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Contatados por meio de troca de e-mails, os profissionais das cinco emissoras de rádio em questão responderam sobre suas rotinas de trabalho antes, durante e depois do momento em que suas respectivas empresas decidiram passar pelo processo de se adaptar às novidades da internet. Em um questionário de múltipla escolha, os 75 participantes desta pesquisa podiam escolher a opção que mais se enquadrava com o processo vivenciado.

Cada emissora contou com um total de 15 profissionais participantes entre redatores, produtores, repórteres, chefes de redação e gerência. Não houve uma uniformidade com relação à

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quantidade de função das pessoas que responderam, visto que cada rádio tem um perfil diferente, tamanho diferente e atuação no estado de Pernambuco também diferente.

Entretanto, em linhas gerais, o cerne da pesquisa priorizou o processo, de fato, da adaptação às novas tecnologias e como a rotina de produção mudou dentro dessas redações, assim como as estratégias de fazer jornalismo para as ondas sonoras do rádio dentro de um mercado competitivo e em adaptação a um contexto de convergência, onde os meios se entrelaçam, pelo que trabalhar em prol apenas da mídia offline não tem mais função lógica.

Os 75 profissionais que se dispuseram a participar na pesquisa estão divididos em 47 mulheres e 28 homens. As idades variam de 21 a 57 anos, sendo o grupo de idade entre 25 e 35 anos o mais numeroso: 54 desses profissionais nasceram entre 1984 e 1994. Outra maioria entre esses participantes se concentra no grupo dos profissionais que trabalham com rádio há um tempo entre 5 e 10 anos: 49 profissionais. Outros 15 atuam com o veículo há menos de 5 anos e os restantes 11 trabalham com o segmento há mais de 10 anos.

Quanto às características sociais dos profissionais participantes desta pesquisa, 54 afirmaram ter uma renda abaixo dos R$ 5 mil (ou seja, cerca de € 1.100). Outros 15 disseram que mensalmente dispõem de até R$ 10 mil (ou seja, cerca de € 2.200). Os 6 entrevistados restantes declararam ter uma renda mensal acima dos R$ 10 mil.

Sendo assim, com respostas em mãos e mais ciente das características dos participantes, se tornou possível compreender as mudanças vivenciadas nas rádios Jornal, CBN, Folha, Liberdade e Grande Rio e o comportamento dos profissionais diante dos desafios oriundos dessa nova forma de fazer jornalismo. Os hábitos mostraram não ser mais os mesmos, entretanto também foi notada certa resistência dos funcionários das emissoras a lidarem com esse novo processo, principalmente no começo das mudanças.

Neste quesito de resistência, por exemplo, dos 75 participantes, 57 afirmaram não compreender logo no início a necessidade de trabalhar de maneira multimídia dentro de uma redação de rádio. Em sua maioria, eles acreditavam que não seria possível mudar os hábitos de consumo dos ouvintes e que investir tempo e dinheiro em um novo formato de produção seria desnecessário, como mostra o gráfico abaixo (Gráfico 1):

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Gráfico 1 - A maioria dos profissionais mostrou não compreender a necessidade de um trabalho multimídia

Do total de entrevistados, 62 afirmaram que passaram a pensar em uma construção textual mais adequada à internet desde que as emissoras passaram a publicar as matérias de forma mais assídua no site e nas contas de redes sociais. Entretanto, oito disseram que fizeram essa mudança no modelo textual devido a uma recomendação da emissora, não apenas por iniciativa própria. Já outros cinco pontuaram não haver recomendação da redação sobre mudança textual. É o que demonstra o Gráfico 2:

Gráfico 2 - Adaptação textual dos profisisonais

A percepção dos profissionais quanto à fidelidade dos ouvintes após a mudança na forma como o material era entregue a eles foi também objeto de questionamento. De acordo com as respostas, 48 afirmaram acreditar que os consumidores das notícias radiofônicas não deixaram de dar audiência por causa da mudança de produção. Já outros 11 disseram que o fluxo de audiência pode ter diminuído, visto que a maioria dos ouvintes era formada por pessoas de pouca adaptação à internet. Os 16 restantes afirmaram não perceber mudanças no que tange a audiência das rádios.

