1 Introdução
5.4 Resultados Descritivos do Teste de Pfister
consideravelmente com o tempo. As dificuldades surgem nas situações em que houve distanciamento de um dos pais, com uma história de vínculos mais distantes, mesmo antes de ocorrer o divórcio.
Os transtornos mentais destacam-se como um dos principais desafios a serem enfrentados pelos serviços de saúde na atualidade. Em diversos casos, antes do diagnóstico formal de um transtorno psiquiátrico, já é possível observar indícios de sofrimento psíquico em adolescentes. Assim, a identificação precoce de transtornos mentais, bem como seus principais fatores de risco, pode auxiliar na elaboração de medidas de prevenção e controle mais específicos e eficazes ao longo da adolescência (Lopes et al., 2016).
Vicentin (2016) ressalta sobre a importância de não ficarmos parados diante dos problemas apresentados pelos adolescentes, proporcionando acolhimento e disponibilizando “espaços possíveis de existência” para a população adolescente, a partir de aparelhos coletivos de proteção, tomados enquanto “condições éticas que nos fazem usar um espaço com liberdade e pertinência”, promovendo a formação de vínculos como um recurso terapêutico.
Verde 5,7 3,7 0,0 15,0 2,8 6,0 9,0
Violeta 5,6 3,9 0,0 16,0 4,0 5,0 7,3
Laranja 3,2 2,8 0,0 13,0 1,0 3,0 4,3
Amarelo 2,9 2,4 0,0 10,0 1,0 3,0 4,0
Marrom 2,0 2,5 0,0 9,0 0,0 1,0 3,0
Preto 5,4 7,7 0,0 40,0 1,0 3,0 6,0
Branco 2,8 3,1 0,0 13,0 0,0 2,0 4,0
Cinza 1,7 2,1 0,0 9,0 0,0 1,0 3,0
De acordo com a Tabela 4, o vermelho foi a cor que teve a média mais alta de escolhas entre os participantes, seguido pelas cores azul, verde, violeta e preto. Logo após, de maneira decrescente, tem-se: laranja, amarelo, branco, marrom e por último o cinza.
Ao analisar as médias das cores utilizadas pela amostra de 40 adolescentes, houve predomínio do uso da cor vermelha, seguido do azul, verde, violeta e preto.
Pode-se considerar que as médias das cores vermelho (8,0) e azul (7,8) estão próximas, seguidas das médias das cores verde (5,7), violeta (5,6) e preto (5,4). As interpretações possíveis de cada cor, contidas no manual de Villemor-Amaral (2005; 2018) podem ser associadas aos dados e às respectivas hipóteses sobre o desenvolvimento psíquico na faixa etária da adolescência.
No estudo realizado por Capitão, Lopes, Silva e Adib (2012) com adolescentes com depressão, a média para o vermelho foi maior no grupo sem depressão (8,57), quando comparada ao grupo com sintomas de depressão (7,32). No entanto, em ambos os grupos (com e sem depressão), o vermelho também se manteve com maior média em comparação as demais cores do teste Pfister. No entanto, não é possível afirmar que esse seja um padrão no contexto adolescência, devido à carência de estudos normativos para essa faixa etária.
O vermelho trata-se da cor mais estudada, mais lembrada nas pesquisas com variadas metodologias. É uma das cores mais mencionadas, mas não costuma ser a preferida (Villemor-Amaral, 2018). Em um estudo realizado com duas mil pessoas na Alemanha por Heller (2013), em que os participantes foram inquiridos sobre suas cores prediletas e sobre as cores que menos gostavam, e as possíveis associações das cores com as emoções, o vermelho ficou em terceiro lugar, sendo superada pelo azul em
primeiro lugar e verde em segundo lugar. Esses resultados se repetem em estudos realizados nos Estados Unidos por Palmer e Scholss (2010), Burkitt et. al (2007) na Inglaterra e Finlândia e coincidem com os estudos de frequência das cores no teste das Pirâmides de Pfister conduzidos na Europa nos anos 1960 (Shaie & Heiss, 1964 apud Villemor-Amaral, 2018) e no Brasil, conduzidos por Villemor-Amaral (2005; 2018).
