• Nenhum resultado encontrado

5. ANÁLISE QUANTITATIVA DESCRITIVA

5.3 RESULTADOS DA ANÁLISE FATORIAL INTRABLOCOS

Nesse contexto, realizou-se a AFC para a verificar a explicação da variabilidade das variáveis observáveis em relação ao fator (construto), como fase antecessora da Regressão Linear Múltipla. Com o intuito de avaliar se os fatores estão associados fortemente e se eles conseguem representar um conceito singular (KOUFTEROS, 1999; HAIR Jr. et al., 2010) foi realizada a análise fatorial intrablocos. Nessa perspectiva, realizou-se ainda a ratificação dos construtos por meio da análise intrablocos, examinando-se dentro de cada fator, no conjunto de suas variáveis observáveis, a comunalidade, o KMO, as cargas fatoriais, a variância explicada e o Teste de Esfericidade de Barlett.

Para a análise intrablocos desta pesquisa, foram considerados seis fatores: i) Competências Essenciais (CE); ii) Competências Distintivas (CD); iii) Triple Bottom Line Ambiental (TBLA); iv) Triple Bottom Line Social (TBLS); v) Triple Bottom Line Econômico (TBLE); E, vi) Vantagem Competitiva (VC). De acordo com Pestana e Gageiro (2005) e Malhotra (2012), os índices apresentados na Tabela 8 – Validação dos dados para o Fator 1 – Competências Essenciais são favoráveis à validação da escala, uma vez que o KMO e o Teste de Esfericidade de Barlett são aceitáveis, e a variância explicada é de 47,26%.

Tabela 8 – Validação dos dados para o Fator 1 – Competências Essenciais

KMO 0,772

Teste de Esfericidade de Barlett 292,037*

Variância Explicada 47,26%

*Nível de significância p>0,001 Fonte: Dados da pesquisa (2019).

A Tabela 9 apresenta a análise fatorial intrabloco para o Fator 1 – Competências Essenciais (CE), que traz valores favoráveis à validação da escala, pois a comunalidade é aceitável (não foram menores do que 0,2), uma vez que quatro variáveis tenham sido inferiores a 0,5 (CE1=0,345; CE2=0,451; CE5=0,416; CE6=0,445), evidenciando uma baixa correlação entre as variáveis observáveis. Entretanto, estas variáveis foram mantidas, devido à sua alta carga fatorial e a importância teórica destas para a explicação do Construto (HAIR Jr. et al., 2010).

Deve-se destacar que todas as cargas fatoriais foram superiores a 0,5, superior à carga mínima recomendada de 0,5 (HAIR Jr. et al., 2010). As cargas fatoriais das variáveis

observáveis CE4 (Eu considero fundamental que as pousadas integrem tecnologias, conhecimentos, habilidades, experiências e técnicas) e CE3 (Eu valorizo as pousadas que oferecem produtos, processos e serviços diferenciados de seus concorrentes), do Fator 1 – Competências Essenciais apresentaram os maiores índices, de 0,781 e 0,755, respectivamente, o que demonstra que elas contribuíram significativamente para a composição do fator, demonstrando a percepção do cliente no tocante à integração de novas tecnologias, conhecimentos e experiências, bem como a existência de produtos, serviços e processos que se destacam pela diferenciação (PRAHALAD; HAMEL, 1990; 2006; BARNEY, 1991; ALMOR; HASHAI, 2004).

Tabela 9 – Análise fatorial intrabloco para o Fator 1 – Competências Essenciais

Fator Variáveis observáveis Comunalidade Cargas fatoriais Competências Essenciais (CE)

CE1) Eu prefiro me hospedar em pousadas que ofereçam benefícios aos seus clientes.

0,343 0,585 CE2) Eu considero importante que as pousadas se

utilizem de estratégias competitivas.

0,451 0,672 CE3) Eu valorizo as pousadas que oferecem produtos,

processos e serviços diferenciados de seus concorrentes.

0,570 0,755

CE4) Eu considero fundamental que as pousadas integrem tecnologias, conhecimentos, habilidades, experiências e técnicas.

0,611 0,781

CE5) Eu consigo perceber quais atividades geram valor para as pousadas onde eu me hospedo ou faço buscas na intenção de me hospedar.

0,416 0,645

CE6) Eu percebo que algumas pousadas possuem características que as ajudam a alcançarem seus principais objetivos.

0,445 0,667

*Nível de significância p>0,05 **Nível de significância p>0,01 Fonte: Dados da pesquisa (2019).

Na Tabela 10 consta a Validação dos dados para o Fator 2 – Competências Distintivas (CD), indicando que KMO e o Teste de Esferecidade de Barlett são aceitáveis (PESTANA; GAGEIRO, 2005; MALHOTRA, 2012; HAIR JR. et al., 2010), e a variância explicada é de 40,09%.

