Para análise da microdureza Vickers dos corpos de prova antes do processo de usinagem, foram retiradas três medidas de cada condição a ser testada: n1, n2 e n3, conforme mostrado na Tabela 4.3:
Tabela 4.3 – Valores de Microdureza Vickers (HV) da Liga A356 para diferentes modificadores e refinadores de grão
Condição a ser testada n1 n2 n3
TiBAl5/1+SrAl10% 51,1 53,9 52,9
TiAl10%+SrAl10% 51,9 50,7 53,3
TiCAl315+SrAl10% 51,2 51,8 51,5
Strobloy5% 50,1 52 52,2
SrTiBAl10% 52,7 51,2 53,4
Fonte: autoria própria.
Da análise estatística das variâncias, ANOVA, com 95% de confiança, mostrada na Tabela 4.4, para os resultados de microdureza dos corpos de prova, pode-se verificar que não existe variação entre as amostras analisadas, sendo que ela não é afetada pelo tipo de anteliga utilizada no tratamento da liga A356.
Tabela 4.4 – Análise estatística da microdureza Vickers para a Liga A356 com diferentes modificadores e refinadores de grão
GL MQ F F 5%, (i-1), (ij(n-1))
SST 16,289333 14 0,67985 3,478049691 Aceita H0
Sstrat 3,4826667 4 0,87067
Sserro 12,806667 10 1,28067
Fonte: autoria própria.
Conforme identificado no teste de dureza Brinell, o teste da microdureza Vickers também não apresentou diferenças estatísticas com 95% de confiabilidade para os valores de microdureza Vickers. Esse fato evidencia que o ensaio de microdureza Vickes pode ser utilizado para caracterizar a liga A356 tratada com diferentes anteligas no lugar do ensaio de dureza Brinell.
4.5 ANÁLISE ESTATÍSTICA DOS ESFORÇOS DE USINAGEM NOS ENSAIOS PRELIMINARES
Para os ensaios preliminares de usinagem por torneamento cilíndrico tangencial de acabamento da liga de alumínio silício, A356, com dois níveis de ferramentas: sem cobertura, H10, e com cobertura, GC1005, em corpos de prova tratados por três níveis de refinador de grão: o TiBAl5/1, o TiAl10% e o TiCAl315, e combinados apenas com um único nível de modificador de grão, o SrAl10%, os valores obtidos para o momento de corte (Mt), medidos em newton metros (Nm), estão de acordo com Tabela 4.5:
Tabela 4.5 – Valores de momento torçor (Mt) para os ensaios preliminares
TiBAl5/1 TiAl10% TiCAl315
H10 20,26 20,36 20,25 20,20 20,19 20,07 20,05 19,99 20,23
1005 20,19 20,24 20,11 19,95 19,93 20,17 19,70 19,66 19,79
Fonte: autoria própria.
Ao analisar os valores do momento de corte (Mt) para os ensaios preliminares, é possível afirmar que os valores encontrados foram afetados pelo tipo de refinador e pela cobertura da ferramenta individualmente. Porém, não é possível observar interação entre as variáveis anteliga e tipo de ferramenta, conforme mostrado na Tabela 4.6:
Tabela 4.6 – Análise estatística do momento de corte (Mt) para os ensaios preliminares
GL MQ F F 5%, (i-1), (ij(n-1))
SST 0,68649
SSi 0,18875 1 0,18875 22,304 4,74723 A variável influencia
SSj 0,33198 2 0,16599 19,6143 3,88529 A variável influencia
SSij 0,0642 2 0,0321 3,79331 3,88529 A variável não
influencia
SSerro 0,10155 12 0,00846
Fonte: autoria própria.
Da avaliação da variação do momento torçor (Mt) apenas para os níveis de refinador de grão, é possível dizer que, quando utilizada a anteliga TiBAl5/1 para o tratamento da liga A356, são esperados valores maiores de momento torçor (Mt), conforme gráfico da Figura 4.7, em um processo de torneamento cilíndrico tangencial
de acabamento. Esse resultado pode ser explicado devido à grande quantidade de
partículas de TiB2 inseridas na liga A356, que, além de serem abrasivas, possuem
facilidade em se aglomerar.
Os valores de momento torçor (Mt) para os corpos de prova tratados com a anteliga TiAl10% tiveram tendências de menor valor se comparados com os corpos de prova tratados com as anteligas TiBAl5/1 e de maior valor se comparados com as peças tratadas com a anteliga TiCAl315. Esse fato pode ser associado à qualidade do refino de grão encontrado para essa condição. Por apresentar refino de grão mais pobre que os corpos de prova tratados com TiBAl5/1 e TiCAl315, podem apresentar porosidades e pontos de tensão que aumentam o momento torçor (Mt) presentes no processo de torneamento.
