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Resultados das Propriedades Tecnológicas

No documento ESTUDOS AMBIENTAIS E AGRONÔMICOS (páginas 79-85)

Maria Raimunda Chagas Silva

4. RESULTADO E DISCUSSÃO

4.2 Resultados das Propriedades Tecnológicas

A caracterização tecnológica deste estudo contempla a investigação da Absor-ção Aparente (AA), Porosidade Aparente (PA), Densidade Aparente (DA), Módulo de Ruptura à Flexão (M), Retração Linear pós-secagem (RLs) e Retração Linear pós-queima (RLq). Para a melhor compreensão, agrupam-se estas 6 propriedades em 3 variáveis: resistência à umidade (AA e PA), resistência mecânica (DA e M) e estabilidade dimensional (RLs e RLq), como mostra a Gráfico 1.

Gráfico 1. Absorção de água (AA) e Porosidade aparente (PA)

Fonte: Dados da Pesquisa (2019).

Conforme dito, o teor de umidade das amostras nos gráficos 1 revelam um trajeto linear semelhante: os níveis da AA e PA caem consideravelmente à medida em que se adiciona resíduos, sobretudo ao se comparar a série B com a C, e um suave aclive (da série C a D). 1Destaca-se que, as séries com rejeitos possuem taxas visivelmente menores que a referência pura. Souza, Souza e Rolim (2008) indicam que absorção de água influencia, por exemplo, na resistência mecânica à flexão. Semelhante a esta grandeza, a porosidade indica pontos positivos (resis-tência a choques) ou negativos (surgimento de trincas e fragilidade) no material (ASKELAND; WRIGHT, 2004). Assim, os melhores resultados são encontrados nos corpos de provas que apresentam menor índice, pois quanto menores forem, mais resistentes são (GUILHON; SANTOS; FARIAS, 2016). Logo, os melhores valores para AA e PA, em ordem decrescente, são: C (16,22% e 0,27%), D (16,64% e 0,27%) e A (19,13% e 1,40%).

Gráfico 2. Densidade Aparente - 3a( DA) e Módulo de ruptura À flexão -3b(M)

Fonte: Dados da Pesquisa (2019).

Os desenhos do DA e do M, mostrado no gráfico (3a e 3b) são visivelmente diferentes. O primeiro apresenta uma tênue linha com sensível aclive com ápice na série C e levíssima queda na D. O segundo, que foi feito apenas com uma amostra

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Vale ressaltar que, todas as séries investigadas estão abaixo de 2,1 g/cm³ e 2,2 g/cm³, valores apontados por Oliveira (2000) como uma densidade elevada e faixa onde surgem trincas e bolhas em peças cerâmicas, por conta da difícil elimi-nação de gases durante a queima. Já o Módulo de ruptura à flexão é um ensaio em que determina o máximo que um objeto pode resistir à forças externas até o ponto em que as fibras entram em colapso (GUIMARÃES, 2015).

Diante do exposto, os melhores valores para DA são, em ordem decrescente:

C (1,50 g/cm³), D (1,46 g/cm³) e B (1,42 g/cm³). E os melhores números para M, que se encontram bem abaixo do esperado, no mesmo sentido: B (0,18 MPa), D (0,12 MPa) e C (0,11 MPa).

Gráfico 3. Retração linear pós-secagem ( RLS) e Retração linear pós-queima ( Rlq).

Fonte: Dados da Pesquisa (2019).

O terceiro aspecto trata sobre a estabilidade dimensional, que é formada por PF, RLs e RLq, como mostra a Gráfico 3. Visualiza-se que a série B apresenta o nível mais baixo nas três grandezas, apesar de haver 3 desenhos diferentes. Guimarães (2015) sugere que a redução de dimensão de uma peça é revelada pela perda de água que, em excesso, evapora. A secagem é uma fase muito importante, pois para Guilhon, Santos e Farias (2016), é nela que as imperfeições são geradas, sen-do apenas visíveis após a queima (VIEIRA; FEITOSA; MONTEIRO, 2003).

Durante a queima acontece à redução de poros promovida pela diminuição dos espaços intermoleculares, como afirma Guimarães (2015). Logo, ocorre a redução dimensional. Oliveira (2000) apresenta como ideal para revestimentos, objetos que possuem taxas de retração linear após a queima abaixo de 1%, coisa que aponta estabilidade na referida fase.

Almeja-se os menores valores, por sugerirem estabilidade e menor ocorrên-cia de defeitos e surgimentos de trincas. Com tudo isso, a série B apresenta-se como mais estável (RLs = 5,63% e RLq = 0,68%) e as demais peças com resíduos

apontam números maiores - de forma suave após a secagem (C = D = 0,29%) e acentuada após a queima (D = 0,84% e C = 1,09%).

5. CONCLUSÃO

A pesquisa apontou que, os resultados das propriedades físico químicas da água do lodo da ETA, relacionada ao pH e turbidez e sólidos dissolvidos totais e a demanda bioquímica de oxigênio, estão dentro do permitido da resolução CONA-MA, para efluente que são despejados no ambiente.

Assim para determinação da melhor disposição final do lodo se faz necessário conhecer suas características físico-químicas, como por exemplo, a matéria orgâni-ca, nutrientes, compostos orgânicos potencialmente tóxicos, entre outros. Os lodos dependem da composição das águas residuais e dos processos empregados para o tratamento.

No que se refere às propriedades tecnológicas, em suma, percebe-se uma tendência de melhorias das propriedades tecnológicas à medida que se adiciona o resíduo estudado (resistência mecânica e à umidade), apesar dos índices de esta-bilidade significativamente contrariarem esta lógica. Em muitos casos, os valores das referências puras foram piores que as amostras com rejeitos, reforçando a hipótese de que a adição do resíduo de ETA é uma possibilidade a ser mais bem estudada.

Com atenção aos índices de absorção da água que apontam como porosos os corpos cerâmicos em que ultrapassam 10%. Porém, como nenhuma série enqua-drou-se entre 14,71 MPa e 21,57 MPa, no quesito resistência mecânica, o material não pode ser aplicado como revestimento.

Como sugestão de trabalhos futuros, propõe-se o uso de cerâmica vermelha de procedência diferente, com tratamento prévio. Além disso, sugere-se a realiza-ção de testes de flexão de 3(três) pontos com todos os corpos de prova, para ter maior precisão de dados.

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CAPÍTULO 6

TRATAMENTO QUÍMICO PARA OS

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