Tabela 10 – Validação dos dados para o Fator 2 – Competências Distintivas

KMO 0,818

Teste de Esfericidade de Barlett 303,980*

Variância Explicada 40,09%

*Nível de significância p>0,001 Fonte: Dados da pesquisa (2019).

A Tabela 11 apresenta a análise fatorial intrabloco para o Fator 2 – Competências Distintivas (CD), onde três variáveis foram inferiores a 0,5 (CD1=0,295; CD3=0,492; CD4=0,388), evidenciando uma baixa correlação entre as variáveis observáveis, porém elas foram mantidas devido à importância teórica destas para o entendimento do construto (HAIR Jr. et al., 2010) e sua alta carga fatorial. Por sua vez, as cargas fatoriais foram todas superiores a 0,5, sendo quatro delas acima de 0,7, o que é altamente aceitável (HAIR Jr. et al., 2010).

No Fator 2 – Competências Distintivas (CD), a variável observável CD5 (Eu considero importante me hospedar em pousadas que têm estratégias voltadas à possibilidade de adaptabilidade a mudanças e novos cenários) apresentou a maior carga fatorial, de 0,780, seguida da CD6 (Eu valorizo as pousadas que inovam, se inserem em novos mercados e são proativas) que apresentou 0,778 de carga fatorial, corroborando o que os autores afirmam sobre o desempenho positivo de uma empresa estar relacionado ao seu posicionamento (proativo, eficiente, ousado) e que tal posicionamento deve estar presente em suas estratégias (MARTÍN-ROJAS et al., 2017; TOGNAZZO et al., 2017; GARCÍA-SÁNCHEZ et al., 2018).

Tabela 11 – Análise fatorial intrabloco para o Fator 2 – Competências Distintivas

Fator

Variáveis observáveis

Comunalidade Cargas fatoriais

Competências Distintivas (CD)

CD1) Eu consigo perceber que algumas pousadas possuem características que as diferem de seus concorrentes.

0,295 0,543

CD2) Eu valorizo pousadas que têm estratégias voltadas à eficiência.

0,557 0,747 CD3) Eu acredito que algumas pousadas possuem

características únicas, diferentes de outras pousadas.

0,492 0,701

CD4) Eu prefiro me hospedar em pousadas que tenham características que sejam difíceis de imitar.

0,388 0,623 CD5) Eu considero importante me hospedar em

pousadas que têm estratégias voltadas à possibilidade de adaptabilidade a mudanças e novos cenários.

0,608 0,780

CD6) Eu valorizo as pousadas que inovam, se inserem em novos mercados e são proativas.

0,605 0,778 *Nível de significância p>0,05

**Nível de significância p>0,01 Fonte: Dados da pesquisa (2019).

Para a validação dos dados para o Fator 3 – Triple Bottom Line Ambiental (TBLA) foi construída a Tabela 12 que traz o KMO e o Teste de Esfericidade de Barlett aceitáveis, e variância explicada é de 64,77%.

Tabela 12 – Validação dos dados para o Fator 3 – Triple Bottom Line Ambiental

KMO 0,830

Variância Explicada 64,77% *Nível de significância p>0,001

Fonte: Dados da pesquisa (2019).

No que tange a Comunalidade para o Fator 3 – Triple Bottom Line Ambiental (TBLA), apenas uma variável foi inferior a 0,5 (TBLA4=0,367), evidenciando uma baixa correlação entre as variáveis observáveis. Entretanto, esta variável foi mantida, devido à sua alta carga fatorial e a importância teórica desta para a explicação do construto (HAIR Jr. et al., 2010).

Em relação às cargas fatoriais, a variável TBLA3 (Eu prefiro me hospedar em pousadas que têm práticas de gestão ambiental – segregação de resíduos; redução no consumo de matéria-prima, água e energia; redução de custos de produção; redução de poluição) apresenta a maior carga fatorial, de 0,891, sendo a variável que mais contribui para a explicação da variabilidade do construto, seguida pela variável TBLA2 (Eu valorizo as pousadas que promovem a conscientização e contribuem para que os indivíduos e grupos desenvolvam o senso de responsabilidade e de urgência com relação às questões ambientais). Estes resultados estão de acordo com as assertivas de Severo e De Guimarães (2017), pois as práticas ambientais visam a correta segregação de resíduos, a utilização eficiente de insumos e energia, bem como diminuição do impacto ambiental no meio ambiente (GIMENEZ; SIERRA; RODON, 2012).

Tabela 13 – Análise fatorial intrabloco para o Fator 3 – Triple Bottom Line Ambiental

Fator Variáveis observáveis Comunalidade Cargas fatoriais Triple Bottom Line Ambiental (TBLA)

TBLA1) Eu prefiro me hospedar em pousadas que tenham práticas verdes (sustentabilidade ambiental) e disponibilizem informações e vantagens sobre elas.

