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Capítulo 4: RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.2 Voluntários da pesquisa

4.4.5 Questões complementares do SATS-36

4.4.5.1 Resultados das questões complementares

Conforme pode ser visto nos Anexos 4 e 5, além das 36 questões do Questionário de Atitudes Frente à Estatística, há também algumas questões de caráter complementar, como por exemplo “Na área na qual deseja atuar após se formar, quanto de Estatística você irá utilizar?” e “Qual nota você espera receber neste curso?”. As Figuras 16 a 22 mostram os resultados obtidos para essas questões. Algumas questões aparecem em ambas as versões (Pré e Pós), como a pergunta “Quão bom em matemática você é?”, que aparece na questão 38 da versão Pré e 37 da versão Pós. As respostas das duas versões diferentes encontram-se na mesma figura para efeitos comparativos.

Como estas questões apareciam no final do questionário, após as 36 questões principais, foi possível notar uma diminuição na quantidade de respostas, possivelmente devido ao desânimo ou cansaço dos participantes. Em alguns

questionários, não havia resposta para essas questões complementares ou apenas algumas delas eram respondidas. A Tabela 9 descreve a quantidade de questionários recebidos com todas as questões complementares respondidas. Por conta do pequeno número de respostas a estas questões, optamos por agrupar os resultados de todos os grupos, buscando inferir as concepções dos estudantes das disciplinas de Química Analítica de forma mais abrangente.

Tabela 9. Número de questionários com todas questões complementares respondidas.

Grupo Versão Pré Versão Pós

Química 29 23

Farmácia 13 4

Eng. Quím. 29 -

Eng. Alim. 22 21

Pós-graduação 16 15

As Figuras 16 e 17 apresentam os resultados das questões complementares que visavam inferir a concepção dos estudantes sobre suas habilidades matemáticas e estatísticas. 0 10 20 30 40 50

Muito Ruim 2 3 4 5 6 Muito Bom

Po rc e n tag e m

Quão bom em matemática você é?

Figura 16. Distribuição de respostas para as questões complementares 37 e 38 das versões Pós e Pré, respectivamente.

Figura 17. Distribuição de respostas para as questões complementares 39 e 40 das versões Pós e Pré, respectivamente.

Podemos perceber que, embora a maior parte dos estudantes que participaram dessa pesquisa considera-se “bom” em Matemática (Figura 16), a maioria não se sente confiante em relação ao domínio dos conceitos de Estatística (Figura 17). Isso sugere que suas dificuldades podem não estar relacionadas ao domínio da linguagem matemática, mas à interpretação estatística dos dados e resultados. Isto também pode ser devido ao fato de que embora as fórmulas matemáticas aplicadas em Estatística sejam simples, saber escolher a mais adequada ou qual dado deve ser considerado para cada caso de aplicação não é trivial – por exemplo, identificar o grau de liberdade de um conjunto de dados para um determinado teste estatístico, como deve ser feito para encontrar o valor do parâmetro t tabelado nos testes t de Student.

Ainda no âmbito das Figuras 16 e 17, comparando as respostas das versões Pré e Pós, é notável a variação de concepção desses estudantes sobre suas habilidades matemáticas: eles se consideram mais aptos em matemática no início das disciplinas do que no final, o que merece atenção por parte de professores e gestores, pois o processo de ensinoaprendizagem parece ter tido efeito inverso do

0 10 20 30 40 50

Não me sinto 2 3 4 5 6 Muito

Po rc e n tag e m

Você se sente confiante em dizer que domina os

conceitos estatísticos?

esperado. Talvez as aulas acabem destacando algumas falhas de sua formação, que antes não eram notadas, e que acabam sendo identificadas pelos estudantes como falta de habilidade. A variação da autoconfiança do domínio de conceitos de Estatística desses estudantes é pequena se comparada à variação indicada pela questão anterior. Pode ser que, por se tratar de um conteúdo relativamente novo para esses estudantes, lhes falte parâmetro de comparação para identificar fragilidades conceituais associadas à falta de habilidades.

As Figuras 18 a 20 apresentam os resultados das questões que visavam inferir a concepção dos estudantes sobre a utilidade da Estatística na graduação e na vida profissional, além de verificar se os estudantes tinham interesse em cursar outras disciplinas de Estatística.

Figura 18. Distribuição de respostas para as questões complementares 38 e 39 das versões Pós e Pré, respectivamente. 0 10 20 30 40 50 Nada 2 3 4 5 6 Muito Po rc e n tag e m

Considerando a área que você deseja trabalhar após

se formar, quanto de Estatística irá utilizar?

Figura 19. Distribuição de respostas para a questão complementar 40 da versão Pós.

