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3 – SITUAÇÃO LÍQUIDA (1-2)

2.6 AVALIADORES E ORGANIZAÇÕES NORMALIZADORAS Este item aborda os requisitos de formação profissional e

2.6.1 Requisitos para profissionais avaliadores

Gilbertson e Preston (2005, p. 123) constataram que no Reino Unido há um forte interesse público na integridade do processo de avaliação. A busca por normas de avaliação consistentes e transparentes não deve ser apenas da responsabilidade de profissionais da avaliação, mas também dos governos e de outras partes interessadas. As pessoas que utilizam serviços de avaliação esperam que os profissionais cumpram as normas fundamentais, possuam independência, integridade e objetividade. Verificaram, ainda, que nos EUA o licenciamento de avaliadores é controlado pelo poder público e que a averbação de certificações interestaduais é muito limitada.

Nos EUA diversas organizações disponibilizam processo de certificação de profissionais voltados à atividade de avaliação de empresas e negócios. O Quadro 11 apresenta um panorama das certificações que algumas organizações oferecem, mediante o cumprimento de requisitos, tais como formação acadêmica, experiência profissional, testes escritos e atendimento de educação continuada.

Organização Certificação Educação e certificações Experiência em avaliação de negócios Teste Educação continuada

AICPA (1) ABV (1a) Nível superior CPA 10 avaliações de negócios 8 horas de exame escrito 60 horas a cada 3 anos ASA (2)

ASA (2a) Nível superior 3 anos de experiência 12 horas de exame escrito 40 horas a cada 5 anos AM (2b) Nível superior 1,5 anos de experiência 12 horas de exame escrito 40 horas a cada 5 anos

IBA (3) CBA (3a) Nível superior 90 horas de trabalhos de alto nível ou 5 anos de experiência (em tempo integral) em avaliação de negócios 6 horas de exame escrito 24 horas a cada 2 anos

AIBA (3b) Nível superior Não há exigência 4 horas de exame escrito 24 horas a cada 2 anos BVAL (3c) None CBA, CVA,

CSA ou ABV Não há exigência 4 horas de exame escrito 24 horas a cada 2 anos NACVA (4)

CVA (4a) Nível superior CPA Não há exigência 5 horas de exame escrito 36 horas a cada 3 anos AVA (4b) Nível superior 2 anos ou 10 avaliações de negócios 5 horas de exame escrito 36 horas a cada 3 anos

(1) AICPA - American Institute of Certified Public Accountants (1a) ABV - Accredited in Business Valuation

(2) ASA American Society of Appraisers (criada inicialmente como organização de avaliação de imóveis)

(2a) ASA - Accredited Senior Appraiser (2b) AM - Accredited Member

(3) IBA - Institute of Business Appraisers (especializada em pequenos negócios e sociedades fechadas)

(3a) CBA - Certified Business Appraiser

(3b) AIBA - Accredited by IBA (certificação para iniciantes) (3c) BVAL - Business Valuator Accredited for Litigation (4) NACVA - National Association of Certified Valuation Analysts (4a) CVA - Certified Valuation Analyst

(4b) AVA - Accredited Valuation Analyst

Quadro 11: Organizações e requisitos de certificação de avaliadores de negócios Fonte: Adaptado de Modica (2006, p. 188).

Com o propósito de certificar a competência e a imparcialidade do profissional avaliador em audiências, Modica (2006, p. 199) elaborou um conjunto de perguntas e questões a serem respondidas pelo especialista em avaliação de empresas. As indagações se referem à capacitação (treinamentos), experiência profissional, aspectos do processo de avaliação e discernimento técnico-profissional.

1 – Quanto à capacitação e experiência do avaliador:

-

Que tipo de capacitação em avaliação de empresas você possui?

-

Você possui certificação como profissional avaliador de empresas?

-

Que outras certificações/qualificações profissionais você possui?

-

Quantas avaliações de empresas que você concluiu?

-

Você tem alguma relação com as partes ou os advogados

nesta disputa?

-

Quais artigos você escreveu e quais palestras proferiu, relacionados com avaliação de empresas?

2 - Quanto ao processo de avaliação:

-

Você visitou o site da empresa?

-

Você se reuniu com a equipe de gerenciamento do negócio que está sendo avaliado, e em caso afirmativo, com quem?

