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Responsabilidade socioambiental corporativa e a sustentabilidade

2.3 Responsabilidade Socioambiental Corporativa

2.3.2 Conceitos emergentes de responsabilidade socioambiental corporativa

2.3.2.3 Responsabilidade socioambiental corporativa e a sustentabilidade

A responsabilidade social corporativa também apresenta outro conceito que vem sendo utilizado pelas organizações, o de sustentabilidade; representando outro pilar na responsabilidade social onde está engajada em questões amplas de preservação ambiental e da vida.

O comprometimento com as gerações futuras ressalta a importância que devemos agir de forma responsável e da mesma forma com que temos zelado pelo fortalecimento econômico, isto é, tornar os negócios sustentáveis também do ponto de vista social e ambiental. Um novo conceito de sustentabilidade que engloba além da sustentabilidade econômica, a preservação ambiental e a responsabilidade social, – formando o que se conhece por base tríplice (Tripple Botton Line) ou Desenvolvimento Sustentável Corporativo.

De acordo com Gomes (2005), o conceito - “triple botton line” é amplamente utilizado para descrever o desenvolvimento sustentável em um contexto organizacional, colocando a performance organizacional em três linhas base. A idéia por atrás do triple botton line é que o sucesso da corporação pode e deve ser mensurado não apenas pela performance financeira, mas também pela performance social, ética e ambiental.

Para Young (2004), a responsabilidade social corporativa definitivamente tornou-se uma importante ferramenta para a sustentabilidade das organizações. Atualmente os conceitos que norteiam uma gestão socialmente responsável – a relação ética e transparente com todos os públicos que se relacionam com a

empresa para o desenvolvimento do seu negócio e da sociedade, preservando-se os recursos ambientais e humanos para as gerações futuras – trazem vários benefícios para as organizações.

De acordo com Nascimento, Lemos e Mello (2008), a dimensão socioambiental é a de mais difícil implementação no sentido de construção do desenvolvimento sustentável, pois leva em consideração a relação com os valores fundamentais da vida em sociedade, como os direitos humanos, dos funcionários e dos seus stakeholders, a proteção do meio ambiente, a relação com as associações representativas em relação à comunidade e fornecedores, o monitoramento e avaliação do desempenho, entre outros.

O fator ambiental vem apresentando a necessidade de adaptação das empresas e conseqüentemente direciona novos caminhos na sua expansão. A mudança de paradigmas neste contexto é crucial, no sentido de mudar a visão empresarial, objetivos, estratégias de investimentos e de marketing, voltado para o aprimoramento de seu produto, adaptando-o à nova realidade do mercado global e corretamente ecológico.

A responsabilidade social e ambiental pode ser resumida no conceito de efetividade, como alcance de objetivos do desenvolvimento econômico- social. Portanto, uma organização é efetiva quando mantém uma postura socialmente responsável. A efetividade está relacionada à satisfação da sociedade, ao atendimento de seus requisitos sociais, econômicos e culturais. (TACHIZAWA, 2007, p. 73).

Sachs (1993 apud OLIVEIRA, 2002), expõe que para haver sustentabilidade faz-se necessário o enquadramento das seguintes dimensões:

− Social: Expõe a necessidade de haver mudanças nos paradigmas existentes para que se formem sociedades eqüitativas na geração de oportunidades e na distribuição de renda e de bens, na busca de qualidade de vida;

− Econômica: Deve ser buscada pela alocação e gerenciamento eficientes dos recursos e de um fluxo contínuo de investimentos púbicos e privados;

− Ecológica: São várias alternativas citadas pelo autor como forma de promover uma ecologia sustentada, entre elas a necessidade de aumentar a capacidade de recursos do planeta, através da criatividade e uso de tecnologias adequadas. As alternativas referidas pelo autor são: minimizar os danos ao meio ambiente; usá-lo de forma consciente, como, por exemplo, diminuir o uso dos recursos finitos em

curto prazo, buscando alternativas para substituí-lo, através da reciclagem; estimulação para a diminuição do consumo das pessoas e criação de meios mais eficazes para a proteção do meio ambiente, etc.

