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6 RESULTADOS E DISCUSSÕES DO PROGRAMA EXPERIMENTAL

6.4 Resultado experimental da série II

A série II foi executada com o esquema de ensaio mostrado na Figura 6-11. Todos os modelos foram ensaiados apenas de um lado. O objetivo deste ensaio era observar o

comportamento da ruptura quando aplicado o carregamento em uma região sem a influência do comprimento de transferência.

Figura 6-11 - Esquema de ensaio da série II

Fonte: próprio autor

A Figura 6-12 mostra que a fissura do modelo TR2-6 parte do apoio até o ponto de aplicação da carga. Neste ensaio houve abrupta ruptura na região central da nervura. Posteriormente, uma fissura de flexão surgiu próximo a região de aplicação do carregamento. Contudo, essa fissura de flexão ocorreu depois que a fissura de cisalhamento já estava bem avançada. Portanto, pode-se dizer que a ruptura foi por tração diagonal.

Na Figura 6-13 é mostrada a fissuração do segmento TR2-7, e os mesmos efeitos do segmento TR2-6 foram observados. Assim, a fissura de tração diagonal governou a ruptura da peça. Esta fissura partiu do apoio até o ponto de aplicação da carga. Posteriormente, fissuras de flexão se tornaram visíveis.

Figura 6-12 - Fissuras do modelo TR2-6

Fonte: próprio autor

Na Figura 6-14 observou-se o mesmo fenômeno para o segmento TR2-7. Pode-se concluir, que estas três peças romperam, primordialmente, por tração diagonal. Embora fissuras de flexão possam ter surgido antes da fissura de tração diagonal, as mesmas não foram observadas.

Figura 6-13 - Fissuras do modelo TR2-7

Fonte: próprio autor

Na Figura 6-15 é mostrado o padrão de fissuração do segmento TR2-9. A fissura de cisalhamento partiu do apoio e depois caminhou em direção ao ponto de aplicação de carga. É muito provável que isso ocorreu devido ao mau adensamento da nervura. Assim, a cordoalha provavelmente escorregou, gerando a fissura horizontal observada na Figura 6-15. Então, pode-se dizer que esta peça rompeu por cisalhamento com escorregamento da cordoalha de protensão superior.

Figura 6-14 - Fissuras do modelo TR2-8

Figura 6-15 - Fissuras do modelo TR2-9

Fonte: próprio autor

A última peça ensaiada era uma de canto (Figura 5-3), denominada TR3-10. O objetivo era observar se a peça de canto teria o mesmo comportamento das peças centrais, o que não ocorreu. Na Figura 6-16 é mostrado o padrão de fissuração deste segmento. Neste modelo, as primeiras fissuras a surgirem foram as de flexão, posteriormente surgiram fissuras inclinadas. Como a forma geométrica da seção transversal do segmento TR3-10 era diferente dos segmentos anteriores, seu comportamento à força cortante não seguiu o padrão dos outros segmentos.

Figura 6-16 - Fissuras do modelo TR3-10

Figura 6-17 - Fissuras dos modelos série II

a) Face 1 b) Face 2

Fonte: próprio autor

Para melhor comparar o comportamento de cada segmento em ambas as faces a Figura 6-17 foi elaborada. Comparando cada face do mesmo segmento, observou-se o mesmo padrão de fissura. Por exemplo, mesmo a peça TR2-9 não possuindo bom adensamento, na nervura, observou-se mesmo padrão de fissuras semelhante para as duas faces. Este comportamento foi observado em todas as peças, Figura 6-17. Portanto, essa metodologia se mostra eficiente no combate à torção para ensaios de cisalhamento em segmentos de lajes alveolares protendidas.

Figura 6-18 - Curvas de deslocamento por força da série II

A Figura 6-18 mostra as curvas de força cortante versus deslocamento vertical medido no ponto de aplicação da força dos modelos ensaiados. Observa-se que o modelo TR2-9 obteve baixa carga última, já que tinha problemas de adensamento. Os modelos TR2-6, TR2- 7 e TR2-8 tiveram curvas próximas com baixa variação. Já o modelo TR3-10 obteve mesmo patamar de força última dos três modelos anteriores, porém com menor rigidez.

Na Tabela 6-3 é mostrado o resumo do comportamento dos segmentos da série II. Em sua segunda coluna é mostrada a força última de cada modelo. Excluindo o modelo TR2-9, os outros obtiveram força resistentes últimas semelhantes com média de 32,02 kN e desvio padrão de 0,69 kN. Na segunda coluna é mostrado o padrão de fissuração, onde todos eles foram governados por cisalhamento, exceto o modelo TR3-10. Embora os três primeiros tenham sido com maior influência do cisalhamento do que a flexão.

Na coluna quatro da Tabela 6-3, duas sub colunas foram criadas para mostrar a distância do ponto crítico até o ponto do apoio (lx) de cada face. Os três primeiros modelos

possuíram comprimentos semelhantes. O modelo TR2-9 obteve uma fissura partindo antes do apoio e, portanto, ao valor foi atribuído o sinal negativo. O modelo com maior distância do ponto crítico foi o TR3-10, que obteve valor da ordem de 30,0 cm. Isso indica que quando a ruptura ocorre por flexão, a distância do ponto crítico ao apoio (lx) está mais próximo do ponto

de aplicação da carga do que do apoio. Por outro lado, quando a ruptura é por cisalhamento a distância do ponto crítico tende a ficar próxima ao apoio.

Tabela 6-3 - Resumo dos experimentos da série II

Modelo V(kN) u,exp Tipo de ruptura visível lx (cm)

Face 1/Face 2 Ângulo da fissura β Face 1/Face 2 TR2-6 30,99 Cisalhamento 5,0 7,0 17,8° 19,3° TR2-7 31,80 Cisalhamento 12,3 13,3 23,2° 18,3° TR2-8 32,71 Cisalhamento 12,1 18,7 17,3° 23,8°

TR2-9 21,63 escorregamento da cordoalha Cisalhamento e -2,0a) -4,0a) 29,9° 30,9°

TR3-10 32,56 Flexão 31,3 30,2 29,0º 37,9°

Médiab) 32,02 - 15,1 17,3 21,8° 24,8°

Des. pad.b) 0,79 - 9,7 8,5 4,7° 7,8°

Coef. de

Variação 0,02 0,64 0,49 0,22 0,31

a) O sinal negativo significa que o ponto crítico iniciou antes do apoio; b) Estas médias desconsideram o valor de TR2-9 depois de uma análise pelo critério de Chauvenet (1960) e pelo critério de Grubbs (1969).

Na quinta coluna da Tabela 6-3 foram criadas duas sub colunas para mostrar o ângulo da fissura de cada face. Para os três primeiros modelos os ângulos ficaram próximos e em torno de 20,0°. No modelo TR2-9 foi de 30,0° e o modelo TR-3-10 teve média de 33,4°. Na média geral, excluindo o modelo TR2-9, obteve-se 21,8° para uma face e 24,8° para a outra.

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