4 Stepwise self-explanation
5.3 Restrições dos experimentos
A principal restrição que existe neste trabalho está relacionada à execução dos experimentos como um todo. Primeiro, houve uma grande dificuldade para o recrutamento de estudantes nos experimentos realizados aqui no Brasil. Uma tentativa sem sucesso foi tentar realizar os experimentos com estudantes do ensino médio matriculados em escolas públicas da rede municipal de ensino na cidade de Recife. Cerca de 100 estudantes foram convidados pessoalmente pela autora desta tese para participar de um minicurso de programação, mas nenhum dos estudantes se voluntariou para participar do minicurso. O recrutamento passou a funcionar apenas quando o experimento passou a contar como atividades extras de uma disciplina de introdução a programação. Porém poucos estudantes se comprometeram de fato com todas as atividades extras durante a execução da disciplina. Portanto, os dados de poucos estudantes puderam ser utilizados como dados para os experimentos realizados. O que resultou na segunda restrição, o número pequeno de estudantes participantes dos experimentos. Por fim, a terceira restrição dos experimentos diz respeito à quantidade de material que precisou ser produzida para cada um deles. Os estudantes participantes dos experimentos estavam matriculados em diferentes disciplinas de introdução a programação e o material produzido precisava estar alinhado aos objetivos de aprendizagem de cada uma destas disciplinas. Por esta razão, foi necessário produzir três conjuntos diferentes de materiais instrucionais para um dos grupos de estudantes participantes dos quase-experimentos, o que gerou um trabalho extra para a produção deste material.
5.4 Implicações
Este quinto capítulo apresentou os procedimentos metodológicos adotados nesta tese. Vimos que foi empregada a visão geral filosófica pragmática e um projeto misto de pesquisa com diferentes casos. Com o objetivo de avaliar a eficácia da primeira versão da Stepwise Self-explanation, realizamos um experimento piloto com participantes de uma instituição de ensino médio e técnico localizada na Dinamarca, no segundo
semestre de 2014. Neste experimento utilizamos exemplos trabalhados em vídeo da série The Joy of Code que ensinam a linguagem de programação Java utilizando a ferramenta Greenfoot. Os participantes foram divididos em dois grupos, o instrucional (GI) e o controle (GC). Enquanto o GI estudou os exemplos trabalhados em vídeo, auto- explicando-os em folhas de papel, o GC estudou os vídeos a sua própria maneira. Por restrições de tempo para realização do estudo, o experimento foi dividido em duas sessões, uma sessão que foi realizada em casa e outra sessão que foi realizada na instituição de ensino. Após o estudo, foi feita uma análise estátistica dos programas criados pelos estudantes para resposta às perguntas.
Para avaliar a eficácia da segunda versão da Stepwise Self-explanation, realizamos três quase-experimentos em três diferentes instituições de ensino localizadas no estado de Pernambuco, no primeiro semestre de 2015. O primeiro quase-experimento envolveu participantes de graduação que estavam cursando uma disciplina introdutória de programação pela segunda vez. Nele, utilizamos exemplos trabalhados em vídeo produzidos pela autora desta tese que ensinaram a linguagem de programação C utilizando a ferramenta CodeBlocks. Os estudantes foram divididos em três grupos, um grupo controle (GC) e dois grupos instrucionais (GI1, que utilizou as perguntas de AE abertas e o GI2, que utilizou perguntas de AE de múltipla escolha). Este quase- experimento foi realizado em duas sessões de aula extras com cada grupo de participantes.
O segundo quase-experimento envolveu participantes de graduação que estavam cursando uma disciplina introdutória de programação pelo menos pela terceira vez. Nele, também utilizamos exemplos trabalhados em vídeo produzidos pela autora desta tese que ensinaram a linguagem de programação C utilizando a ferramenta CodeBlocks. Neste experimento, tivemos apenas um grupo instrucional, que estudou os exemplos trabalhados em vídeo utilizando questões de AE abertas. Este quase-experimento foi realizado em quatro sessões de aula extras com o grupo de participantes.
O terceiro quase-experimento, por sua vez, envolveu participantes do ensino médio-técnico sem experiência em programação e do ensino técnico que estavam cursando uma disciplina introdutória de programação pela primeira vez de uma instituição de ensino de nível médio, técnico e superior do estado de Pernambuco. Nele, utilizamos exemplos trabalhados em vídeo produzidos pela autora desta tese que utilizaram a ferramenta Scratch como ferramenta e como linguagem de programação.
Os participantes foram organizados em dois diferentes grupos, o controle (GC) e o instrucional (GI). Este quase-experimento foi realizado como minicurso de uma semana de tecnologia promovida pela instituição de ensino.
Ao final dos três quase-experimentos, para responder as questões de pesquisa dos três quase-experimentos, examinamos os programas construídos pelos estudantes como respostas aos pré e pós-testes por meio de uma abordagem mista. Para todos os quase- experimentos realizados, cada um dos programas construídos pelos estudantes nos pré e pós-testes passou por uma análise realizada em três etapas, uma etapa para detecção de erros e warnings pelo compilador, uma etapa de análise manual para detecção e categorização dos erros encontrados e, por fim, uma etapa de execução de um conjunto de casos de testes. Somente após esta fase de análise qualitativa, foi atribuída uma nota aos programas construídos pelos estudantes e assim realizou-se uma análise estatística, objetivando comparar os dados dos diferentes participantes dos quase-experimentos. Veremos no próximo capítulo os resultados obtidos do experimento piloto e dos quase- experimentos realizados.