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Equação 5 – Taxa de aplicação de solo no solo tendo a Ndisp e N recomendado como

5. RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.2 RESULTADOS DOS ENSAIOS DE TOXICIDADE COM LODO

5.2.1 L. sativa

As Figuras 11 e 12 apresentam os valores obtidos do Índice de Germinação, e Alongamento Relativo da Raiz nos ensaios de toxicidade realizados com L. sativa (alface), do lodo bruto até atingir a estabilização. As concentrações do extrato do lodo utilizadas foram de 0,5; 2,5; 5; 25 e 50%. O controle foi preparado com água ultrapura.

Figura 11 - Resultado do Índice de germinação do ensaio de toxicidade com L.

sativa, para o lodo assim que coletado e depois com 30 e 60 dias

Controle 0.5 2.5 5 25 50 0 20 40 60 80 100 120 Índ ice d e G er mina ção (%) Concentração (%) 0 dias 30 dias 60 dias

Figura 12 - Resultado do alongamento relativo da raiz do ensaio de toxicidade com L.

sativa, para o lodo assim que coletado e depois com 30 e 60 dias

A partir da análise das Figuras 11 e 12 é possível perceber que a toxicidade do lodo aumenta de acordo com o aumento da concentração do mesmo, sendo que para ambos parâmetros analisados, os extratos do lodo nas concentrações de 25 e 50% apresentaram efeito quase inibitório, demonstrando o potencial tóxico do lodo quando aplicado em maiores concentrações, o que está de acordo com Poletti et al. (2017), que testaram três espécies vegetais e também verificaram que a toxicidade do lodo aumenta de acordo com o aumento da concentração do mesmo.

Zapusek e Lestan (2011) realizaram testes de toxicidade em sementes (L. sativa, Lollium perene) e constataram que doses maiores de lodo inibiram o crescimento das raízes dessas sementes, quando comparados com solo que recebeu menor aplicação de lodo. Esses resultados corroboram com os obtidos por Oleszczuk e Hollert (2011) que enfatizam que a aplicação de lodo afeta o crescimento das raízes à medida que a concentração aumenta.

Controle 0.5 2.5 5 25 50 0 20 40 60 80 100 120 Alonga me nto Relat ivo d a Ra iz (%) Concentração (%) 0 dias 30 dias 60 dias

De acordo com Tavares et al. (2019) a toxicidade do lodo no crescimento da raiz de L. sativa pode ter seu efeito minimizado após estabilização. Neste estudo, observou-se que tanto o índice de germinação quanto o alongamento relativo da raiz foram maiores com 30 dias da coleta e não com 60, esse fato pode ser justificado por uma necessidade nutricional da semente de alface que foi satisfeita pelo lodo com 30 dias da coleta, e que com 60 dias perdeu parte deste potencial nutritivo, provavelmente devido a mineralização da matéria orgânica, que aumenta com o tempo de estabilização. Contudo, mesmo havendo essa diferença entre 30 e 60 dias, pode-se notar que em ambas datas de coleta o lodo mostrou-se menos tóxico do que quando não havia sido submetido a nenhum tipo de processo de estabilização (lodo bruto – 0 dias), principalmente para o índice de germinação, que relaciona a germinação relativa da sementes com o alongamento relativo da raiz.

A sensibilidade das sementes de alface é outro ponto importante, que segundo Viana et. al. (2017) e Poletti et al. (2017) são consideradas excelentes bioindicadores de toxicidade devido sua alta sensibilidade ao estresse químico. E como observado nas Figuras 11 e 12, as sementes de alface apresentaram muito pouco ou nenhum alongamento de raiz nas concentrações 25 e 50% e na germinação a 50%, indicando grande sensibilidade.

5.2.2 Resultados do teste de toxicidade do lodo para F. candida

A Tabela 8 apresenta os dados obtidos para os testes de toxicidade do lodo de esgoto estabilizado utilizando o organismo F. candida. São mostrados o número médio de organismos por concentração testada, e o coeficiente de variação para as réplicas, que de acordo com a ISO 11267 (ABNT, 2019) deve manter-se abaixo de 30%. Portanto, verificou-se que o teste foi validado. A Figura 13 mostra a curva de dose-resposta e equação da reta referentes ao número de organismos de acordo com cada concentração avaliada.

