Dos entrevistados, seis são peritos com tempo de serviço na Unidade com mais de um
ano na função. Outros seis com menos de um ano de exercício na função, são recém-formados
no curso de investigação e perícia criminal e recém-movimentados para a unidade, e dois
exercem atividades na Chefia da unidade. Totalizando 14 sujeitos. A transcrição das entrevistas
se encontra do apêndice F ao V.
4.1- Perfil dos Peritos Entrevistados
Os dados gerais dos peritos entrevistados atuantes no CCrim até junho 2016 constam no
quadro 2.
Vale destacar que CFO é o Curso de Formação de Oficiais fornecido pela PMERJ com
carga horária de 3.399h, duração três anos equivalente a curso de nível superior reconhecido
pelo Ministério da Educação, conforme Parecer nº 233/82 do Conselho Federal de Educação
(BRASIL, 1982).
Quadro 2 – Peritos ordenados por tempo de exercício da função em jun./2016
Entrevistado Idade Gênero
Formação Acadêmica e Profissional (ao ingressar no CCrim) Experiência Profissional Serviço na PMERJ (anos) Exercício na função de perito (anos) 01 32 Masculino CFO e graduando em Direito
Oficial da Polícia Militar em Unidades Operacional e de Ensino. 8 1 02 34 Masculino CFO e pós- graduado em Pedagogia
Oficial da Polícia Militar em Unidade e de Ensino e Microempresário.
11 6
03 31 Masculino CFO e graduado em Direito
Oficial da Polícia Militar
em Unidade Operacional. 11 6
04 41 Masculino CFO e graduado em Direito Sargento do Exército da área de Comunicações; Serviço de Inteligência, Centro de Seleção e Recrutamento de Praças. 13 6 05 34 Masculino CFO e graduando em Física Manutenção em informática e Oficial da Polícia Militar em Unidade Operacional. 14 6 06 36 Feminino CFO e graduando em Engenharia Civil
Oficial da Polícia Militar em Unidades Operacional e de Ensino. 13 6 13 40 Masculino CFO e graduando em Engenharia Civil
Oficial da Polícia Militar em Unidades Operacional e de Ensino.
45 Entrevistado Idade Gênero
Formação Acadêmica e Profissional (ao ingressar no CCrim) Experiência Profissional Serviço na PMERJ (anos) Exercício na função de perito (anos) 14 43 Masculino CFO e graduando em Matemática
Oficial da Polícia Militar em Unidades Operacional e Administrativa.
25 1
Fonte: Elaboração própria com base nas fichas funcionais vigentes em jun./2016.
No quadro 3, constam os dados gerais dos peritos novos.
Quadro 3 – Novos peritos por tempo de exercício na função em jun./2016
Entrevistado Idade Gênero
Formação Acadêmica e Profissional (ao ingressar no CCrim) Experiência Profissional Serviço na PMERJ (anos) Exercício da função de perito (meses) 07 34 Masculino CFO e pós-graduado em Direito Civil e Política e Gestão em Segurança Pública e graduando em Direito. Oficial da Polícia Militar em Unidade Operacional. 13 05
08 35 Masculino CFO e graduado em Farmácia. Oficial da Polícia Militar em Unidades Operacional e Administrativa. 14 05 09 32 Masculino CFO, graduado em Direito e graduando em Engenharia de Produção. Oficial da Polícia Militar em Unidade Operacional e Administrativa. 12 05
10 36 Masculino CFO e graduando em Pedagogia. Soldado da Força Aérea Brasileira, Policial Rodoviário Federal e Oficial da Polícia Militar em Unidade Operacional e Administrativa. 11 05 11 33 Masculino CFO, pós-graduado em Direito Civil e graduando em Direito. Marinheiro, Soldado e Oficial da Polícia Militar em Unidade Operacional 09 05 12 28 Feminino CFO Oficial da Polícia Militar em Unidade Operacional e de Ensino. 05 05
46
Destaca-se que os novos peritos, até junho de 2016, possuíam cinco meses no exercício
da função em razão de estarem servindo na unidade desde janeiro do mesmo ano de acordo com
a classificação no CCrim obtida após a conclusão do curso de investigação e perícia criminal.
