Aplicou-se sobre a membrana timpânica uma pressão acústica de 90 dB SPL e realizou-se um estudo dinâmico, numa gama frequencial entre 100 Hz e 10 kHz. Foram obtidos os deslocamentos ao nível do umbo e da parte central da platina do estribo para os diferentes modelos. Foram também obtidas as pressões ao longo da escala vestibular. Os resultados obtidos para diferentes configurações de miringosclerose foram comparados com o modelo representativo do ouvido normal.
Em primeiro lugar, foram realizadas comparações de acordo com a concentração de hidroxiapatite na placa de miringosclerose. Nesta análise, a placa de miringosclerose foi considerada com cerca de 7 mm, ocupando praticamente os quadrantes inferiores da pars
tensa.
Na Figura 5.34 é possível verificar a comparação entre os deslocamentos obtidos ao nível do umbo no modelo representativo do ouvido normal e considerando a membrana com a placa de miringosclerose.
Figura 5.34: Deslocamentos do umbo para diferentes concentrações de hidroxiapatite nas placas de miringosclerose comparados com o ouvido normal.
Verifica-se que ao longo de toda a gama frequencial, os deslocamentos diminuem com o aumento de rigidez aplicada na simulação da miringosclerose, entretanto poucas são as diferenças quando analisadas as diferentes concentrações de hidroxiapatite nas placas de
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miringosclerose. Nota-se que existe uma pequena diferença entre os 10% de concentração de hidroxiapatite com relação aos 30 % de concentração de hidroxiapatite, mas a partir desta percentagem, não existem diferenças com o aumento da concentração da mesma.
O mesmo procedimento foi efetuado na comparação dos deslocamentos da parte central da platina do estribo (Figura 5.35). Em qualquer simulação de concentração de hidroxiapatite na placa da miringosclerose as maiores diferenças (menores deslocamentos) encontram-se para frequências graves e médias. Notam-se algumas diferenças nas frequências agudas (amplitude maior), entretanto não são significativas para os resultados dos deslocamentos ao nível da patina do estribo.
Figura 5.35: Deslocamentos de um ponto central da platina do estribo para diferentes concentrações de hidroxiapatite nas placas de miringosclerose comparados com o ouvido
normal.
De seguida, foram analisados os resultados das pressões na escala vestibular (Figura 5.36, Figura 5.37 e Figura 5.38).
Qualquer simulação de concentração de hidroxiapatite na placa da miringosclerose apresenta pequenas diferenças (pressões mais baixas) entre os 300 Hz e os 600 Hz. Relativamente as frequências agudas, nenhuma diferença significativa pode ser observada. A partir destes resultados, é possível confirmar os dados clínicos que não associam a miringosclerose a grandes perdas auditivas, ou seja, os resultados de miringosclerose não provocam a nível do ouvido interno grandes alterações.
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Figura 5.36: Pressões na escala vestibular ao longo da frequência para um ponto localizado no ápice da cóclea comparando o ouvido normal com o ouvido com miringosclerose para
diferentes níveis de concentração de hidroxiapatite.
Figura 5.37: Pressões na escala vestibular ao longo da frequência para um ponto localizado no meio da cóclea comparando o ouvido normal com o ouvido com miringosclerose para
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Figura 5.38: Pressões na escala vestibular ao longo da frequência para um ponto localizado na base da cóclea comparando o ouvido normal com o ouvido com miringosclerose para
diferentes níveis de concentração de hidroxiapatite.
Posteriormente, foram realizadas comparações de simulações de acordo com o tamanho das placas de miringosclerose.
Foram analisadas uma placa grande que ocupava os dois quadrantes inferiores, uma placa pequena que ocupou o quadrante póstero inferior, uma placa central que ocupou a parte de fibras radiais da lâmina própria e uma placa total que ocupou a totalidade da lâmina própria da membrana timpânica. Para estas simulações foram consideradas as propriedades mecânicas que simulam a miringosclerose referentes a concentração de hidroxiapatite de 30%.
A Figura 5.39 apresenta os deslocamentos do umbo para diferentes tamanhos de placas de miringosclerose comparados com o ouvido normal. É possível verificar que ao longo de toda a gama frequencial, os deslocamentos diminuem para a placa de miringosclerose grande, diminuem ainda mais para a placa de miringosclerose localizada na parte central e apresentam-se ainda menores quando a placa de miringosclerose é total. Os resultados referentes à placa de miringosclerose pequena não apresentam diferenças significativas.
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Figura 5.39: Deslocamentos do umbo para diferentes tamanhos de placas de miringosclerose comparados com o ouvido normal.
Figura 5.40: Deslocamentos de um ponto central da platina do estribo para diferentes tamanhos de placas de miringosclerose comparados com o ouvido normal.