0,731 0,855

TBLA2) Eu valorizo as pousadas que promovem a conscientização e contribuem para que os indivíduos e grupos desenvolvam o senso de responsabilidade e de urgência com relação às questões ambientais.

0,790 0,889

TBLA3) Eu prefiro me hospedar em pousadas que têm práticas de gestão ambiental (segregação de resíduos; redução no consumo de matéria-prima, água e energia; redução de custos de produção; redução de poluição).

0,794 0,891

TBLA4) Eu tenho práticas conscientes quando estou hospedado em pousadas (consumo de luz, consumo de energia, segregação de resíduos, etc).

0,367 0,606

TBLA5) Eu não me importo em pagar um preço maior por hospedagens que têm práticas de gestão ambiental.

0,557 0,746 *Nível de significância p>0,05

**Nível de significância p>0,01 Fonte: Dados da pesquisa (2019).

A Tabela 14 apresenta a validação dos dados para o Fator 4 – Triple Bottom Line Social (TBLS), indicando que KMO e o Teste de Esferecidade de Barlett são aceitáveis (PESTANA;

GAGEIRO, 2005; MALHOTRA, 2012; HAIR JR. et al., 2010), e a variância explicada de 51,12%.

Tabela 14 – Validação dos dados para o Fator 4 – Triple Bottom Line Social

KMO 0,687

Teste de Esfericidade de Barlett 255,812*

Variância Explicada 51,12%

*Nível de significância p>0,001 Fonte: Dados da pesquisa (2019).

No Fator 4 – Triple Bottom Line Social (TBLS), todas as cargas fatoriais ficaram superiores a 0,5 (HAIR Jr. et al., 2010). A variável TBLs7 (Eu valorizo as pousadas que se preocupam e contribuem com o bem-estar da comunidade na qual ela está inserida) foi a que apresentou a maior carga fatorial, de 0,816, seguida pela variável TBLS6 (Eu prefiro me hospedar em pousadas conhecidas por praticarem responsabilidade social), que apresentou 0,786. Estes resultados corroboram as pesquisas de Markley e Davis (2007), pois empresas com responsabilidade social possuem uma cultura organizacional que busca o bem-estar dos funcionários e desenvolve ações sociais, as quais melhoram a qualidade de vida das pessoas (NORMAN; MACDONALD, 2004).

Na Comunalidade, para o Fator 4 – Triple Bottom Line Social (TBLS), duas variáveis foram inferiores a 0,5 (TBLS9=0,295; TBLS10=0,456), entretanto, estas variáveis foram mantidas para o entendimento do construto e devido à sua alta carga fatorial.

Tabela 15 – Análise fatorial intrabloco para o Fator 4 – Triple Bottom Line Social

Fator

Variáveis observáveis

Comunalidade Cargas fatoriais

Triple Bottom Line Social (TBLS)

TBLS6) Eu prefiro me hospedar em pousadas conhecidas por praticarem responsabilidade social.

0,617 0,786 TBLS7) Eu valorizo as pousadas que se preocupam

e contribuem com o bem-estar da comunidade na qual ela está inserida.

0,667 0,816

TBLS8) Eu considero fundamental que as pousadas se preocupem com o bem-estar de seus funcionários.

0,521 0,722

TBSL9) Eu não me hospedo em pousadas que se utilizam de trabalho infantil e/ou que não respeitam os direitos dos trabalhadores no tocante à remuneração, férias, horas extras, etc.

0,295 0,543

TBLS10) Eu valorizo as pousadas que promovem a diversidade no quadro de seus funcionários.

0,456 0,675 *Nível de significância p>0,05

**Nível de significância p>0,01 Fonte: Dados da pesquisa (2019).

No tocante à validação dos dados para o Fator 5 – Triple Bottom Line Econômico (TBLE) foi construída a Tabela 16 que traz o KMO e o Teste de Esfericidade de Barlett aceitáveis, e variância explicada é de 59,84%.

Tabela 16 – Validação dos dados para o Fator 5 – Triple Bottom Line Econômico

KMO 0,742

Teste de Esfericidade de Barlett 457,455*

Variância Explicada 59,84%

*Nível de significância p>0,001 Fonte: Dados da pesquisa (2019).

Além de uma variabilidade total explicada de 59,84%, todas as cargas fatoriais foram superiores a 0,5, sendo que a variável que apresentou a maior carga fatorial foi o TBLE14 (Eu não me importo em pagar um preço maior por serviços em pousadas que priorizam as questões ambientais), com índice de 0,856, seguida pelo TBLE15 (Eu não me importo em pagar um preço maior por serviços em pousadas que priorizam as questões sociais), com carga fatorial de 0,847. Contudo, Stamou e Paraskevopoulos (2006) ressaltam que para as empresas de turismo alcançarem uma melhor competitividade é primordial as ações da organização e os recursos financeiros.

