍTULO 5 O MODELO PROPOSTO
5.2 REQUISITOS DO MODELO
O modelo formulado foi idealizado para viabilizar a incorporação do raciocínio não- monotônico à capacidade semântica de suporte às funcionalidades analíticas dos SAD, de forma a capacitá-los para atenuar as restrições à racionalidade do processo decisório, as quais são apontadas nos diversos modelos de tomada de decisão. Ele representa o objetivo geral do presente trabalho de pesquisa, tendo sido concebido como uma extensão daquele modelo originalmente vinculado ao paradigma DDM-Diálogos, Dados e Modelos. Sua viabilidade, entretanto, está condicionada à observância de alguns requisitos relacionados aos três sistemas que o integram, quais sejam: O Sistema
de Dados, O Sistema de Modelos e o Sistema de Interface. São requisitos relacionados tanto ao modelo original, como também decorrentes da extensão nele introduzida, sendo que a explicitação dos mesmos corresponde ao sétimo objetivo específico desta tese.
Quanto ao Sistema de Dados, ele deve incluir uma base de dados com o conteúdo relevante para o domínio da aplicação do SAD, a qual deve ser “separada dos bancos de dados de processamento de transações” (BARBOSA et al., 2006) ou, nas palavras de Laudon e Laudon (2001, p.617), “de modo a não utilizar de forma direta as bases de dados organizacionais”. Para tanto, pelo menos três requisitos devem ser contemplados pelo modelo. O primeiro refere-se à interconexão com depósitos de dados vinculados aos sistemas de informação internos da organização, inclusive ao data warehouse, se existir. Já o segundo, diz respeito ao acesso a bases de dados externos a ela. Estes dois requisitos estão relacionados à viabilização da criação desta base de dados específica do SAD. O terceiro requisito refere-se ao mecanismo capaz de gerir a base de dados própria do SAD, o qual também deve permitir ao usuário do sistema introduzir, de forma direta, dados adicionais na referida base.
No que se refere ao Sistema de Modelos, ele deve conter os modelos sobre os quais se sustenta a capacidade semântica vinculada à funcionalidade analítica exigida de um SAD, além do seu sistema gerenciador, formando o conhecimento e “inteligência” do sistema. Para tanto, os modelos precisam representar de forma abstrata objetos, componentes, fenômenos e relações relativos ao contexto de uma aplicação. Eles constituem a interpretação explícita do entendimento de uma situação, ou, conforme Negri (2008), “as idéias acerca daquela situação”.
Para viabilizar a integração do raciocínio não-monotônico aos sistemas de suporte e, por consequência, ao próprio processo decisório, algumas condições são impostas. O Sistema de Modelos deve ser capaz de representar o conhecimento que expressa a abstração semântica do conhecimento relacionado ao escopo da aplicação, sendo este o seu requisito mais básico. Adicionalmente, deve permitir que seja possível explorar este conhecimento com inferências realizadas através de um mecanismo de raciocínio computacional automático; oferecer funcionalidades para integrar um dos formalismos de tratamento da não- monoticidade no sistema, e ainda, tornar possível a incorporação de um SMV- Sistema de Manutenção da Verdade. O SMV é o dispositivo com o qual será preservada a consistência da base de conhecimentos diante das circunstâncias inerentes ao raciocínio não-monotônico, tais como
violações, contradições, reconsiderações e retratações. O último requisito do Sistema de Modelos é um sistema gerenciador, por meio do qual seja possível manter a base de conhecimentos, além de oferecer suporte aos demais sistemas.
Finalmente, no que toca ao Sistema de Interface, ele deve disponibilizar recursos para que o usuário possa comunicar-se e comandar o SAD. Deve ser registrado que a intensa interatividade entre o usuário e o sistema é uma das características que distingui esta família de sistemas das demais, exigindo, portanto, que o Sistema de Interface esteja devidamente qualificado para tal. O Quadro 10 sintetiza os requisitos de um Modelo de Engenharia do Conhecimento para integrar o raciocínio não-monotônico aos SAD.
Descrição do Requisito e Justificativa
- Incluir uma base de dados específica. Não utilizar de forma direta as bases de dados organizacionais;
- Oferecer interconexão com depósitos de dados vinculados aos sistemas de informação internos da organização, inclusive ao data warehouse, se existir. Permitir construir sua própria base de dados.
- Oferecer interconexão com depósitos e fontes de dados externos à organização. Permitir construir sua própria base de dados.
- Dispor de um mecanismo capaz de gerir a base de dados própria do SAD. Disponibilizar os dados às várias funções e processamento; e também permitir ao usuário introduzir, de forma direta, dados adicionais na referida base.
- Conter os modelos sobre os quais se sustenta a capacidade semântica vinculada à funcionalidade analítica exigida de um SAD. Representar de forma abstrata objetos, componentes, fenômenos e relações relativos ao contexto de uma aplicação.
- Oferecer um mecanismo de raciocínio computacional simbólico. Tornar possível explorar este conhecimento com inferências (realizadas através de “cálculos lógicos de uma álgebra semântica”) potencialmente úteis à qualificação de um processo de tomada de decisão.
- Oferecer recursos para integrar um dos formalismos de tratamento da não- monoticidade no sistema. Permitir a integração do raciocínio não-monotônico à capacidade semântica de suporte às funcionalidades analíticas exigidas do SAD. - Dispor de um Sistema de Manutenção da Verdade-SMV. Preservar a consistência da base de conhecimentos diante das circunstâncias inerentes ao raciocínio não- monotônico, tais como violações, contradições, reconsiderações e retratações. - Oferecer um sistema gerenciador de modelos. Possibilitar a manutenção do(s) modelo(s), além de oferecer suporte aos demais sistemas.
- Oferecer recursos para o usuário interagir com o sistema. Viabilizar ampla interatividade entre o usuário e todos os componentes e funções do SAD. Quadro 10 - Requisitos para Integrar o Raciocínio Não-Monotônico Fonte: Do Autor