Quando comparados os resultados dos deslocamentos da platina do estribo (Figura 5.40), observa-se que existe uma diminuição dos deslocamentos para as frequências graves e médias, quando analisada a placa de miringosclerose localizada na parte central da lâmina própria da membrana timpânica e principalmente quando observados os resultados da simulação com uma placa total. Para as frequências acimas dos 2kHz, os resultados dos modelos com a presença de diferentes tamanhos nas placas de miringosclerose apresentam-
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se ligeiramente superiores quando comparados ao modelo do ouvido normal. Sempre que a região da membrana timpânica for afetada por miringosclerose na zona do cabo do martelo nota-se uma maior perda de audição para as frequências mais baixas. Essa perda de audição também foi observada por Berdich et al. [Berdich & al, 2016]. A diminuição da mobilidade do estribo para as frequências mais baixas e um aumento pequeno para as frequências mais altas também foi observado no modelo de elementos finitos de Berdich et al. [Berdich & al, 2016] e deve-se ao enrijecimento da membrana timpânica.
Observa-se nos gráficos seguintes (Figura 5.41, Figura 5.42 e Figura 5.43) os resultados das pressões na escala vestibular ao longo da frequência comparando o ouvido normal com o ouvido com miringosclerose com placas de diferentes tamanhos. Nota-se que, ao nível da escala vestibular as pressões não apresentam diferenças significativas quando analisados os resultados do modelo em que a placa de miringosclerose era pequena. Quando analisados os resultados referentes à placa grande de miringosclerose é possível observar que existem pequenas diferenças (pressões mais baixas) entre os 300 Hz e os 600 Hz.
Referente aos resultados para a simulação onde a placa de miringosclerose atingia a região central da camada intermediária da membrana timpânica observa-se que as pressões se encontram ligeiramente superiores entre os 300 Hz e 400 Hz e apresentando-se inferiores entre os 400 Hz e 1 kHz.
Figura 5.41: Pressões na escala vestibular ao longo da frequência para um ponto localizado no ápice da cóclea comparando o ouvido normal com o ouvido com miringosclerose com
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Quando observado os resultados em que a miringosclerose atingia toda a camada intermediária da membrana timpânica (toda lâmina própria) é possível verificar que as pressões nas frequências graves e médias encontram-se inferiores quando comparados às outras simulações. Relativamente às frequências agudas, nenhuma diferença significativa pode ser observada para qualquer dimensão de placa de miringosclerose.
Figura 5.42: Pressões na escala vestibular ao longo da frequência para um ponto localizado no meio da cóclea comparando o ouvido normal com o ouvido com miringosclerose com
placas de diferentes tamanhos.
Figura 5.43: Pressões na escala vestibular ao longo da frequência para um ponto localizado na base da cóclea comparando o ouvido normal com o ouvido com miringosclerose com
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A ultima análise referente à miringosclerose foi realizada de acordo com a localização da placa de miringosclerose nos diferentes quadrantes da membrana timpânica. Para estas simulações foram consideradas as propriedades mecânicas que simulam a miringosclerose referente à concentração de hidroxiapatite de 30%.
A Figura 5.44 apresenta os deslocamentos do umbo para o ouvido com placas de miringosclerose no quadrante ântero-inferior, póstero-inferior, ântero-superior e póstero- superior comparados com o ouvido normal. É possível verificar que ao longo de toda a gama frequencial, os deslocamentos não apresentam diferenças significativas nos diferentes quadrantes da placa de miringosclerose.
Figura 5.44: Deslocamentos do umbo para diferentes localizações das placas de miringosclerose comparados com o ouvido normal.
Quando comparados os resultados dos deslocamentos da platina do estribo (Figura 5.45), também são inexistentes as diferenças para as simulações de miringosclerose nos diferentes quadrantes.
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Figura 5.45: Deslocamentos de um ponto central da platina do estribo para diferentes localizações das placas de miringosclerose comparados com o ouvido normal.
Da mesma maneira que se observaram os resultados para o umbo e os resultados de um ponto central da platina do estribo, verifica-se também nos resultados das pressões na escala vestibular ao longo de toda a gama frequencial.
Figura 5.46: Pressões na escala vestibular ao longo da frequência para um ponto localizado no ápice da cóclea comparando o ouvido normal com o ouvido com miringosclerose com
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Figura 5.47: Pressões na escala vestibular ao longo da frequência para um ponto localizado no meio da cóclea comparando o ouvido normal com o ouvido com miringosclerose com
placas de diferentes localizações em quadrantes.
Nota-se nos gráficos referentes às pressões da escala vestibular (Figura 5.46, Figura 5.47 e Figura 5.48) que não existem diferenças significativas entre o ouvido patológico com placa de miringosclerose em diferentes quadrantes quando comparados com o ouvido normal.
Figura 5.48: Pressões na escala vestibular ao longo da frequência para um ponto localizado na base da cóclea comparando o ouvido normal com o ouvido com miringosclerose com
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