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5. Componentes de um Sistema de Aproveitamento de Água das Chuvas

5.1. Reservatório

Conforme foi demonstrado por Bertolo (2006), o preço dos reservatórios para armazenamento de água representa o investimento mais significativo na maior parte dos projectos no sistema de recolha de água. Estes tanto podem localizar-se acima como abaixo do solo. Tudo depende do tipo de utilização que se quer dar aos mesmos, uma vez que os abaixo do solo beneficiam de temperaturas mais frescas mas têm como inconveniente as escavações, mas se optar-se por ter um sistema de utilização de água por gravidade os mesmos deverão estar à cota mais elevada possível.

Os reservatórios poderão ser de:

 Betão Armado;  Ferrocimento;

Figura 11 – Reservatório em Ferrocimento

Fonte: The Texas Manual on Rainwater Harvesting – Third Edition

 Pedra;

 Fibra de Vidro (PRFV);

Figura 12 – Reservatório em Fibra de Vidro

Fonte: The Texas Manual on Rainwater Harvesting – Third Edition

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Figura 13 – Reservatórios em PEAD

Fonte: Hidrojacto Lda em http://www.hidrojacto.com/produtos_aux.php?id=9

 Revestimento Plástico;  Aço Galvanizado;

Figura 14 – Reservatório em Aço Galvanizado

Fonte: The Texas Manual on Rainwater Harvesting – Third Edition

 Aço-Inox;  Aço;

Figura 15 – Reservatórios em Aço

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 Madeira

Figura 16 – Reservatório em Madeira

Fonte: The Texas Manual on Rainwater Harvesting – Third Edition

Segundo Bertolo (2006), no seu estudo os reservatórios com capacidade até 2,5m3 de PEAD são os mais competitivos em custo, mas a partir de 2,5m3 até 16m3 os de betão armado tornam-se os mais competitivos, como se pode verificar na figura seguinte.

Figura 17 - Gráfico do Resultado das Regressões obtidas para os 4 Reservatórios (Bertolo -2006)

De acordo com Gould e Nissen-Petersen (1999 upud Campos, 2004), há três tipos de captação para os sistemas de aproveitamento de água da chuva:

 Sistemas de captação de água através de barragens;

 Sistemas de captação de água através de pavimentos pavimentados;  Sistemas de captação de água de chuva através de coberturas;

No sistema de captação de água através de barragem, a quantidade de água recolhida é grande, todavia existem impactos ambientais significativos, para

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além de existir dificuldade em encontrar um local para a edificação de uma barragem nomeadamente, em áreas urbanas.

Em relação à captação de água através de pavimentos pavimentados, a qualidade de água captada é inferior quando comparada com a captação da água através de coberturas, visto que, a mesma pode entrar em contacto com algumas fontes de contaminação, como animais, veículos, entre outros (ANNECCHINI, 2005).

Assim, o sistema que é mais utilizado para a recolha de água da chuva é a água captada através da cobertura dos edifícios. As coberturas dos edifícios poderão ser do tipo:

 Coberturas de Fibrocimento;

o As fibras de amianto quando inaladas em quantidade suficiente são perigosas para a saúde. Na limpeza dos telhados deve ser evitado métodos de alta pressão, de modo a que o material permaneça intacto, uma vez que as fibras de amianto ligadas ao fibrocimento podem ser libertadas para o ar por acções de corte, moagem ou perfuração (Bertolo, 2006);  Coberturas em PVC;

 Coberturas em Vidro;  Lajes impermeabilizadas;  Lâminas de Zinco/Alumínio;  Lâminas de Aço Galvanizado;

 Coberturas à base de cimento ou telhas de argila;

o A cor da camada superficial da cobertura à base de cimento ou de telhas de argila oxida por desgaste natural ao longo do tempo. Assim, poderá corar a água no interior do reservatório, de qualquer forma não é tóxica e assenta no fundo do reservatório, devendo o mesmo ser limpo como as caleiras.  Com Pinturas ou Protecções para os telhados;

 Com Madeira tratada quimicamente;

o A utilização deste material deve ser evitado em zonas onde pode entrar em contacto com a água da chuva que vai ser recolhida em reservatórios para uso doméstico. As substâncias

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químicas utilizadas no processo de preservação da madeira podem ser libertadas da madeira tratada e conduzidas para o reservatório de armazenamento. Assim no caso de ser utilizada cobertura de madeira é necessário assegurar que não foi tratada com substâncias químicas que possam deteriorar e contaminar a água (Bertolo, 2006).

