4. Análise de Dados
4.1 Responsabilidade Social
Como referido anteriormente, esta fase inicial tem como objetivo analisar de que forma o Grupo enfrenta as diferentes questões sociais, mas não sendo este o objetivo final da presente dissertação. Uma análise da responsabilidade ambiental não serviria de nada sem uma breve, mas eficaz, avaliação geral de RSC da Jerónimo Martins. Portanto, esta análise será breve e feita de forma geral, utilizando apenas a matriz de Zadek (2004) como método de avaliação social. As respostas nesta específica secção foram fornecidas por parte de Corporate Responsibility Senior Manager – Social.
Com isto em mente, quando questionado sobre a definição do termo de RSC, foi indicado que este é a gestão equilibrada da relação entre prosperidade económica, desenvolvimento social e preservação ambiental nos países onde o Grupo está presente. Baseando-se nesta premissa, a Jerónimo Martins pretende continuar a fazer crescer os negócios de forma sustentada e estimular a adoção de boas práticas e de elevados padrões de qualidade ao longo da cadeia de valor, na alimentação, no ambiente, na forma como compramos, nos empregos que criamos e no apoio às comunidades. Esta definição vai, de certa forma, ao encontro da
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definição de RSC apresentada no ponto 2, representando então esta aproximação que a própria Jerónimo Martins tem uma visão positiva de RSC. O Corporate Responsibility Senior Manager – Social indica que existe, de facto, um departamento de RSC, não estando divido nas diversas secções. Contudo, afirma que a gestão da sustentabilidade é feita em alinhamento com diversos Departamentos Corporativos ou, em alternativa, com Departamentos locais. Adicionalmente, existe um orçamento associado a estas atividades de RSC; no entanto, tal como o número de staff, este valor não se encontra disponível publicamente.
Relativamente à relação com os funcionários, a Jerónimo Martins, tanto a nível de Sede e de Lojas1, oferece diversos programas de apoio, excluindo a possibilidade de empréstimos bonificados. Para além disso, oferece também, voluntariamente, apoios familiares e apoios à educação. De forma a fornecer uma comunicação sólida entre a empresa e os diversos colaboradores, a Jerónimo Martins apresenta uma comunicação diversificada, tanto a nível de sede como a nível de lojas, referindo também que tem cartas abertas uma vez por mês e efetua uma comunicação através de e-mail específicos. Ainda sobre os apoios e interação com os funcionários, o Grupo proporcionou mais de 4,5 milhões de horas de formação, tendo sido distribuídas por 66.310 ações de formação (Jerónimo Martins, 2019d).
Nos aspetos de formalização de estratégias de apoio e de igualdade de oportunidades, a Jerónimo Martins refere que estas existem, privilegiando a meritocracia e a não-discriminação no acesso e progressão de carreira, afirmando, então, que é implementada uma igualdade de oportunidades, estando inclusivamente no Código de Conduta. No que toca à integração de pessoal estrangeiro, o Grupo apresenta cursos específicos de formação, uma vez que estes são estágios em contexto real de trabalho e são também acompanhados por outras formações contínuas (por exemplo o ensino da língua portuguesa) efetuadas por instituições parceiras. Relativamente à questão sobre a empregabilidade de
1 Esta definição excluí as restantes tipologias de infraestruturas e operações do Grupo (como Centros de Distribuição, outros edifícios centrais, escolas de formação, cozinhas centrais, fábricas e explorações agrícolas e de aquacultura). Com isto, a expressão “operações do Grupo” refere-se a todas estas dimensões.
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pessoal com registo criminal e pessoal com deficiências, o Grupo não responde, mantendo a coerência com o seu Código de Conduta.
Quando questionado sobre a relação com os fornecedores, a Jerónimo Martins demonstra, de facto, uma preocupação sobre as atitudes nos diversos processos de produção, procurando fornecedores com certificações específicas. Relativamente a informações de cariz ambiental, estas serão apresentadas no ponto seguinte. De igual forma, o próprio Grupo apresenta todas as informações sobre qualidade e segurança alimentar aos seus consumidores, assim como sobre dimensões específicas da sustentabilidade – é possível verificar estes aspetos através da consulta do próprio website da Jerónimo Martins, estando estas informações mais completas no Relatório & Contas. Adicionalmente, são efetuados inquéritos de satisfação aos consumidores, mais concretamente estudos de mercado (análise de materialidade) de três em três anos e estudos de clima bianualmente.
