Em muitas situações, os taludes das margens necessitam de ser estabilizados (por técnicas permanentes ou temporárias), devido à erosão acelerada a que estão sujeitos, antes de quaisquer medidas tendentes à recuperação da vegetação ribeirinha terem lugar. Isso é absolutamente indispensável sempre que ocorram elevadas taxas de destruição das margens, tornando a instalação de quaisquer plantas virtualmente impossível. As instituições que tenham a seu cargo o ordenamento dos cursos de água devem ter sempre presente que não é possível aplicar a sementeira ou a plantação directamente em taludes marginais que permaneçam instáveis. As técnicas de bioengenharia destinadas à estabilização de margens são o tipo de intervenção mais adequado a estas situações. O seu objectivo é então criar as condições adequadas para o retorno
às funções naturais das margens, criando habitats capazes de suportarem as comunidades aquáticas e as que se estabelecem nas faixas ribeirinhas. Contudo, estas técnicas, cujos principais tipos se descrevem no Quadro 1.3.1, não devem ser consideradas como uma panaceia universal e devem ser sempre aplicadas por pessoal experiente, orientado por especialistas com conhecimentos em áreas do conhecimento tão diversificadas como a hidrologia, a ciência do solo, a biologia e a silvicultura. A maioria destas técnicas está ilustrada nuns poucos de casos de projectos de restauro descritos no capítulo seguinte, devendo ainda complementar-se a observação do Quadro 1.3.1 com a consulta das Figs. 1.3.5 a 1.3.8. Simons e Boeters (1998) definem também algumas regras simples a observar no reforço de taludes marginais de cursos de água:
avaliação de habitats tem vindo a ser sucessivamente aperfeiçoada, sendo instrumentos de trabalho importantes o River Corridor Survey (NRA, 1992) e o River Habitat Survey, RHS (Raven et al., 1997). Esta última metodologia, que é reconhecida como uma técnica de avaliação à escala dos troços fluviais, cobre actualmente toda a gama de variação geomorfológica da Grã-Bretanha e da Irlanda. Tem sido também constantemente modificada para incorporar cursos de água urbanos ou profundamente regularizados, adoptando então a designação de Urban River Survey, URS (Davenport et al., 2004), bem como para cursos de água mediterrâneos (Buffagni e Kemp, 2002). Em França, o SEQ-MP é provavelmente a principal técnica de avaliação do estado de conservação dos cursos de água, tendo sido também largamente aplicado em todo o país. De entre os métodos que incluem principalmente características ribeirinhas, devem-se referir o SERCOM (Boon et al., 1997), o QBR (Munné et al., 2003), e o RQI (González del Tánago
et al., 2006). Os dois últimos foram desenvolvidos
para a Península Ibérica. Enquanto o QBR não exige a definição de condições de referência, considerando estritamente as condições existentes na faixa ribeirinha, o RQI relaciona o estado desta vegetação com as condições hidromorfológicas do segmento fluvial em estudo.
Não se deve esquecer, contudo, a informação histórica sobre esta matéria. Piégay e Saulnier (2000) usaram séries de fotografias aéreas estendendo-se
por mais de 50 anos na bacia do rio Ain, em França, para cartografar espacial e temporalmente taxas de mobilidade dos canais, de forma a predizer a evolução das alterações no seu traçado, designadamente a largura da zona do leito, bem como as consequências futuras para a floresta ribeirinha. Contudo, cartografar vegetação ribeirinha em toda uma bacia hidrográfica requer um trabalho duro. Apesar disso, o progresso nas imagens obtidas por satélite têm vindo a tornar possível o mapeamento do grau de conservação das faixas tampão ribeirinhas, mesmo para faixas estreitas. As técnicas aplicáveis incluem a extracção de informação adicional de observações de satélite com resolução moderadamente elevada (20-30 m), a produção de imagens com alta resolução espacial (1-5 m), tornando-as comparáveis a fotografias aéreas, e o advento da detecção remota baseada no uso de imagens tridimensionais a laser do coberto vegetal, como as dos instrumentos Lidar (Goetz, 2006). Esta última técnica permite cartografar a distribuição de alturas da vegetação no interior das faixas ribeirinhas, bem como o delineamento rigoroso de manchas de vegetação ribeirinha inseridas noutros tipos de coberto vegetal. A informação obtida por detecção remota das faixas tampão ribeirinhas tem provado ser boa preditora das condições ecológicas dos cursos de água, visto poder relacionar-se adequadamente com métricas de avaliação da “saúde” destes ecossistemas, como os valores obtidos através do índice de integridade biótica (IBI, Index of Biotic Integrity) (Van Sickle et al., 2004).
