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5 ANÁLISE E DISCUSSÃO DE DADOS

5.1 Resultados do Estudo I: pesquisa documental

5.1.3 Resultados da análise do Regimento Interno da Unesp e PDI

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Estudante do último ano de pedagogia, fluente em Libras há 14 anos, bolsista de Iniciação Científica do projeto: Acessibilidade no Ensino Superior: da análise das políticas públicas educacionais ao desenvolvimento de mídias instrumentais sobre deficiência e inclusão”, financiado pelo Programa Observatório da Educação (Obeduc), membro do Lalis.

Quando partimos dos pressupostos presentes no Decreto 5.626/2005 (BRASIL, 2005c) para pensar na situação presente no contexto pesquisado, temos uma estudante surda, ao final do primeiro ano de graduação em Arquivologia, sem receber as garantias previstas para essa esfera do ensino, qual seja, a garantia do acesso à comunicação, à informação, à educação, mediante a presença do TILSP e de mecanismos avaliativos que respeitem a singularidade linguística dos surdos.

Sabemos que as lutas das comunidades surdas projetaram o aumento de sujeitos no Ensino Superior, mas o número ainda é baixo e, para algumas instituições, a presença desse estudante é algo inédito.

Então, pensando na Universidade Estadual Paulista (Unesp), lócus de aplicação desta pesquisa, localizada no Estado de São Paulo, buscamos por documentos oficiais específicos, coerentes com os anseios dos movimentos surdos, pautados no Decreto nº. 5.626/2005 (BRASIL, 2005c) e que delineassem ações visando à presença do surdo no Ensino Superior.

Reforçando tal situação, a Unesp não possui em seu Regimento Geral, aprovado pelo Decreto nº 10.161, de 18 de agosto de 1977, atualizado em 28 de setembro de 2016 (SÃO PAULO, 1977), especificações relacionadas à presença de estudantes surdos e à contratação ou exercício do trabalho do TILSP, surtindo efeito como uma barreira legislativa.

Destacamos que o regimento foi reestruturado um ano após a matrícula da estudante e onze anos após a instituição do Decreto nº. 5.626/2005. Todavia, os surdos não estão mencionados nas linhas que regem a organização da instituição, existindo uma lacuna entre o direito do indivíduo de estudar e as normas que regulam tal ocorrência, já que a universidade acompanha a organização do Estado em que se localiza, de São Paulo, com a ausência de encaminhamentos aos surdos que acessam suas universidades.

Dessa maneira, ainda há grandes metas a serem atingidas e processos a serem construídos para que os sujeitos que ingressarem concluam a graduação, a começar pela responsabilidade da própria universidade em amparar as necessidades linguísticas e educacionais do sujeito surdo.

Para além das questões inexistentes, ou seja, a ausência de encaminhamentos às pessoas surdas no contexto da Unesp, em geral, identificamos no regimento a possibilidade de reestruturação por parte da reitoria, não se tratando então de algo rígido e que pode ser alterado conforme a necessidades nesse sentido e em consonância com as legislações acima do documento. Consta em seu Art. 14 que cabe à reitoria deliberar sobre os recursos que lhe

forem submetidos, baixar portarias, quando for o caso e aprovar normas de acesso para cargos e funções (São Paulo, 1977/2016).

No contexto dessa universidade, foi desenvolvido o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), que sofre alterações anualmente em função das demandas e tem como objetivo organizar o orçamento da IES e, sua meta 7, objetiva assegurar condições para inclusão e acessibilidade ao ambiente universitário e aos recursos materiais e didáticos. A única referência à língua de sinais é sobre a disciplina de Libras nos cursos de licenciatura e de Fonoaudiologia, com a contratação de TILSP. Mas para o caso de estudantes surdos matriculados, não há especificações, desqualificando o direito social presente no Decreto Federal 5.626/2005 (BRASIL, 2005c).

Assim, seguindo a linguagem legislativa do Estado de São Paulo que não acata as orientações referentes a esse nível de ensino presentes no Decreto Federal 5.626/2005, repercute-se na instituição paulista a falta de ações que não oferece condições para o surdo dar continuidade aos seus estudos. Apesar do PEE do Estado de São Paulo congregar condições de acessibilidade no Ensino Superior, novamente reiteramos que não há delineamentos das ações para concretizar melhorias e orientações específicas aos sujeitos surdos e suas particularidades linguísticas, políticas e educacionais.

Dessa maneira, o contexto universitário se torna hostil aos grupos sociais desprivilegiados que se encontram em vulnerabilidade educacional, não rompendo o sectarismo histórico de culpabilizar os sujeitos, forçados a se adaptarem à instituição, pois não tem havido suportes legislativos e vontade política nesse Estado de mover as barreiras para os estudantes tenham igualdade de condições.

No caso em questão, com a presença de uma estudante surda, insistimos pela latente necessidade da contratação do TILSP para o curso de Arquivologia e orientações aos docentes para compreender as especificidades educativas, linguísticas e visuais, bem como informações sobre a organização e correção de avaliações.

Os indícios presentes nos documentos mostram que, para a estudante surda acessar seus direitos, deverá acionar a Justiça, com base em dispositivos como o Decreto 5626/2005, e ‒ apesar das tensões ideológicas, pelas contradições com as expectativas das comunidades surdas‒ nas Políticas de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva.

Recapitulando, como mecanismos de apoio jurídico à inclusão e permanência do surdo no Ensino Superior, temos: a Portaria Ministerial nº. 3.284/2003 (BRASIL, 2003), a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008), o

Decreto Presidencial nº. 6.949/2009 (BRASIL, 2009a) e a recente Lei nº. 13.146/2015 (BRASIL, 2015).

Mediante ao rol de proposições, que se articulam entre si, vemos que o surdo que adentra a esse espaço, enfrentará uma grande luta para concluir seus estudos, não por fracasso dele, mas devido à ausência de legislação do Estado de São Paulo e sua autonomia para legislar e que projeta as ações e organizações internas das universidades atreladas a ele, sem oferecer condições compatíveis com suas prerrogativas desse sujeito, obstaculizando seu direito à aprendizagem.

5.2 Resultados do Estudo II: análise do contexto pedagógico na visão dos professores