Os valores de momento torçor (Mt) encontrados para os corpos de prova tratados com a anteliga TiCAl315 apresentaram menores valores de momento torçor (Mt), pois, além de apresentarem refino de grão superior, as peças tratadas com TiAl10%, não apresentam em sua composição microscópica partículas grandes, aglomeradas e
abrasivas de TiB2. No lugar dessas partículas, esses corpos de prova apresentam
partículas de TiC, que, além de estarem em menor volume que o TiB2, são menores e
não tendem a se aglomerar, sendo, assim, menos nocivas a ferramenta de corte.
Figura 4.7 – Valores de momento torçor (Mt) para torneamento cilíndrico tangencial de acabamento quando analisada apenas a variação de tratamento de
refino de grão
Ao se analisarem os valores de momento torçor (Mt) para o torneamento cilíndrico tangencial de acabamento da liga A356 utilizando ferramentas com e sem cobertura superficial, é possível verificar que o processo tende a apresentar menores valores de momento torçor (Mt) quando utilizadas ferramentas com cobertura de TiN e TiAlN, conforme o gráfico mostrado na Figura 4.8:
Figura 4.8 – Valores de momento torçor (Mt) para torneamento cilíndrico tangencial de acabamento quando analisada apenas a variação da cobertura de
ferramenta
Fonte: autoria própria.
A primeira camada, formada a partir do nitreto de titânio alumínio (TiAlN), confere à ferramenta baixa condutividade térmica, protegendo a aresta de corte e aumentando a remoção de calor pelo cavaco, além de alta dureza a frio e a quente, aproximadamente 3300 HV, ajudando a vencer as barreiras das partículas duras e abrasivas fornecidas pelos tratamentos dos corpos de prova pelas anteligas TiCAl315 e TiBAl5/1. A segunda camada composta por nitreto de tTitânio (TiN) também reduz o coeficiente de atrito entre a pastilha e o cavaco e é quimicamente estável.
Esse resultado demonstra que a cobertura da ferramenta minimizou a abrasividade das partículas de silício, dos boretos (partículas de TiB2) e dos carbetos (partículas de TiC) presente nos corpos de prova, além de reduzir a ação da porosidade e dos pontos
de tensões causados pelo refino de grão pobre promovido quando utilizada a anteliga TiAl10%. Ainda, evidencia que não houve interação entre as camadas de cobertura da ferramenta e o material da peça.
O resultado encontrado vem ao encontro da afirmação de Diniz et al. (2013) de
que ferramentas com dupla camada de cobertura são ideais para processos de usinagem com exigências médias como o caso das ligas de alumínio.
A força de corte (Fc) foi medida em newtons (N) para os ensaios preliminares, conforme Tabela 4.7:
Tabela 4.7 – Valores de força de corte (Fc) para os ensaios preliminares
TiBAl TiAl TiCAl
H10 336,81 342,70 331,27 336,44 335,10 331,02 329,67 334,57 334,71
1005 335,86 336,68 331,87 334,82 332,44 327,88 325,01 326,67 328,42
Fonte: autoria própria.
A força de corte (Fc), neste caso, corresponde a uma componente do momento torçor (Mt). Por esse motivo, pode-se observar o mesmo comportamento estatístico quando utilizada a ferramenta ANOVA, com 95% de confiabilidade, vista no momento torçor (Mt), conforme mostrado na Tabela 4.8:
Tabela 4.8 – Análise estatística da força de corte (Fc) para os ensaios preliminares
GL MQ F F 5%, (i-1), (ij(n-1))
SST 325,687
SSi 59,1391 1 59,1391 5,00677 4,74723 A variável influencia
SSj 108,827 2 54,4136 4,60671 3,88529 A variável influencia
SSij 15,9787 2 7,98937 0,67639 3,88529 A variável não influencia
SSerro 141,742 12 11,8118
Fonte: autoria própria.
