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Fluxograma 1 – Processo de controle e avaliação organizacional, segundo Oliveira

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.2 Resultados e considerações a partir do survey

O questionário referente ao survey foi enviado por correio eletrônico para todos os servidores que exerceram cargos/papéis/funções diretivas na estrutura administrativo- organizacional do CUMB durante o período de vigência do PDU, compreendido entre 2012- 2015, o que perfaz um total de 25 sujeitos – eles são o universo de pesquisa. O retorno obtido foi de 23 respondentes. As questões encaminhadas e os resultados obtidos são apresentados adiante, sendo acompanhados de considerações pautadas no referencial teórico apresentado no Capítulo 2 desta dissertação.

Para a questão um, o enunciado foi: “Qual o seu nível de conhecimento/entendimento em relação ao assunto Planejamento Estratégico?”. Os resultados obtidos estão localizados no Gráfico 1.

Gráfico 1 – Nível de conhecimento/entendimento sobre Planejamento Estratégico

Fonte: pesquisa de campo (2016).

9% 13% 13% 52% 13% Nenhum Pouco Regular Bom Avançado

Na questão dois, o enunciado foi: “Entre 2011-2015 você promoveu/participou de eventos ou ações (cursos, minicursos, oficinas, reuniões etc.) no âmbito da UFPA voltadas para a área do planejamento estratégico?”. As respostas coletadas constam no Gráfico 2.

Gráfico 2 – Promoção/participação de eventos ou ações no âmbito da UFPA voltadas à área de PE

Fonte: pesquisa de campo (2016).

O enunciado da questão de número três foi: “Qual o seu nível de conhecimento/entendimento em relação ao PDI da UFPA 2011-2015?”. Os resultados obtidos estão dispostos no Gráfico 3.

Gráfico 3 – Nível de conhecimento/entendimento em relação ao PDI UFPA 2011-2015

Fonte: pesquisa de campo (2016).

61% 39% Sim Não 0,0% 17,4% 26,1% 56,5% 0,0% Nenhum Pouco Regular Bom Avançado 0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 50,0% 60,0%

A questão de número quatro procurou saber: “Qual o seu nível de conhecimento/entendimento em relação ao PDU Campus de Breves 2012-2015?”. As respostas obtidas constam no Gráfico 4.

Gráfico 4 – Nível de conhecimento/entendimento em relação ao PDU CUMB 2012-2015

Fonte: pesquisa de campo (2016).

O enunciado da questão cinco foi: “Entre 2011-2015 você promoveu/participou de eventos ou ações (cursos, minicursos, oficinas, reuniões etc.), no âmbito da UFPA, voltadas ao esclarecimento sobre o papel, funções, importância do PDU?”. Os resultados encontrados estão apresentados no Gráfico 5.

Gráfico 5 – Promoção/participação de eventos ou ações, no âmbito da UFPA, voltadas ao

esclarecimento sobre o papel, as funções e a importância do PDU

Fonte: pesquisa de campo (2016).

0,0% 13,0% 17,4% 60,9% 8,7% Nenhum Pouco Regular Bom Avançado 0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 50,0% 60,0% 70,0% 61% 39% Sim Não

Para a questão seis, enunciou-se: “Você recebeu algum tipo de consultoria externa à UFPA (por exemplo, de outra universidade ou de uma organização privada) voltada à realização do PDU Campus de Breves 2012-2015?”. Os resultados obtidos aparecem no Gráfico 6.

Gráfico 6 – Consultoria externa à UFPA voltada à realização do PDU CUMB 2012-2015

Fonte: pesquisa de campo (2016).

As questões de um a seis buscaram detectar o nível de familiaridade dos respondentes com os assuntos tratados nesta pesquisa, PE e planos de desenvolvimento das universidades. Segundo Falqueto (2012), Fischmann e Almeida (2013), e Oliveira (2015), o desconhecimento de conceitos relacionados ao PE por parte daqueles diretamente envolvidos é causa comum de falhas no processo de realização dele, o que se demonstra não ser aplicável à maioria dos servidores ocupantes de cargos/funções/papéis diretivos do CUMB, uma vez que a maioria (52%) respondeu ter um nível de conhecimento/entendimento “bom” sobre o assunto PE, sendo que 61% afirmaram ter promovido/participado de eventos na área no âmbito da UFPA.

