Responsabilidade Social é uma forma de conduzir os negócios da empresa de tal maneira que a torna parceira e co-responsável pelo desenvolvimento social. A empresa socialmente responsável é aquela que possui a capacidade de ouvir os interesses das diferentes partes (acionistas, funcionários, prestadores de serviço, fornecedores, consumidores, comunidade, governo e meio-ambiente) e conseguir incorporá-los no planejamento de suas atividades, buscando atender às demandas de todos e não apenas dos acionistas ou proprietários.
As empresas e todo o setor privado são importantes agentes de promoção do desenvolvimento econômico e do avanço tecnológico que está transformando rapidamente o nosso planeta numa aldeia global. Com a crescente interdependência de todos, o bem-estar da humanidade depende cada vez mais de uma ação cooperativa em nível local, regional, nacional e internacional. A participação do setor empresarial por sua capacidade criadora, seus recursos e sua liderança é crucial.
Os diversos setores da sociedade estão redefinindo seus papéis. As empresas, adotando um comportamento socialmente responsável, são poderosos agentes de mudança para, juntamente com estados e sociedade civil, construir um mundo melhor. Este comportamento é caracterizado por
uma coerência ética nas suas ações e relações com os diversos públicos com os quais interagem, contribuindo para o desenvolvimento contínuo das pessoas, das comunidades e de suas relações entre si e com o meio ambiente.
Ao adicionar às suas competências básicas um comportamento ético e socialmente responsável, as empresas adquirem o respeito das pessoas e comunidades que são impactadas por suas atividades e são gratificadas com o reconhecimento e engajamento dos seus colaboradores e a preferência dos consumidores.
A responsabilidade social está se tornando cada vez mais fator de sucesso empresarial e isso abre novas perspectivas para a construção de um mundo economicamente mais próspero e socialmente mais justo.
As transformações sócio-econômicas dos últimos 10 ou 20 anos têm afetado profundamente o comportamento de empresas até então acostumadas à pura e exclusiva maximização do lucro. Se, por um lado, o setor privado tem cada vez mais lugar de destaque na criação de riqueza; por outro lado, é bem sabido que com grande poder, vem grande responsabilidade. Em função da capacidade criativa já existente, e dos recursos financeiros e humanos já disponíveis, empresas têm uma intrínseca responsabilidade social.
A idéia de responsabilidade social incorporada aos negócios é, portanto, relativamente recente. Com o surgimento de novas demandas e maior pressão por transparência nos negócios, empresas se vêem forçadas a adotar uma postura mais responsável em suas ações. Infelizmente, muitos ainda confundem o conceito com filantropia, mas as razões por trás desse paradigma
não interessam somente ao bem-estar social, mas também envolvem melhor performance nos negócios e, conseqüentemente, maior lucratividade. A busca da responsabilidade social corporativa tem, grosso modo, as seguintes características:
• É plural. Empresas não devem satisfações apenas aos seus acionistas.
Muito pelo contrário. O mercado deve agora prestar contas aos funcionários, à mídia, ao governo, ao setor não-governamental e ambiental e, por fim, às comunidades com que opera. Empresas só têm a ganhar na inclusão de novos parceiros sociais em seus processos decisórios. Um diálogo mais participativo não apenas representa uma mudança de comportamento da empresa, mas também significa maior legitimidade social (social license to operate).
• É distributiva. A responsabilidade social nos negócios é um conceito que
se aplica a toda a cadeia produtiva. Não somente o produto final deve ser avaliado por fatores ambientais ou sociais, mas o conceito é de interesse comum e, portanto, deve ser difundido ao longo de todo e qualquer processo produtivo. Tal e qual consumidores, empresas também são responsáveis por seus fornecedores e devem fazer valer seus códigos de ética aos produtos e serviços usados ao longo de seus processos produtivos.
