Sérgio Concha Romero
Perdigão Agroindustrial
A Lei de Ação e Reação estabelece que todo estímulo tem a capacidade de gerar uma resposta. No Reino Animal e especificamente na espécie humana, estes estímulos são recebidos pelos órgãos dos sentidos; visão, audição, gosto, olfato, tato e enviados ao cérebro onde são classificados, processados e analisados. Desta forma, o cérebro, agindo como o C.P. U de um computador terá condições de emitir uma resposta ante um determinado estímulo.
Mas, aqui cabem algumas perguntas?
Os estímulos são captados de igual forma por todos os indivíduos? Formas, cores, cheiros, sons, etc... São percebidos identicamente por diferentes indivíduos?
O que vemos, ouvimos, ou sentimos é visto, ouvido ou sentido da mesma forma que nós por outras pessoas ainda que nas mesmas condições de análise?
A resposta é obvia... Não.
São inúmeras as provas desta afirmação: Primeiro, os sentidos enganam;
Em segundo lugar existe sempre se defrontando no cérebro a tendência do hemisfério direito do cérebro que tenta emitir uma resposta criativa, perceptiva e/ou intuitiva, mas que geralmente é dominada pelo hemisfério esquerdo que analisa, verbaliza, e transcreve fazendo uma leitura lógica.
Devemos a seguir, considerar um terceiro aspecto que apresenta ainda mais relevância... A resposta aos estímulos é mediada pelas emoções.
Dois ou mais indivíduos, responderam a um mesmo estímulo, segundo as emoções que os estímulos gerem em cada um deles. Assim, um estímulo qualquer poderá gerar as mais variadas respostas dependendo de como tenha sido percebido pelo sujeito. Porquê?... Por que o cérebro não tem a capacidade de distinguir um fato real de outro, imaginado vividamente. Ao acordar de um pesadelo, temos as mesmas sensações e reações físicas que se tivéssemos vivido aquela experiência na realidade.
É aqui que a técnica da Logoterapia, criada por Vitor Frankl, médico psiquiatra austríaco, da qual faz parte a Re-significação, passa a ter um papel importante na melhoria da qualidade de vida e saúde mental das pessoas. Sua teoria surgiu através da observação de outros prisioneiros judeus que pareciam desenvolver um mecanismo de defesa próprio contra a fome, o sofrimento e os horrores vividos no campo de Auschwitz. Foi a observação destas “pessoas especiais” que permitiu que Frankl descobrisse, assimilasse e posteriormente disseminasse através de seus livros e suas palestras a técnica da Re-significação.
Mas, o que é Re-significar?
Re-significar consiste de substituir ou abafar pensamentos negativos utilizando pensamentos positivos de forma de inibir a liberação de determinados hormônios no organismo, que em determinados estágios podem ser altamente nocivos, causadores de angustia, medo, depressão e infelicidade, estimulando ao mesmo tempo, a
liberação de outros hormônios, positivos e capazes de provocar sensações de bem estar, alegria, tranqüilidade e relaxação.
Em outras palavras consiste em: “Mudar o filtro mental para ver o mesmo
acontecimento sob uma outra ótica”.
Como é possível Re-significar no dia a dia? Cultivando atitudes entre as quais estão: - A Automotivação.
- O Entusiasmo.
- O Bom Humor, a Alegria e a capacidade de Sorrir. - A Perseverança.
- O “Saber Ser”.
- Ser um Soluçonólogo.
- Aprender a gostar do que se faz. - Amar a vida.
A palavra Entusiasmo vem do grego e significa ter um Deus dentro de si. Os gregos acreditavam em que uma pessoa entusiasmada era aquela que era possuída por um dos deuses e por causa disso poderia transformar a natureza e fazer as coisas acontecerem.
Assim, o Entusiasmo é diferente de Otimismo. Otimismo significa acreditar que
uma coisa vai dar certa. Talvez até torcer para que ela de certo.
