CAPÍTULO 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 31
2.5 MODELOS E FERRAMENTAS DE GESTÃO AMBIENTAL 61
2.5.6 Responsabilidade Social Corporativa (RSC) 69
A responsabilidade social no âmbito das empresas tem alcançado um raio de ação cada vez maior, ou seja, a empresa, no sentido de estar inserida num mercado cada vez mais competitivo e global, sentiu necessidade de tomar as devidas providências em relação aos seus impactos ambientais negativos. Assim, passou a olhar com mais atenção para o que acontece com seus clientes internos (empregados) e externos (consumidores, fornecedores, comunidade, dentre outros) quando suas atividades empresariais entram em funcionamento. Apesar da importância que tem alcançado nas últimas décadas, a operacionalidade da responsabilidade social ainda não é bem compreendida no mundo empresarial. Seu conceito tem gerado conflitos e insegurança por parte dos empresários, de como inseri-la nas atividades diárias da empresa.
Wartick e Cocharan (1985) afirmam que existe um contrato entre a organização e a sociedade, sendo este contrato um meio através do qual a conduta dos negócios se amolda aos objetivos da sociedade. Conforme Lecours (1995), a noção de responsabilidade pessoal é substituída pela noção de responsabilidade corporativa, passando de um aspecto individualista para um aspecto organizacional que ultrapassa a simples aglomeração dos atos dos sujeitos.
Para os autores da corrente business & society, como Carrol (1999, 1991, 1994), Donaldson e Dunfee (1994), Frederick (1994, 1998) e Wood (1991), a relação entre a empresa e a sociedade se consubstancia por meio de uma rede de interesses ancorados por disputas de poder, acordos contratuais e pela busca da legitimidade. McWilliams (2001) diz que a RSC pode ser definida como um conjunto de ações com promessas de ganhos sociais superiores aos benefícios básicos da empresa e das exigências legais.
Existem diversos modelos com o propósito de representar a RSC. Esses modelos, por meio dos parâmetros estabelecidos por cada autor, tratam de moldar o comportamento da organização com o propósito de averiguar as etapas de desenvolvimento apresentadas pela mesma.
O modelo de responsabilidade social de Quazi e O’ Brien (2000), observando as atividades que a empresa desenvolve, sugere a existência de uma responsabilidade ampla ou restrita. Existe responsabilidade ampla quando a empresa aglutina atividades que vão além das responsabilidades clássicas e econômicas; a responsabilidade restrita, por sua vez, confere à empresa, como função primordial, a maximização do lucro para os acionistas.
O modelo de RSC de Enderle e Tavis (1998), partindo das dimensões econômica, social e ambiental, agrega em três níveis éticos as responsabilidades corporativas. No nível 1 as exigências éticas são mínimas, sendo que a maximização do lucro predomina sobre as questões morais e éticas; o nível 2 evidencia que as obrigações da empresa não se restrinjam apenas ao objetivo econômico, mas também estejam envolvidas com ações que promovam o bem-estar da sociedade; o nível 3 está relacionado ao idealismo que envolve as questões éticas, atrelando a sobrevivência da organização com as demandas sociais.
Wood (1991), por meio da observância de nove indicadores considerados por ele como comuns a todas as empresas, expõe seu modelo de RSC que tem por função permitir um olhar mais transparente das dimensões e das relações travadas por uma empresa socialmente responsável. Os indicadores se distribuem nas três dimensões: princípios de responsabilidade social (legitimidade, responsabilidade pública e arbítrio dos executivos); processos de capacidade de resposta social (percepção do ambiente, gestão dos stakeholders e de problemas); e resultados das ações de responsabilidade social
(institucionais e nos stakeholders internos e externos).
O modelo de Carrol (1999) afirma que o conceito de responsabilidade social comporta o mesmo sentido que se observava no passado, apenas sofrendo modificações os problemas com que as empresas se defrontam na atualidade, bem como as ações de responsabilidade social. Dessa forma, propõe um modelo onde evidencia que a RSC pode ser entendida considerando-se quatro dimensões: econômica, ética, legal e discricionária. Assim, esse modelo mostra que uma empresa alcança uma postura socialmente responsável quando essas quatro dimensões são observadas no gerenciamento de suas atividades.
Borger (2006) toma como referência autores como Carroll, Frederick, Wartick e Crochan, Donaldson e Preston, no sentido de mostrar os modelos de responsabilidade social que foram se aprimorando para dar respostas às dúvidas surgidas no mundo empresarial em relação ao modo como colocar em prática a gestão da Responsabilidade Social Empresarial (RSE).Das críticas sofridas pelos modelos desses autores surge o modelo representado pela teoria do stakeholder, tendo por entendimento que a responsabilidade social deve ser definida em relação aos grupos de interesses que impactam a postura das organizações ou são
impactados por ela. O modelo do stakeholder fundamenta-se numa perspectiva sistêmica da organização na sociedade; dessa forma, as relações entre as empresas e a sociedade apresentam-se intimamente relacionadas e dessa relação surge o capital social, intelectual, financeiro e ambiental que irá garantir a sustentabilidade e o crescimento da organização.
Esse conceito encontra-se em consonância com os benefícios apresentados por Froes e Melo Neto (1999) quando da adoção desse modelo pela organização, tais como: suporte ao desenvolvimento da comunidade; preservação do meio ambiente; investimento no bem-estar de funcionários, dependentes e ambiente de trabalho; transparência nas comunicações; integração com parceiros; satisfação dos clientes.
De acordo com Savage et al. (1991), é importante identificar quais stakeholders estão mais inclinados a ameaçarem a empresa e aqueles mais inclinados a cooperarem, dentre os stakeholders-chave. Assim, os stakeholders dispostos a cooperar com a organização podem propiciar parcerias até mesmo com outros stakeholders que ajudarão na consolidação do negócio.
De acordo com Venkatraman e Subramaniam (2002), a evolução da complexidade do ambiente exige das organizações a expansão de capacidades dinâmicas por meio da diversidade de relacionamentos que tendem a gerar maior valor para as empresas e competitividade. Por sua vez, autores como Sharma e Henriques (2005) e Eslley e Lenox (2006) apostam na interação com os stakeholders como uma forma promissora na elaboração de estratégias socioambientais.
Os modelos de responsabilidade apresentados, ao levarem em consideração em seus princípios preocupações de ordem econômica, ética, filantrópica, institucional e moral, e ainda, por apresentarem preocupação de se adequar às demandas atuais, são apropriados a darem respostas pró-ativas em prol do desenvolvimento sustentável.