− Espacial: Promover iniciativas para reduzir a concentração nas grandes cidades, frear a destruição de ecossistemas frágeis, promover o manejo sustentável para a agricultura e exploração de florestas, através do incentivo à industrialização descentralizada com nova geração de tecnologias limpas e pela preservação da biodiversidade;

− Cultural: Desenvolver com base em processos que busquem mudanças sem colisão com a continuidade cultural e que se identifiquem com o conceito de ecodesenvolvimento na busca de respostas específicas para regiões, ecossistemas e culturas.

Figura 5 – As cinco dimensões da sustentabilidade Fonte: Sachs apud Oliveira (2002)

Segundo Sachs (1993 apud OLIVEIRA, 2002), é necessário que haja criatividade ecológica para que se possa realmente alcançar o desenvolvimento. É importante buscar meios adequados para poder garantir um modo de vida totalmente integrado com o meio ambiente capaz de atender as exigências de uma vida digna para todas as sociedades.

A responsabilidade social corporativa ou responsabilidade socioambiental corporativa, termo este que vem sendo utilizado com mais freqüência segundo Nascimento, Lemos e Mello (2008), é o conjunto de ações socioambientais

desenvolvidas por uma organização. Estas ações buscam identificar e minimizar os possíveis impactos negativos resultantes de sua atuação e também desenvolver ações para construir uma imagem positiva, fortalecendo as condições favoráveis aos negócios da empresa.

Para o autor anteriormente citado, o conceito de responsabilidade socioambiental tem sido reduzido à responsabilidade corporativa, dificultando a identificação de padrões que permitam uma maior abrangência do conceito.

Schvarstein (2003) expressa ser de fundamental importância que as organizações exerçam a responsabilidade socioambiental, mas não de forma pontual e sim estabelecendo relações solidárias entre seus integrantes e os membros das comunidades em que estão inseridas. Dentro deste contexto, é preciso promover e construir organizações socialmente inteligentes, baseadas desde a sua gênese, em valores de eqüidade e solidariedade. Considerando que a organização tenha a capacidade de especificar e gerir suas estratégias e políticas socioambientais contando com os necessários processos e estruturas, para resolver dialeticamente a tensão entre o econômico, o social e o ambiental em qualquer circunstância mesmo diante de um contexto ideologicamente hostil.

Andrade, Tachizawa e Carvalho (2002, p. 12):

[...] a crescente disposição do exercício da responsabilidade socioambiental por parte das organizações deve continuar de forma permanente e definitiva onde os resultados econômicos dependam das decisões empresariais, levando em conta, em primeiro lugar, que não há conflito entre lucratividade e a questão socioambiental; segundo, o movimento de sustentabilidade cresce em escala mundial; terceiro, clientes e comunidades em geral valorizam, cada vez mais, as práticas socioambientais por parte das organizações; e quarto, que a demanda de faturamento das empresas passam a sofrer, cada vez mais, pressões e a depender do comportamento dos consumidores que enfatizarão suas preferências para produtos e organizações ecologicamente corretas.

Neste trabalho, os conceitos de responsabilidade social corporativa, sustentabilidade e responsabilidade socioambiental corporativa serão utilizados como sinônimos. O motivo de simplificar dá-se ao fato de entender que os elementos que sustentam as definições são semelhantes, alguns sustentados dentro de determinadas dimensões como relacionamento ético com stakeholders, preocupações sociais, ou na dimensão ambiental e ou de produção sustentável. Considerando que o que vai diferenciar estes conceitos está na relação com a origem e a amplitude do conceito, pois historicamente a RSC esta relacionada ao

comportamento ético com os stakeholders, a sustentabilidade e a responsabilidade socioambiental corporativa sustenta a importância do olhar atento para os fatores ambientais, uma vez que estes afetam cada vez mais as decisões das organizações e suas práticas.