As doze entrevistas foram realizadas e transcritas na íntegra uma a uma. Após a realização
de cada transcrição, os dados foram analisados destacando as ideias centrais na interpretação
de cada resposta conforme se apresenta do apêndice F ao H.
A matriz de categorias que englobam as ideias centrais dos entrevistados se compõe de
quatro categorias e quatorze subcategorias que constam no quadro 4. Foram criadas mediante
interpretação qualitativa fenomenográfica para responder a pergunta central da pesquisa:
Quadro 4 – Categorias e subcategorias desenvolvidas na análise
Categoria de 1ª ordem Subcategoria ou categoria de 2ª ordem
1ª Aprendizagem no trabalho pericial
1.1 Aprendizagem mediante a prática pericial 1.2 Interação para aprendizagem
1.3 Aprendizagem vicária com os outros peritos 1.4 Aprendizagem vista como dever
2ª Capacidades para a execução do trabalho
2.1 Desenvolvidas pela aprendizagem na qualificação formal 2.2 Desenvolvidas pela Especialização constante
2.3 Críticas desenvolvidas ao modelo vigente de formação e trabalho pericial
3ª O trabalho pericial na prática coletiva
3.1 Interesse despertado na função 3.2 Compartilhamento de informações
4ª
Desafios percebidos no exercício da função pericial
4.1 Ausência de recursos para fazer o trabalho pericial 4.2 Adaptação na ausência de recursos no trabalho 4.3 Mudança de postura sobre a carreira policial militar 4.4 Gestão da chefia
4.5 Relações não hierárquicas no aprendizado do trabalho
Fonte: Elaborado pelo pesquisador com base na interpretação das transcrições
Essas categorias (de 1ª ordem) e seu detalhamento (categorias de 2ª ordem ou
subcategorias) se ilustram mediante trechos literais e se articulam, a seguir, visando responder
a questão central fundamentado empiricamente, ou seja, na ótica do campo: como se realiza a
aprendizagem coletiva e o desenvolvimento da competência profissional funcional dos
peritos do CCrim?
4.2- Primeira Categoria – Aprendizagem no Trabalho Pericial
A categoria revela a forma de aprendizagem do trabalho pericial na unidade englobando
quatro subcategorias: (1) aprendizagem na prática pericial; (2) interação para aprendizagem;
(3) aprendizagem vicária com os peritos e (4) aprendizagem vista como dever.
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4.2.1- Aprendizagem mediante a prática pericial
Foi evidenciado que os entrevistados consideram importante, além do estudo na
formação, aprender mediante a prática a função de perito. Foi possível notar a relevância que
os peritos dão a prática do serviço pericial na unidade examinada como ilustra no relato
(informação verbal): “para mim, o mais difícil é o que eu tenho menos prática. O perito se faz
pela prática também. Pela quantidade de vezes que ele analisa diferentes situações”
(ENTREVISTADO 6 – seis anos de trabalho no CCrim). Bem como no relato (informação
verbal) “é no dia a dia, a aprendizagem se dá de forma prática” (ENTREVISTADO 12 – cinco
meses de trabalho no CCrim).
A forma de aprendizagem prática é executada até 2016 somente depois da formação do
perito. Antes, o perito estuda a parte teórica das disciplinas que envolvem a área pericial por se
acreditar ser um requisito prévio conhecer o ramo de conhecimento da nova função. A teoria é
vista como a base que o perito necessita aprender para passar para a fase prática, entretanto para
os entrevistados ambas devem ser feitas concomitantemente. Para ilustrar: “[u]ma coisa é a
prática e a outra é a teoria. A teoria é muito importante. A teoria te dá muito embasamento, mas
você só começa a ter efetivamente uma experiência quando você começa a realizar na prática
essa questão” (ENTREVISTADO 3 – seis anos de trabalho no CCrim).
