O Código Civil traz que aos 18 anos, a pessoa fica habilitada para prática da vida civil, ou seja, tem capacidade para fazer contrato do âmbito consumerista. Vale ressaltar que o próprio CC vislumbra as situações de incapacidade absoluta e relativa, previsto nos arts. 3º e 4º do CC13.
Aduz o art. 166 do CC, in verbis: “166. É nulo o negócio jurídico quando: I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz; (...)”. A questão, é que na relação de consumo de modo virtual não dá para identificar se a parte que esta adquirindo o serviço ou produto é uma pessoa capaz, pois as partes não estão em meio físico e sim virtual.
Assim traz em sua doutrina José Wilson Boiago Júnior:
Especificamente no contrato eletrônico, além da verificação da capacidade dos agentes, deve ser analisada a identificação de cada um deles, pois, na
A importância de identificar a pessoa na relação de consumo é para trazer mais segurança jurídica no negócio comercializado. Assim o art. 104 do CC14, traz a validade da relação jurídica. Por exemplo, se um menor comprar um objeto pela Internet não será possível determinar essa capacidade, pois provavelmente esse
13 Art. 3o São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil: I - os menores de dezesseis anos; II - os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para a prática desses atos; III - os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade. Art. 4o São incapazes, relativamente a certos atos, ou à maneira de os exercer: I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; II - os ébrios habituais, os viciados em tóxicos, e os que, por deficiência mental, tenham o discernimento reduzido; III - os excepcionais, sem
consumidor para efetivar a compra deverá usar dados de algum responsável que detenha essa capacidade para compra pela Internet. Por isso que os site solicitam dos consumidores tenham cadastro, em que através dos bancos de dados, para que antes de efetivar qualquer aquisição o fornecedor tenha segurança no seu comércio, não correndo nesse momento da relação de consumo risco ao seu negócio. Assim tendo segurança em comercializar seus produtos ou serviço com os consumidores.
3.2.2 Do Objeto
Na relação de consumo o objeto deve ser lícito, pois o ordenamento jurídico pátrio proíbe comercialização de objeto ilícito. Deve ser possível, porque na relação de consumo o fornecedor só pode oferecer aquilo que pode produzir ou o prestar a sua comercialização. E por fim o objeto da relação de consumo deve ser determinado ou determinável, ou seja, o fornecedor deve oferecer aquilo que pode cumprir, sendo que o consumidor deve saber o que está adquirindo como exemplo de um produto, ou determinável em uma prestação de serviço.
Segundo a doutrinadora Maria Helena Diniz:
Para que o negócio jurídico se repute perfeito e válido deverá versar sobre objeto lícito, ou seja, conforme a lei, não sendo contrário aos bons costumes, à ordem pública e a moral. (...) deve ser possível, física ou juridicamente, o objeto do ato negocial (...). Se o objeto for determinado, as partes deverão descrevê-lo; se for determinável, bastará indicação do gênero e quantidade (CC, art. 243), em caso de venda de coisa incerta, que será determinada pela escolha. E, na hipótese de venda alternativa, a indeterminação cessará com o ato de concentração (CC, arts. 166, II, 243 e 252)”. (DINIZ, 2010, pgs. 464 e 465).
Então quando o consumidor compra um produto ou contrata algum serviço o objeto de cada atividade deve ser possível tanto no âmbito jurídico ou físico, pois não pode comercializar algo impossível, além disso, o bem deve ser determinado, ou seja, o produto propriamente dito, e se for serviço poderá ser determinável. Por fim o
fornecedor deve comercializar objetos lícitos, sob pena de estar praticando atos ilícitos e ser responsabilizado além do âmbito civil, mas também criminalmente.
3.2.3 Da Forma
Na relação de consumo a forma se dará de maneira livre, nos contratos eletrônicos. Assim traz o art. 107 do CC: “Art. 107. A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir”.
Sendo de forma livre não precisa seguir o que regra o art. 585, inciso II do CPC15, pois segundo tal ordenamento, para considerar um título extrajudicial precisaria de assinatura de duas testemunhas, o que para a relação de consumo por meio eletrônico, não precisa exigir tal disposto para que tenha validade como um documento extrajudicial.
Para José Wilson Boiago Júnior que:
Em relação à forma do contrato eletrônico, deve-se verificar o disposto no art. 107 do Código Civil, pois, para a validade da declaração de vontade, não se exigirá uma forma especial, senão quando a lei expressamente exigir.
Assim, na contratação eletrônica, a forma deverá ser livre, até quando a lei não exigir uma determinada solenidade na confecção de tal tipo de contrato, por exemplo, nos casos em que se exige realização de contrato ou declaração de vontade por meio de escritura. (BOIAGO JÚNIOR, 2009, p.106).
Portanto a forma se a lei não exigir alguma solenidade deverá ser livre, é a simples venda de um eletrodoméstico como exemplo no qual não há exigência de ser feito por contrato solene, ou por escritura. O simples fato de vender e comprar já são um contrato. Diferentemente de o consumidor está adquirindo um imóvel na planta com uma construtora ou já construído, nessa situação o consumidor assinará um
15 Art. 585. São títulos executivos extrajudiciais: (...)II - a escritura pública ou outro documento público assinado pelo devedor; o documento particular assinado pelo devedor e por duas testemunhas;
o instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública ou pelos advogados dos transatores; (...).
Disponível em:< http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5869compilada.htm>.
contrato bem mais elaborado, no qual envolve várias documentações para realização desse contrato, em que o consumidor irá fazer a escritura pública do imóvel para tornar lícito esse imóvel, ou seja, é mais complexo do que uma simples compra de um produto de uma loja de eletrodomésticos.
3.3 DA CLASSIFICAÇÃO DOS CONTRATOS ELETRÔNICOS