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Técnicas Características Aplicação e especifi-
cações técnicas Eficácia
■Configuração da margem
e plantação. ■Correcção do declive do talude para que não
exceda a altura crítica, seguida da reposição das camadas superficiais do solo e plantação; reforço prévio na base do talude.
■Em cursos de água com
poder energético mediano, com baixos níveis de erosão e para utilização em conjunto com outras técnicas.
■Favorece a colonização
por espécies autóctones.
■Empacotamentos de
arbustos. ■Camadas alternadas de ramos vivos e cascalho ou
pedras.
■Em zonas erodidas das
margens, desde que não sujeitas a submersão regular.
■Estabelece rapidamente
um talude vegetado, pro- porcionando maior esta- bilidade do solo; também permite a colonização por espécies locais.
■Esteiras com ramos
vegetativos. ■Camada continua de ramos vivos ou mortos,
fixados ao solo através de estacas vivas.
■Em zonas acima do
nível normal das águas, onde os taludes estejam ameaçados pelos caudais de cheia. ■Proporciona protecção imediata, restaurando rapidamente as condições ripícolas. ■Geotêxteis, nomeada-
mente rolos de fibra de coco.
■Tapetes de fibras naturais
dispostas sobre os taludes, fixadas através de estacas dormentes; rolos de fibra de coco são cravados com estacas na base do talude.
■Adequados após mod-
elação dos taludes, onde não se verifiquem forças transversais elevadas e seja necessária estabiliza- ção moderada.
■Reduz a erosão ao longo
de todo o talude e propor- ciona condições para um acréscimo da humidade do solo, o que aumenta a viabilidade das plantas enraizadas.
■Plantação de estacas
dormentes. ■Plantação ao longo das margens de forma a
aumentar a rugosidade hidráulica.
■Mais útil em áreas semi-
áridas ou em taludes com reduzido ensombramento.
■Estabelece rapidamente a
vegetação ripícola e reduz a velocidade da corrente junto aos taludes.
■Gabiões com vegetação. ■Caixas de rede de arame,
preenchidas com pedras e cobertas com solo, onde se introduzem estacas vivas para enraizamento.
■Adequados em declives
acentuados e em locais de corrente forte, com fundações estáveis; ap- enas pode ser utilizado na base do talude.
■Permite uma elevada pro-
tecção da base dos taludes declivosos, onde outras técnicas poderão não ter sucesso.
■Enrocamento completo,
ou enrocamento da base do talude simultanea- mente com plantação.
■Cobertura com materiais
rochosos; nos espaços en- tre pedras são introduzi- das as estacas vivas.
■Utiliza-se em áreas
sujeitas a erosão intensa, frequentemente após uma aplicação prévia duma co- bertura geotêxtil, e onde a correcção da pendente do talude é difícil.
■Durabilidade de
longo prazo em declives moderados e correntes moderadas a fortes, como o exterior das curvas.
■Muro de suporte vivo em
madeira, do tipo cribwall. ■Caixas de troncos interli-gadas entre si, preenchidas
com camadas alternadas de terra e estacas vivas.
■Adequado em cursos de
água com taludes de declive muito acentuado (mas não com substrato rochoso) e forte erosão; instala-se sobre uma fundação em gravilha.
■Comparado com os
gabiões ou enrocamentos proporciona uma aparên- cia natural e reabilita taludes onde tenha ocor- rido uma grande perda de solo.