Seguindo a mesma tendência, o nível de conhecimento/entendimento acerca do PDI e do PDU também foi considerado “bom” pela maioria, com 56,5% e 60,9%, respectivamente, sendo que a maioria (61%) ainda afirmou ter promovido/participado de eventos ou ações voltados/as ao esclarecimento sobre o papel, as funções e a importância do PDU.

Em que pese a maior parte dos respondentes ter acusado certa familiaridade com os assuntos importantes para a feitura do PDU, os resultados expressam que é cabível pensar em um melhor nivelamento de conhecimentos entre os sujeitos organizacionais. O ideal é que não haja diferenciações entre aqueles que sabem “mais” e aqueles que sabem “menos”, sob pena de que isso atrase as discussões e o ordenamento de ideias. Quanto mais preparados estiverem

4%

96%

Sim Não

esses atores (todos eles) em termos de domínio de informações relevantes ao processo de planejamento, mais poderão colaborar com a feitura desse.

É reforçando essa ideia que Oliveira (2015) alerta para a necessidade de um processo de aprendizagem e treinamento em PE. Outrossim, assevera Rezende (2015, p. 39) que “não se deve iniciar um projeto sem saber como efetivamente fazê-lo”. Saber fazer, nesse caso, tem um sentido amplo: implica em sensibilizar os sujeitos para que tenham conhecimento do papel deles dentro de cada fase e atividade de planejamento, e capacitar os envolvidos quanto aos instrumentos e técnicas de planejamento a serem utilizados, para que se sintam seguros e convictos nas ações que realizarem.

Ressalva-se, porém, que a maioria dos respondentes (96%) afirmou não ter recebido qualquer consultoria externa à UFPA para a realização do PDU CUMB 2012-2015, o que é algo que pode atrapalhar a realização de um plano de desenvolvimento, segundo constatou Fernandes et al. (2009). Isso porque esse tipo de consultoria pode representar um olhar “de fora” da organização; uma observação distanciada que permite a detecção de aspectos que passam despercebidos por quem está dentro da estrutura. Também é de se esperar que colaboradores externos, geralmente, sejam dotados de conhecimento teórico e prático aprofundado sobre o assunto em tela, colaborando sobremaneira para os trabalhos.

A questão de número sete indagou: “Que importância teórica (importância que o plano deve ter dentro da estrutura organizacional da UFPA) você atribui ao PDU Campus de Breves 2012-2015 no que concerne o planejamento administrativo e acadêmico do Campus?”. As respostas dadas localizam-se no Gráfico 7.

Gráfico 7 – Importância teórica atribuída ao PDU CUMB 2012-2015 no âmbito do planejamento

administrativo e acadêmico do Campus

Fonte: pesquisa de campo (2016).

0,0% 4,3% 21,7% 30,4% 43,5% Nenhuma Pouca Média Muita Extrema 0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 50,0%

Na questão oito, foi perguntado: “Que importância prática (importância que o plano teve, de fato) teve o PDU Campus de Breves 2012-2015 no que concerne o planejamento administrativo e acadêmico do Campus?”. Os resultados coletados estão apresentados no Gráfico 8.

Gráfico 8 – Importância prática atribuída ao PDU CUMB 2012-2015 no âmbito do planejamento

administrativo e acadêmico do Campus

Fonte: pesquisa de campo (2016).

As questões sete e oito desejaram verificar a importância que os sujeitos respondentes concedem ao PDU CUMB 2012-2015.

Percebe-se, aqui, uma sensível discrepância entre teoria e prática. Do ponto de vista teórico, que parte da intenção daquilo que se deseja fazer e alcançar, e daquilo que o plano deve representar no tempo-espaço institucional, a percepção da maior parte (43,5%) é de que o PDU é de extrema importância. Já do ponto de vista prático, que considera o peso que o plano teve de fato nas atividades realizadas no interstício em que esteve vigorando, a maior parte dos respondentes (42,9%) atribuiu pouca importância ao PDU.