Os corpos de prova tratados com a combinação de refinador de grão TiBAl5/1 e modificador de grão SrAl10% mostraram tendência a maiores valores para os esforços de corte independente da ferramenta utilizada no processo de torneamento escolhido. Ao passo que os corpos de prova tratados com a anteliga refinadora de grão TiCAl315, combinados com a anteliga modificadora de grão SrAl10%, apresentaram tendência a
menores valores de esforço de corte, para qualquer ferramenta utilizada no processo de usinagem escolhido de acordo com o gráfico mostrado na Figura 4.9:
Figura 4.9 – Valores de força de corte (Fc) para torneamento cilíndrico tangencial de acabamento quando analisada apenas a variação de tratamento de
refino de grão
Fonte: autoria própria.
Analisando apenas o fator refino de grão, é possível dizer que o corpo de prova tratado com TiCAl315 ficou mais refinado que o corpo de prova tratado com a anteliga TiAl10% de acordo com a Figura 4.3, o que vem ao encontro da afirmativa de alguns
autores, como Li Bao et al. (2009), de que a utilização de refinadores de grão com
partículas insolúveis, TiC no caso do TiCAl315 e TiB2 no caso do TiBAl5/1, melhora a qualidade do refino e deixa a estrutura mais homogênea.
A mesma relação do momento torçor (Mt) pode ser encontrada para a análise apenas da variação da cobertura de ferramenta, conforme mostrado na Figura 4.10, onde, quando utilizada ferramenta com cobertura, observa-se uma tendência a valores mais baixos de força de corte (Fc) se comparado ao mesmo processo de torneamento utilizando ferramentas sem cobertura.
Figura 4.10 – Valores de força de corte (Fc) para torneamento cilíndrico tangencial de acabamento quando analisada apenas a variação da cobertura de
ferramenta
Fonte: autoria própria.
Os valores de força de avanço (Ff) expressos em newtons (N), para o torneamento cilíndrico tangencial da liga A356 tratado com diferentes anteligas e ferramentas com e sem cobertura, foram encontrados de acordo com a Tabela 4.9:
Tabela 4.9 – Valores de força de avanço (Ff) para os ensaios preliminares
TiBAl TiAl TiCAl
H10 101,19 108,56 98,94 97,43 95,96 98,76 98,68 101,21 100,90
1005 102,66 102,64 94,74 94,63 101,51 99,30 89,59 96,28 89,17
Fonte: autoria própria.
Pela análise estatística da variância, ANOVA, com 95% de confiabilidade para uma distribuição normal, é possível afirmar que o esforço de avanço (Ff) não foi afetado pela variação da anteliga no tratamento do corpo de prova, nem pela variável ferramenta utilizada no processo de torneamento cilíndrico tangencial de acabamento da liga A356, conforme mostrado na Tabela 4.10:
Tabela 4.10 –Análise estatística do esforço de avanço (Ff) para os ensaios preliminares
GL MQ F F 5%, (i-1), (ij(n-1))
SST 374,1044
SSi 53,76837 1 53,76837 4,118206 4,747225 A variável não influencia
SSj 92,63557 2 46,31778 3,547554 3,885294 A variável não influencia
SSij 71,02538 2 35,51269 2,719974 3,885294 A variável não influencia
SSerro 156,6751 12 13,05626
Fonte: autoria própria.
A tendência de variação dos esforços de avanço (Ff) é mais expressiva quando se modificam variáveis como: a geometria de ferramenta, o avanço de corte e a velocidade de corte para um processo de torneamento cilíndrico tangencial. Por esse motivo, as variáveis deste estudo não foram suficientes para alterar a força de avanço (Ff) no processo proposto neste trabalho, conforme observado na Tabela 4.10. O mesmo pode ser dito para a interação entre as variáveis, que não foi notada nesse processo.
Os valores de força passiva expressos em newtons (N) para os ensaios preliminares foram encontrados conforme Tabela 4.11:
Tabela 4.11 – Valores de força passiva (Fp) para os ensaios preliminares
TiBAl TiAl TiCAl
H10 10,20 12,11 9,72 5,12 4,59 3,83 9,94 9,94 100,90
1005 8,28 8,24 4,05 7,75 11,32 9,27 4,22 10,67 3,60
Fonte: autoria própria.
O comportamento da força passiva (Fp) foi similar ao apresentado pela força de avanço (Ff), não sendo afetado pelas variáveis cobertura de ferramenta e anteliga refinadora de grão. As variáveis não possuem interação entre si conforme mostrado na Tabela 4.12:
Tabela 4.12 – Análise estatística da força passiva (Fp) para os ensaios preliminares
GL MQ F F 5%, (i-1), (ij(n-1))
SST 8322,49
SSi 543,95 1 543,95 1,17196 4,74723 A variável não influencia
SSj 950,522 2 475,261 1,02396 3,88529 A variável não influencia
SSij 1258,36 2 629,18 1,35559 3,88529 A variável não influencia
SSerro 5569,66 12 464,138
Fonte: autoria própria.