Essa relação entre teoria e a prática, para os peritos entrevistados, revelou-se
indissociável na aprendizagem do trabalho. Mesmo tendo feito a formação, um perito não
consegue desenvolver a sua experiência na função e, consequentemente, inicia o seu trabalho
na Unidade sem essa aprendizagem prática. Ficou evidente que a diferença entre ambas está
relacionada com a expertise (o saber fazer uma perícia criminal cada vez com maior precisão)
que a prática proporciona ao profissional. Essa expertise advém, para os entrevistados, da
prática do serviço, ou seja, elaborando os laudos periciais. A cada laudo pericial elaborado, o
profissional desenvolve as habilidades que precisa para a função, como ilustra o depoimento
(informação verbal) que segue:
[...] quando você vai trabalhando, você vai aprendendo isso [habilidade do exercício da função]. Eu acho que o curso nesta questão deixa a desejar muito. Essa questão de não voltar para o laudo propriamente dito, a gente aprende várias coisas soltas, de teoria, mas o laudo, aquela pesquisa que a gente faz, questão de lógica, raciocínio lógico a gente não trabalha muito durante o curso e você já vai desenvolver já prática [...] (ENTREVISTADO 5 – seis anos de trabalho no CCrim).
A prática do trabalho durante o exercício da função faz o perito conhecer os tipos de
laudos periciais. Cada tipo de laudo pericial exige determinado conhecimento e metodologia.
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Entretanto, a experiência do trabalho em cada tipo de laudo pericial, o perito só alcança em sua
vivência na sua execução conforme ilustra o trecho que segue:
[e]u ainda não consegui esgotar aquilo que eu acho que tenho que aprender. Acho que só com o tempo eu vou poder falar que sou um bom perito (...), mas me falta muita vivencia prática para eu falar que sou um perito de qualidade que pode vir qualquer perícia que eu vou desenvolver. Não eu ainda não estou pronto a esse nível (ENTREVISTADO 10 – cinco meses de trabalho no CCrim).
Todavia, a prática do serviço constante, não só com o fundamento teórico, dá a base para
a aprendizagem do perito onde o auxílio dos demais peritos é importante. O acompanhamento
do perito mais experiente na execução prática do serviço permite que os erros surgidos sejam
sanados a tempo e assim, ele integra conhecimento e experiência na função em seu desempenho.
O relato do Entrevistado 5 (informação verbal) ilustra como funciona esse acompanhamento do
perito mais experiente na prática do perito novato.
A gente ficou estagiando na fase de local com o perito de dia por dois meses. Toda saída a gente acompanha o perito mais experiente. Ele ensinando na prática, que faltou um pouco no nosso curso. Eu acho que esse estágio deve ocorrer durante todo o curso. E a parte de laudo de expediente a gente relatava e o perito mais antigo ia orientando da melhor forma, através da orientação, revisão, como que se faz isso, como é que se faz, quando acontecer um determinado caso especifico, o que a gente tem que fazer, o porquê não fazer uma coisa ou outra (ENTREVISTADO 5 – seis anos de trabalho no CCrim).
A supervisão do perito mais experiente não supre a lacuna da falta de prática na formação
para o serviço pericial, mas traz segurança ao perito no momento de realizar os exames periciais.
No entanto, não é sempre que os peritos experientes acompanham os novatos. Quando surge
uma dúvida na elaboração do trabalho, em razão da falta de prática, o perito se vê sozinho diante
da sua atividade. Se não bastasse ter de atender os quesitos do laudo pericial a ser elaborado
mesmo sem prática prévia, surgem questionamentos específicos sobre como desenvolver esse
trabalho e por onde iniciar. Logo que o perito chega ao CCrim e realiza os seus primeiros
trabalhos, surge ansiedade como ilustrado a seguir:
[q]uando eu terminei o curso e fui lotado no CCrim eu tive bastante dificuldades, ficava bastante ansioso, muito preocupado por de repente não conseguir exercer bem essa função. Tanto é que no início eu estava querendo não ficar mais no CCrim, com aquela preocupação: caramba! E se acontecer aquele tipo de perícia tal? Como que eu vou desenvolver? Principalmente no serviço de vinte e quatro horas, aquele medo. Vai ter um acionamento e como vai ser quando eu chegar nesse local? Então, eu tinha muita preocupação em relação a isso (...) a cada novo laudo que vai aparecendo e a gente vai desenvolvendo e concluindo, vai agregando uma experiência tal, que chega o momento que você se senti bastante tranquilo pra encarar qualquer tipo de perícia que possa vir” (ENTREVISTADO 10 – cinco meses de trabalho no CCrim)
Portanto, a aprendizagem prática foi revelada pelos peritos como uma forma de exercer a
função. Todavia, apesar dos profissionais darem destaque para esse tipo de aprendizagem
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coletiva, também reconheceram a interação para aprendizagem como outra forma adotada nas
relações de trabalho entre os peritos.