-

Como você planejou o trabalho de avaliação da empresa? 3 - Quanto ao discernimento profissional:

-

Qual o padrão de valor (moeda e fator de correção) que você usou na avaliação e por quê?

-

Qual o método de avaliação e metodologia você usou e por quê?

-

A metodologia que você usa é aceita no seu campo de atuação?

-

Quais os ajustes que você fez na Demonstração de Resultados e/ou no Balanço Patrimonial?

-

O que representa ou retrata a sua taxa de desconto?

-

Como você determinou a taxa de desconto e por que o

método que você usou foi o mais adequado?

-

Que descontos e prêmios você estipula como adequados?

-

Como você determina descontos e prêmios?

-

De que forma sua abordagem / metodologia diferem dos outros especialistas?

-

Por que a sua abordagem / metodologia de avaliação é a melhor para a empresa em questão?

Segundo Crosby, Murdoch e Lavers (2002), no que se refere às avaliações realizadas no Reino Unido, o laudo pericial apresentado ao Juízo deve ser tomado como fruto de um trabalho independente do

perito assistente, influenciado unicamente, na forma e no conteúdo, pelas exigências da resolução do litígio. Tal documento deve apresentar pontos de procedimentos e conduta desejáveis do profissional avaliador (assistente técnico) numa disputa judicial, nos seguintes termos:

- o profissional deve fornecer assistência ao tribunal por meio de parecer imparcial e objetivo, em relação às matérias da sua especialidade;

- o profissional não deve assumir o papel de um advogado; - o profissional deve indicar os fatos ou pressupostos sobre os

quais sua opinião se baseia, como também não deve deixar de considerar fatos que poderiam prejudicar a sua opinião ou conclusão;

- o profissional deve deixar claro quando uma determinada questão ou questões escapam da sua competência;

- o profissional não poderá afirmar que um relatório contém a verdade, toda a verdade e nada mais que a verdade, sem que a sua qualificação esteja especificada no relatório.

Ainda argumentando sobre regras que devem ser obedecidas pelos profissionais perante a justiça do Reino Unido, os autores enumeram pontos que devem ser respeitados quando da elaboração do laudo pericial:

- ser dirigido ao Juízo e não à parte que forneceu as informações ou instruções;

- dar detalhes sobre as qualificações do profissional;

- dar detalhes da literatura ou outro material adotado nos procedimentos;

- apresentar relato fundamentando a opinião e que vai sintetizar e dar razões para a própria conclusão do profissional;

- apresentar um resumo das conclusões;

- apresentar o teor das instruções (escrita e oral) recebidas do cliente;

- declarar que tem consciência de seu dever perante o Juízo que cumpriu com essa obrigação.

Por fim, afirmam que há abundância de evidências de que muitos juízes, advogados e partes estão insatisfeitos com o desempenho dos profissionais especialistas (peritos). Diagnosticam que, no Reino Unido, a maioria dos problemas com a prova pericial surge porque o profissional é contratado inicialmente como parte da equipe que investiga as teses e as alegações de uma determinada parte e depois há

mudanças de papel, quando é instado a fornecer prova pericial independente para subsidiar a decisão do Magistrado.

No campo das transações de empresas, especificamente no que se refere aos pequenos negócios e sociedades fechadas, Thom e Greif (2008, p. 122) realizaram pesquisa e constataram que muitos avaliadores são envolvidos em uma única avaliação durante a sua carreira. Como resultado, as transações ocorrem num ambiente com os participantes carentes de compreensão dos métodos de avaliação da empresa, buscando encontrar fórmulas simplistas para calcular valores de negócio de forma rápida e cômoda. Corretores de negócios incentivam as abordagens simplistas e estereotipadas com ênfase no uso dos múltiplos do EBITDA, como modelos de avaliação para pequenas empresas, completam.

Devaney (2003) também vê um mercado ineficiente para as transações envolvendo pequenas empresas de capital fechado, exatamente pela utilização de múltiplos de EBITDA. Nestas circunstâncias, os dados podem ser objetos de manipulação por parte do vendedor, que se prevalece da falta de informações por parte do interessado. A ingenuidade do comprador inexperiente cria oportunidade para os corretores de negócios influenciarem o comprador e o vendedor a ajustar um preço que não reflete o real valor do negócio.