Após análise dos ensaios preliminares, considerando apenas os resultados observados de força de corte (Fc) e momento torçor (Mt), no torneamento cilíndrico tangencial da liga A356, pôde-se observar um melhor desempenho da liga A356 tratada com o refinador TiCAl315 juntamente com o modificador SrAl10%. Assim, optou-se por realizar os testes definitivos comparando esse resultado com novos corpos de prova da liga A356 tratados com anteligas combinadas, ou seja, as mesmas possuem características refinadoras e modificadoras de grão, o SrTiBAl10% e o Strobloy5%, ambas fornecidas pela LSM Brasil.
Da medição do momento torçor (Mt), em newton metros, para o torneamento cilíndrico tangencial de acabamento da liga A356 quando tratadas com as anteligas TiCAl315+SrAl10%, SrTiBAl10% e Strobloy5% para dois tipos de ferramenta, com e sem cobertura, obtiveram-se os dados da Tabela 4.13:
Tabela 4.13 – Valores do momento torçor (Mt) para os ensaios definitivos
TiCAl+SrAl Strobloy SrTiBAl
H10 20,05 20,23 19,99 20,31 20,25 20,32 19,71 19,82 19,75
1005 19,70 19,79 19,66 19,76 19,83 19,79 20,11 20,13 20,04
Fonte: autoria própria.
Da análise estatística das variâncias, ANOVA, com 95% de confiabilidade, de uma distribuição normal, dos resultados dos ensaios definitivos, é possível afirmar que, para os valores de momento torçor (Mt), tanto a variável anteliga como a variável ferramenta causam influência no processo, assim como a interação entre as mesmas provoca mudança de reação nas variáveis analisadas, conforme observado na Tabela 4.14:
Tabela 4.14 – Análise estatística do momento torçor (Mt) para os ensaios definitivos
GL MQ F F 5%, (i-1), (ij(n-1))
SST 0,869
SSi 0,1444 1 0,1444 30,6901 4,74723 A variável influencia
SSj 0,06758 2 0,03379 7,18201 3,88529 A variável influencia
SSij 0,60063 2 0,30031 63,8286 3,88529 A variável influencia
SSerro 0,056 12 0,00471
Fonte: autoria própria.
Avaliando os valores de momento torçor (Mt) para os ensaios definitivos, é possível afirmar que existe uma tendência de maiores valores de momento torçor (Mt) para ligas tratadas com a anteliga Strobloy5% e a utilização de ferramenta sem cobertura, conforme mostrado na Figura 4.11, enquanto houve tendência de menores valores de momento torçor (Mt) para a liga A356 tratada com as anteligas TiCAl315 + SrAl10% e ferramentas com cobertura.
Esses valores mostram que a utilização de uma ferramenta com baixa aderência e
resistência ao desgaste, com cobertura, aliados a uma liga isenta de partículas de TiB2,
promovem um corte durante o torneamento tangencial de acabamento, com tendências de menores valores de momento torçor (Mt).
Porém, para o mesmo processo, utilizando uma ferramenta sem cobertura em uma liga com refino de grão mais pobre, ou seja, possível presença de porosidades e tensões internas, possui tendências de maiores valores de momento torçor (Mt).
Figura 4.11 – Valores de momento torçor (Mt) para o torneamento cilíndrico tangencial de acabamento da liga A356 tratada com diferentes anteligas: SrTiBAl,
Strobloy e TiCAl+SrAl e dois tipos de ferramenta: sem cobertura, H10, e com cobertura, 1005
Fonte: autoria própria.
Porém, se se compararem as ligas trabalhadas apenas com ferramenta sem cobertura,
é possível afirmar que o grau de refino de grão e a presença de partículas de TiB2 afetam
os valores de momento torçor (Mt). Isso por que a liga com tendência a menores valores de momento torçor (Mt) foi a liga tratada com a anteliga SrTiBAl10%, ou seja, a liga com refino de grão mais fino, se comparada às outras duas ligas, e com menor quantidade de
partículas de TiB2, 0,005 kg/t em peso de boro,se comparada à liga tratada com a anteliga
Strobloy5%, 0,030 kg/t em peso de boro.