No levantamento de significados levantado por Heller (2013), o vermelho surge associado a amor e ódio, sangue e vida como também agressividade e alegria. Tem, portanto, conotações ambivalentes positivas e negativas, sempre relacionado a emoções fortes, exuberantes e impactantes.
Estudos realizados por Kaya e Epps (2004) com 98 estudantes universitários, o vermelho inicialmente surgiu associado à raiva e depois à alegria, em terceiro lugar nas associações surgem o amor e a paixão. Já os estudos de Moller et. al (2009) mostraram que o vermelho está associado a perigo e fracasso em contextos de realização e desafio.
Os mesmos autores apontam que os humanos compartilham com os outros primatas a tendência de interpretar o vermelho como perigo em contextos de competição.
Em virtude dos significados atribuídos ao vermelho nos estudos acima, que corroboram a literatura existente sobre o teste Pfister (Villemor-Amaral, 1966; Justo &
Van Kolck, 1976 apud Villemor-Amaral, 2018), é possível deduzir que o vermelho em primeiro lugar entre as médias no presente estudo represente uma afetividade mais estimulada no grupo de adolescentes, que leva a inferir um comportamento compatível com as emoções mais fortes, impactantes, com conotações ambivalentes, até mesmo à agressividade no caso de ausência de mecanismos de controle suficientes para conter ou canalizar adequadamente essas emoções.
Para Aberatury e Knobel (1970/1989), as inúmeras mudanças biopsicossociais pelas quais os adolescentes passam podem favorecer a intensificação de vivências mais impulsivas e que geram conflitos. Nesse sentido, Saito (2000) refere-se ao risco e vulnerabilidade como inerentes ao desenvolvimento psicoemocional na adolescência, muitas vezes representando questionamento em relação à conduta dos adultos. O adolescente se expõe a situações de risco e inadequadas, como aos grupos nos quais estão inseridos, onde por exemplo, drogas podem fazer parte do contexto. Os grupos muitas vezes influenciam situações para as quais o adolescente ainda não possui maturidade para vivenciar, tais como; iniciação sexual e drogas, gravidez precoce, AIDS, doenças sexuais, aborto, entre outros.
O azul tem sido sistematicamente a cor mais escolhida nas pesquisas de preferência (Hurlbert & Ling, 2007; Palmer & Schloss, 2010; Heller, 2013). As associações dessa cor com o frio e calma são frequentes, provavelmente devido às qualidades sensoriais da água e do céu, ou às sensações provenientes da contemplação da natureza (Kaya & Epps, 2004).
Nos levantamentos realizados por Heller (2013) não foram encontradas associações do azul com emoções negativas. Existem também hipóteses de que as ondas curtas e de alta vibração, como as do azul, sejam naturalmente tranquilizantes do ponto de vista fisiológico. Nas pesquisas de associação com as emoções o azul surge ligado a paz, tranquilidade e calma (Kaya & Epps, 2004).
Há também a associação dessa cor com o divino e com a espiritualidade na atualidade, em contraposição com o vermelho relacionado às fortes paixões. Trata-se de uma cor em geral pouco estimulante, mais associada ao controle de que ao impulso e à adaptação dos afetos, podendo indicar capacidade de elaborar os aspectos mais impulsivos. Isso pode significar que os adolescentes da amostra se mostram capazes, no presente momento, de organizar e administrar seus afetos (Villemor-Amaral, 2005;
2018).
O verde é a segunda cor preferida no levantamento realizado por Heller (2013), trata-se de uma cor amplamente associada na literatura a crescimento e fertilidade;
historicamente, a palavra green vem sendo utilizada para fertilidade, vida e esperança.
No Egito, Grécia, Roma e Índia simboliza a cor das várias divindades representantes da fertilidade (Linchtenfeld et. al, 2012).
Os mesmos autores referem-se à associação do verde com o crescimento possui raízes sociais fundadas em questões relativas à evolução da espécie. Concluem que possivelmente os usos históricos e correntes das associações com o verde sejam socialmente aprendidos, citam, por exemplo, os ancestrais nas savanas, que ao avistarem uma mancha verde, mesmo de longe, sabiam estar próximos de alimento e água. Estando o verde nos dias de hoje associado a natureza e a um lugar agradável quando se pensa em meio ambiente.
