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Resíduos Vegetais Existentes

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3 MATERIAL E MÉTODOS

4.5 Resíduos Vegetais Existentes

Os resíduos vegetais existentes diferiram com os maiores valores para a área de Cerrado e ILP, e a área de pastagem diferiu com a menor massa de resíduos vegetais (Tabela 5). O maior aporte de resíduos vegetais encontrados na área de ILP pode ser atribuído às melhores condições de fertilidade do solo nessa área, favorecendo o crescimento vegetal e seu posterior acúmulo em superfície. A elevada produção de serapilheira na área de Cerrado é atribuída a maior estabilidade climática sob a copa das árvores e a ausência de intervenção antrópica.

Tabela 5. Fitomassa existente em áreas com diferentes sistemas de manejo do solo em

Montividiu – GO. Áreas avaliadas FS (Mg ha-1) Pastagem 2,56 b ILP 4,25 a Cerrado 5,55 a CV (%) 21,06

Médias seguidas de letras iguais na coluna não diferem pelo teste de Tukey a 5 %; FS: fitomassa seca. CV: coeficiente de variação; ILP: integração lavoura-pecuária.

A semelhança entre os valores de fitomassa da área de ILP e Cerrado, demonstram a capacidade que o sistema de ILP, quando manejado adequadamente, possui em aportar resíduos vegetais sobre a superfície do solo. Esses valores são de fundamental importância nos sistemas agrícolas do Cerrado, pois a elevada taxa de decomposição dos resíduos vegetais nesse bioma tem dificultado a manutenção da fitomassa na superfície do solo (Boer et al., 2007; Torres et al., 2008). Por isso o uso de pastagens de gramíneas como as braquiárias, pode elevar a produção de fitomassa e contribuir positivamente na dinâmica do carbono e na ciclagem de nutrientes.

Na Tabela 6 são apresentados os teores totais de fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca), e magnésio (Mg) na serapilheira e nos resíduos vegetais das áreas avaliadas. A área de pastagem apresentou os maiores teores de P, K e Mg, enquanto que na área de ILP foram quantificados os menores teores de K, Ca, e Mg. Na área de Cerrado foram verificados os menores teores de P, podendo ser decorrente da menor disponibilidade de fósforo total, pois as demais áreas já receberam adubações fosfatadas. De maneira geral, os resíduos vegetais da área de pastagem apresentaram os maiores teores de nutrientes, sendo atribuído ao menor estágio de decomposição (observado visualmente no momento da coleta) nesses resíduos quando comparado com os resíduos das demais áreas.

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Tabela 6. Teores totais de fósforo, potássio, cálcio e magnésio na serapilheira e nos resíduos

vegetais das áreas com diferentes sistemas de manejo do solo no Cerrado Goiano.

Áreas avaliadas P K Ca Mg --- mg kg-1 --- Pastagem 1931 a 8438 a 3012 b 6247 a ILP 1086 b 3640 b 1500 c 2125 c Cerrado 600 c 4469 b 4544 a 2998 b CV (%) 9,56 9,62 10,80 5,75

Médias seguidas de letras iguais na coluna não diferem pelo teste de Tukey a 5%. P: fósforo; K: potássio; Ca: cálcio; Mg: magnésio. ILP: integração lavoura-pecuária. CV: coeficiente de variação.

Com exceção do P, os resíduos vegetais da área de ILP apresentaram os menores teores de nutrientes, sendo atribuído ao maior estágio de decomposição dos resíduos (observação visual), o qual foi composto principalmente por colmos de milho.

É importante destacar que nesse estudo têm-se uma grande variação de espécies de plantas e também a variável da adubação. No caso das diferentes espécies, observa-se a existência de resíduos orgânicos com diferentes resistências à decomposição (Crusciol et al., 2005) e diferentes níveis de recalcitrância (Giacomini et al., 2003). Do ponto de vista agrícola Gama-Rodrigues et al. (2007), mostraram que a introdução de leguminosas como plantas de cobertura elevou a qualidade dos resíduos vegetais, em razão do maior suprimento de nitrogênio, fósforo e cálcio ao solo.

Na Tabela 7 são apresentados os valores de carbono, nitrogênio, δ13C, e relação C/N da serapilheira. Os valores de carbono e nitrogênio apresentaram diferenças em todas as áreas, sendo que o carbono mostrou maiores valores para a área de Cerrado (486,28 g kg-1), seguida da pastagem (425,51 g kg-1) e ILP (364,25 g kg-1). Já os valores de nitrogênio também foram maiores para a área de Cerrado (13,69 g kg-1), porém seguidos de ILP (11,53 g kg-1) e pastagem (5,08 g kg-1) (Tabela 7).

Tabela 7. Carbono, nitrogênio, δ13C, e relação C/N dos resíduos vegetais e serapilheira em diferentes sistemas de manejo do solo no Cerrado Goiano.

Áreas avaliadas --- g kgC -1 --- N --- ‰ --- δ13C C/N

Pastagem 425,51 b 5,08 c -12,25 a 83,84 a

ILP 364,35 c 11,53 b -15,33 b 31,64 c

Cerrado 486,28 a 13,69 a -28,67 c 35,62 b

CV (%) 2,06 5,23 -6,25 3,24

Médias seguidas de letras iguais na coluna não diferem pelo teste de Tukey a 5%. C: carbono; N: nitrogênio; C/N: relação carbono/nitrogênio; ILP: integração lavoura-pecuária. CV: coeficiente de variação.

O reduzido teor de nitrogênio da serapilheira da pastagem conferiu uma elevada relação C/N para este resíduo vegetal (83,84), diferindo das demais áreas. A área de ILP e Cerrado também mostraram diferenças, observando-se uma maior relação C/N para a área de Cerrado, com valor de 35,62, enquanto a área de ILP apresentou 31,64 (Tabela 7). Assim, os resíduos vegetais da pastagem tendem a possuir maior resistência a decomposição, resultando em uma ciclagem mais lenta do carbono no sistema solo-planta-atmosfera. Em contrapartida, na área de ILP tem-se um intenso uso da terra, possibilitando uma maior velocidade de ciclagem do carbono neste sistema.

O δ13C apresentou diferenças em todas as áreas, justificando assim as diferentes origens de material vegetal (mecanismo fotossintético C3 ou C4). A área de pastagem apresentou valor de -12,25 ‰, mostrando que há predomínio de plantas C4 na área, no caso

27 uma espécie gramínea (braquiária). O valor de δ13C da área de ILP foi de -15,33 ‰, mostrando a existência de resíduos vegetais oriundos de plantas com mecanismos de fotossíntese C4, provavelmente resíduos vegetais remanescentes do cultivo de milho e também da braquiária (usada no sistema de rotação de culturas da ILP).

A serapilheira da área de Cerrado apresentou δ13C com valor de -28,67 ‰, mostrando que quase toda a serapilheira proveniente desta área do Cerrado é oriunda de plantas com mecanismo fotossintético C3 (Tabela 7). Alguns trabalhos já relataram que a vegetação de Cerradão apresenta a predominância de plantas C3 (Pessenda et al., 1996; Roscoe et al., 2000).

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