No que se refere à Comunalidade das variáveis do Construto, apenas o TBLE11, apresentou uma baixa Comunalidade, de 0,383, contudo essa variável apresentou uma significativa carga fatorial de 0,619, e foi, portanto, mantida para o entendimento do construto e divido à sua alta carga fatorial.

Tabela 17 – Análise fatorial intrabloco para o Fator 5 – Triple Bottom Line Econômico

Fator

Variáveis observáveis

Comunalidade Cargas fatoriais

Triple Bottom Line

Econômico (TBLE)

TBLE11) Eu percebo que as estratégias competitivas de determinadas pousadas contribuem com o seu desempenho financeiro.

0,383 0,619

TBLE12) Eu percebo que as pousadas que priorizam ações sustentáveis têm maior lucratividade e vantagem competitiva.

0,596 0,772

TBLE13) Eu valorizo as pousadas que priorizam as questões sociais e ambientais tanto quanto a questão econômica.

0,561 0,749

TBLE14) Eu não me importo em pagar um preço maior por serviços em pousadas que priorizam as questões ambientais.

0,733 0,856

TBLE15) Eu não me importo em pagar um preço maior por serviços em pousadas que priorizam as questões sociais.

0,718 0,847

*Nível de significância p>0,05 **Nível de significância p>0,01 Fonte: Dados da pesquisa (2019).

Por fim, A Tabela 18 apresenta a validação dos dados para o Fator 6 – Vantagem Competitiva (VC) e traz a variância explicada de 56,51%, além do KMO e o Teste de Esfericidade de Barlett aceitáveis.

Tabela 18 – Validação dos dados para o Fator 6 – Vantagem Competitiva

KMO 0,775

Teste de Esfericidade de Barlett 509,820*

Variância Explicada 56,51%

*Nível de significância p>0,001 Fonte: Dados da pesquisa (2019).

Além da variabilidade total explicada do Fator 6 – Vantagem Competitiva (VC) de 56,51%, todas as cargas fatoriais foram superiores ao recomendado, e a Comunalidade de todas as variáveis foram aceitáveis. Mesmo a variável que apresentou menor comunalidade, 0,473, foi mantida devido à sua alta carga fatorial. Consoante isso, a variável observável que apresentou a maior carga fatorial foi a VC4 (Eu percebo que algumas pousadas possuem recursos e competências únicas da organização, e que, portanto, não são substituíveis), com índice de 0,803, seguida pela VC2 (Eu percebo que algumas pousadas possuem recursos e competências raros, pois o número de empresas que possuem esses mesmos recursos e competências é menor do que o número de empresas necessárias para gerar concorrência), que apresentou carga fatorial de 0,788.

Neste contexto, este resultados estão de acordo com as pesquisas de Barney (1991; 1996), pois os recursos e capacidades que são valiosos, raros, imperfeitamente imitável e não substituível, ocasionam uma maior vantagem competitiva, bem como o que ressaltam Fleury e Fleury (2004), onde os recursos, as mudanças e a complexidade, são fatores essenciais para a vantagem competitiva.

Tabela 19 – Análise fatorial intrabloco para o Fator 6 – Vantagem Competitiva

Fator

Variáveis observáveis

Comunalidade Cargas fatoriais

Vantagem Competitiva

VC1) Eu percebo que algumas pousadas possuem recursos e competências valiosos, que possibilitam que elas implementem estratégias que melhoram sua eficiência e eficácia.

0,532 0,729

VC2) Eu percebo que algumas pousadas possuem recursos e competências raros, pois o número de empresas que possuem esses mesmos recursos e competências é menor do que o número de empresas necessárias para gerar concorrência.

VC3) Eu percebo que algumas pousadas possuem recursos e competências que não são possíveis de serem imitados, devido a condições históricas, complexidade social ou ambiguidade causal.

0,609 0,781

VC4) Eu percebo que algumas pousadas possuem recursos e competências únicos da organização, e que, portanto, não são substituíveis.

0,645 0,803

VC5) Eu acredito que a inovação leva à diferenciação na hora da escolha de uma pousada.

0,473 0,688

VC6) Eu valorizo pousadas que exploram as oportunidades encontradas no mercado e nos seus próprios concorrentes.

0,509 0,714

*Nível de significância p>0,05 **Nível de significância p>0,01 Fonte: Dados da pesquisa (2019).

Diante do exposto, demonstra-se a seguir os resultados da regressão linear múltipla.

Documentos relacionados