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Gráfico 3 - Percepção dos profissionais sobre o comportamento da audiência

Depois de implantado o modo de trabalho visando o digital, 48 dos entrevistados afirmaram que o desempenho de suas atividades ganhou mais fluidez e que a produção dos conteúdos se tornou mais rápida e eficaz. Esses profissionais mostraram que o processo de convergência midiática aprimorou suas capacidades enquanto profissionais de comunicação e lhe deu braços para conhecer novas formas de produção.

As respostas também parecem tornar evidente que, apesar de assustar um pouco no começo das mudanças, o modelo de convergência midiática implantado nas cinco redações radiofônicas aqui estudadas teve uma boa receptividade por parte dos profissionais. A adaptação à internet se mostrou como um desafio, até porque muitas das empresas nem tinham estruturas para desempenhar tal atividade, mas, após ser compreendida a necessidade de acompanhar a mudança de paradigma da comunicação, a importância dessa migração no formato de trabalho foi sendo reconhecida de forma orgânica. Entretanto, outros 17 disseram que o trabalho ficou menos fluído com os processos de adaptação à internet. Enquanto os 10 restantes disseram não notar diferenças neste quesito.

Gráfico 4 - A percepção dos profissionais sobre o impacto da convergência na fluidez da produção

A relação entre os profissionais, em suas mais diversas esferas de funções, também foi mencionada durante o questionário respondido entre os participantes. Como as pessoas que

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responderam ocupam diferentes cargos dentro das redações (redatores, produtores, gerentes, repórteres, edição de redes sociais, etc), elas puderam opinar sobre como a convergência interferiu na interação delas com outros colegas de trabalho.

De acordo com os resultados obtidos, 53 pessoas afirmaram que, após o trabalho passar a ser focado também no digital, a necessidade de interação com outros profissionais da redação foi maior. Já 22 profissionais opinaram que a adaptação à internet na produção radiofônica não mudou (nem para mais, nem para menos) a necessidade de interação com outros colegas da redação.

A interface entre as áreas é uma característica marcante da convergência midiática e, na prática, dentro de uma rotina de redação jornalística, nota-se que a partir do momento em que os profissionais interagem mais entre si, o trabalho passa a fluir de maneira mais hábil e rápida. A teoria pôde ser comprovada por meio da opinião destes jornalistas que vivenciaram o processo do offline para o online dentro de suas respectivas emissoras de rádio.

Foi neste sentido que Salaverría (2008, 63) definiu a convergência jornalística como “um processo multidimensional, que com as tecnologias digitais afetou as organizações de mídia modificando a forma de se fazer jornalismo, por meio da integração de novas ferramentas, espaços, métodos de trabalho e novas linguagens”. Quem também endossou esse discurso foi Catells (2003), que afirmou compreender que a web trouxe uma mudança no ambiente midiático e o seu uso implica na reestruturação das empresas jornalísticas.

Como mostra o Gráfico 5, mais da metade dos profissionais acredita numa maior necessidade de interação dentro da redação com a chegada de processos que interagem com a internet:

Gráfico 5 - O processo de convergência e a necessidade de interação entre os profissionais

Sobre a velocidade do processo de convergência midiática dentro destas redações pernambucanas, 37 entrevistados dizem acreditar que as mudanças aconteceram mais rápido do que deveria. Essas pessoas opinaram que seria necessário mais tempo para que pudesse haver uma melhor adaptação ao novo formato de produção de jornalismo dentro das emissoras de rádio. Já praticamente

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a outra metade dos participantes, os outros 38, responderam que as mudanças aconteceram com uma boa marcação temporal, dando espaço para que o trabalho fosse pensado de maneira gradual. Como é visualmente demonstrado no Gráfico 6, as opiniões foram bem divididas neste quesito:

Gráfico 6 - Ritmo das mudanças

Quanto à qualidade da informação e do conteúdo que são passados aos consumidores, seja de maneira online seja de maneira offline, os entrevistados acreditaram, em sua grande maioria, que o novo modo de produção aprimorou o material final do que é feito dentro das emissoras. Um total de 68 respostas foi favorável ao fato de que as mudanças internas nas redações oriundas da convergência midiática proporcionaram melhorias nas produções das rádios. Outras cinco pessoas opinaram que não houve mudanças consideráveis no conteúdo das informações e, por fim, as duas restantes acreditam que o processo de convergência deixou as produções mais confusas e menos certeiras, como exemplifica o Gráfico 7:

Gráfico 7 - Convergência e mudanças na produção

Diante de bons números no que tange a aceitação e adaptação da maioria dos profissionais a esse processo de convergência que foi inserido dentro das redações radiofônicas em Pernambuco, uma questão, entretanto, não traz bons resultados. Apesar de tantas mudanças que aconteceram em um

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relativo curto espaço de tempo, o questionário também mostrou que boa parte dos funcionários não recebeu incentivo algum para buscar uma melhor qualificação.

Um total de 59 respostas apontou que a gestão das emissoras de rádio não proporcionou ou incentivou os funcionários a buscarem mais conhecimentos sobre os processos que estavam sendo vivenciados, que fizessem cursos ou desenvolvessem novas habilidades profissionais. O que dá para perceber que a nova forma de produção foi instalada, mas não houve um estímulo efetivo das emissoras ao aprimoramento de conhecimentos externos ao trabalho. Já outras 12 pessoas afirmaram que, de alguma forma, entenderam como incentivo da chefia a busca por outras certificações. Enquanto os quatro restantes não tiveram percepções quanto à questão (Gráfico 7):

Gráfico 8 - Incentivos à qualificação dos profissionais

As movimentações aqui exemplificadas que as redações viveram neste período de transição poderiam gerar certa insegurança contratual entre os profissionais envolvidos no processo. Sabe-se que o medo do desemprego é algo que assola muitas pessoas no Brasil, principalmente neste período de crise econômica e política. Das 75 pessoas que participaram do questionário, 42 disseram temer demissão após a inclusão do processo de convergência dos meios dentro das redações estudadas. Outros 27 se posicionaram de forma contrária e alegaram confiar em suas capacidades profissionais e na fidelidade das empresas onde trabalhavam. Esses afirmaram que entendiam as mudanças e não sentiam seus empregos ameaçados diante das mudanças que aconteciam no modo de trabalho. Já seis pessoas alegaram que o processo de adaptação à internet não foi um acontecimento que os tivesse feito pensar na possibilidade ou não de demissão ou instabilidade dentro das funções que já desempenhavam anteriormente dentro das rádios. O Gráfico 9 ilustra estas posições:

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Gráfico 9 - Medo de demissões

Um dos questionamentos feitos aos participantes do estudo foi sobre a flexibilidade de suas atividades após o início do processo de convergência. A maioria das respostas foi de que as funções dentro das redações não mudaram de forma considerável devido ao novo modo de produção. Das respostas colhidas, 53 dos profissionais disseram que não houve a “flexibilidade” de função e que continuaram desempenhando as mesmas atividades. Já os 22 outros respondentes alegaram que, devido a um investimento maior na internet, as atividades anteriormente realizadas foram mudadas de alguma forma (Gráfico 10).

Gráfico 10 - Convergência midiática e mudança nas atividades desempenhadas

Tendo um conhecimento prévio de que a adaptação de uma redação de rádio a uma rotina de convergência com meios digitais prevê o investimento de equipamentos para viabilizar o trabalho, esta pesquisa também se propôs saber sobre a disponibilidade de, por exemplo, celulares com internet e acesso a contas sociais para que os profissionais que trabalham fora da redação possam atuar nas plataformas digitais das emissoras.

Das 75 respostas obtidas, 41 respondentes disseram que as emissoras não proporcionaram investimentos de meios para que os profissionais tenham uma rotina de trabalho mais facilitada em prol da internet. Outros 22 disseram que, em suas respectivas funções, as redações deram boas condições

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de equipamentos para que a produção seja efetiva. As 12 pessoas restantes afirmaram não ter opinião formada sobre a questão da disponibilidade de dispositivos (Gráfico 11).

