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70 Capítulo V – Resultados

1. Resultados do Estudo

1.1Colaboração entre Professoras

Na análise das „conversações dialógicas‟ sente-se de forma explícita o sentimento de „partilha‟ nas relações do grupo de professoras, uma vez que é notório e visível o trabalho em equipa, com o intuito de desenvolver a sua proficiência de ensinar, trocando vivências e opiniões. A par desta postura de partilha, é igualmente notória uma atitude de inter-ajuda e, claro está, de colaboração por parte das três professoras envolvidas na acção. Isto pode ser ilustrado com as seguintes passagens:

Ângela – Mas nestas sessões nós temos tirado grande partido das nossas experiências pessoais. Graças a esta nossa postura de partilha e de colaboração, temos conseguido fazer trabalhos engraçados com os miúdos!

Gabriela – Pena é não trabalharmos efectivamente na mesma escola. Se tivéssemos mais tempo… ou estivéssemos mais perto… isto ainda fluía melhor.

Susana – Mas há pessoas que trabalham na mesma escola, têm o mesmo ano de escolaridade e até os mesmos horários e não se interessam, nem um pouco, por trabalhar em equipa! Eu acho esta parceria que a gente tem muito importante!

(Conversações Dialógicas: Moldura do 10)

A tal postura de partilha e de colaboração, tal como é caracterizada por uma das professoras do grupo, é conseguida em momentos presenciais, nas referidas reuniões informais, através dos espaços de planificação, discussão e balanço do trabalho desenvolvido, assim como em momentos de trabalho autónomo. As professoras criaram, para gestão do próprio trabalho, um dossier de compilação de informação e materiais de suporte e de avaliação que foi sendo enriquecido ao longo do ano, mediante as investigações e os investimentos do próprio grupo e de cada um dos elementos.

Ângela – Para enriquecer o nosso dossier do PAM eu tinha mais estes documentos sobre fios de contas e enfiamentos… é um pouco uma continuidade daquilo que se pode fazer à posteriori para desenvolver também o cálculo mental.

(Conversações Dialógicas: Colar de Contas)

Esses documentos, que o grupo partilhava através do dossier, eram usados pelas três professoras, mediante as necessidades das turmas, o que por vezes não se fazia coincidir em termos de programação. Contudo, muitas das vezes as professoras aproveitavam as reuniões informais para tirarem dúvidas sobre os documentos arquivados

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no dossier, aconselhando-se assim, mutuamente, com o intuito de desenvolverem um trabalho coerente, adequado à tipologia defendida e científica e pedagogicamente correcta.

Susana – Não estou bem a ver…

Gabriela – Mas qual é o objectivo desta tarefa?

Ângela – Explorar a soma de dois números quase iguais. Susana – E como é que isso se faz?

Ângela – É uma tarefa de grupo… ou pelo menos para se fazer a pares. Os alunos devem ter cartões numerados até ao 10 e um ábaco horizontal. Um dos alunos retira um cartão e representa esse mesmo número num dos arames do ábaco. Outro aluno tira o cartão que represente o número imediatamente antes ou imediatamente depois do que saiu ao outro colega e representa-o no outro arame. Depois fazem a leitura das quantidades dos arames e, claro, do seu total.

(Conversações Dialógicas: Ábaco Horizontal)

De acordo com o que foi fundamentado no capítulo teórico, ressalva-se assim que este tipo de interacção pode ser entendido como uma forma de colaboração, já que, no que concerne ao trabalho entre professores, esta pode-se expressar de variadas formas. A preparação, a discussão e a partilha de ideias e tarefas a desenvolver junto de um grupo de alunos pode ser entendida deste modo, justificando-se ainda que este tipo de trabalho permite às professoras em causa „realizarem uma aprendizagem conjunta (…) numa partilha de

saberes e o ampliar do conjunto das suas competências, fomentando o desenvolvimento profissional‟ (Dias, 2008, p. 235).

A partir deste apontamento, mais se pode adiantar, frisando que estas professoras, ao se envolverem numa dinâmica como esta, contribuem para o seu desenvolvimento profissional, pois agem à luz de um profissional „responsável que produz conhecimento a

partir da sua própria prática (…) num processo dinâmico, contínuo e sempre incluso‟

(Rocha e Fiorentini, 2006, pp. 146-147).

O tipo de interacções entre os vários elementos é um dado significativo neste tipo de trabalho. No entender da investigadora, esta facilidade de entendimento e vontade comum de trabalhar em equipa de forma colaborativa também se deve à proximidade entre os elementos do grupo de professoras, uma vez que partilharam experiências anteriores. Contudo, este aspecto mais reforça o perfil colaborativo deste grupo, onde se encontra espaço para partilha de dúvidas e incertezas, assim como de novas ideias e objectivos.

A colaboração implica a distribuição e partilha de liderança e a autoridade é transferida para o grupo, assumindo este a gestão de todos os recursos, riscos e resultados. Este aspecto também é notório ao longo da análise de dados, tal como se pode entender nas passagens referentes às „conversações dialógicas‟, assim como a valorização desta forma de trabalhar por parte das três professoras.

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Susana – Pegando nisto, podemos mostrar como construímos a tarefa… está sempre tudo tão preocupado em ter tudo escrito, mas nem sempre acontece como se quer…

Gabriela – Pois… a partir de uma ideia nossa é que fomos esquematizando os passos seguintes!

Ângela – Exacto… como podem querer, inicialmente, no início de cada período, se consigam cinco planificações de tarefas? As coisas vão surgindo à medida que o tempo passa…

Susana – Claro! Que mania de mandar! Gabriela – Que sede de poder!

Ângela – Mas como explicar isso a esses colegas?

Gabriela – Aproveitamos o seminário para isso… vamos partilhar a nossa forma de trabalhar! Mostrar-lhes um exemplo de como tudo vai surgindo à medida quem se vai avançando, de acordo com as respostas dos miúdos e das necessidades das turmas, pois é em função da aprendizagem dos nossos alunos que redefinimos, ou não, a planificação anual!

Susana – Que gente mais tradicionalista! Parece que se perdem se não tiverem tudo delineado à partida.

(Conversações Dialógicas: Os números que nos rodeiam)

No entender deste grupo de trabalho, a planificação do trabalho com os seus alunos também passa por uma redefinição do mesmo, consoante o feedback dos alunos. Daí que estes momentos de trabalho, no seio do grupo, se tornem importantes e decisivos, pois para além de poderem partilhar dúvidas, incertezas também permitem encontrar novas ideias, na tentativa de melhorarem a sua prática profissional e alcançarem o sucesso educativo dos seus alunos.