1 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DAS POLÍTICAS PÚBLICAS E DAS
4.2 Resultado do questionário aplicado ao CSDF
Sobre o funcionamento dos conselhos regionais de saúde do DF, relata-se que as entrevistas não foram suficientes para informar alguns aspectos importantes, notadamente os que dizem respeito à relação entre o CSDF e os conselhos regionais. Assim, optou-se por aplicar um questionário à secretaria do CSDF, a fim de clarear determinadas questões (ANEXO I).
Observa-se que conforme dados do Conselho Distrital de Saúde do DF, atualmente existem 14 conselhos regionais atuantes e 4 em processo de renovação dos mandatos. Desses 18 conselhos, portanto, em funcionamento, somente 8 têm sede própria e 3, o CSDF, não dispõe de informação sobre esse aspecto (ANEXO I).
Estes dados, assim como outros, fazem parte de um relatório sobre a atual estrutura dos conselhos de saúde do DF, elaborado em recente reunião do Grupo de Trabalho (GT/DF) do Programa de Inclusão Digital14 (PID), da Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa do Ministério da Saúde. Esse relatório (ANEXO VII), repassado à pesquisadora pela secretaria do CSDF, como anexo do questionário respondido, forneceu algumas informações que auxiliaram na compreensão da conformação dos conselhos do DF quanto às possibilidades de operacionalização das suas ações.
Observa-se, pelas informações do quadro 5 (ANEXO VII), que as condições para o funcionamento dos conselhos regionais são, em geral, precárias, considerando os aspectos, sede própria, presença de um técnico administrativo, apoio à gestão, telefone, computador, mobília, internet e impressora. Destacam-se insuficiência de funcionários técnico- administrativo para auxiliar nas atividades burocráticas, sendo que 10 dos 18 CRS não o
14 O PID é uma parceira entre o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa (SGEP), Conselho Nacional de Saúde (CNS) e Departamento de Informática do SUS (Datasus). O programa surgiu durante a última Conferência Nacional de Saúde, em 2007.
O objetivo do PID é fazer com que os conselhos de saúde incluam o controle social digital nas suas atividades diárias, utilizando a Internet para ter acesso a informações sobre saúde (BRASIL, 2010).
contam com esses profissionais; a escassez de computadores no Conselho, uma vez que 12 não possuem, assim como, somente 3 possuem mobília, 5 possuem internet e 2, dos 18 conselhos regionais relatados, possuem impressora.
No que diz respeito à estruturação dos conselhos regionais de saúde, como instâncias legais do SUS, a Secretaria do CSDF informou que os Conselhos Regionais foram estruturados com base nas diretrizes da Resolução nº 001 de 1995 do CSDF. Essa Resolução, segundo a Secretaria do CSDF, orienta que, em razão da peculiaridade do DF, como instância híbrida de Estado e Município, os regimentos dos conselhos regionais devem seguir as características de cada região, sendo as diferenças manifestadas, quase sempre em relação ao número de conselheiros. Assim, cada Conselho dispõe de Regimento próprio e não são subordinados ao CSDF, mantendo com esse uma relação de articulação, parceria, negociação, e de sinergia, conforme informação da Secretaria do CSDF. Essa secretaria informou, ainda, que o CSDF não dispõe de cópia atualizada dos regimentos dos conselhos regionais de saúde.
Outro aspecto, que se destaca da relação formal entre os conselhos regionais e o CSDF é sobre como se dão os trâmites entre eles no que concerne a deliberações e outras providencias. A informação que se obteve, é que os conselhos regionais que decidirem encaminhar alguma resolução para ser submetida ao CSDF devem enviar juntamente com a resolução proposta, a cópia da pauta, da ata e do parecer dos conselheiros do respectivo Conselho Regional. As demais questões tratadas devem ser encaminhadas diretamente às instâncias locais, como conselhos gestores e unidades da RA, não necessitando passar pelo CSDF.
5 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Nesse capítulo, procedeu-se à análise e discussão dos resultados apresentados no capítulo anterior em que foram identificados pelo software ALCESTE, os campos comuns ou campos consensuais acerca do controle social por diversos atores sociais que participam da formulação e da implementação das políticas públicas no DF.
De acordo com a teoria das representações sociais, quando se estuda um grupo social concreto, deve-se atentar pela parte consensual da representação, visto ser ela que define a identidade do grupo (GUIMARÃES e CAMPOS, 2007). Além disso, do ponto de vista da análise, foram observadas as diferenças interindividuais presentes nos resultados, indo além da categorização dos elementos encontrados, buscando, dessa forma, o posicionamento dos sujeitos face às dimensões sociais apresentadas.
Assim, percebeu-se que as condutas institucionalizadas e práticas do controle social em saúde no DF foram norteadas pelas representações e significados que os conselheiros de saúde e os gestores construíram socialmente na sua relação dialética com a realidade objetiva. Observou-se que essas condutas estão ancoradas nas hierarquias dos valores, nas percepções em relação a outros grupos e categorias e nas experiências sociais, anteriormente partilhadas (DOISE, 2002).
Dessa forma, partindo-se de um dos princípios do ALCESTE que é o de aglutinar trechos do discurso aparentemente diferentes no enunciado, mas significativamente próximos em um núcleo de sentido (CAMARGO, 2005), podem ser identificados os campos representacionais ou eixos, presentes nos corpus analisados.
A discussão dos conteúdos das representações sociais acerca do controle social, portanto, se deu orientada pelo referencial teórico e metodológico apresentado, no qual as categorias democracia e politicidade nortearam o processo de análise.
5.1 As Representações Sociais dos Gestores acerca do controle social em saúde no DF-