Colocando de outra forma, há aquilo que Araújo (1996) descreve como um planejamento dissociado da gestão, ou seja, o planejamento não é visto pelos gestores universitários como elemento importante de sua ação administrativa e política cotidiana – o que dificulta a institucionalização da atividade de planejamento nas universidades. Dessa feita, planejamento e gestão são tomados como coisas estanques.

Uma possível explicação para a ocorrência desse fenômeno é de que o planejamento não é visto pelos gestores como algo factível, administrável, ficando mais no campo do abstrato que no do concreto. Falqueto (2012) descreve isso como uma assimetria entre

4,8% 42,9% 33,3% 19,0% 0,0% Nenhuma Pouca Média Muita Extrema 0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 50,0%

planejamento e execução – quando a execução das ações ocorre de modo diverso daquilo que fora planejado, uma vez que o planejamento construído é tomado pelos sujeitos como inviável para ser executado.

A esse respeito, Oliveira (2015) chama atenção para a necessidade de se evitar que o planejamento estratégico seja tomado como “utópico” pelos membros da organização, devendo ser desenvolvido e apresentado de maneira a retratar a realidade. Deve-se pensar em um plano que pode ser operacionalizado com os recursos que se têm para o momento, do contrário, incorre-se no risco de cair em descrédito porque não houve fôlego bastante para dar conta daquilo que fora pensado e proposto. Seria como fazer uma promessa que se sabe não poder cumprir, e isso pode conduzir o coletivo à frustração e, por conseguinte, à desmotivação. Logo, é prudente diferenciar metas audaciosas de metas notadamente absurdas, o gerenciável do não gerenciável.

Num outro extremo, também não é interessante traçar planos demasiadamente “modestos” apenas para se ter a segurança de que tudo será possível de ser cumprido. O desafio é um dos fatores que impulsiona a organização para frente e não se pode abrir mão disso.

Para a questão de número nove, lançou-se a interrogação: “Você participou da elaboração do PDU Campus de Breves 2012-2015?”. Os resultados coletados constam no Gráfico 9.

Gráfico 9 – Participação na elaboração do PDU CUMB 2012-2015

Fonte: pesquisa de campo (2016).

61% 39%

Sim Não

No que concerne a questão dez, interrogou-se: “O pessoal responsável pelo trabalho de elaboração do PDU Campus de Breves 2012-2015 se mostrou preparado para desenvolver esta atividade?”. Situam-se no Gráfico 10 as respostas.

Gráfico 10 – Nível de preparação do pessoal responsável pelo trabalho de elaboração do PDU CUMB

2012-2015

Fonte: pesquisa de campo (2016).

A questão onze trouxe a indagação: “Como você define o trabalho de elaboração do PDU Campus de Breves 2012-2015 realizado pelo pessoal responsável por tal atividade?”. As respostas obtidas estão dispostas no Gráfico 11.

Gráfico 11 – Classificação do trabalho realizado na elaboração do PDU CUMB 2012-2015

Fonte: pesquisa de campo (2016).

0,0% 9,1%

50,0% 40,9% 0,0%

Não se mostrou preparado Se mostrou pouco preparado Se mostrou razoavelmente preparado Se mostrou muito preparado Se mostrou extremamente preparado

0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 50,0% 60,0% 0,0% 0,0% 36,4% 59,1% 4,5% Péssimo Ruim Regular Bom Ótimo 0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 50,0% 60,0% 70,0%

Na questão doze, foi perguntado: “O pessoal responsável pelo trabalho de implementação do PDU Campus de Breves 2012-2015 se mostrou preparado para desenvolver esta atividade?”. Os resultados aparecem no Gráfico 12.

Gráfico 12 – Nível de preparação do pessoal responsável pelo trabalho de implementação do PDU

CUMB 2012-2015

Fonte: pesquisa de campo (2016).

O enunciado da questão treze foi: “Como você define o trabalho de implementação do PDU realizado pelo pessoal responsável por tal atividade?”. Os resultados coletados estão no Gráfico 13.