Tabela 1.3.1 Principais técnicas utilizadas para o reforço dos taludes marginais dos cursos de água, a aplicar antes, ou em combinação, com a reinstalação de vegetação. Estas técnicas não são independentes e é frequentemente recomendável a integração de diferentes metodologias.
a) Indicar claramente a área a melhorar e os locais de vazadouro.
b) Definir as necessárias restrições ao acesso de pessoas.
c) Determinar antecipadamente o período do ano mais adequado para a execução dos trabalhos (geralmente desde o fim da Primavera para as mobilizações do solo e no Outono para semear e plantar).
d) Evitar entradas de nutrientes nos cursos de água. e) Desenvolver as actividades, tanto quanto possível,
do leito do canal para o exterior.
f) Evitar o uso de equipamento que compacte o solo da faixa ribeirinha ou danifique a vegetação que seja importante preservar.
A importância da geomorfologia no delineamento de normas e princípios par
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Aplicações
Apresentam-se sumariamente neste capítulo três casos em que foram utilizadas algumas das técnicas mencionadas no Quadro 1.3.1 (Cortes et al., 2004; Boavida et al., 2008). Os objectivos da reabilitação e as características físicas eram bastante distintas entre os casos considerados, mas tinham em comum um aspecto importante: estas estruturas não poderiam ser aplicadas extensivamente. Pelo contrário, deveriam ser adaptadas em áreas limitadas, tendo em conta a variabilidade natural ao longo do troço fluvial seleccionado, as diferenças na estabilidade dos taludes marginais e a necessidade de favorecer o desenvolvimento da vegetação ribeirinha. Além disso, é geralmente necessário definir a escala correcta de actuação e compilar a informação ecológica relevante, no contexto da bacia hidrográfica, procedendo a um inventário adequado dos elementos biológicos e do ambiente físico que lhes está associado. Este trabalho de campo prévio, não só permite definir a situação de partida, ou seja, o estado de referência (para se avaliar no futuro, através de um programa de monitorização, a eficiência relativa das intervenções), mas é também fundamental para analisar as ligações entre a área seleccionada e os ecossistemas envolventes. Assim, aquelas observações não devem limitar-se
estritamente ao espaço a que vão ser aplicadas as técnicas de bioengenharia, mas estender-se a uma área envolvente mais ampla. Uma tal inventariação é também de grande utilidade para estabelecer com maior precisão o âmbito e objectivos do projecto. Nos casos aqui apresentados, a avaliação efectuada mostrou o desvio entre as áreas sujeitas a impacto e as zonas envolventes e permitiu a definição clara dos objectivos da intervenção: enquanto na Ribeira de Odelouca era mais aconselhável proceder a uma reabilitação extensiva, nos Rios Estorãos e Tâmega era necessária uma acção concentrada e forte em segmentos fluviais relativamente mais limitados. No caso da Ribeira de Odelouca, situada no Sul de Portugal, apresentam-se duas situações contrastantes no mesmo rio: a montante e a jusante de uma nova barragem destinada ao abastecimento de água. Este é um curso de água tipicamente sujeito às condições mediterrâneas, percorrendo formações sedimentares, com um canal fluvial dinâmico e fortemente influenciado por cheias súbitas. Encontra-se envolvido por áreas com um uso intensivo do solo, dominado por pomares que se estendem até uma faixa ribeirinha muito pobre e
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eabilitação das faixas ribeirinhas
Técnicas Características Aplicação e especifi-
cações técnicas Eficácia
■Faxinas vivas. ■Feixes de estacas vivas,
espaçadas de modo equidistante ao longo do declive, ou apenas no interface entre a água e o talude (em situações de baixos caudais); são parcialmente cobertas com terra.
■Pode ser normalmente
aplicado em declives suaves; frequentemente necessita de modelação do talude e protecção da base. ■Permite a colonização
por parte da vegetação natural, mas não resiste a velocidades da água elevadas, devendo ser combinada com outras técnicas de bioengenharia.
■Entrançados. ■Fileira de ramos ou árvores
entrançadas, ao longo limite inferior da margem e ancoradas na base.
■Utiliza-se em cursos de
água de média ordem, onde esteja disponível material lenhoso.
■Muito eficaz no aumento
da rugosidade hidráulica, criando condições para a redução da corrente e captura de sedimentos.
■Faixas de vegetação com
ramos vivos combinadas com terra armada com mantas orgânicas.
