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ADUBADAS COM NITROGÊNIO

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A resposta dos capins-Tifton 85 e vaquero em função da adubação nitrogenada na média dos ciclos de rebrotação (rebrotação 1, rebrotação 2 e rebrotação 3) para as variáveis: taxa de alongamento foliar (TAlF), taxa de alongamento dos colmos (TAlC), taxa de senescência foliar (TSF), filocrono, número total de folhas (NTF) e comprimento médio final das folhas (CMF), estão apresentadas na Tabela 1.

No estudo do efeito da adubação nitrogenada, o capim-Tifton 85 apresentou para a taxa de alongamento foliar (TAlF), resposta crescente às doses de nitrogênio (N).

23 Verificou-se incremento na TAlF de 3,40 a 4,30 cm perf.-1 dia-1 para as doses 0 e 600 mg dm-3 de nitrogênio, respectivamente, com incremento de 26,47% na dose de 600 mg dm-3 de nitrogênio em relação à ausência de adubação nitrogenada (Tabela 1). O capim- vaquero apresentou resposta quadrática para TAlF com o incremento das doses de nitrogênio, revelando valor máximo de 3,76 cm perf.-1 dia-1 na dose de 60 mg dm-3 de nitrogênio (Tabela 1). Destarte, pode-se inferir que o capim-vaquero apresentou baixa resposta em termos de alongamento foliar por meio da adubação nitrogenada, demonstrando ser uma gramínea não responsiva ao nitrogênio para a referida característica.

O aumento na taxa de alongamento foliar do capim-Tifton 85 com as doses crescentes de nitrogênio demonstra o significativo papel desse nutriente no comportamento da referida variável (ALEXANDRINO et al., 2004; FAGUNDES et al., 2005; LOPES et al., 2013), podendo ser atribuído, principalmente, ao incremento na produção de células (divisão celular) (VOLENEC e NELSON, 1984), reflexo da deposição de nutrientes, especialmente de nitrogênio nas zonas de alongamento e divisão celular (SKINNER e NELSON, 1995). Ainda, conforme Fagundes et al. (2005), o incremento na taxa de alongamento foliar com a adubação nitrogenada pode ser atribuído à influência significativa do nitrogênio nos processos fisiológicos da planta, refletindo em incremento no crescimento foliar. Nesse contexto, vale destacar a influência do adubo nitrogenado sobre as trocas gasosas das plantas, proporcionando incremento na taxa fotossintética nas maiores doses de nitrogênio (POMPEU et al., 2010; LOPES et al., 2011).

A taxa de alongamento foliar constitui-se numa variável de grande importância no fluxo de biomassa das forrageiras, por estar diretamente relacionada à produção de biomassa de forragem. Vale ressaltar que à medida que a TAlF é incrementada, ocorre aumento na proporção de folhas e, consequentemente, maior área foliar fotossinteticamente ativa, promovendo maior acúmulo de biomassa, provavelmente, pela melhor relação entre carbono e nitrogênio para a rebrotação da planta.

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Tabela 1 - Características morfogênicas em Cynodon dactylon cv. Tifton 85 e cv. Vaquero em função da adubação nitrogenada em condições de casa de vegetação

Gramínea Variável Equações (Efeito do nitrogênio)

Capim-Tifton 85

Taxa de alongamento foliar

(TAlF, cm perf.-1 dia-1) TAlF = 3,40 + 0,0015**N; R 2 = 0,98

Taxa de alongamento dos colmos

(TAlC, cm perf.-1 dia-1) TAlC = 0,41 + 0,0003*N; R 2 = 0,84

Taxa de senescência foliar

(TSF, cm perf.-1 dia-1) TSF = 0,13 + 0,00007 N (ns); R² = 0,83

Filocrono (dias folha-1) FIL = 1,57 – 0,0002**N; R² = 0,95

Número total de folhas

(NTF, folhas perfilho-1) NTF = 10,41 + 0,002**N; R

2 = 0,93

Comprimento médio final das folhas

(CMF, cm) CMF = 5,25 + 0,001**N; R² = 0,98

Capim-vaquero

Taxa de alongamento foliar (TAlF, cm perf.-1 dia-1)

TAlF = 3,72 + 0,0012*N - 0,00001*N²; R² = 0,69

Taxa de alongamento dos colmos

(TAlC, cm perf.-1 dia-1) TAlC = 1,65 + 0,0005**N; R² = 0,86

Taxa de senescência foliar (TSF, cm perf.-1 dia-1)

TSF = 0,98 – 0,00085N + 0,00001N² (ns); R² = 0,89

Filocrono (dias folha-1) FIL = 0,91 – 0,00004 N (ns); R² = 0,50

Número total de folhas

(NTF, folhas perfilho-1) NTF = 19,90 + 0,0019**N; R² = 0,64

Comprimento médio final das folhas

(CMF, cm) CMF = 2,91 + 0,00003 N (ns); R² = 0,91 N = dose de nitrogênio; significativo ao nível de 1% (**)

Analisando-se a taxa de alongamento dos colmos, verificou-se resposta linear crescente para ambas as gramíneas com o aumento das doses de nitrogênio, com valores estimados de 0,41 e 0,59 cm perf-1 dia-1 (capim-Tifton 85) e 1,65 e 1,95 cm perf-1 dia-1 (capim-vaquero) para as doses de nitrogênio de 0 a 600 mg dm-3, respectivamente (Tabela 1). Tal incremento verificado no alongamento de colmos reflete um favorável efeito do nitrogênio sobre o crescimento vegetal, com maior crescimento horizontal,

25 proporcionado pelo desenvolvimento dos estolões, que avança em crescimento em resposta um “fechamento” do dossel.