Para análise da liga A356 usinada com ferramentas com cobertura, 1005, é possível verificar uma tendência de maiores esforços de corte para a liga tratada com a anteliga SrTiBAl10%, enquanto para a liga tratada com a anteliga TiCAl315+SrAl10% o torneamento com ferramenta com cobertura apresentou tendência a menores esforços de corte.
Desse resultado, pode-se dizer que o momento torçor (Mt) não foi afetado pelo refino de grão, mais pobre na liga tratada com Strobloy5%. Porém, a utilização de
maior quantidade na liga A356 tratada com Strobloy5%, 0,030 kg/t em peso de boro, se comparado com a liga tratada com o SrTiBAl10%, 0,005 kg/t em peso de boro.
Ao analisar a interferência entre as variáveis, cobertura de ferramenta e anteliga de tratamento, verificaram-se uma tendência de menor esforço de corte quando utilizadas ferramentas com cobertura para as ligas tratadas com as anteligas SrTiBAl10% e TiCAl315+SrAl10%, o que era de se esperar, conforme mostrado na Figura 4.12(a) e na Figura 4.12(c).
Ao passo que, quando comparados os valores de momento torçor (Mt) para a liga tratada com a anteliga Strobloy5%, houve uma tendência a maiores esforços de corte, quando utilizadas ferramentas com cobertura. Esse fato deve ser avaliado mais a fundo em um teste de vida de ferramenta para a verificação da relação do desgaste de ferramenta com o aumento do momento torçor (Mt).
Figura 4.12 – Valores de momento torçor (Mt) para o torneamento cilíndrico tangencial de acabamento da liga A356 tratada com as anteligas: a) SrTiBAl10%; b) Strobloy 5%; c)TiCAl315 + SrAl 10% e usinadas com ferramentas com e sem
recobrimento
Fonte: autoria própria.
Os resultados da força de corte (Fc), expressos em newtons (N), para o torneamento cilíndrico tangencial de acabamento da liga A356 para diferentes tratamentos de refino de grão e modificação de grão, com ferramentas com e sem cobertura, foram expressas conforme Tabela 4.14:
Tabela 4.14 – Valores da força de corte (Fc) para os ensaios definitivos
TiCAl+SrAl Strobloy SrTiBAl
H10 329,67 334,57 334,71 339,30 339,41 337,20 322,81 324,95 324,92
1005 325,01 324,67 326,42 326,56 325,35 326,30 330,14 331,37 329,78
Fonte: autoria própria.
Da análise dos resultados dos testes definitivos considerando a variação das anteligas SrAl10% + TiCAl315; Strobloy5% e SrTiBAl10% e o uso de ferramentas com e sem cobertura, é possível afirmar que os valores de força de corte (Fc) apresentaram resultados semelhantes ao momento torçor (Mt), o que é esperado, pois a força de corte (Fc) é uma componente do momento torçor (Mt). Então, tanto a variável anteliga como a variável ferramenta causam influência no processo, assim como a interação entre as mesmas provoca mudança de reação nas variáveis analisadas, conforme observado na Tabela 4.15:
Tabela 4.15 – Análise estatística do esforço de corte (Fc) para os ensaios definitivos
GL MQ F F 5%, (i-1), (ij(n-1))
SST 485,724
SSi 97,6945 1 97,6945 44,2254 4,74723 A variável influencia
SSj 77,5016 2 38,7508 17,5421 3,88529 A variável influencia
SSij 284,02 2 142,01 64,2866 3,88529 A variável influencia
SSerro 26,508 12 2,20902
Fonte: autoria própria.
Os valores de força de corte (Fc) variaram da mesma maneira que os valores de momento torçor (Mt), assim como a interação entre as variáveis de acordo com as evidências da Figura 4.13 e da Figura 4.14:
Figura 4.13 – Valores de força de corte (Fc) para o torneamento cilíndrico tangencial de acabamento da liga A356 tratada com diferentes anteligas: SrTiBAl,
Strobloy e TiCAl+SrAl e dois tipos de ferramenta: sem cobertura, H10, e com cobertura, 1005
Fonte: autoria própria.
Figura 4.14 – Valores de força de corte (Fc) para o torneamento cilíndrico tangencial de acabamento da liga A356 tratada com as anteligas: a) SrTiBAl10%;
b) Strobloy5% e c) TiCAl315 + SrAl10% e usinadas com ferramentas com e sem recobrimento
A força de avanço (Ff), medida em newtons (N), para os ensaios definitivos, pode ser verificada conforme Tabela 4.15:
Tabela 4.15 – Valores da força de avanço (Ff) para os ensaios definitivos
TiCAl+SrAl Strobloy SrTiBAl
H10 101,19 108,56 98,94 108,07 110,84 107,65 100,63 105,76 103,57
1005 102,66 102,64 94,74 102,21 102,89 103,01 103,90 104,26 101,47
Fonte: autoria própria.