4.2.2- Interação para aprendizagem
Foi possível explicitar que consideram que a forma efetiva de aprendizagem é a interação
com os outros profissionais com quem trabalham, tal como ilustram o relato do Entrevistado 7
(informação verbal), recém-chegado na unidade:
[a] interação, a meu ver, foi bastante proveitosa com os peritos que aqui já estavam. Eles sempre procuraram nos apoiar com os conhecimentos que eles já tinham na questão prática. Desde o início no primeiro laudo, eles tiveram a sensibilidade de na hora da distribuição dos laudos buscar aqueles laudos que não fossem tão complexos no início para não darem aqueles laudos para a gente não fazer [...] (ENTREVISTADO 7 – cinco meses de trabalho no CCrim).
Assim como o colega, o Entrevistado 12 (informação verbal), também recém-chegado na
unidade, relata:
[...] então, quando a gente pegou nossos primeiros laudos, os revisores eram sempre os mais antigos. Até mesmo para ter esse auxílio, assessoramento. A gente pegava o laudo mais ou menos para ter o norte de como ir, como proceder. A gente ia até o perito mais antigo e ele dava mais ou menos o caminho [...] (ENTREVISTADO 12 – cinco meses de trabalho no CCrim).
No entanto, a interação não se limita a dos peritos mais antigos com os novatos. Há
também uma relação entre todos quando alguém se depara com algum trabalho complexo ou
surge alguma dúvida. O assunto é comentado entre as pessoas que estão interagindo e assim um
processo de aprendizado ocorre mediante compartilhamento de informações como detalha o
Entrevistado 10 (informação verbal): “sempre quando um tem dificuldade e levanta um
questionamento, não faltam peritos ali que vai tentar interagir. Chega até ser engraçado, porque
todo mundo quer falar ao mesmo tempo, pode fazer isso, pode fazer aquilo, o interessante é
fazer isso” (ENTREVISTADO 10 – cinco meses de trabalho no CCrim). Além disso, o
Entrevistado 6 (informação verbal) acrescenta:
[...] e de dentro para fora é o conhecimento que a gente gera, conhecimento tácito, eles também apoiam, mas a gente tem que expressar esse conhecimento que a gente tem. Também porque tudo que eu faço dessa forma, não, necessariamente, está certo. Para mim, está, mas será que se eu expor essa forma que eu faço, os outros irão concordar? Será eu eles não tem alguma coisa a me dizer em relação a forma como eu estou agindo. Então, eu coloco. Eu exponho, sento com os peritos e falo: gente, eu faço assim, o que vocês acham? Eles até contestam. Aí abrimos a discussão [...] (ENTREVISTADO 6 – seis anos de trabalho no CCrim)
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Esse é um tipo de interação no ambiente de trabalho, pessoalmente, porém, com a
tecnologia avançada, pode ocorrer com aparelhos eletrônicos:
[n]ormalmente, a gente não tira a dúvida com um só [...] E aí, chama um, dois, três, para conversar, sendo unânime entre eles, normalmente, a gente alinha é... hoje uma ferramenta de alinhamento administrativo tem sido aqui o WhatsApp para que todos tenham conhecimento. E se alguém por ventura tiver alguma contradição a dizer, ele se manifesta, mesmo não tendo participado da reunião [...] (ENTREVISTADO 2 – seis anos de trabalho no CCrim).
Entretanto, cada perito possui seu modo de sanar sua dúvida e decidir a quem perguntar.
Nesse sentido, durante as entrevistas, ficou evidenciado que o profissional escolhe a pessoa que
considera dominar melhor o assunto, tipo de exame, para sanar sua dúvida conforme ilustra o
relato (informação verbal): “[e]u busco as pessoas que gostam de fazer, que tem mais
experiência. Como você revisa laudos de outras pessoas, automaticamente, você vê aquela
pessoa que tem mais facilidade, que tem o domínio daquele tipo de exame (...)”
(ENTREVISTADO 5 – seis anos de trabalho no CCrim)
Para os entrevistados, sem a vontade de agregar novos conhecimentos e aprendizado, o
profissional da perícia ficaria estacionado no tempo. Parece a eles que, se o profissional não
possuir interesse em desempenhar a função, seguirá sem eficiência nela.