A nível de investimento em publicidade, o Grupo Jerónimo Martins efetua um marketing relacionado com certas causas sociais e com mensagens de valor social. De igual forma, o Grupo procura apoiar, através do próprio rendimento líquido, diversas instituições e áreas com donativos, sendo que a educação, pesquisas científicas, saúde, intervenções sociais e intervenções de cooperação internacional são o foco de donativos regulares, com o objetivo de criar condições para a sustentabilidade das instituições. Estes aspetos podem ser confirmados – foi efetuado o apoio a 48 instituições, num valor total de mais de 707 mil euros com o objetivo de suportar projetos ao nível social (56%), da saúde, ambiente, Direitos Humanos e cidadania (30%), sendo que esta informação diz respeito aos apoios institucionais da Jerónimo Martins em 2018 (Jerónimo Martins, 2019d). No conjunto das suas companhias nos diversos países, o valor ascende a mais de 31,5 milhões de euros (já englobando os 707 mil euros referidos anteriormente), representando um aumento de 45% face a 2017, sendo distribuídas por mais de mil instituições de forma direta (Jerónimo Martins, 2019d). A decisão destes donativos é tomada por diversos atores, como o Conselho de Administração, CEO e o staff e/ou departamento responsável com as relações comunitárias. No que toca ao apoio a universidades, o Grupo fornece a possibilidade de estágios. Refere também que
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patrocina cursos na própria Universidade de Aveiro, mais propriamente apoio à Licenciatura e ao Mestrado em Gestão Comercial da ESTGA, contribuindo ativamente para os conteúdos programáticos, e promove a aproximação do mundo académico ao mundo empresarial através de visitas, estágios e projetos. São também disponibilizadas bolsas de estudos a alunos, de entre o universo de colaboradores e filhos de colaboradores, que tenham interesse em frequentar o Mestrado referido anteriormente (Jerónimo Martins, 2019d). Adicionalmente, o Manual de Agricultura Sustentável foi efetuado com a Universidade de Coimbra e existe, também, um projeto de investigação com uma universidade colombiana (duração de 2 anos) no apoio à conservação de araras. Estes dados demonstram uma preocupação em manter parcerias com universidades. O Grupo procura ainda apoiar atividades sociais através da disponibilização de produtos e serviços próprios.
Relativamente à adoção de certificações na área de RSC, o Grupo apresenta um Relatório Ambiental e Relatório Social dentro do próprio Relatório & Contas, demonstrando que estas questões estão embutidas no próprio negócio. Certificações como a ISO 9001, ISO 22000 (estas duas certificações sendo críticas para o core business alimentar do Grupo) ou a ISO 14001 e muitas outras, refletem esta mesma preocupação. De igual forma, o Grupo adota técnicas de benchmarking (interno, industrial, competitivo e best-in-class) como maneira de melhorar os próprios processos e RSC.
O Grupo procura ainda utilizar outras práticas de RSC, indicando que utiliza todos os aspetos questionados presentes na Parte I – ponto 24 do Guião de Entrevista (apêndice III), desde programas de gestão ambiental à redução de transportes – sendo que estes aspetos terão uma análise mais profunda no próximo ponto.
É necessário também avaliar quais são as motivações e/ou incentivos mais fortes para a prática de RSC por parte da Jerónimo Martins, sendo que os aspetos como a promoção das relações com os trabalhadores; a atração de recursos qualificados; a procura em melhorar as relações com os financiadores; a preocupação de lealdade com os consumidores; sugestões de clientes e consumidores; procurar melhorar as relações com a comunidade; melhorar a
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própria performance económica e procurar diminuir o risco de escândalos e crises, são considerados como aspetos de extrema importância. Relativamente à dificuldade e barreira de implementação destas práticas, o Grupo afirma que é difícil avaliar os itens de forma independente, pois estes estão intrinsecamente ligados. Existem, claramente, barreiras à implementação de práticas, no entanto, os maiores potenciais impedimentos são os riscos financeiros que ponham em causa a viabilidade financeira do grupo; caso os custos excedam significativamente os resultados; e potenciais barreiras técnicas que impossibilitem a implementação.
Por fim, para além dos projetos de cariz ambiental que serão referidos posteriormente, o Grupo indica projetos, no âmbito da RSC, como Programas de Responsabilidade Social Interna, introduzido em 2009, onde se procura melhorar a qualidade da vida pessoal e familiar dos colaboradores, tendo impactos positivos a nível financeiro, saúde, alimentar, bem-estar familiar, educação, entre outros. Em 2018, este investimento ascendeu a mais de 19,5 milhões de euros. Foram também feitos apoios a instituições de solidariedade social, procurando reduzir a fome e malnutrição, de acordo com a Política de Apoio às Comunidades do Grupo, e promover a quebra de ciclos de pobreza, resultado das situações económico- financeiras mais vulneráveis da população portuguesa, polaca e colombiana. Ainda dentro desta linha de pensamento, o Grupo promoveu a qualidade e diversidade dos produtos alimentares de Marca Própria junto dos consumidores, através dos Programas no âmbito da Política da Qualidade e Segurança de Produto e Política Nutricional, sendo que este compromisso advém do reconhecimento do papel que a alimentação pode desempenhar na prevenção de doenças como a diabetes, a osteoporose e as doenças cardiovasculares e, consequentemente, na promoção da qualidade de vida. Estes programas resultaram nas reformulações nutricionais de produtos de Marca Própria evitando, em 2018, a colocação no mercado de 656 toneladas de gorduras, 88 de açúcar e 8 de sal. O Grupo acredita, por isso, que tem tido um impacto mais positivo na saúde dos seus consumidores. Adicionalmente, desenvolveu soluções alimentares que reforçam o papel de uma alimentação equilibrada na promoção da saúde, democratizando o acesso a produtos sem gordura, sem lactose, sem glúten, aptos para vegetarianos e para vegans.
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Como nota de conclusão, pode-se verificar que, de facto, o Grupo tem uma posição e Responsabilidade Social forte e bem assente na própria cadeia de valor e forma de fazer negócio. Esta conclusão fornece uma boa base e uma ideia sólida da posição do Grupo, permitindo assim um estudo aprofundado da responsabilidade ambiental que é apresentado de seguida.