Da análise estatística das variâncias, ANOVA, com 95% de confiabilidade para uma distribuição normal dos ensaios definitivos, conforme Tabela 4.16, é possível afirmar que, para os valores de força de avanço (Ff), não houve influência das variáveis cobertura de ferramenta e refinador de grão. Esse resultado já era esperado, pois essa variável de resposta é mais afetada pela variação de parâmetros de processo, o que não foi escopo deste trabalho.
Tabela 4.16 – Análise estatística do esforço de avanço (Ff) testes finais
GL MQ F F 5%, (i-1), (ij(n-1))
SST 242,456
SSi 41,8281 1 41,8281 4,30427 4,74723 A variável não influencia
SSj 56,6152 2 28,3076 2,91296 3,88529 A variável não influencia
SSij 27,3984 2 13,6992 1,4097 3,88529 A variável não influencia
SSerro 116,614 12 9,71782
Fonte: autoria própria.
Os valores de força passiva (Fp), expressos em newtons (N), para os ensaios definitivos, podem ser mostrados de acordo com a Tabela 4.17:
Tabela 4.17 – Valores da força passiva (Fp) para os ensaios definitivos
TiCAl+SrAl Strobloy SrTiBAl
H10 9,94 9,94 100,90 5,32 4,34 9,49 9,10 9,10 8,63
1005 4,22 10,67 3,60 8,16 7,68 2,26 4,15 3,21 3,37
Da análise estatística das variâncias, ANOVA, com 95% de confiabilidade, de uma distribuição normal, para os valores de força passiva (Fp) dos ensaios definitivos, conforme Tabela 4.18, é possível afirmar que as variáveis cobertura de ferramenta e anteliga não influenciaram os valores de força passiva (Fp), assim como não houve interação entre as mesmas. Esse fato se deve à não-variação dos parâmetros de corte, variáveis que exercem maiores influência sobre a força passiva (Fp).
Tabela 4.18 – Análise estatística da força passiva (Fo) para os ensaios definitivos
GL MQ F F 5%, (i-1), (ij(n-1))
SST 8524,57
SSi 792,811 1 792,811 1,70359 4,74723 A variável não influencia
SSj 1152,63 2 576,317 1,23839 3,88529 A variável não influencia
SSij 994,597 2 497,299 1,06859 3,88529 A variável não influencia
SSE 5584,53 12 465,377
5 CONCLUSÕES
Neste capítulo, são apresentadas as conclusões obtidas pela análise dos resultados deste trabalho.
Das análises dos esforços de usinagem do torneamento cilíndrico tangencial de acabamento da liga A356 para diferentes anteligas (refinadores e modificadores de grão) e ferramenta sem cobertura, H10, e com cobertura, GC1005, é possível concluir que:
- para o processo de fusão escolhido, todas as anteligas utilizadas como modificador de grão (SrAl10%, Strobloy5% e SrTiBAl10%) foram consideradas eficientes para uma taxa de adição entre 0,0083% e 0,0194% de estrôncio contido na liga após o tratamento.
- Para o processo de fusão utilizado, as anteligas TiBAl5/1 e SrTiBAl10% tiveram refino de grão mais fino se comparadas às outras anteligas utilizadas, a uma taxa de adição de 2,8 kg/t de liga tratada.
- Para o processo de solidificação adotado, as anteligas Strobloy5% e TiCAl315 apresentaram grau médio de refino de grão se comparadas com outras anteligas utilizadas, a uma taxa de adição de 2,16 kg/t e 2 kg/t de liga tratada.
- O refinador de grão TiAl10% teve o grau de refino mais pobre se comparado a outras anteligas utilizadas, a uma taxa de adição de 2kg/t de liga tratada.
- A liga A356 não teve seus valores de dureza Brinell e microdureza Vickers alterados se comparados os diferentes tratamentos de refino e modificação de grão.
- Para o processo de torneamento tangencial de acabamento considerando as opções de refino de grão com as anteligas TiBAl5/1, TiAl10% e TiCAl315, a opção que sugere menores valores de força de corte (Fc) é a utilização da liga com a anteliga TiCAl 315, independente da cobertura de ferramenta.
- Para situações em que a potência da máquina é um problema, a pior combinação