O Bom Humor, a Alegria, o Riso não só representam a exteriorização de emoções positivas com tem grande importância na comunicação, assim, além de diminuir os níveis de adrenalina e cortisol, responsáveis pelo estado de tensão causada pelo perigo, funcionam como uma sinalização não agressiva. O efeito fisiológico do Riso e o Bom Humor, pode ser a base para a expressão bem conhecida mundialmente de que “o riso é um bom remédio”.
Riso e humor diminuem o estresse e ansiedade, reforçam a imunidade, relaxam a tensão muscular e diminuem a dor. A medicina moderna está começando a levar vantagens destes efeitos positivos: crianças hospitalizadas que vêem palhaços brincando permanecem menos tempo nos hospitais que aquelas que não vêem.
O Riso inicia uma cadeia de reações fisiológicas.
Primeiro ele ativa o sistema cardiovascular, então a freqüência cardíaca e pressão arterial aumentam. As artérias se dilatam, levando, portanto a uma queda de pressão. Contrações fortes e repetidas dos músculos da parede torácica, abdômen e diafragma aumentam o fluxo sanguíneo nos órgãos facilitando a digestão. A respiração forçada (o ha! ha! ha! do riso) eleva o fluxo de oxigênio no sangue, estimula o trabalho do fígado e do baço melhorando a eliminação da bílis e aumenta a capacidade do sistema imunológico.
Pessoas que sofrem de raiva crônica têm alta incidência de pressão sanguínea elevada, níveis mais altos de colesterol e ataques cardíacos. Enquanto a raiva, depressão e frustração perturbam a função de muitos sistemas fisiológicos, inclusive o sistema imune, o riso ajuda estes sistemas a funcionarem melhor. Por exemplo, o
riso ajuda o sistema a aumentar o número de células que auxiliam contra a infecção, as células T.
Numa situação contraria, estressante, à resposta fisiológica caracteriza-se pela seguinte seqüência:
• O córtex aciona um circuito cerebral subcortical, localizado no sistema límbico, através das estruturas que controlam as emoções e as funções dos sistemas viscerais (coração, vasos sanguíneos, pupilas, sistema gastrintestinal, etc.) através do sistema nervoso autônomo. Estas estruturas são a hipófise e o hipotálamo, principalmente. A ativação dessas vias vai causar alterações como dilatação pupilar, palidez, aceleração e aumento da força das batidas cardíacas e da respiração, ereção dos pelos, sudorese, paralisação do trânsito gastrintestinal, secreção da parte medular das glândulas adrenais (adrenalina e noradrenalina);
• Ao mesmo tempo o hipotálamo comanda uma ativação da glândula hipófise, fazendo que esta libere ACTH (o chamado hormônio do estresse), que, carre- gado pelo sangue, vai até a parte cortical das glândulas adrenais provocando um aumento da secreção de hormônios corticosteróides. Estes hormônios têm amplas ações sobre praticamente todos os tecidos do corpo, alterando o seu metabolismo, a síntese de proteínas, a resistência imunológica, as inflamações e infecções provocadas por agressões externas, etc.
• Essa descarga dupla de agentes hormonais de intensa ação orgânica carac- teriza o estress no qual, as principais conseqüências mentais, emocionais e físicas são perda da concentração mental, instabilidade emocional, depressão, palpitações cardíacas, suores frios, dores musculares ou dores de cabeça freqüentes.
O estresse pode ser causador e/ou agravador da asma, de doenças derma- tológicas tanto alérgicas como imunológicas; pode desencadear desde uma simples gastrite, até uma úlcera e, numa pessoa que tenha problemas de lesão da camada interna das artérias coronárias (aterosclerose) vai levar a muitos problemas como: isquemia do miocárdio, que é acompanhada de dores no peito (angina), até o infarto do coração (ataque cardíaco). Pode ainda acontecer trombose, ou alterações irregulares do ritmo cardíacas, denominadas de arritmias além de dores urinárias sem sinal de infecção.
