5. Análise de Resultados
5.2. Resultados do estudo e construção do modelo
Ao adotarmos uma perspetiva de análise de resultados, inerentes à conceção do modelo, preconizado no capítulo 3, vamos definir como linhas de avaliação as seguintes dimensões:
Página 107 Dificuldade de adoção do modelo;
Adaptabilidade técnica;
Avaliação ao nível do investimento financeiro.
Relativamente à primeira dimensão de avaliação, salienta-se a necessidade de conceber e demonstrar a exequibilidade de um modelo, que na sua versão atual assenta numa arquitetura distribuída, composta por várias Cloud Zonas, organizadas segundo a forma indicada nos capítulos anteriores. Para se atingir o nível final de implementação do modelo, foi necessário efetuar alguma adaptabilidade entre o modelo inicial e o protótipo implementado, com realimentação de ideias e resultados do protótipo para o modelo. Tal aspeto também é intrínseco à própria evolução do paradigma Cloud Computing.
Em 2013, a EMC Corporation, publicou um estudo sobre a importância da resiliência dos serviços disponibilizados, aumentando a qualidade e disponibilidade dos serviços de TI. Este é o principal fator que mais contribui para o aumento dos riscos nas organizações (Forrester Research, 2013). Nas organizações, os modelos de negócios estão cada vez mais dependentes da tecnologia e extremamente complexos, exigindo uma qualidade e disponibilidade dos serviços, com mais controlo e visibilidade da informação. No estudo, uma percentagem de 44% de organizações, referem uma constante procura pela qualidade e disponibilidade dos sistemas, existindo já um conjunto destas a adotarem medidas de active-active datacenter. Segundo as mesmas, existem benefícios na adoção da arquitetura única de alta disponibilidade e recuperação de falhas.
Analogamente, considerando o aspeto da adaptabilidade técnica, fundamentado na bibliografia e o estudo desenvolvido no ponto 4.7, concluiu-se que a utilização de uma infraestrutura distribuída, poderia ter um conjunto de vantagens mas, simultaneamente, apresenta alguns desafios. A existência de uma infraestrutura desta índole permitiria o surgimento de uma cloud resiliente, heterógena, descentralizada e fiável, com forte possibilidade de se tornar uma
referência a nível nacional e internacional (Forrester Research, 2013). O backup de cada cloud, conseguiria ser efetuado, de forma distribuída, nas várias Cloud Zonas da Cloud Federativa Académica. Desta forma, seria possível garantir alta qualidade e disponibilidade dos serviços, e recuperação de falhas de todas as Cloud Zonas que compõem a Cloud Federativa Académica. A implementação do modelo proposto, permite refletir no desenho e conceção desta índole, mesmo que traga desafios na sua forma de execução e operacionalização na Cloud Federativa Académica.
A operacionalização da Cloud Federativa Académica, implica a definição de normas de funcionamento, coexistindo uma administração partilhada, assim sendo é essencial controlar e analisar as várias operações, nos vários patamares da administração. Torna-se imperativo avaliar e adaptar, de forma constante, a Cloud Federativa Académica e respetivas Cloud Zonas, às inovações e avanços tecnológicos que, continuamente, surgem nesta área de investigação.
Verificou-se também, a existência de um conjunto de áreas paralelas de investigação, que poderiam tirar partido de uma infraestrutura distribuída, defendida no modelo proposto, sendo possível tornar a Cloud Federativa Académica, num campo fértil de indagação. É possível numa infraestrutura desta natureza, existir investigação sobre a mesma, nas mais variadas áreas científicas. Nesta ordem de ideias, existe um vasto leque de recursos disponíveis para servirem de suporte a investigações científicas. Outra vertente é a investigação em torno da própria infraestrutura, numa procura contínua de qualidade e disponibilidade de serviço, abarcando, também, um conjunto considerável de áreas de investigação.
No que concerne ao investimento financeiro, podemos referir o estudo elaborado por Ignacio Llorente (Llorente, 2014a) à luz do qual, foi utilizada uma estrutura com 10 servidores, com o software vSphere da VMware. O seu estudo, baseou-se na comparação das plataformas da VMware e opensource vOneCloud da OpenNebula e incidiu sobre a utilização de uma solução comercial, com aquisição de software e assistência técnica, e uma solução opensource mas com a aquisição do serviço de suporte. Do estudo em causa, o autor ressalvou a existência de uma poupança de cerca de 3000€ anuais, por servidor. Ainda de acordo com o mesmo estudo indicado, isso implicaria uma poupança de 30000€ anuais, englobando apenas os itens do
Página 109 licenciamento e suporte das plataformas. Na Tabela 9, é indicada a possível poupança anual em cada uma das Cloud Zonas utilizadas, na implementação do protótipo, transpondo os mesmos princípios do estudo citado. Salienta-se que esta possível poupança, ao nível da plataforma, poderá ser redirecionada para a aquisição de equipamento, de suporte adicional das várias Cloud Zonas.
Número de servidores Valor unitário Valor total
Cloud Zona master 4 3000€ 12000€
Cloud Zona slave UTAD 14 3000€ 42000€ Tabela 9 - Tabela de comparação de possíveis poupanças na plataforma
Outro aspeto importante ao nível do investimento, assenta no potencial humano e na sua especificidade, ou seja, torna-se um imperativo que os técnicos possuam conhecimentos específicos, mais aprofundados, relativamente à administração de todos os componentes de suporte de uma infraestrutura, deste género. Segundo Webster, é necessária a existência de administradores com características técnicas específicas, sendo algumas plataformas opensource mais trabalhosas, o que torna a tarefa administrativa mais dispendiosa, com necessidade de recorrer à contratação de recursos humanos especializados (Webster, 2015). Da experiência adquirida, ao longo do desenvolvimento da implementação do modelo proposto, a plataforma escolhida requere essencialmente um conhecimento específico em administração de sistemas Linux, mas o seu processo de instalação, configuração e manutenção traduz-se num processo de administração de sistemas standard.