• Nenhum resultado encontrado

Conversations with Students New York: Princeton Architectural Press.

2.7. A resposta natural

Não somos tão racionais como pensamos que somos, orgulhamo-nos e consideramo-nos ser racionais, mas o que é certo é que somos comandados pelas nossas emoções. Reflexo disso é dizermos uma coisa e o nosso comportamento dizer o contrário (Ariely, 2010; Lindstrom, 2008). Acrescenta Dan Ariely: “Em várias maneiras, a economia standard e a perspec- tiva Shakespeareana são mais otimistas em relação à natureza humana, pois assumem que a nossa capacidade para raciocinar não tem limites. Da mesma maneira, a perspetiva das economias comportamentais, que reconhecem as deficiências humanas, é mais deprimente, porque demonstra as várias maneiras em que ficamos aquém dos nossos ideais. Por certo que pode ser depri- mente apercebermos continuamente que tomamos decisões irracionais na nossa vida pessoal, profissional e social.” Também o professor Robert Shiller da Universidade de Yale menciona: “Economia agora é sobre emoção e psicologia.” Já António Damásio faz uma afirmação curiosa: “redução de emoção pode constituir uma igualmente importante fonte de comportamento irracional” (2006,p.53).

A nossa resposta ao que nos rodeia faz-se, primeiramente, através dos sentidos.

“Tal como não conseguimos impedir sermos enganados por ilusões visuais, sucumbimos às “decisões ilusórias” que a nossa mente nos mostra. Quer-se dizer que os nossos ambientes de decisão são filtradas por nós cortesia dos nossos olhos, os nossos ouvidos, os nosso sentidos de cheiro e toque, e pelo mestre de todos, o nosso cérebro. Até ao momento em que compreen- demos e digerimos informação, isso não é necessariamente uma reflexão verdadeira da realidade, mas é nesta entrada de informação em que baseamos as nossas decisões. Em essência somos limitados pelas ferramentas que a natureza nos deu, e pela maneira natural em que tomamos decisões é limitada pela qualidade e precisão dessas ferramentas.” (Ariely, 2010, p.321)11.

2.7.1. A importância das sensações

Através de toda a informação que recolhemos do mundo exterior, obtida pelos nossos órgãos do sentir permite-nos sobre- viver. Foi através do método teste-erro que tanto a humanidade aprendeu a distinguir as coisas que faziam bem das que faziam mal. Como coloca António Damásio (2005)”Se a regulação biológica básica é essencial para a orientação pessoal e compor- tamento social, então a composição do cérebro é provável que tenha prevalecido em selecção natural pode ter sido uma em que os subsistemas responsáveis pelo raciocionio e pela tomada de decisão permaneciam intimamente ligados com aquele que dizem respeito com regulação biológica, dado a sua informação partilhada para a sobrevivência” (p.85), ou seja os susbsiste- mas do cérebro responsáveis por tomadas de decisões tiverem o seu desenvolvimento mas sempre interligados com os orgãos do sentir, seja tanto do que nos rodeia como das sensações internas e especias, como a fome e o cansaço.

Adianta ainda António Damásio: “Se o corpo e o cérebro interagem um com o outro intensamente, o organismo que formam interage com o que o rodeia. As suas relações são mediadas pelos movimentos e dispositivos sensoriais do organismo. O ambiente faz a sua marca no organismo numa variedade de maneiras. Uma é estimular actividade neural no olho (no qual está a retina), no ouvido (no qual está a cóclea, um dispositivo sensivel ao som, e o vestibulo, um dispositivo sensivel ao equilibrio), e a míriade de terminais nervosos da pele, pupilas gustativas, e mucosa nasal. Terminais nervosos enviam sinais para pontos de entrada circunscritos no cérebro, os chamados centros sensoriais primários da visão, audição, sensações somaticas, paladar e olfato. Cada região primária sensorial (córtices primários da visão, córtices primários da audição, e por aí em diante) forma uma coleção de várias àreas, e e há um grande cruzamento de sinais entre essas àreas em cada coleção sensorial(2006, p.91).”

Todas as nossas sensações são importantes para a sobre- vivência, mesmo as sensações que não gostamos como a fome, cansaço e dor, é através delas que somos informados do estado do corpo. Sem dor, um mecanismo de proteção do organismo contra lesões, não reconhecemos os perigos que nos rodeiam, precisamos da dor para nos apercebermos que nos estamos a queimar, por exemplo.

“Não há sensibilidade sem dor, nem prazer sem sensibilidade.”

Baltasar Gracián y Morales

Existe um síndrome hereditátio, chamado Riley-Day, que consiste no facto de as pessoas não sentirem dor devido a um distúrbios nos neurónios sensoriais encarregados de trans- mitir os estímulos ao cérebro. As pessoas com esse símdrome raro podem nem ter sensações de temperatura. Este síndrome descrito pela primeira vez pelos médicos Milton Riley e Richard Lawrence Day, pode ter outros sintomas como deficiências no crescimento, dificuldades em comer, apneia, vómitos, convulsões, hipotonia, escoliose severa, mas é mais caraterísticas pelo facto de o paciente não sentir dor. A psicoterapeuta Miriam Gorender, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e profes- sora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), explica que este síndrome pode ser extremamente perigoso: “A dor é uma coisa boa, por ser uma mensageira de outros problemas. Cerca de 50% das pessoas que nascem com esse síndrome morrem antes dos 30 anos.”

Figura 14: esquema do processo de atribuições de valores ao que nos rodeia. Fonte: autora.

12 “As melhores e mais belas coisas no mundo não podem ser vistas ou tocadas. Elas têm de ser sentidas dentro do coração” Hellen Keller

13- Showcraft. Designing for the senses [em linha]. Burnsville: Showcraft

14- Lindstrom, M. (2008). Buyology: Truth and Lies about Why We Buy . New York: Broadway Business. p.130

2.7.2. Atribuição de valores

“The best and most beautiful things in the world cannot be seen or

Documentos relacionados