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2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.8 Responsabilidade Socioambiental no Varejo Supermercadista

Para Andrade (2012, p.29), o varejo é considerado um setor com vocação para a prática da RSE, pois englobam muitas empresas empregadoras com um potencial representativo de movimentações com mercadorias e valores, possuidoras de grandes oportunidades e responsabilidades, sendo o varejo supermercadista o líder de venda de produtos de consumo no país e um dos principais segmentos da economia.

No varejo, o relacionamento com os seus públicos estratégicos stakeholders é fundamental. Lacerda (2008, p.47) exemplificando, diz que o varejo é caracterizado pelo uso de mão-de- obra e pela interação entre os funcionários e clientes, caso essa interação seja de boa qualidade, ótimas oportunidades de gerar fidelidade serão criadas; caso contrário, os clientes poderão ser afastados. Dessa forma, a qualidade dessas relações é fundamental para o desenvolvimento da responsabilidade social, devendo ser avaliada e estimulada com o objetivo de garantir o melhor resultado.

O varejo socialmente responsável seria aquele que mantém um relacionamento baseado na ética e no respeito com todos os seus stakeholders (PARENTE 2004).

A ABRAS caracteriza um supermercado sustentável, definido da seguinte forma:

É um estabelecimento que se preocupa com a saúde dos colaboradores e dos clientes e com a qualidade de vida da população que o cerca, buscando se relacionar com os núcleos carentes que vivem nas imediações. Além disso, procura causar o menor impacto ambiental possível na região onde está ou será instalado(SUPERHIPER, 2009).

No estudo realizado por Lacerda (2008), fica evidente que a maioria dos supermercados pesquisados tem incorporado à ideia de desenvolver ações socioambientais no seu negócio, como ferramenta que viabiliza, de forma positiva, a condução de suas atividades garantindo benefícios para os consumidores e meio ambiente.

Reconhecido pelo seu pioneirismo na área de responsabilidade socioambiental, o grupo Pão de Açúcar lançou em 2008 a Loja verde, um bom exemplo no Brasil, onde nesta inciativa o grupo conseguiu reunir, neste modelo de negócio, soluções de produtos e serviços focados em práticas de sustentabilidade, com uma série de inovações de estímulo ao consumo consciente.

Com alternativas simples e cotidianas em toda a cadeia produtiva e de consumo a nova loja vai proporcionar uma experiência de compra diferenciada para os clientes. Informação, instalações, operação, produtos e completos processos de reciclagem e aproveitamento de resíduos, são algumas das ferramentas escolhidas para envolvermos fornecedores e consumidores acerca de conceitos e práticas de consumo sustentável. declara José Roberto Tambasco, vice-presidente comercial e de operações do Grupo Pão de Açúcar.(ABRAS,2011)

Ainda Segundo Macedo (2005) apud Lacerda (2008), a responsabilidade social no varejo segue algumas tendências, com base nas quais evolui o próprio setor varejista, tais como: a) No Brasil, uma parcela da população já começa a adotar estilos de vida “alternativos”, formando o segmento dos chamados “consumidores verdes”, caracterizado por um comportamento de compra seletivo, estes consumidores exigem produtos adequados de empresas comprometidas socioambientalmente.

b) Práticas exemplares de responsabilidade social – Alguns supermercados brasileiros também são pontos de entrega de latas de alumínio e comprometem-se a encaminhá-las diretamente para a reciclagem ou para instituições de caridade, que as vendem.

A Associação Paulista de Supermercados (APAS) divulgou no seu guia prático “Supermercado Sustentável”, oito iniciativas para a promoção da sustentabilidade no setor, dentre as quais há uma específica que preconiza a avaliação dos impactos sociais e ambientais das operações nos estabelecimentos (ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE SUPERMERCADOS 2008 p.74). A APAS também lançou o guia da loja verde (ASSOCIAÇÃOPAULISTA DE SUPERMERCADOS, 2011 p.94), que trazia sugestões voltadas para a sustentabilidade,

dentre outras como redução do consumo de água e energia, gestão de resíduos e uso de sacolas ecológicas.

No Fórum do Varejo e Consumo sustentável, realizado em 2009, Parente et al (2009) descreve três áreas favoráveis ao desenvolvimento sustentável no varejo supermercadista : a) o setor de varejo deve incentivar e controlar a gestão de impactos sociais e ambientais na construção e operações de suas lojas;

b) os varejistas podem incentivar seus fornecedores a desenvolver produtos diferenciados do ponto de vista social e ambiental e;

c) os varejistas podem incentivar os consumidores a comprar produtos sustentáveis, bem como servir de agente ativo no uso e descarte de produtos, por meio de ações de educação ambiental.

Com o crescente desenvolvimento da atividade varejista ao redor do mundo é notável a preocupação dos gestores em relação aos impactos ambientais que podem ser causados por esse setor. Segundo Guivant (2009, p.173apud PASSINI, 2018, p.2), estão sendo observadas em todo o mundo diversas ações e iniciativas do setor supermercadista para ampliar as estratégias de responsabilidade ambiental, objetivando um modelo de sustentabilidade.

Medidas como: utilização de embalagens biodegradáveis, utilização de energia solar, troca de lâmpadas incandescentes e fluorescentes para o modelo LED, captação da água pluvial para usar na limpeza, segregação dos resíduos gerados para correta destinação dos mesmos, pontos de coletas de latas de alumínio e baterias com o comprometimento de destiná-las a instituições que reciclem esse material, são alguns bons exemplos que estão se espalhando nos lugares, onde existe uma consciência ambiental avançada.

Para Lacerda (p.46 2008), o varejo é o tipo de empresa ou negócio caracterizado pela relação direta com o cotidiano das pessoas, das comunidades, das regiões, enfim, da sociedade. Em todas as localidades do país existe algum estabelecimento de comércio que vende bens e serviços ao consumidor final e que, em geral, tem uma ligação estreita com uma região e com a própria cultura local.

Devido a essa relação próxima com o consumidor, o varejo conhece de perto as demandas do mercado e tende a fornecer respostas mais rápidas que a indústria em questões sociais e ambientais, sendo evidente e de grande impacto sua contribuição na sociedade quando a responsabilidade socioambiental se faz presente efetivamente.