■Estacas vivas colocadas
(perpendicularmente ao talude) em camadas alternadas com solo com- pactado disposto sobre geotêxteis.
■Especialmente acon-
selhado para grandes declives escavados pelo curso de água, podendo no entanto necessitar duma fundação estável, ou até de protecção na base, quando forem fre- quentes correntes fortes.
■Estabelece rapidamente
uma camada densa de vegetação ripícola, mas pode afectar a coloniza- ção natural.
■Esporões vivos. ■Estruturas que se
projectam para o leito, constituídas por pedras ou barreiras de estacas vivas.
■Pode ser utilizado em
cursos de água de baixa ou media ordem, especial- mente em áreas agrícolas onde o leito foi canali- zado: quando colocados alternadamente em ambas as margens produzem um talvegue meanderizado.
■Deflecte o escoamento
para longe do talude e possui a capacidade de estreitar o canal, através da acumulação dos sedi- mentos junto do talude e removendo-os do centro do canal; adicionalmente, aumentam a heterogenei- dade física e, consequen- temente, a diversidade dos habitats.
Figura 1.3.5 Ilustração das diversas técnicas utilizadas para melhorar o canal fluvial no troço de montante, protegendo os taludes marginais e melhorando as faixas ribeirinhas. Incluem-se a reconfiguração das margens e a sua plantação, a deposição de revestimentos com ramos dormentes de arbustos e árvores juntamente com geotêxteis, gabiões e enrocamentos revestidos com plantas e “cribwalls”. Os números cor- respondem aos locais de monitorização distribuídos ao longo da rede hidrográfica.
com a vegetação autóctone substituída por espécies exóticas, dominando principalmente os canaviais (Arundo donax).
Uma laboriosa apreciação do problema à escala de toda a bacia hidrográfica da Ribeira de Odelouca, concluiu pela adopção de medidas que sustivessem o alargamento do canal nos troços mais críticos situados a montante da barragem (veja-se a Fig. 1.3.5 para uma observação das múltiplas técnicas que foram concebidas para este troço com a finalidade de estabilizar as margens e o leito fluvial, as quais estão também descritas no Quadro 1.3.1). Por outro lado, a jusante da barragem (Fig. 1.3.6), mesmo quando era necessário controlar a erosão, a prioridade foi fazer face às novas condições hidrológicas resultantes da regulação do curso de água, conduzindo a uma considerável redução do caudal (o que obrigou mesmo à definição de um caudal mínimo). Neste caso o projecto incluiu uma modificação no leito do curso de água, através da formação de um novo leito com meandros num troço fluvial onde a linha de água havia progressivamente escavado os taludes marginais. O propósito foi o de permitir uma profundidade razoável da água, de forma a criar
condições para que as espécies ameaçadas de peixes aí completassem o seu ciclo biológico (duas espécies são endémicas desta região). A estabilização deste canal deverá efectuar-se através do uso de rolos de pedra ou gabiões cilíndricos, que são uma espécie de “chouriços” flexíveis de pedras locais contidas em redes de nylon ou metálicas, nos quais se fixam rolos de plantas ou se introduz solo com sementes. A introdução de deflectores e ilhas de pedras ao longo do canal tem por objectivo favorecer a formação de condições de abrigo para a comunidade aquática. Pretende-se melhorar o resto do leito assim alargado (preenchendo-o com solo e geotêxteis biodegradáveis) de forma a permitir a instalação de linhas de plantas autóctones (caniços, juncos e espécies semelhantes, além de arbustos), enquanto que o revestimento dos taludes marginais primitivos com geotêxteis facultará as condições adequadas para salgueiros e amieiros. Os taludes de montante e de jusante serão extensivamente recobertos de canas exóticas devidamente secas (seguindo-se posteriormente a plantação das espécies adequadas), para evitar a invasão, geralmente muito rápida, dessas mesmas plantas exóticas.