Do ponto de vista depressivo, a queda ou aumento do apetite, as alterações de sono, a irritabilidade, a apatia e adinamia, o torpor afetivo e a perda de interesse e desempenhos sexuais são comumente encontrados. Assim como também as fugas (bebida, consumo de drogas e fumo).
Resulta evidente, que como em toda ordem de coisas, habituar-se a mudar o filtro mental para ver um acontecimento sob uma outra ótica, especialmente quando temos formado o hábito de ver as coisas pelo lado negativo, requer de uma certa prática. Assim, melhores resultados irão sendo obtidos progressivamente, ainda que mentes abertas e propensas a aceitar mudanças podem obter resultados quase imediatos ou “milagrosos”.
Ainda assim, é preciso não esquecer que não se chega a cume, sem ter que subir primeiro alguma pendente, às vezes longa, às vezes tortuosa, às vezes até parecendo inalcançável. Mas, para quem desenvolver a PERSEVERANÇA entre suas capacidades, com certeza terá seus esforços coroados com o sucesso. Os exemplos que a história nos mostra são inúmeros:
Abraham Lincoln sendo presidente dos Estados Unidos depois de inúmeros fracassos na sua carreira política; Charles Goodyear, descobrindo o processo de vulcanização da borracha, no fogão de sua casa, depois de ter sido preso por dívidas e estar falido por ter gastado todo o que tinha por acreditar no seu sonho; Walt Disney, criando o “seu mundo e seu império, após ter sido demitido duas vezes de empregos de redação de jornais por acredite:” “falta de criatividade”; Woody Allen, o famoso produtor, diretor e ator de cinema, depois de ter reprovado 3 vezes no curso de artes dramáticas; o capitão do time pentacampeão mundial de futebol, Cafu, depois de ter sido rejeitado em mais de uma dúzia de clubes, no início de carreira por achar que não tinha condições para o futebol, o Presidente Lula, que saiu de Dirigente Sindical para Presidente do Brasil na quinta tentativa.
No mundo de hoje, quando se fala em “SABER SER”, significa que as pessoas devem possuir além do conhecimento (saber) e da prática (saber fazer), outras capacidades entre as quais são de extrema importância, a capacidade de relacionar- se com as pessoas; o respeito pelos outros, a empatia, o senso de justiça, a capacidade de ter condutas “amorosas”, tanto para com as pessoas como com a natureza.
SABER SER significa deixar de ser um PROBLEMATÓLOGO, isto e alguém
que para toda solução oferecida levanta um ou vários problemas, para ser um
SOLUÇONÓLOGO, aquele que para todo problema encontrado, já sai atrás de uma
solução. Significa ter a capacidade de aprender com os próprios erros e com os alheios. Como diz o ditado “aprenda com o erro dos outros... você não terá tempo de cometer todos”. É quem está ciente que como diz Aldous Huxley: “Experiência não é o que acontece a você... é o que você faz com o que acontece a você”, ou como já muito antes dizia Publilus Syrus: “Tolo é aquele que naufragou seus navios duas vezes e continua culpando o mar”.
O Soluçonólogo então, não fica brigando com o problema, o resolve. Ele não confunde movimento com ação e tem consciência que para as dificuldades reais sempre a uma solução.
Em sínteses, sabe que problemas representam oportunidades e que precisa estar atento para não deixar passar estas oportunidades.
Assim então, Re-significar é uma mudança no foco de como as coisas são apreciadas, ver o lado positivo, as coisas boas da vida; é focalizar o que se tem e não o que não se tem, o que se é, o que foi atingido. As coisas boas e felizes. É refletir com as palavras do velho ditado chinês: “Eu que me queixava de não ter sapatos, encontrei um homem que não tinha pés”.
É parar de medir o sucesso de nossa vida, como geralmente fazemos, pelo que nos falta, pelo que não temos, pelo que os outros têm e nós não temos...
Re-significar e ter alegria de viver... E ser permanentemente motivado.
“Eis um teste para saber se você terminou sua missão na Terra: se você está vivo, não terminou”. Richard Bach.