4.2.3- Aprendizagem vicária com os outros peritos
A aprendizagem por observação ou vicária foi evidenciada quando os entrevistados
reconheceram que observam postura e atitudes de trabalho e como influenciam o modo de
trabalho, ou seja, sua forma de agir vista pelos outros de alguma maneira os estimula a agir no
mesmo sentido. Por exemplo, quando realizam os primeiros exames periciais.
Na verdade, as primeiras perícias foram mais difíceis, mais trabalhosas, pelo fato de não ter experiência. Ter o conhecimento, mas não ter a experiência. Mas a maneira de solucionar foi pesquisando, sentando do lado de um perito. Vendo um caminho já desenvolvido por um perito e solucionando dessa forma (ENTREVISTADO 2 – seis anos de trabalho no CCrim).
Os novatos acabam selecionando aqueles com quem mais se identificam nas relações de
trabalho e observam os trabalhos periciais por eles elaborados. Assim, foi descrito o que lhes
faz considerar um perito como um bom profissional pelo Entrevistado 9 (informação verbal):
[e]u já li muitos laudos dele quando eu estava aqui no expediente e até quando eu fico no expediente mesmo, eu procuro ver a codificação dos exames, até porque tem alguns laudos que eu nunca fiz para ficar lendo. Eu procuro ler os laudos dele e eu acho que
51 são exames muito bem feitos. E aí se um dia eu me deparar com uma situação dessa, eu terei um norte para seguir (ENTREVISTADO 9 – cinco meses de trabalho no CCrim).
Não só o conhecimento e a experiência de trabalho demonstrados pelos peritos servem de
exemplo positivo para os seus companheiros, mas também as relações sociais advindas do
trabalho permitem aproximação entre eles, como ilustra o relato (informação verbal):
[o] conhecimento, ter a disponibilidade de passar o conhecimento, ser sempre solicito, entender a nossa dificuldade, sempre lembrar que já foi Tenente e que teve as mesmas dificuldades. Porque a gente se sente assim: será que só a gente sente dificuldades? Quando a pessoa fala que sente aquelas mesmas dificuldades, dá até uma motivação. De ser perfeccionista também, detalhista, de querer fazer o melhor na elaboração do laudo, apesar do tempo, pois está estudando para fazer um laudo de qualidade e excelência. Não só naquela coisa rápida, mas para fazer um trabalho de excelência até para diferenciar o CCrim (ENTREVISTADO 11 – cinco meses de trabalho no CCrim).
Essa aprendizagem coletiva é mais uma forma que os peritos possuem no seu desempenho
profissional. No entanto, outras formas de aprendizagem se identificaram.
4.2.4- Aprendizagem vista como dever
A organização necessita que os seus profissionais estejam preparados para atenderem as
demandas do trabalho. A aprendizagem é vista como um dever de se manterem num processo
contínuo de atualização. Ilustra-se a necessidade de estar preparado:
[o] trabalho de perito eu acho difícil de fazer, exige muito de você. Você tem que estar sempre buscando aprimoramento dos seus conhecimentos. Hoje eu já tenho bastante conhecimento na área que eu faço, mas eu acho que eu tenho que estudar bastante, procurar me aperfeiçoar, tanto na parte de cursos, não só no curso, mas no estudo, sentado sozinho na frente do computador e pesquisar, pegar um livro e ler determinado assunto, voltado para a área da perícia, principalmente, que a gente acaba estudando pela necessidade do serviço [...] (ENTREVISTADO 7 – cinco meses de trabalho no CCrim)
Dessa forma, o perito é motivado a atender à solicitação e à demanda do trabalho de
acordo com a necessidade do solicitante. O Entrevistado 13 (informação verbal) explicita a
vinculação do laudo pericial com a demanda a ser atendida: “funciona da seguinte forma: todo
laudo pericial está vinculado a um procedimento apuratório (...) cada laudo tem suas
particularidades” (ENTREVISTADO 13 – dez anos de trabalho no CCrim).
A demanda obriga o perito a buscar por si só o aprendizado com a finalidade de atender
o seu cliente (o demandante do laudo pericial) como informa o Entrevistado 11 (informação
verbal): “[e]u acho que lá a gente que tem que aprender por conta própria. A gente que tem que
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