Figura 20. Distribuição de respostas para as questões complementares 41 e 42 das versões Pós e Pré, respectivamente.

Como pode ser notado pela Figura 18, no início das disciplinas (versão Pré) muitos participantes não acreditavam que utilizariam Estatística no futuro exercício de carreira profissional. No entanto, há um aumento significativo na quantidade de respostas positivas na versão Pós, indicando que as disciplinas de Química Analítica

0 10 20 30 40 50 Nada 2 3 4 5 6 Muito Po rc e n tag e m

No decorrer do seu curso de graduação, quanto de

Estatística você irá utilizar?

0 10 20 30 40 50

Nunca 2 3 4 5 6 Com certeza

Po rc e n tag e m

Se houvesse a possibilidade, você gostaria de fazer mais

uma matéria de Estatística?

parecem estar cumprindo a função de contextualizar os conteúdos de modo que possam relacionar o conteúdo das aulas com sua atuação profissional.

Os dados da versão Pós também indicam que 83% dos participantes acreditam que utilizarão Estatística durante seu curso de graduação (Figura 19). No entanto, ao compararmos as Figuras 18 e 19, notamos que a porcentagem de participantes que acreditam que utilizarão Estatística na vida profissional (69%) é menor do que os que acreditam que utilizarão durante a graduação. Isto sugere que, apesar de existir uma mudança de concepção causada pelas disciplinas de Química Analítica, ainda há a necessidade de reforçar a relação dos conteúdos desenvolvidos em sala de aula com a atuação profissional, uma vez que alguns ainda não integram as atividades da graduação com o exercício de sua futura profissão.

Uma vez que os estudantes parecem ter reconhecido a importância da Estatística ao final das disciplinas, seria esperado que desejassem cursar outras disciplinas de Estatística em seu curso de graduação. No entanto, isso não foi verificado – os dados da Figura 20 indicam que 66% dos participantes que responderam ao questionário Pré não cursariam outra disciplina de Estatística e que 55% dos que responderam ao Pós também não cursariam. Analisando estes resultados à luz das questões anteriores, podemos considerar por um lado um indicativo de que apesar de reconhecerem a importância, não têm maturidade para buscar novos desafios, uma vez que consideram a Estatística muito difícil (Figura 13, página 50). Por outro lado, isto também pode decorrer do fato de considerarem que já há muitas disciplinas envolvendo Estatística em seus cursos, o que, como veremos adiante, não é o caso para os cursos que participaram desta pesquisa.

Na Figura 21, encontram-se as respostas da questão que perguntava ao estudante sobre a dificuldade atribuída por ele ao conteúdo de Estatística.

Figura 21. Distribuição de respostas para a questão complementar 42 da versão Pós.

Conforme visto na Figura 21, o escore médio para a Questão 42 da versão Pós foi próximo a 4,0, indicando neutralidade. Isso não condiz com o que foi apontado para a componente atitudinal dificuldade do SATS-36 (Figura 13, página 50), com escore médio negativo (3,28). Ao contrário do escore da questão complementar 42, o escore médio desta componente foi obtido a partir dos escores de 8 questões distintas (Tabela 2, página 35). Isto reflete a importância de se trabalhar com instrumentos de pesquisa validados, como o SATS-36, no qual os aspectos relacionados com a dificuldade do estudante são inferidos por várias questões validadas, devendo indicar o real valor da dificuldade atribuído por eles (BISQUERRA et al, 2004). Em contrapartida, os escores ilustrados na Figura 21, atribuídos a essa única questão, podem refletir mais a concepção dos estudantes sobre sua própria atitude, concepção esta que pode ser influenciada por diversos fatores, conscientes ou inconscientes, como orgulho ou medo de responder, por exemplo. Ou seja, quando indagados diretamente sobre a dificuldade que atribuem à Estatística, a maior parte dos estudantes a considera média, mas quando esta atitude é inferida por métodos estatisticamente validados, percebe-se que a dificuldade real atribuída por eles é maior.

Por fim, conforme indicado na Figura 22, é importante ressaltar que a maior parte dos estudantes, durante a semana de aplicação do questionário Pós,

0 10 20 30 40 50

Muito fácil 2 3 4 5 6 Muito difícil

Po rc e n tag e m

considerou-se sob alto nível de stress. Os motivos que levaram a esse cenário podem ser diversos e merecem receber maior atenção em estudos posteriores, já que o stress excessivo pode trazer prejuízos graves e diversos para a formação dos estudantes.

Figura 22. Distribuição de respostas para a questão complementar 46 da versão Pós.

4.4.5.2 Correlações entre as questões complementares e as

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