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4 ATIVIDADES DESEMPENHADAS PELO CONTADOR QUE DESPONTA A

4.1 RESPONSABILIDADE DO CONTADOR PERANTE O CÓDIGO CIVIL

4.1.1 Responsabilidade do contador como preposto

Para compreender os termos preposto e preponente citados ao longo do texto serão conceituados cada um a fim de melhor entendê-los. A obra Código Civil Comentado traz o seguinte conceito de preposto:

São empregados, procuradores e demais empregados que exercem funções destinadas à viabilização do exercício mais eficaz e adequado da produção e da circulação de bens ou serviços, apresentando atuação individualizada, derivada de seus reconhecidos predicados. (GODOY et al, 2018, p. 1072).

Assim, preposto é o sujeito detentor de privilégios contratado pelo preponente para desempenhar atividades, podendo representar a empresa perante terceiros. Já preponente é o dono, empregador, empresário, aquele que constitui o preposto.

O Código Civil de 2002 trouxe para o contabilista mais responsabilidade, uma vez que sua atuação, tanto dentro como fora da empresa, deve ser feita com estrita atenção. Ele passou a ser tido como preposto dos seus clientes assumindo; logo, ao acolher a função como preposto da empresa, o contador dever já ter expresso as obrigações diante do empresário conforme prescreve o art. 1169 do CC/02: “O preposto não pode, sem autorização escrita, fazer-se substituir no desempenho da preposição, sob pena de responder pessoalmente pelos atos do substituto e pelas obrigações por ele contraídas”.

Como se extrai do dispositivo, o contador representa a entidade mediante autorização de outra pessoa, a qual possui poderes para atribuir tal designação. Dessa forma, poderá responder pelo uso indevido de tal atividade.

A relação existente entre empresa e contador na função de preposto é hierárquica, pois suas atribuições dependem totalmente dos poderes que lhe são designados pela entidade. Logo, o profissional contábil pode praticar atos contrários

às normas por inobservância das mesmas, praticando atos inconscientes ou de modo arbitrário a partir da realização do ato que nasce a responsabilidade do agente. O Código Civil em seus artigos 1.170 e 1.171 assim diz:

Art. 1.170. O preposto, salvo autorização expressa, não pode negociar por conta própria ou de terceiros, nem participar, embora indiretamente, de operação do mesmo gênero da que lhe foi cometida, sob pena de responder por perdas e danos e de serem retidos pelo preponente os lucros da operação.

Art. 1.171. Considera-se perfeita a entrega de papéis, bens ou valores ao preposto, encarregado pelo preponente, se os recebeu sem protesto, salvo nos casos em que haja prazo para reclamação. (BRASIL, 2002).

Percebe-se que o contador, atuando como preposto, tem a obrigação de analisar qualquer documento que seja usado na escrituração contábil, averiguando se estão em conformidade com o que a legislação estabelece, de forma a não surgir incorreção ou ocasionar fraude nos demonstrativos contábeis. Logo, o contador deve ter o controle da entrada e saída dos papeis, livros, documentos, entregues ou recebidos pelo preponente, pois caso venham a ser perdido ou desapareçam, a entidade poderá atribuir tal ato ao profissional contábil e, consequentemente, atribuir a esse profissional a responsabilidade.

O Código Civil dedicou seção própria para estabelecer ao contabilista e auxiliares, a responsabilidade assumida por eles na função de preposto. Nessa acepção, os artigos 1.177 e 1.178 citados abaixo mostram que os atos praticados por esse profissional correspondem à responsabilidade, que tanto pode ser direta como solidária.

Art. 1.177. Os assentos lançados nos livros ou fichas do preponente, por qualquer dos prepostos encarregados de sua escrituração, produzem, salvo se houver procedido de má-fé, os mesmos efeitos como se o fossem por aquele.

Parágrafo único. No exercício de suas funções, os prepostos são pessoalmente responsáveis, perante os preponentes, pelos atos culposos; e, perante terceiros, solidariamente com o preponente, pelos atos dolosos. Art. 1.178. Os preponentes são responsáveis pelos atos de quaisquer prepostos, praticados nos seus estabelecimentos e relativos à atividade da empresa, ainda que não autorizados por escrito.

Parágrafo único. Quando tais atos forem praticados fora do estabelecimento, somente obrigarão o preponente nos limites dos poderes conferidos por escrito, cujo instrumento pode ser suprido pela certidão ou cópia autêntica do seu teor. (BRASIL, 2002).

Como se observa no artigo 1.177 o empresário delega ao contador funções que possibilitam a esse profissional fazer os lançamentos contábeis com efeitos perante todos. Se, contudo, agir de má-fé na intenção de produzir erro, acarretará para ele a aplicação da responsabilidade. O parágrafo único do citado artigo, estabelece que os atos praticados por culpa do contador serão responsabilizados perante o empresário de maneira direta, pois ele agiu com negligência, imprudência ou imperícia, não se preocupando com as consequências dos atos praticados. Já diante de terceiros, responderá de maneira solidária com o empresário pelos atos dolosos. Em síntese, o contador responde diante da entidade por atos culposos, já a terceiros, mediante solidariedade, por atos dolosos.

No momento atual, diante das mudanças na sociedade, com um mundo a cada dia mais globalizado, o contador está incumbido na função de preposto e como tal, caso violem a lei resultará na responsabilização do ato.

O contador requer observância das leis que regem a profissão, assim como as diversas outras que estejam relacionadas à profissão. O Artigo 1.178 levanta dois pontos: o profissional que é empregado da empresa não necessita que os seus poderes sejam estabelecidos por escrito, onde o empresário responde pelos atos praticados pelo contador. Todavia, também se tem o profissional contratado pela empresa, que atua de maneira liberal, mas que os seus poderes devem estar escritos. Nesse caso, a responsabilidade do contador terá limitações estabelecidas no contrato entre ambos.

Desta forma, o contador, na relação com o preponente, pode incorrer numa responsabilidade direta pelos atos culposos, além serem solidários diante de terceiros por atos dolosos. Em resumo, o contador quando age perante o preponente ocasionando dano ao mesmo ou a terceiro, responderá civilmente pelos atos que praticar, assim, quando o profissional contábil esquece-se de realizar qualquer obrigação acessória e como consequência gerar uma multa para o preponente, acabou ocasionando à entidade um dano material, pois fez surgir uma diminuição de seu patrimônio. Por outro lado, quando o contador realizar balanços falsos, ocasiona para terceiros um dano, porém nesse caso, está-se diante de uma responsabilização solidária, pois o preponente agiu em conjunto com o profissional contábil para realização do ato.

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