Gráfico 13 – Classificação do trabalho realizado na implementação do PDU CUMB 2012-2015

Fonte: pesquisa de campo (2016).

9,5%

28,6%

52,4% 9,5%

0,0%

Não se mostrou preparado Se mostrou pouco preparado Se mostrou razoavelmente preparado Se mostrou muito preparado Se mostrou extremamente preparado

0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 50,0% 60,0% 4,8% 28,6% 42,9% 23,8% 0,0% Péssimo Ruim Regular Bom Ótimo 0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 50,0%

O enunciado da questão quatorze foi: “Você tem conhecimento da existência de um Plano de Aplicação como ferramenta de realização do PDU Campus de Breves 2012-2015?”. Os resultados coletados estão no Gráfico 14.

Gráfico 14 – Conhecimento da existência do Plano de Aplicação do PDU CUMB 2012-2015

Fonte: pesquisa de campo (2016).

Para a questão quinze, indagou-se: “Você tem conhecimento sobre a existência e funcionamento de um sistema de informações gerenciais próprio do Campus de Breves que subsidie a realização do PDU Campus de Breves 2012-2015?”. As respostas estão dispostas no Gráfico 15.

Gráfico 15 – Conhecimento da existência e do funcionamento do sistema de informações gerenciais do

CUMB

Fonte: pesquisa de campo (2016).

13% 87% Sim Não 4% 96% Sim Não

A questão dezesseis interpelou: “Você tem conhecimento da existência e do funcionamento de um Sistema de Monitoramento e Avaliação do PDU Campus de Breves 2012-2015?”. Os resultados são vistos no Gráfico 16.

Gráfico 16 – Conhecimento da existência e do funcionamento do Sistema de Monitoramento e

Avaliação do PDU CUMB 2012-2015

Fonte: pesquisa de campo (2016).

No que se refere à questão dezessete, interrogou-se: “Você tem conhecimento da existência e do funcionamento de uma Comissão de Supervisão e Avaliação do PDU Campus de Breves 2012-2015?”. Os resultados obtidos apresentam-se no Gráfico 17.

Gráfico 17 – Conhecimento da existência e do funcionamento da Comissão de Supervisão e Avaliação

do PDU CUMB 2012-2015

Fonte: pesquisa de campo (2016).

0% 100% Sim Não 0% 100% Sim Não

A interrogação da questão dezoito foi: “Você promoveu/participou de eventos ou ações (cursos, minicursos, oficinas, reuniões etc.) voltadas ao acompanhamento do PDU Campus de Breves 2012-2015?”. As respostas obtidas estão no Gráfico 18.

Gráfico 18 – Promoção/participação de eventos ou ações de acompanhamento do PDU CUMB 2012-

2015

Fonte: pesquisa de campo (2016).

O questionamento dezenove foi: “Você promoveu/participou de eventos ou ações (cursos, minicursos, oficinas, reuniões etc.) voltadas à avaliação do PDU Campus de Breves 2012-2015?”. O resultado conseguido está disposto no Gráfico 19.

Gráfico 19 – Promoção/participação de eventos ou ações de avaliação do PDU CUMB 2012-2015

Fonte: pesquisa de campo (2016).

4% 96% Sim Não 0% 100% Sim Não

O enunciado da questão vinte foi: “Com que frequência o Campus de Breves acompanhou e avaliou o PDU Campus de Breves 2012-2015 até o momento?”. As respostas recebidas estão no Gráfico 20.

Gráfico 20 – Frequência de acompanhamento e avaliação do PDU CUMB 2012-2015

Fonte: pesquisa de campo (2016).

As questões de nove a vinte abordam as etapas de realização do PDU CUMB 2012- 2015.

É consenso entre os autores pesquisados, como Pereira (2010) e Rezende (2015), entre outros, que a participação do coletivo institucional nas etapas do planejamento é fator determinante para o êxito desse. Também é consensual que essa coletividade deve estar bem preparada para colaborar com o processo de modo relevante.