Gráfico 11 - Investimento em equipamentos tecnológicos

Por fim, a última indagação trazida pelo questionário abordava o leque de competitividade pela audiência que o rádio pode ter ganhado depois de uma inserção nas plataformas digitais. De acordo com as respostas colhidas, 61 dos entrevistados disseram acreditar que o tradicional veículo de comunicação passou a impor maior presença na disputa pela atenção dos consumidores. Porém, como mostra o Gráfico 12, as outras 14 pessoas acreditam que o veículo de comunicação continuou com suas mesmas características de antes.

Gráfico 12 - Convergência e competitividade das rádios

Esse número traz a pista de que, no cenário pernambucano, os profissionais que trabalham com a comunicação por meio do rádio confiam no potencial das ondas sonoras mesmo diante das intempéries trazidas pela modernidade. Já outras nove pessoas disseram não acreditar em um mesmo poder de competitividade entre o rádio e os outros meios. A principal justificativa seria porque, assim como o rádio, os outros veículos de comunicação também passaram por processos de convergência e, por isso, o nível

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de atrativos individuais não mudou. O outro grupo de cinco pessoas pontuou não ter opinião sobre o questionamento.

Apesar da presente análise não se propor a fazer um cruzamento de variáveis, mas sim uma descrição dos resultados colhidos, foram percebidas algumas considerações a respeito das diferenças entre as respostas obtidas em dois diferentes níveis. A primeira pontuação é sobre os resultados obtidos entre os profissionais das cinco emissoras estudadas.

As respostas vindas dos profissionais que atuam nas três rádios localizadas no Recife – Jornal, Folha e CBN – mostraram, de maneira geral, que o investimento realizado nelas para que o processo acontecesse foi consideravelmente maior. Eles puderam contar com mais incentivos de qualificação, de equipamento e de estabilidade profissional, por exemplo.

Já a Liberdade e a Grande Rio foram as emissoras que, de acordo com as respostas, menos incentivaram os profissionais a entender a importância da adaptação do conteúdo à internet. Em ambos os locais a maioria das respostas mostrou que não houve um entendimento geral sobre a relevância da adaptação do texto para uma melhor qualidade da informação.

Outra percepção que coube após a análise dos resultados, é a diferenciação de respostas entre homens e mulheres. De forma geral, as mulheres se mostraram mais comprometidas e cuidadosas com todos os processos de mudanças que aconteceram dentro das emissoras. Em suas respostas, elas pareceram mais preocupadas em atender as necessidades propostas.

A correlação feita com as respostas masculinas é válida porque a maioria dos homens deu respostas que mostraram estarem menos interessados ou até mesmo menos motivados a se inserirem no processo. Pelas respostas, a articulação das mulheres pareceu mais forte e evidente.

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Considerações finais

O renascimento do rádio na era da internet

Chegar à conclusão desta dissertação nos faz refletir sobre os percursos e desafios que o rádio, enquanto veículo de comunicação de força e tradição, teve de passar para atender às demandas exigidas por uma sociedade moderna, digital e conectada. A era da internet chegou com muitas novidades e, atrelado a elas, fez com que muitos novos processos fossem adotados para que a comunicação no rádio continuasse viva e resistente diante da concorrência dos novos meios.

Por meio do grupo dos 75 profissionais que foi tomado com objeto de estudo nesta pesquisa, divididos em subgrupos de 15 pessoas de cada uma das emissoras aqui envolvidas (Jornal, CBN, Folha, Liberdade e Grande Rio), foi possível compreender melhor como o fenômeno da convergência midiática mudou processos dentro das rádios no estado brasileiro de Pernambuco, localizado no Nordeste do país. Após as respostas obtidas por meio dos questionários, foi possível concluir que as mudanças no modo de produzir, de fato, já acontecem com força dentro dessas emissoras em questão. Além disso, a maioria dos profissionais abraçou a ideia e se debruçou na proposta de entender o que estava acontecendo e a relevância de mudar hábitos profissionais dentro das respectivas redações.

