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A responsabilidade do profissional da medicina em torno da cirurgia plástica tem assumido um papel de destaque em nossos tribunais, devendo dessa forma notar o grande número de cirurgiões plásticos que sofrem ou já sofreram questionamentos processuais a respeito de sua prática profissional.

Dessa forma, após estudo do ponto de vista legislativo, doutrinário e jurisprudencial tem-se caracterizado, como uma obrigação de meio a responsabilidade civil do cirurgião plástico no ramo da cirurgia reparadora. Portanto, esse posicionamento tem se justificado pelo simples fato do paciente procurar o médico para que tenha uma melhora em sua aparência, não tendo objetivo de melhorar sua saúde, logo o objetivo é corrigir defeitos congênitos ou adquiridos por algum motivo, sendo por esse motivo que o paciente não tem como exigir do médico cirurgião plástico um resultado, a exigência nesse caso é só que o médico faça a intervenção se utilizando dos meios adequados, de forma prudente e diligente.

Destarte, é devido a isso que a atividade médica é considerada uma obrigação de meio, ou seja, o médico não promete a cura, mas sim o tratamento adequado ao paciente, de acordo com as normas de prudência, perícia e diligencia, respeitando a conduta médica e se comprometendo em alcançar a melhora do paciente mas não a cura.

Magrini128, em seu artigo doutrinário sobre Responsabilidade Civil do Médico: Cirurgia plástica reparadora e estética, conclui:

O que se exige do médico, seja qual for sua especialidade, é a prestação de serviços zelosos, atentos, conscienciosos, a utilização de recursos e métodos adequados e de agir conforme as aquisições da ciência. O que não se pode admitir, sempre com a máxima vênia, é uma corrente jurisprudencial em desalinho com a realidade moderna dos avanços da ciência médica e da ciência jurídica.

Dessa forma, o que se deseja explicar é que, sob todos os aspectos, a cirurgia plástica é intervenção cirúrgica equiparável a todos os demais métodos cirúrgicos, e que as reações do organismo humano são inesperadas e com isso podendo sobrevir implicações inesperadas, embora que toda a técnica, solução disponíveis, prudência e perícia tenham sido utilizados ao fato real, por sua vez, não se pode simplesmente culpar o cirurgião plástico pelo infortúnio, que ele também não desejava que acontecesse.

Sobre essas informações que o médico cirurgião deve prestar atenção, Venosa129 averba:

Todavia, deverá o médico advertir o doente de todos os riscos do tratamento, principalmente da intervenção cirúrgica a que será submetido, devendo, pois o médico evitar tal intervenção se o perigo for maior que o resultado pretendido.

Portanto, havendo o médico advertido o paciente sobre todos os riscos decorrentes daquela intervenção cirúrgica o qual estava sendo submetido, não poderá o médico cirurgião ser responsabilizado em decorrência de eventuais efeitos colaterais. Por fim, deve o paciente seguir a risca todo o conselho dado pelo médico no pós-operatório, pois, é fator determinante para uma boa recuperação.

128

MAGRINI, Rosana Jane. Médico – cirurgia plástica reparadora e estética: obrigação de meio ou de resultado para o cirurgião. p. 137-163

129

Verifica-se na responsabilidade civil médica no que concerne a cirurgia plástica é que ela será subjetiva conforme preleciona Rodrigues130,

A atitude culposa ou dolosa do agente causador do dano é de menor relevância, pois, desde que exista relação de causalidade entre o dano experimentado pela vitima e o ato do agente, surge o dever de indenizar, quer tenha este último agido ou não culposamente.

Para que o médico seja responsabilizado, consoante é o entendimento de Barros Júnior131 “qualquer profissional liberal (médico, [...]), havendo culpa e somente em caso de culpa, responde pelo dano causado, desde que esse esteja devidamente comprovado do ponto de vista cientifico”.

Sobre a responsabilidade civil do cirurgião plástico, Hidelgard Giostri132, consubstancia:

[...] deverá ser responsabilizado sempre que a causa de o resultado ideal não ter sido atingido assentar-se na sua inépcia, por erro grosseiro, fruto de sua negligencia, ou imperícia ou, mesmo, imprudência, ou seja, um resultado diverso daquele que seria obtido por qualquer de seus pares em idênticas circunstancias. Mas, por outro lado ele não pode ser responsabilizado pela resposta orgânica do paciente, bem assim se este não fez sua parte na relação médico-paciente, já que ele também é co-responsável pelo resultado final, que nem sempre vai ser o ideal.

Para Gomes133 o médico cirurgião será responsabilizado quando se comprovar que houve culpa, nos casos de negligencia, imprudência ou imperícia, ou seja, trata-se de responsabilidade subjetiva. Esclarece o autor que:

130

RODRIGUES, Silvio. Direito civil. responsabilidade civil. v. 4. 4 ed. São Paulo: Saraiva, 2000. p. 11.

131

BARROS JUNIOR, Edmilson de Almeida. A responsabilidade civil do médico: uma abordagem constitucional. p. 122.

132

GIOSTRI, Hildegard Taggesell. Erro médico: a luz da jurisprudência comentada. p. 117.

133

GOMES, Rui Kleber Costa. Responsabilidade civil do médico no código de defesa do consumidor. São Paulo: Pilares. 2004. p. 51-53.

Assim sendo, somente serão responsabilizados por danos quando ficar demonstrado a ocorrência de culpa subjetiva, em quaisquer de suas modalidades: negligencia, imprudência ou imperícia.

Se o dispositivo comentado afastou, na espécie sujeita, a responsabilidade objetiva, não chegou a abolir a aplicação do principio da inversão do ônus da prova. Incumbe ao profissional provar, em juízo, que não laborou com equivoco, nem agiu com imprudência ou negligencia no desempenho de sua atividade.

[...] a adoção da responsabilidade subjetiva para os profissionais liberais se dá porque estes se propõem a utilizar todos os meios e conhecimento ao seu alcance para realizar o serviço contratado, o que enseja a sua responsabilidade caso estes meios não sejam utilizados adequadamente, o que faz surgir a sua culpa.

Verifica-se que o elemento norteador para aferição da responsabilidade civil do médico cirurgião plástico é a prova da culpabilidade nas ações que se tem a responsabilidade subjetiva como sendo o principal componente. Sendo assim, à vítima do dano terá que provar que o médico agiu com imprudência, negligencia ou ainda imperícia, para ser inteiramente reparado.

Sobre essas informações tem-se o posicionamento de Rui Stoco citado pelo doutrinador Gonçalves134:

[...] casos em que o cirurgião, embora aplicando corretamente as técnicas que sempre utilizou em outros pacientes com absoluto sucesso, não obtém o resultado esperado. Se o insucesso parcial ou total da intervenção ocorrer em razão de peculiar característica inerente ao próprio paciente e se essa circunstância não for possível de ser detectada antes da operação, estar-se-á diante de verdadeira escusa absolutória ou causa de excludente da responsabilidade.

Destarte, para que o médico venha a ser responsabilizado é necessária à configuração do erro ou má conduta do mesmo, sendo ainda indispensável prova pericial que comprove de fato que os procedimentos utilizados não foram corretos ou ainda não foram aplicáveis. Ressalta-se que toda

134

intervenção cirúrgica tem suas reações e conseqüências indesejáveis do organismo humano, sendo por esse motivo que se caracteriza a obrigação como sendo de meio, uma vez, que cada organismo reagirá de forma diferente mesmo que se trate de uma mesma intervenção cirúrgica.

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