Embora não haja indicativos claros de sua interpretação no contexto infantil e adolescente pela carência de estudos nessa faixa etária, na literatura clássica do Pfister, o verde é considerado uma cor de capacidade de compreensão e empatia e de interesse pelos relacionamentos interpessoais (Villemor-Amaral, 2018). Nessa direção, há que se retomar as considerações de Aberastury e Knobel (1970/1989), caracterizando a
tendência grupal como uma das principais mudanças na adolescência, pois é nessa fase que o adolescente transfere gradualmente dependência familiar para os grupos sociais.
Dando continuidade às interpretações das cores mais utilizadas pelos adolescentes avaliados, tem-se o violeta. Segundo os estudos de Heller (2013), o violeta, por ser uma cor mista, evoca sentimentos ambivalentes nas pesquisas de opinião. Como é resultante da combinação das cores vermelho e azul, antagônicas em seus diversos significados e representações, pode-se compreender os significados opostos que lhe são atribuídos. Na atualidade, está relacionado a sentidos ambivalentes e contraditórios em variados contextos, sendo a associação entre a razão e emoção resultante da combinação entre o vermelho e o azul bastante prevalente (Villemor-Amaral, 2018).
Formado pelo vermelho, considerado uma cor excitante, e pelo azul, cor da introversão e de retenção, o violeta parece ter relação “com ansiedade difusa, vaga e flutuante”, derivada basicamente do medo de sentir-se desemparado, indefeso ante um ambiente hostil e persecutório (Villemor-Amaral, 1978 apud Villemor-Amaral, 2018).
Tais sinais de ansiedade na adolescência podem ser associados às considerações de Kovacs (1992) em relação às perdas da identidade infantil, dos pais da infância e do corpo infantil, colocando o adolescente diante de um novo contexto ainda não compreendido, que lhe imputa a vivência de tais ausências e de sentimentos de aniquilação e desamparo.
De acordo com Heller (2013), o preto foi adotado na cultura ocidental como a cor do luto, por sua analogia com a morte ou término da vida. Marca diferenças entre o dia e a noite, e que a escuridão em geral impede a boa visão e, por isso, é comumente associada com o medo do desconhecido e o mal, assim como o misterioso e introvertido. Nas pesquisas de opinião, o negro traz a marca do obscuro, do mal e do ilegal, sensorialmente se associa com uma “coisa pesada”. Contudo, a autora destaca que no século XX, o preto passou a ser considerado a cor da elegância no universo da moda, isso porque em geral a elegância pode ser interpretada como renúncia à pompa e ao desejo de ser o centro das atenções.
Pertencente ao grupo das cores menos frequentes no teste de um modo geral (Preto, Branco, Cinza), o preto surge entre médias que mais destacaram no presente estudo. Nesse sentido, Villemor-Amaral (2005; 2018) chama a atenção para o uso exagerado de qualquer uma das cores acromáticas, sugerindo que a evitação do estímulo
colorido como quase que uma negação da cor e, portanto, das emoções fortes, podendo representar repressão e inibição.
Segundo Aberastury (1978/1988), a adolescência é um período significativo na vida do indivíduo e constitui a etapa crucial de um processo de desprendimento em que só a maturidade lhe permitirá mais tarde aceitar-se independente. No início desta fase, o adolescente tende a mover-se entre o impulso rumo ao desprendimento e a defesa frente ao temor do desconhecido; constituindo-se como um período ambivalente e doloroso.
Tabela 5. Resultados Descritivos das Quatro Principais Síndromes Cromáticas do Teste Pfister nos Adolescentes (n=40).
Síndrome Média DP Mínimo Máximo Percentil
25 Mediana Percentil 75
Normal 48,0 13,4 11,1 89,0 43,9 51,0 53,9
Estímulo 31,1 12,2 2,2 66,6 26,1 32,3 35,6
Fria 42,5 15,8 0,0 66,8 37,8 44,4 51,1
Incolor 21,9 18,6 0,0 88,9 11,1 17,8 26,6
Com maiores porcentagens médias na Tabela 5, tem-se a síndromes normal e fria, seguidas pelas síndromes estímulo e incolor.