• É sustentável. Responsabilidade social anda de mãos dadas com o
conceito de desenvolvimento sustentável. Uma atitude responsável em relação ao ambiente e à sociedade, não só garante a não escassez de recursos, mas também amplia o conceito a uma escala mais ampla. O
desenvolvimento sustentável não só se refere ao ambiente, mas por via do fortalecimento de parcerias duráveis, promove a imagem da empresa como um todo e por fim leva ao crescimento orientado. Uma postura sustentável é por natureza preventiva e possibilita a prevenção de riscos futuros, como impactos ambientais ou processos judiciais.
• É transparente. A globalização traz consigo demandas por
transparência. Não mais nos bastam os livros contábeis. Empresas são gradualmente obrigadas a divulgar sua performance social e ambiental, os impactos de suas atividades e as medidas tomadas para prevenção ou compensação de acidentes. Nesse sentido, empresas serão obrigadas a publicar relatórios anuais, onde sua performance é aferida nas mais diferentes modalidades possíveis. Muitas empresas já o fazem em caráter voluntário, mas muitos prevêem que relatórios sócio-ambientais serão compulsórios num futuro próximo.
Cobra-se hoje das empresas uma atitude correspondente ao conceito da Cidadania Corporativa Global, que envolve ao mesmo tempo a sustentabilidade e a responsabilidade social, de fato totalmente indissociáveis.
Segundo DUARTE (1986, p.45):
não se deve pensar em sustentabilidade como algo restrito ao meio ambiente, assim como responsabilidade social não se limita a ações ou investimentos em projetos sociais. Os dois conceitos estão intrinsecamente ligados. Uma empresa que pretenda perenizar seu negócio deverá adotar uma estratégia que contemple o que os ingleses chamam de ‘triple bottom line’, ou seja, gerar valor nas dimensões econômica, ambiental e social.
Da mesma forma, responsabilidade social corporativa significa entender e agir em resposta a essa nova demanda da sociedade, que é a de que o valor gerado por uma empresa se reflita em benefícios não somente para seus acionistas, mas que tenha também um impacto positivo para o conjunto dos afetados por suas operações, em particular o meio ambiente e a comunidade (seus próprios funcionários e o restante da sociedade), respeitando sua cultura e agindo de forma ética e transparente.
Aqui é necessário fazer a distinção entre o que pretende e pode alcançar uma empresa e o que foi definido como ‘desenvolvimento sustentável’ por MATTAR (2001, p.46), que cunhou a seguinte definição: “Desenvolvimento sustentável é atender as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem suas próprias necessidades”.
Essa é uma aspiração do conjunto da humanidade. As empresas participam desse processo buscando a sua própria sustentabilidade. Pela relação intrínseca entre os dois conceitos, podemos intuir que as empresas que buscam a sustentabilidade de seus negócios passarão necessariamente por um projeto de responsabilidade social corporativa.
Já existem também referências importantes de como o investimento em responsabilidade social e desenvolvimento sustentável está se tornando fundamental para a viabilidade e consolidação das empresas. Em fevereiro de 2003, foi lançada a versão brasileira do estudo “Criando Valor − O business case para sustentabilidade em mercados emergentes”. Esse estudo, abrangendo 60 países e 240 experiências de empresas − 19 delas brasileiras −
mostra os benefícios resultantes de negócios que consideram impactos sociais e ambientais. A pesquisa foi realizada pelo IFC (International Finance
Corporation), órgão do Banco Mundial, e pela consultoria internacional
SustainAbility, tendo o Instituto Ethos como parceiro no Brasil.
O estudo “Criando Valor” sistematiza as múltiplas oportunidades que estão ao alcance das empresas que adotam boas práticas de governança corporativa, ambientais e de desenvolvimento socioeconômico - como aumento de vendas, redução de custos, minimização de riscos, melhoria da imagem da empresa e maior acesso ao capital. Uma das conclusões do trabalho é que tais práticas estão presentes na vida de grande número de empresas em países de economia emergente, contradizendo uma noção de senso comum de que esse tipo de preocupação é acessória e cara demais para empresas que atuam nesses mercados. O estudo revela ainda que as empresas que estabelecem ações e estratégias de sustentabilidade, de acordo com as prioridades específicas de sua área de atuação, obtêm resultados concretos em termos de produtividade e competitividade.