Tabela 8 – Resultados dos testes de toxicidade com o organismo F. candida no Lodo de Esgoto Estabilizado

Aplicação de lodo em solo natural seco

(g.kg-1) Folsomia candida Número médio de organismos Coeficiente de variação SAT 741,0 14,7% Controle 757,0 4,5% 0,5 709,5 5,2% 1,5 643,3 11,3% 5,0 603,8 25,6% 15,0 686,3 22,4% 50,0 501,0 8,5% 150,0 10,0 0,0% ~

Figura 13 - Curva de dose-resposta e equação da reta da toxicidade do Lodo de Esgoto (LE) para F. candida

A Tabela 9 apresenta a Concentração de Efeito Não Observado (CENO) e a Concentração de Efeito em 50% (CE50) dos organismos, assim como o valor de p,

que deve manter-se abaixo de 0,05 para mostrar a significância estatística do teste, o que está de acordo com o valor obtido nesse experimento, sendo então validado.

Tabela 9 - CENO e CE50 encontrados para o ensaio de toxicidade do lodo de esgoto com o F. candida. Organismo-teste CENO CE50 p (<0,05) (g.kg-1 de solo seco) Folsomia candida 50 62,09 0,003

A partir dos resultados obtidos para o teste de toxicidade com o F. candida pode-se observar que o lodo apresentou efeito em 50% dos organismos na concentração de 62,1 g.kg-1 de solo seco (CE50), sendo que até 50 g.kg-1 de solo

seco, não houve efeito observado (CENO).

Ao comparar o valor de CE50 obtido, de 62,09 g.kg-1 se solo seco, com a taxas

de aplicação recomendada pela Resolução CONAMA 375/06 para sementes de milho, igual a 1,5 g.Kg-1 de solo de seco, obtida a partir do valor de nitrogênio disponível, é

possível observar que este lodo apresentaria baixa toxicidade se aplicado em solo agrícola. Renaud et al. (2017) testaram várias amostras de lodo de esgoto com os organismos F. candida, Enchytraeus crypticus, Hypoaspis aculeifer e Eisenia fetida. e concluiram que F. candida e E. fetida foram as espécies mais sensíveis aos lodos testados e sua reprodução foi significativamente afetada por todas amostras testadas. A reprodução de E. crypticus foi significativamente afetada por todos os resíduos, exceto uma das amostras, e enquitreídeos foram geralmente menos sensíveis que E. fetida e F. candida para o lodo de esgoto. Portanto, sendo o F. candida um dos organismos mais sensíveis ao lodo de esgoto, fica evidente a importância do uso desse organismo como bioindicador de toxicidade para o resíduo em questão, e que o lodo avaliado não apresentou toxicidade.

No trabalho de Groth et al (2016) foram avaliados dois lodos de diferentes ETE aplicado no solo e o impacto dessa aplicação entre vários organismos, dentre eles F. cândida. Os autores verificaram que o comportamento desses organismos não foi

afetado negativamente por essa aplicação, o que corrobora com os resultados obtidos nesse trabalho.

Considerando aplicação do lodo de esgoto em cultura de milho e o valor de nitrogênio disponível, a taxa de aplicação anual recomendado pela Resolução CONAMA 375/06 para o lodo em estudo é de 3,0 T.ha-1 ou 1,5 g.kg-1 de solo seco.

Comparando a taxa de aplicação anual e o CENO do organismo testado, é possível verificar que o lodo aplicado segundo a Resolução CONAMA 375/06 não causa efeito tóxico ao organismo de solo testado. Porém, após sucessivas aplicações de lodo de esgoto no solo, compostos presentes no lodo pode se acumular afetando todo o ecossistema (Kacprzak et al., 2017), portanto para uma aplicação segura do lodo na agricultura deve-se seguir as legislações vigentes e ser realizado monitoramento do solo com regularidade.

Os pH iniciais e finais sofreram poucas alterações, o que não comprometeu o ensaio ao longo dos 28 dias. Esse monitoramento é importante pois os organismos são sensíveis à alteração de pH, principalmente em solos alcalinos, em que a reprodução é afetada negativamente (DOMENE et al., 2010). De acordo com Regitano, Alleoni e Tornisielo (2001) e Soares et al. (2015) pH do solo tropical é em torno 5,0 a 6,5.

5.3 RESULTADO DO MÉTODO RESPIROMÉTRICO DE BARTHA E