Segundo Villemor-Amaral (2018), as cores que compõem a Síndrome da Normalidade (Az+Vm+Vd) predominam nas escolhas das pessoas em geral, compondo em torno de 50% das cores empregadas nas pirâmides. Esse aspecto indica que o grupo possui boa capacidade de manter uma conduta normal e adaptada, decorrente de certa estabilidade e equilíbrio emocional.
Na Síndrome Fria (Az+Vd+Vi), as três cores que pertencem a esse grupo têm comportamento antagônico aos das cores quentes que compõem a Síndrome de Estímulo, elevando-se face ao seu rebaixamento. Esse aspecto avalia a capacidade de elaboração dos conflitos e reflexão. Nesse caso, os adolescentes podem estar sinalizando contenção dos sentimentos, como um mecanismo defensivo para a elaboração de conflitos típicos dessa etapa do desenvolvimento. No entanto, observou-se que em alguns protocolos (embora poucos) as cores que compõem a Síndrome Fria atingiram o valor mínimo zero, significando em alguns casos há a presença de extroversão.
Estes achados corroboram o estudo realizado por Barroso (2013) com adolescentes, em que as síndromes normal e fria também se apresentam com maior prevalência entre grupo de adolescentes.
A presença das Síndromes Normal e Fria no grupo de adolescentes pode ser melhor compreendida a partir Aberatury e Knobel (1970,1989) ao se referirem às constantes flutuações de humor e do estado de ânimo, podendo ser compreendidas como um recurso defensivo que se estabelece no comportamento do adolescente a fim de abrandar seus conflitos internos e, por conseguinte, auxiliar na elaboração das situações de perda tipicamente vivenciadas nessa fase do desenvolvimento.
Tabela 6. Resultados Descritivos do Processo de Execução do Teste Pfister nos Adolescentes
Execução N %
Metódica 20 50%
Ordenada 13 32,5%
Desordenada 7 17,5%
Relaxada - -
Total 40 100%
Relativo ao processo de execução das pirâmides, maneira mais frequente de dispor os quadrículos, observa-se na Tabela 6, maior presença de execução metódica (N=20; 50%), seguida da execução ordenada (N=13; 32,5%).
O processo de execução sugere um padrão de trabalho que pode ser inferido para a vida de um modo geral. Assim, existem sujeitos extremamente criteriosos na execução das tarefas e outros mais confusos e desordenados (Villemor-Amaral, 2018).
A prevalência da ordem metódica (50%) e ordenada (32,5 %) na composição das pirâmides de Pfister, embora podendo haver exceções, sinaliza adequado funcionamento lógico dos adolescentes, respeitando convenções formais de seu contexto sociocultural.
Percebe-se também certo rigor formal, visto que a frequência no padrão de execução metódica representa 50% dessa amostra.
No estudo com adolescentes realizado por Barroso (2013), observou-se maior presença de execução ordenada e em seguida da execução metódica. Porém, no grupo de adolescentes de escolas particulares, também prevaleceu com maior média o modo de execução metódica, o que sugere maior sistematização lógica. Ambas a formas de
execução reforçam a capacidade de vinculação dos adolescentes aos parâmetros lógicos de sua realidade imediata, como postulado por esse indicador do Pfister (Villemor-Amaral, 2018).
Leal e Saito (2014) descrevem que uma das características do adolescente é o desenvolvimento do pensamento abstrato e que nesta fase ele pode criar novas estratégias e experiências sem jamais tê-las vivido anteriormente. O desenvolvimento intelectual o faz pensar de forma imaginária, e essa condição lhe dá instrumentos para avaliar de forma crítica e gerenciar reformas que tornariam melhor o mundo que o cerca.
Tabela 7. Resultados Descritivos do Aspecto Formal do Teste Pfister nos Adolescentes (n=40).