O desafio está posto. O caminho da responsabilidade social empresarial e do desenvolvimento sustentável aponta para um cenário no qual os resultados e benefícios obtidos são compartilhados pelas próprias empresas, pelo conjunto de parceiros envolvidos em seus negócios, pelas comunidades onde atuam e pela sociedade em que estão inseridas. Nós acreditamos que os empresários brasileiros saberão reconhecer o valor dessa nova postura realizando-se plenamente, não só como empreendedores, mas também como cidadãos.
CONCLUSÃO
O atual modelo de crescimento econômico gerou enormes desequilíbrios; se, por um lado, nunca houve tanta riqueza e fartura no mundo, por outro lado, a miséria, a degradação ambiental e a poluição aumentam dia-a-dia. Diante desta constatação, surge a idéia do Desenvolvimento Sustentável, buscando conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental e, ainda, à redução da pobreza no mundo.
Face ao exposto ficou comprovada a necessidade de se associar o desenvolvimento econômico dos centros urbanos com a proteção ao meio ambiente.
Sabe-se que as ações que dizem respeito à responsabilidade social das empresas, não estão sendo cobradas por meios de instrumentos legais, mas, através da pressão dos grupos sociais ou da própria comunidade, obrigando as empresas a definirem não só objetivos econômicos-financeiros, como também, objetivos de caráter social.
Acredita-se que na medida em que as instituições sociais começam a exigir mais transparência e responsabilidade social por parte de todas as empresas, futuramente, teremos organizações realmente comprometidas com seu meio ambiente
Acredita-se também que o exercício da cidadania empresarial assegura, a qualquer empresa, ganhos e benefícios diversos, como valorização da imagem, aumento nas vendas, difusão da marca, fidelidade dos clientes e retorno para os acionistas pelo desenvolvimento social da comunidade.
O adensamento populacional nos centros urbanos e o crescente consumo de produtos industrializados têm proporcionado acentuado aumento no volume dos resíduos sólidos comerciais e domiciliares, acarretando o agravamento de problemas ambientais, sanitários e sociais nas grandes cidades.
Pela revisão literária realizada, ficou evidente a conveniência da utilização de mecanismos de limpeza pública na gestão de políticas ambientais, tornando concreta a participação de cada cidadão em processos simples e diretos, capazes de alterarem a qualidade de vida de toda a sociedade.
Sendo a geração de resíduos sólidos inerente ao cotidiano de todos os cidadãos, interferir no hábito de destiná-los em recipientes distintos, de acordo com sua natureza, constitui prática adequada para despertar o interesse por informações sobre a origem e o destino de cada resíduo gerado, induzindo questionamentos que venham a promover alterações nos hábitos de consumo e desperdício da sociedade em que vivemos.
Sendo assim, a reciclagem é uma alternativa bastante viável para a preservação ambiental e pode ser implementada a nível da empresa, do município e também no dia-a-dia do cidadão comum. A educação ambiental deve começar na escola e estender-se a todos os segmentos da sociedade.
No Brasil, seria importante que as pequenas e médias empresas recicladoras tivessem apoio financeiro e tecnológico para melhorar suas tecnologias de reciclagem, pois assim estariam contribuindo na geração de
empregos, na diminuição de lixo e na produção de produtos de melhor qualidade com tecnologia "limpa".
O lixo, considerado um problema, para os municípios pode ser utilizado, através da reciclagem, como fonte geradora de riqueza, agregando valor às indústrias e gerando empregos. A palavra chave do momento é “desenvolvimento sustentável”, ou seja, atender as necessidades do presente sem comprometer a qualidade de vida no futuro.