Entretanto, os dados recolhidos também mostram que algumas necessidades dos profissionais ainda não são tidas como prioridade pelas emissoras neste percurso de adaptações. A falta de investimentos materiais e de incentivos profissionais foi sentida por quem viveu – e está vivendo –, na prática, este processo de convergência midiática nos produtos jornalísticos dentro de uma emissora de rádio.

É relevante a ideia de que uma redação radiofônica não sobrevive mais, em 2019, à concorrência dos outros meios de comunicação se ela não se adaptar à forma de fazer conteúdos digitais e promover plataformas online. Porém, o investimento para que essa realidade seja fomentada com mais força ainda é uma necessidade que os profissionais sentem nas empresas que estão vinculados.

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Paralela a esta realidade está a relação do rádio enquanto meio de comunicação na vida das pessoas. Há muitos anos já há o entendimento do papel fundamental deste veículo na atividade cotidiana dos ouvintes. Seja em forma de companhia durante afazeres domésticos, seja na hora de dirigir o carro, seja na hora de se exercitar, o rádio sempre foi muito presente e desempenhou bem a função de informar sem precisar que as pessoas depositassem uma atenção exclusiva na hora de consumir o conteúdo – como acontece com a televisão e o jornal impresso, por exemplo.

Porém, ao longo desta dissertação foi notado que o cenário de convergência também mudou a forma como os consumidores passaram a se relacionar com o produto rádio. A partir das percepções dos profissionais, percebe-se que o veículo não terá perdido a audiência com o novo modelo de produção, mas sim criou um novo comportamento em seus ouvintes tradicionais, além de agregar novos grupos às ondas do rádio. A digitalização do conteúdo que, anteriormente, era apenas sonoro trouxe um maior número de ouvintes jovens para consumir o que é produzido pelas emissoras de rádio.

Atrelado a esse público formado por pessoas de menos idade, os ouvintes mais velhos entenderam que a internet proporcionaria, agora, meios para que eles pudessem consumir seus programas favoritos, reportagens especiais ou qualquer outro tipo de material em um horário que fosse mais acessível para eles. Este estudo mostrou que a internet no rádio abriu portas para que o tradicional entendesse a importância de andar lado a lado com o moderno.

Estes pontos mostram uma característica relevante neste processo, que é a identificação. Tanto os profissionais quanto os ouvintes (a avaliar pelo que dizem os profissionais) têm se identificado com o que está acontecendo e acreditado no potencial de mudanças positivas que a internet pode proporcionar ao rádio. Uma das lições a ser tirada é que, neste percurso do rádio inserido dentro de uma realidade de comunicação atual, o futuro guarda surpresas e novidades que não há como prever agora, mas que o meio tradicional já vai se preparando bem.

Apesar de os profissionais envolvidos entenderem que há a necessidade de ajustes e melhorias dentro do que já vem sendo feito, esta pesquisa também mostrou que há certa motivação e curiosidade dessas pessoas em desbravar novas possibilidades que o meio convergido pode promover nos seus desenvolvimentos profissionais. Outras maneiras de produzir, de escrever e de publicar atiçam o ânimo de quem faz o meio rádio acontecer diariamente.

Outra lição tirada com o percurso desta dissertação é que a internet ampliou horizontes e, com isso, deu mais espaço para um produto noticioso mais democrático. Tanto para quem produz quanto para quem consome o rádio se tornou mais horizontal a forma de comunicar e lidar com veículo. Graças ao processo de convergência, o ouvinte do rádio não precisa mais esperar determinado exato momento

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para consumir um produto do seu gosto. Agora, o serviço oferecido a ele lhe permite ditar o que e como aproveitar o produto vindo do rádio.

Apesar de o percurso de mudanças ainda ser longo e de se compreender que a era de mudanças digitais está apenas começando, pode-se dizer que o rádio começou a renascer desde o final dos anos 2000 e começo dos anos 2010. Os diferentes processos começaram de forma pontual, muito mais de dentro para fora. Com o passar dos anos, essas mudanças também foram acontecendo de fora para dentro e, talvez depois disso, a força da internet – que veio de fora – passou a ter tanta interferência dentro das redações. Neste sentido, e tendo como exemplo o experimentado nas rádios de Pernambuco,