AF Média DP Mínimo Máximo Percentil 25 Mediana Percentil 75
C/M 0,5 0,7 0 2 0 0 1
TP 0,6 0,9 0 3 0 0 1
TDES 0,3 0,5 0 2 0 0 0
TF/R 0,8 1,0 0 3 0 0 2
TIOR 0,2 0,4 0 2 0 0 0
FCMOT 0,1 0,5 0 2 0 0 0
FCMOC 0,1 0,5 0 3 0 0 0
FCMUT 0,6 1,0 0 3 0 0 1
FSIM 0,1 0,3 0 1 0 0 0
FALT 0,0 0,2 0 1 0 0 0
EESC 0,1 0,3 0 1 0 0 0
EMAN 0,0 0,2 0 1 0 0 0
EMOS 0,1 0,2 0 1 0 0 0
ESIM 0,1 0,5 0 3 0 0 0
O aspecto formal, forma como o indivíduo estrutura a pirâmide, reproduz a sua organização mental e permite avaliar o grau de diferenciação afetivo/emocional do indivíduo. Podendo ser classificado em três grandes grupos, que se diferenciam entre si de acordo com a forma executada e suas interpretações, correspondem a níveis distintos de maturidade emocional e desenvolvimento cognitivo: tapetes, formações e estruturas.
- Tapetes: Tapete Puro (TP); Tapete Desequilibrado (TDES); Tapete Furado/Rasgado (TF/R); Tapete com Início de Ordem (TIOR).
- Formações: Formações em Camadas Monotonais (FCMOT); Formações em Camadas Monocromáticas (FCMOC); Formações em Camadas Multicromáticas (FCMT); Formações Simétricas (FSIM); Formações Alternadas (FALT).
- Estruturas: Estrutura em Escada (EESC); Estrutura em Manto (EMAN);
Estrutura em Mosaico (EMOS); Estrutura Simétrica (ESIM).
Agora, considerando os aspectos formais das pirâmides, nota-se na Tabela 7 que a média de tapetes furados ou rasgados nas pirâmides se apresenta em primeiro lugar, em seguida temos o tapete puro, as formações em camadas multicromáticas e o corte/mutilação das pirâmides. Os demais tapetes, formações e estruturas tiveram índices menores, com resultados semelhantes no que diz respeito às médias obtidas.
Conforme Villemor-Amaral (2018), o que caracteriza o tapete furado ou rasgado é o uso do branco em uma única área do esquema ou em pequenos grupos, junto ou espalhado, dando a impressão de furos ou rasgos. A autora destaca a atenção para a gravidade das hipóteses relacionadas a tapetes furados como sinalizadores de possíveis dissociações da personalidade.
Pode-se identificar outro estudo em que houve uma prevalência de tapetes furados, como na amostra de Abid (2008), com adolescentes de 14 a 19 anos, em que foi possível observar um aumento dos tapetes furados/rasgados para todos os adolescentes da amostra. Além desse estudo, destaca-se o de Farah (2010) com crianças entres seis e dez anos de idade em que também houve um predomínio dos tapetes furados. Contudo, a relação desses resultados com possíveis dissociações da personalidade não se sustentaram nas pesquisas. Nesse sentido, pode-se supor que mesmo com a interpretação de possível instabilidade na organização lógica, a elevada frequência desse tipo de pirâmide em estudos com adolescentes possa ser um padrão típico de resposta frequente nessa fase do desenvolvimento.
Conforme Saito (2014), a intensidade e a frequência com que o adolescente vivência as modificações impostas nessa fase do desenvolvimento podem obrigá-lo a realizar mudanças bruscas de humor, sendo estas muitas vezes confundidas com quadros psicopatológicos e que na verdade se trata de um mecanismo utilizado para elaborar suas dificuldades nesse período em que as vivências são apreendidas de maneira muito intensa.
Os tapetes puros são aqueles em que as cores são distribuídas de forma harmoniosa e equilibrada, como numa colcha de retalhos. Seu significado está relacionado à imaturidade emocional e ou a baixos níveis intelectuais. Apesar disso, não há nenhum indicio patológico associado, podendo ser encontrados em pessoas com boa adaptação (Villemor-Amaral, 2018).
