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filhotes, como propensão à hipotermia, à hipoglicemia e metabolismo imaturo de drogas, o melhor protocolo anestésico dependerá do conhecimento, experiência prévia e da avaliação do paciente por parte do anestesista responsável (Meyer, 2007). A gonadectomia pré-púbere pode ser realizada com segurança, sem aumento do risco de complicações anestésicas quando comparada ao procedimento em animais adultos (Meyer, 2007).

2.4. Considerações cirúrgicas

Os tecidos do paciente pediátrico são bastante delicados e devem ser manipulados cuidadosamente. A quantidade relativamente pequena de sangue desses pacientes torna muito importante uma hemostasia meticulosa, que é, a princípio, facilitada pelo pequeno diâmetro dos vasos sanguíneos e pela pequena quantidade de gordura tanto abdominal quanto na bursa ovariana (melhor visualização dos vasos sanguíneos) (Howe e Olson, 2000; Pettifer e Grubb, 2007). Assim, a castração pré- púbere, quando adequadamente realizada, é rápida, permite boa visualização das estruturas, implica em sangramento mínimo e recuperação anestésica rápida, gerando menos estresse para o animal (Kustritz e Olson, 2004). O custo esperado do procedimento é, em geral, menor que em animais adultos, o que seria mais uma vantagem a ser considerada na castração de animais jovens (Stockner, 1991).

A esterilização cirúrgica de animais pré- púberes é realizada da mesma forma que em adultos, com algumas modificações (Howe e Olson, 2000). Seguem-se algumas considerações sobre os procedimentos de ovariohisterectomia, ovariectomia e orquiectomia em pacientes pediátricos.

Ovariohisterectomia

A abordagem através de celiotomia com incisão mediana retro-umbilical é amplamente indicada. Para facilitar a exposição uterina, a incisão em filhotes caninos deve ser realizada mais caudalmente ao umbigo que em fêmeas adultas, cerca de 2 a 3cm de distância (terço médio do espaço entre a cicatriz umbilical e o púbis, similar à incisão realizada em gatas adultas para ovariohisterectomia). Em filhotes felinos a incisão é semelhante à de fêmeas adultas. Uma vez aberta a cavidade abdominal, é comum encontrar grande quantidade de fluido peritoneal seroso, tanto em cães com em gatos, que deve ser parcialmente seco com gaze para permitir visualização das estruturas abdominais. O uso do gancho de Snook deve ser evitado em vista da natureza delicada dos tecidos. O útero é facilmente localizado entre a bexiga e o cólon e deve ser exposto cuidadosamente, respeitando-se sua fragilidade e evitando excesso de tensão. Para facilitar visualização ovariana, o ligamento suspensório pode ser cuidadosamente rompido. Realiza-se uma janela no pedículo ovariano adjacente aos vasos, através da qual estes são pinçados (pinça de Halsted para filhotes de gatos; pinças de Crile para filhotes maiores) (Howe e Olson, 2000).

Os vasos dos pedículos ovarianos devem ser ligados com fio de sutura absorvível em ligadura simples, dupla ou utilizando grampos hemostáticos de aço, sendo, em seguida, seccionados. Procede-se então à ligadura dupla ou com grampos hemostáticos do útero na junção corpo- cérvix, seguida de secção. Após remoção do útero e ovários, deve-se inspecionar a cavidade abdominal quanto a evidências de hemorragia e resquícios ovarianos. Alternativamente, podem ser utilizadas abraçadeiras de nylon (poliamida) para ligadura dos pedículos ovarianos e coto uterino, desde que observada a espessura adequada da abraçadeira para o calibre dos

vasos e demais estruturas a serem ligados. Estudos demonstram rapidez, segurança e baixo custo de utilização desse material tanto em cadelas quanto em gatas, tornando-o uma alternativa viável (Oliveira, 2006; Barros et al., 2009).

Na celiorrafia, é importante identificar cuidadosamente a fáscia ventral, diferenciando-a do tecido subcutâneo, o que pode ser particularmente difícil em alguns filhotes. A fáscia ventral pode ser suturada com padrão simples separado ou contínuo, utilizando fio de sutura 3-0 ou 2-0 absorvível (polidioxanona, poligliconato, poliglecaprone, poliglactina), ou inabsorvível monofilamentar (polipropileno, mononáilon). O tecido subcutâneo pode ser suturado com fio absorvível 3-0 ou 4-0 em padrão contínuo e a dermorrafia com fio inabsorvível em padrão simples separado ou intradérmico (Howe e Olson, 2000).

Não recomenda-se a realização de ovariohisterectomia pela abordagem lateral (flanco) em cadelas ou gatas com menos de 12 semanas de idade, pois nesses animais há maior dificuldade na exposição do corpo uterino para sua ligadura, além de outras dificuldades inerentes ao procedimento, como a exposição do ovário contralateral à incisão e a recuperação de um possível pedículo ovariano hemorrágico (McGrath et al., 2004; Minguez et al., 2005; Coe et al., 2006; Hardie, 2007). Após essa idade, as dificuldades da abordagem lateral podem ser contornadas através de treinamento contínuo (Coe et al., 2006).

Ovariectomia

A técnica da ovariectomia bilateral em cadelas e gatas sadias, sem afecções uterinas, e principalmente naquelas pré- púberes é recomendada, uma vez que requer menores incisões, menor tempo anestésico e envolve menor trauma cirúrgico (Howe, 2006).

A ovariectomia realizada em animais jovens e saudáveis parece estar associada a um risco nulo de doenças genitais (Stone, 2007). Considera-se que, na ausência do estímulo hormonal, as chances de desenvolvimento de patologias uterinas, com destaque para a piometra, são praticamente inexistentes (Janssens e Janssens, 1991; Okkens et al., 1997; Howe, 2006). Na verdade, a remoção dos ovários e consequentemente ausência de produção de hormônios esteróides leva a regressão completa e atrofia do trato reprodutivo remanescente, que, obviamente, não sofrerá interferência dos estímulos ovarianos (Stone, 2007). Assim, há absoluta contra- indicação na administração de progestágenos nesses animais (Howe, 2006).

Embora não seja prática comum nos Estados Unidos, a ovariectomia bilateral de cadelas e gatas é rotineiramente praticada em países europeus (Johnston et al., 2001; Goethem et al., 2006; Kirpensteijn, 2008c; Romagnoli, 2008; DeTora e McCarthy, 2011). A relação benefício/risco é altamente favorável à ovariectomia por muitas razões (Okkens et al., 1997; Verstegen, 2004). A ovariohisterectomia apresenta riscos como sangramento intra-abdominal e vaginal (devido ao calibre dos vasos na região do corpo uterino), ligadura acidental dos ureteres (devido à proximidade com o corpo uterino), síndrome do ovário remanescente, ocorrência de granulomas de coto uterino e de tratos fistulosos. A ovariectomia não está relacionada a alguns desses riscos citados, o que faz com que alguns autores defendam a ovariectomia bilateral como procedimento de escolha para a esterilização cirúrgica de cadelas e gatas sem afecções uterinas (Okkens et al., 1997; Johnston et al., 2001; Goethem et al., 2006; Kirpensteijn, 2008c; Romagnoli, 2008; DeTora e McCarthy, 2011).

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