4.3 CRIMES AMBIENTAIS
4.3.2 Responsabilidade penal
A tutela penal do meio ambiente tem o seu núcleo na Lei nº 9.605/98, que revogou quase todos os tipos do Código Penal, bem como das legislações extravagantes que tutelavam o meio ambiente e, ainda, a maior parte das contravenções penais constantes do Código Florestal.
Com efeito, com o advento da Lei 9.605/98, foi dada uma maior proteção penal ao meio ambiente, em seus diversos aspectos. E, evidente que existe algumas imperfeições, porém, para Aragão (2006, p. 2), a Lei de Crimes ambientais foi um grande passo em favor do meio ambiente, máxime pelo seu arrojo e transversalidade, vez que esse diploma perpassa todas as agendas.
Em concordância com o escrito, apontamos a opinião de Silva:
O Código Penal e outras leis definiam crimes ou contravenções penais contra o meio ambiente. Todas essas leis que definiam crimes ambientais foram revogadas pela Lei nº 9.605/98, que dispôs sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. Essa lei separou os crimes segundo os objetos de tutela, assim: crimes contra a fauna (art. 29-37), crimes contra a flora (arts. 38-53), poluição e outros crimes (arts. 54-61) e crimes contra a Administração Ambiental (arts. 66-69). (2004, p. 306).
Nas palavras de Aragão (2006, p. 6) a efetividade do ordenamento jurídico, quando da previsão de crimes e cominação de suas respectivas penas, somente será convalidada quando ultrapassar os limites formais da lei, conseguindo sair do papel, passando ao mundo dos fatos.
Essa norma regulamentou o art. 225, § 3º, da Constituição Federal de 1988, ao prever pioneramente no Brasil a responsabilidade penal da pessoa jurídica, conjuntamente com as pessoas físicas. Eis o dispositivo regulamentador:
Art. 3º - As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativamente, civil e penalmente conforme o disposto nesta Lei, nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício da sua entidade. Parágrafo único – A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas, autoras, coautoras ou particípes do mesmo fato.
Em consonância com o exposto, Fiorillo (2005, p. 56) afirma que a tutela do meio ambiente foi implementada através da forma mais severa de nosso ordenamento que é a tutela penal. Além disso, a mesma Lei nº 9.605/98 inovou consideravelmente o ordenamento jurídico penal, pois, em conformidade com o art. 225, § 3º, da Constituição Federal, trouxe a possibilidade da penalização da pessoa jurídica.
4.3.3 Competência
Com relação à competência para processar e julgar os crimes ambientais há ausência de previsão expressa na Carta Magna, todavia, encontra-se pacificada nas jurisprudências do STF e do STJ, que a mesma pertence a Justiça Estadual comum, salvo se o delito consumado contra bens, serviços ou interesse da União, de suas
autarquias ou empresas públicas (art. 109, IV, da Constituição Federal). Portanto, a competência dos crimes ambientais, em regra, é da Justiça Estadual.
Com base na Lei nº 5.197/67, que dispõe sobre a proteção da fauna e da flora, o Superior Tribunal de Justiça havia editado a Súmula 91 que assim previa: “compete à justiça federal processar e julgar os crimes praticados contra a fauna”. Posteriormente, com o advento da Lei nº 9.605/98, o STJ, em sessão realizada em 08/11/2000, decidiu pelo cancelamento de tal súmula.
Será, também, de competência da Justiça Federal o julgamento dos crimes ambientais previstos em Tratados Internacionais, ratificado pelo Brasil, quando iniciada a execução no Brasil, o resultado tenha ou devesse ocorrer fora do País, assim como a recíproca (art. 109, V, da CF), além, dos delitos ambientais cometidos a bordo de navios ou aeronaves (art. 109, IX, da CF).
4.3.4 Sujeitos do crime
4.3.4.1 Sujeito ativo
O art. 2º, da LCA estabelece que o sujeito ativo dos crimes ambientais é quem, de qualquer forma, concorre para a prática dos crimes previstos nesta lei, incide nas penas a estes cominados, na medida de sua culpabilidade [...], portanto, pode ser qualquer pessoa física imputável. As sanções penais aplicáveis a pessoa física são as penas privativa de liberdade, a restritiva de direitos e multa.
As sanções penais aplicáveis a elas são as penas privativas de liberdade, as restritivas de direitos e a multa. No entanto a pena poderá ser atenuada se forem observados os incisos do art. 14, da lei nº 9.605/98 ou agravada de acordo com as circunstâncias contidas no art. 15 e seus incisos, da mesma lei.
Também pode ser considerado sujeito ativo dos crimes ambientais a pessoa jurídica (art. 3º, da LCA). Todavia, para que a pessoa jurídica seja responsabilizada por um crime ambiental no Brasil, será preciso que dois pressupostos sejam preenchidos cumulativamente, conforme estabelecido no artigo supracitado: que a infração penal seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado e que a infração penal seja cometida no interesse ou benefício da sua entidade.
restritivas de direito, a prestação de serviços a comunidade, a desconsideração da personalidade jurídica e a execução forçada.
4.3.4.2 Sujeito passivo
De acordo co Sirvinskas (2005, p. 348) o sujeito passivo dos crimes ambientais pode ser a União, os Estados e os Municípios, diretamente, e a coletividade, indiretamente. Podendo ainda ser o proprietário de um imóvel que teve seu bem jurídico lesado ou ameaçado.
4.3.4.3 Concurso de pessoas
O legislador procurou responsabilizar também todas as pessoas que tiverem conhecimento da conduta criminosa de outrem e deixarem de impedir sua prática, quando podiam agir para evitá-la. Trata-se de conduta omissiva ao dano ambiental. O art. 2º da Lei nº 9.605/98 reza que:
Quem, de qualquer forma concorre para a prática dos crimes previstos nesta lei, incide nas penas a estes cominadas, na medida de sua culpabilidade, bem como o diretor, o administrador, o membro do conselho e de órgão técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou mandatário de pessoa jurídica que, sabendo da conduta criminosa de outrem, deixar de impedir a sua prática, quando podia agir para evitá-la.
Na primeira parte do supramencionado artigo é reproduzido o art. 29 do Código Penal e a segunda parte complementa o art. 13, § 2º, a, do CP, atribuíndo ao diligente da pessoa jurídica, especialmente aos que ocupam cargo de direção, a obrigação de impedir a prática criminosa, quando podia evitá-la, levando-o a responder pelo delito de se omitir a respeito (crime comissivo por omissão).