A importância da geomorfologia no delineamento de normas e princípios par
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Figura 1.3.6 Esboço das técnicas destinadas a melhorar o troço de jusante da Ribeira de Odelouca que será afectado pela regularização. Do lado esquerdo da figura dispõem-se procedimentos convencionais de estabilização dos taludes marginais e do lado direito procedimentos destinados a criar um canal fluvial sinuoso e de caudal reduzido na parte sobre-alargada, de forma a conter os baixos caudais procedentes da albufeira da barragem. Esta técnica utiliza rolos de pedras envolvendo o canal escavado; definem-se também faixas ribeirinhas distintas, desde formações de plantas herbáceas e arbustivas próximo do canal alagável (requerendo a deposição de solo) até árvores de espécies ribeirinhas nas proximidades das margens originais. Nos troços fluviais mais estreitos de jusante a correcção do declive das margens efectua-se através da criação de terraços suportados por paliçadas.
A intervenção no Rio Estorãos (Fig. 1.3.7), já concluída, foi concebida com o objectivo de consolidar taludes marginais em processo de colapso, em consequência de uma prévia dragagem do leito que levou a que fosse excedida a altura crítica das margens. Este primeiro passo destinou-se a preparar a instalação subsequente de vegetação e a evitar a deposição de sedimentos finos no leito fluvial, a qual afectava a reprodução de peixes migradores (lampreia) e da truta. Para evitar a perturbação visual e aumentar a heterogeneidade física, combinaram-se diversas técnicas de acordo com o nível de instabilidade detectado ao longo do troço fluvial, designadamente gabiões, diferentes tipos de enrocamento (com altura variável: desde o simples revestimento da base do talude até ao enrocamento total da margem), deflectores de corrente laterais em pedra e rolos de fibras orgânicas, além da simples reconfiguração de declives marginais seguida de plantação. A mitigação da perturbação cénica resultante das estruturas visuais foi conseguida através da utilização de estacas vivas de vegetação autóctone e da replantação nos intervalos dos enrocamentos e dos gabiões.
De forma diversa, nos extensos fundões do Rio Tâmega (Fig. 1.3.8), formados na sequência da
extracção de inertes, o objectivo principal foi o de favorecer o exercício de actividades recreativas, sendo este o principal âmbito a ter em conta, tanto mais que o inventário demonstrou a dominância de espécies de peixes exóticas, em consequência de uma degradação total do habitat. O uso de estruturas artificiais limitou-se estritamente aos pontos onde era necessário estabilizar os taludes marginais ou protegê-los da pressão exercida pela presença de visitantes. Noutras áreas preferiu-se efectuar um melhoramento extensivo do habitat, através da remoção dos restos de actividades humanas anteriores, do corte de vegetação indesejada e criação de condições para o reaparecimento natural de margens com um revestimento de plantas ribeirinhas mais diversificado. Na Fig. 1.3.8 ilustram- -se os procedimentos utilizados na principal área reabilitada (margem esquerda), onde se estabeleceram prioridades de mais curto prazo por oferecer melhor acessibilidade a visitantes e por ter sofrido maior agressão, em consequência de alterações repetidas no coberto e na própria superfície do solo. A margem direita, que não foi seriamente afectada pelas actividades extractivas e conservou a sua vegetação natural, foi deixada intacta.
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Figura 1.3.7 Distribuição dos procedimentos seleccionados para estabilização dos taludes marginais ao longo do troço fluvial intervencionado no Rio Estorãos (cerca de 1 km). Pode-se observar o uso de gabiões vegetados, diferentes modalidades de enrocamento com plantação simul- tânea, deflectores laterais de corrente e reconfiguração das margens com aplicação de geotêxteis com estacaria.
Figura 1.3.8 Exemplificação de técnicas mistas de reabilitação ao longo de uma das margens do canal fluvial alargado do Rio Tâmega. De jusante para montante: 1 – enrocamento e instalação de relva e outras gramíneas; 2 – enrocamento com plantação simultânea nas fendas; 3 – paliçada; 4 – enrocamento da base do talude e reconfiguração do declive seguido de arrelvamento; 5 - enrocamento da base do talude e empacotamento vivo (com estacas vivas); 6 e 7 – corte da vegetação e remoção de irregularidades do solo; 8 – área para uso recreativo.
A importância da geomorfologia no delineamento de normas e princípios par
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