 Com Soldadura/tintas com chumbo;

o Telhados com tintas que possuam chumbo, ou telhados que possuam acessórios em chumbo, podem contribuir para níveis demasiadamente elevados de contaminação de água armazenada. Incluí-se ainda a utilização de soldadura de chumbo, tintas ou primários à base de chumbo e deposição de partículas na superfície de recolha em regiões sujeitas a poluição devida a tráfego intenso ou indústria de maquinaria pesada. A lixiviação do chumbo é um problema maior em telhados mal conservados e em caleiras onde este processo é agravado pela acção ácida da água contendo substâncias orgânicas provenientes de detritos de folhas (Bertolo, 2006).  Coberturas Verdes.

Figura 18 – Exemplo de Sistema de recolha de Aproveitamento de Água da Chuva em Cobertura Verde

Fonte: Arquitecto Fernando Neves Bussolati retirado de http://ambiente.hsw.uol.com.br/construcoes- ecologicas4.htm

Resumindo o tipo de cobertura de recolha de água da chuva é importante, para a qualidade da água recolhida. Na escolha de uma cobertura deverá adoptar-se

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uma cobertura de metal devido à sua durabilidade e ao facto de ser lisa. A utilização de chumbo em coberturas ou em qualquer acessório de recolha de água da chuva deverá ser excluído. As coberturas de fibrocimento, de telhados pintados e de madeira tratada quimicamente podem lixiviar materiais tóxicos na água e assim o seu uso é desaconselhado para fins potáveis. Coberturas de telha de argila e de ardósia são apropriadas para fins potáveis, como são porosas, podem ser revestidas com pinturas especiais, evitando assim o crescimento bacteriano (Bertolo, 2006).

De referir a importância do processo da depuração da água na recolha da mesma no interior do reservatório. Segundo a firma Alemã 3P Technick [2010], que comercializa reservatórios pré-fabricados e acessórios de sistemas de aproveitamento de água da chuva existem quatro etapas de depuração conforme junto figuras representativas e suas descrições.

Figura 19– 1ª Etapa de Depuração

Fonte: 3P Technik (2010)

1ª Etapa de Depuração – O primeiro passo de tratamento de água da chuva dá-se através do filtro. A água pluvial corre do telhado para o filtro, onde é separado as impurezas. A água limpa é encaminhada para o reservatório, enquanto a sujidade é encaminhada para a rede de água pluvial ou para um sistema anexo de infiltração no subsolo.

Figura 20 - 2ª Etapa de Depuração

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2ª Etapa de Depuração – Deve adoptar-se pelo armazenamento de água num local escuro e fresco, se possível num reservatório subterrâneo. É assim que ocorre a segunda etapa da depuração, as partículas finas de sujidade ainda presentes lentamente para o fundo. A alimentação calma da água evita que a água que entra se misture novamente com a água armazenada. Ao mesmo tempo a camada inferior de água do depósito recebe uma injecção de oxigénio. Este oxigénio evita que se produza uma decomposição anaeróbia no reservatório. Mantendo a água fresca.

Figura 21 - 3ª Etapa de Depuração

Fonte: 3P Technik (2010)

3ª Etapa de Depuração – As partículas de sujidade que são mais leves que a água, sobem lentamente até atingir a superfície de água do reservatório. Esta “capa” flutuante é retirada através de um sifão especial, que funciona como um skimmer das piscinas, quando o reservatório atinge o nível de transbordo. O transbordo regular é importante para garantir uma qualidade de água constante e para evitar que a água “se decomponha”, A camada flutuante na superfície de água pode em casos extremos, criar uma “capa”, de tal modo, que não permita a entrada de oxigénio e assim entra num processo de decomposição anaeróbia.

Figura 22 - 4ª Etapa de Depuração

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4ª Etapa de Depuração – A água mais limpa de qualquer reservatório é captada logo abaixo da superfície, sem sugar a sedimentação do fundo. Para esta captação existe um conjunto flutuante de sucção, que consiste numa bóia que mantém a boca do conjunto (dotada de um pequeno filtro roscado), mesmo abaixo da superfície de água, onde se encontra a água mais limpa do depósito. O sistema é ainda dotado de uma mangueira fléxivel e a funcionalidade é sempre mantida, esteja o reservatório cheio ou quase vazio. A bóia flutuante está equipada de uma válvula de retenção.

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