No trabalho aqui desenvolvido, percebe-se que os resultados relacionados à etapa de elaboração são mais positivos do que os registrados nas demais etapas. Dentre os respondentes, 61% afirmaram ter participado da etapa de elaboração. Metade dos respondentes (50%) considerou que o pessoal responsável pela elaboração do PDU se mostrou razoavelmente preparado para desenvolver tal tarefa, tendo realizado um trabalho bom para 59,1% dos questionados. Já na etapa de implementação, o pessoal responsável foi considerado razoavelmente preparado (52,4%), tendo realizado um trabalho regular, na visão da maior parte (42,9%) dos sujeitos pesquisados.

59,1% 31,8%

0,0% 0,0%

9,1%

Não houve (ou pelo menos desconheço iniciativas nesse sentido) acompanhamento e avaliação do PDU por parte dos atores responsáveis.

Houve pouco acompanhamento e avaliação do PDU por parte dos atores responsáveis.

O acompanhamento e avaliação do PDU foram anuais, conforme prevê o próprio plano.

O acompanhamento e avaliação do PDU ocorreram em muitos momentos ao longo dos anos correspondentes ao período de vigência do… Outros

Afirma Muriel (2006) que a etapa de implantação dos planos de desenvolvimento é a mais difícil do processo, haja vista representar um momento de ação totalmente dependente da participação de todos na instituição para que tenha eficiência.

Das respostas, além da possível relação que se estabelece entre o nível de preparação para determinada tarefa e a avaliação do trabalho realizado (uma boa preparação resulta num bom trabalho), é possível conjecturar que os resultados inferiores da etapa de implementação em relação à etapa de elaboração são atribuídos também à pouca participação do coletivo institucional na referida etapa, uma vez que, na etapa de elaboração, os trabalhos foram conduzidos por uma comissão representativa de diversos sujeitos da comunidade universitária (o que evidencia uma perspectiva mista de condução do planejamento), que se preocupou em dar espaço para a participação de diversos segmentos internos e externos ao Campus, e, na implementação, a responsabilidade institucional foi atribuída unicamente à Coordenação Geral do Campus (que evidencia uma perspectiva top-down de condução do planejamento), o que, segundo Tachizawa e Rezende (2002 apud Pereira, 2010), seria prejudicial ao planejamento, uma vez que, para os autores, é problemático que apenas uma determinada área ou um determinado departamento assuma a responsabilidade pela execução do plano, que deve ser, pelo contrário, partilhada por todos da organização.

Outro fator que pode ter colaborado para dificultar a implementação do plano refere-se às dificuldades relacionadas às ferramentas de gestão previstas no documento. Como já visto, o PDU CUMB 2012-2015 prevê a existência e o funcionamento de um Plano de Aplicação, um Sistema de Monitoramento e Avaliação, e uma Comissão de Supervisão e Avaliação. Mas 87% dos respondentes afirmaram desconhecer a existência de um Plano de Aplicação como ferramenta de realização do PDU CUMB 2012-2015. E 96% dos respondentes afirmaram desconhecer a existência e o funcionamento de um sistema de informações gerenciais; 100% desconhecem a existência e o funcionamento de um Sistema de Monitoramento e Avaliação, e de uma Comissão de Supervisão e Avaliação auxiliares na realização do Plano.

Espera-se que os gestores, até pela própria configuração de seu papel na hierarquia organizacional, tenham domínio de certas informações relacionadas aos mecanismos de gestão dos planos organizacionais. O acentuado percentual de desconhecimento dos respondentes acerca da existência e do funcionamento das ferramentas de gestão do planejamento que estão descritas no PDU permite conjecturar que tais instrumentos não vêm funcionando a contento. Ou, então, que há alguma dificuldade ou, mesmo, desinteresse dos gestores em se informar sobre o funcionamento de tais mecanismos (infelizmente, os instrumentos de pesquisa utilizados nesta dissertação não permitem determinar a ocorrência

de “a” ou “b”). O fato é que qualquer das possibilidades inspira preocupações e serve como uma fonte de explicação para os resultados da pesquisa obtidos na parte que se refere ao acompanhamento e à avaliação do PDU CUMB 2012-2015.