No teste Pfister, as formações em camadas multicromáticas, onde cada camada é composta por uma mesma cor e tonalidade. O mais característico é que cada camada é feita por uma cor diferente, podendo haver variações pequenas com alguns tons diferentes da mesma cor. De maneira igual ao estudo de Barroso (2013), a formação em camadas multicromáticas também se destacou em segundo lugar no que se refere ao aspecto formal. Segundo Villemor-Amaral (1978 apud Barroso, 2013) esse tipo de formação pode indicar uma personalidade ainda em formação, com pouca maturidade em relação às emoções e às defesas psíquicas, características frequentes em adolescentes por ainda estarem em processo de formação, transformando-se e em busca da adaptação.
Segunda a mesma autora, o corte ou mutilação são os casos em que a pirâmide aparece cortada por uma camada inteira preenchida pelo branco, ou se o branco vem no topo como se estivesse decepando a pirâmide. Em alguns casos, esse aspecto formal chama a atenção para possível sinal patológico de ruptura ou dissociação da personalidade, o que deve ser investigado em conjunto com outros instrumentos de avaliação para melhor precisão dos sintomas e diagnóstico. Nesse sentido, não se pode afirmar que a presença de corte e mutilação no presente estudo sinalize uma possível dissociação da personalidade na amostra de adolescentes.
6 Considerações Finais
A presente pesquisa teve como objetivo geral caracterizar o perfil de uma amostra de usuários de um serviço de saúde do adolescente. A adolescência é uma importante etapa do desenvolvimento humano, marcada por mudanças biopsicossociais, repleta de inseguranças e desafios. As experiências vivenciadas pelo adolescente nesse processo podem causar, em determinados momentos, sentimentos como: tristeza, ansiedade e, em alguns casos, desequilíbrio emocional, constituindo um período ambivalente e doloroso.
A partir dos resultados que mais se destacaram no grupo de adolescentes no teste de Pfister, realizou-se uma análise interpretativa que possibilitou identificar algumas características psicológicas. As análises do uso das cores e das síndromes evidenciaram uma afetividade mais estimulada, que leva a inferir um comportamento compatível com as emoções mais fortes, impactantes, com conotações ambivalentes, associadas a impulsividade e irritabilidade. Houve, também, indicadores de capacidade de controle e adaptação dos afetos, disposição para os relacionamentos interpessoais e para contatos afetivos sociais; Os resultados do processo de execução demonstraram indivíduos com um raciocínio lógico adequado para faixa etária pesquisada na amostra. Por último, a partir do aspecto formal das pirâmides, que constitui um dos principais elementos para análise do teste de Pfister, foi possível observar indicadores de uma personalidade ainda em formação, com pouca maturidade em relação às emoções e às defesas psíquicas, característica frequente em adolescentes por ainda estarem em processo de formação, transformando-se e em busca da adaptação.
Tanto a obesidade como a depressão e a ansiedade são patologias que segundo a OMS têm aumentado em prevalência e estão diminuindo a qualidade de vida na população adolescente em todo o mundo, evidenciando que ainda existe uma lacuna entre o conhecimento e a prática, assim como um enorme trabalho a se desenvolver quanto a instalação de serviços de qualidade que atendam a toda a população adolescente. Pode-se considerar a hipótese de que o desenvolvimento de tais patologias pode estar associado às questões de ordem econômica, social e familiar do grupo atual, indicando a necessidade da promoção e prevenção de saúde além dos muros da clínica, lugar onde o adolescente chega muitas vezes, já com as problemas em curso.
Concluindo, prestar atenção à saúde integral do adolescente não é tarefa simples nem fácil. Vale aqui ressaltar a importância da promoção à saúde nos diversos espaços
sociais, de forma integral, de modo a contribuir com esse processo evolutivo da adolescência nos aspectos físico, social e psicológico.
Apesar de apresentar limitações quanto ao tamanho da amostra e à representatividade do número de sujeitos, este estudo pode servir de base para outros com amostras mais amplas, que poderão contribuir para um conhecimento mais extenso dos aspectos que envolvem a saúde do adolescente na atualidade.
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