A esse respeito, afirmaram 96% dos respondentes não terem promovido/participado de eventos ou ações voltadas ao acompanhamento do PDU e 100% informaram não ter promovido/participado de qualquer evento ou ação voltada à avaliação do referido Plano. Para a maioria (59,1%) dos respondentes, não houve (ou se desconhecem iniciativas nesse sentido) acompanhamento e avaliação por parte dos atores responsáveis pelo processo.

Já foi visto que o acompanhamento e a avaliação são etapas indispensáveis do processo de PE, pois é a partir daí que se produzem os subsídios informacionais que fazem com que o plano não fique estagnado no espaço-tempo organizacional. Por meio desses, é possível saber o que vai bem e o que vai mal, o que está forte e o que está fraco na organização. Não sem motivo, Muriel (2006) acusa a falta de acompanhamento daquilo que foi planejado como uma das barreiras para implantação de um plano de desenvolvimento universitário. Resgatando o já exposto pensamento de Pereira (2010), a não realização de qualquer um dos momentos mencionados caracteriza um absurdo organizacional ou um documento escrito que não tem utilidade nenhuma para a melhora do desempenho organizacional.

A questão 21 perguntou: “Como você define o espaço físico em que ocorreram os eventos/ações voltados/as à realização do PDU Campus de Breves 2012-2015?”. As respostas coletadas estão no Gráfico 21.

Gráfico 21 – Condições do espaço físico em que ocorreram eventos/ações voltados/as à realização do

PDU CUMB 2012-2015

Fonte: pesquisa de campo (2016).

45%

5% 50%

Adequado Inadequado

Não participei de nenhum evento/ação desse tipo

A interrogação da questão 22 foi: “Como você define os recursos orçamentários disponíveis para realização do PDU Campus de Breves 2012-2015?”. As respostas geradas aparecem no Gráfico 22.

Gráfico 22 – Situação dos recursos orçamentários para realização do PDU CUMB 2012-2015

Fonte: pesquisa de campo (2016).

As questões 21 e 22 fazem referência a elementos que dão suporte ao processo de planejamento/realização do PDU CUMB 2012-2015.

Dentre os respondentes que participaram desses momentos, 45% consideraram o espaço físico como sendo adequado para tal fim, todavia, metade dos respondentes (50%) não soube avaliar, pois não participou de eventos ou ações voltados/as à realização do PDU.

Segundo Fernandes et al. (2009), locais inadequados (pouco ou nada equipados, desconfortáveis etc.) para as reuniões de planejamento podem atrapalhar a realização desse processo, pois não favorecem a concentração e produção intelectual das pessoas envolvidas nesse momento. É um indicativo, também, da valorização que a organização atribui a esse momento: um bom local passa a mensagem de que o trabalho ali desempenhado é revestido de importância, ao passo que um local ruim transmite a mensagem oposta – de que aquele trabalho não é tão relevante, tanto que pode ser desempenhado em qualquer lugar, não importando as condições.

No que diz respeito aos recursos orçamentários disponíveis para realização do PDU CUMB 2012-2015, a maioria dos respondentes (70%) considerou esses insuficientes ao propósito em tela, sendo que os demais não souberam informar sobre isso.

É de se ressaltar que os problemas relativos a orçamento são dos mais comuns encontrados em outros trabalhos relacionados ao planejamento em universidades. A

0% 70% 30% Suficientes Insuficientes Não sei

insuficiência de recursos orçamentários ou o desnivelamento entre os recursos financeiros disponíveis e os recursos financeiros necessários à realização do planejado é uma restrição já acusada nos trabalhos de Araújo (1996), Falqueto (2012), Mello et al. (2013) e Muriel (2006).

Há algumas possibilidades para se refletir a respeito: I) Planejamento e orçamento devem caminhar em harmonia. É imprudente pensar em estratégias e ações que não têm viabilidade financeira para acontecerem de fato. Trata-se de um princípio contábil básico: não se gasta mais do que se arrecada; II) O plano pode até caber no orçamento da organização, a princípio, mas, para se manter assim, deverá contar com a responsabilidade dos gestores em