No tocante ao alongamento de colmos, vale mencionar que essa característica morfogênica das gramíneas forrageiras apresenta relevância comprovada para o crescimento do pasto, pois garante a manutenção da arquitetura do dossel quando este atinge uma biomassa mais elevada, mantendo o distanciamento adequado entre as folhas e evitando aumento no coeficiente de extinção luminosa (SUGYIAMA et al., 1985). Por outro lado, vale destacar os efeitos negativos proporcionados pelo incremento do componente colmo na biomassa total, com reflexo direto na qualidade da forragem produzida, pela diminuição na relação lâmina foliar/colmo, reduzindo, assim, o valor nutritivo da biomassa produzida (CÂNDIDO et al., 2006; SILVA et al., 2007a) e no seu aproveitamento pelos animais em pastejo (SILVA et al., 2007b).

A taxa de senescência foliar (TSF) do capim-Tifton 85 foi incrementada pela adubação nitrogenada (Tabela 1), revelando valores estimados de 0,13 e 0,17 cm perf-1 dia-1 para as doses de nitrogênio de 0 a 600 mg dm-3, respectivamente (Tabela 1), refletindo a menor vida útil das primeiras folhas. Destarte, vale destacar que o próprio ritmo de crescimento da planta, respondendo às doses crescentes de nitrogênio, com altas taxas de aparecimento e alongamento foliares, favorece a senescência das folhas primeiramente formadas, uma vez que aumenta a competição por fotoassimilados (GOMIDE et al., 2003). O capim-vaquero revelou para TSF resposta quadrática com a adubação nitrogenada, com valor mínimo de 0,96 cm perf-1 dia-1 na dose de nitrogênio de 42,5 mg dm-3, sendo incrementada nas maiores doses de nitrogênio.

O filocrono e o número total de folhas do capim-Tifton 85 e do capim-vaquero foram influenciados pela adubação nitrogenada, revelando resposta linear decrescente e crescente, respectivamente, com o incremento nas doses de nitrogênio (Tabela 1). Verificaram-se para o filocrono valores estimados de 1,57 e 1,45 dias folha-1 (capim- tifton 85) e de 0,91 a 0,89 dias folha-1 (capim-vaquero) nas doses de nitrogênio de 0 a 600 mg dm-3, respectivamente. Verificou-se para o número total de folhas estimativa de 10,4 e 11,6 folhas perfilho-1 (capim-tifton 85) e de 19,9 a 21,0 folhas perfilho-1 (capim- vaquero) nas doses de nitrogênio de 0 e 600 mg dm-3, respectivamente (Tabela 1).

A resposta observada para o filocrono de ambas forrageiras no presente estudo, assim como os resultados relatados na literatura (SILVA et al., 2009; POMPEU et al., 2010; LOPES et al., 2013), demonstraram a relevância da adubação nitrogenada na

26 redução do tempo para o aparecimento de folhas sucessivas no perfilho, uma vez que aumenta a produção de novas células (VOLENEC e NELSON, 1984), refletindo positivamente na produção de folhas nas gramíneas forrageiras. Com isso, o incremento nas doses de nitrogênio pode antecipar o momento de entrada dos animais no pasto, podendo resultar em maior número de ciclos de pastejo durante o ano para os pastos adubados com maiores doses de nitrogênio (LOPES et al., 2013).

Nesse contexto, é relevante ressaltar que a redução do filocrono com o incremento das doses de nitrogênio decorre do efeito desse nutriente sobre as taxas de crescimento, especialmente a foliar (GARCEZ NETO et al., 2002), conferindo aos pastos maior capacidade de reconstituição da área foliar. Consequentemente ocorrerá maior potencial de rebrotação, visto que, após a desfolhação, uma rápida recuperação de seu aparato fotossintético possibilita maior capacidade competitiva dos indivíduos na comunidade vegetal (MARTUSCELLO et al., 2006). Assim, o nitrogênio assume papel de extrema relevância ao favorecer essa recuperação, pois é um nutriente essencial em vários processos fisiológicos das forrageiras, contribuindo de forma positiva nas trocas gasosas das plantas forrageiras, conforme verificado por Pompeu et al. (2010), em estudo com capim-aruana adubado com nitrogênio e Lopes et al. (2011), trabalhando com doses crescentes de adubação nitrogenada em capim-massai.

No que concerne ao número total de folhas vivas por perfilho nas forrageiras, é de suma importância considerar que a referida característica expressa o potencial de assimilação de carbono e de produção de forragem ao nível de perfilho. É uma variável de importância comprovada na avaliação e manejo das plantas forrageiras, por tratar-se do componente da biomassa com melhor atributo qualitativo, sendo a fração mais selecionada pelos animais em pastejo, e pela sua aplicação como critério de definição para a determinação do período de descanso em uma área de pastejo (FULKERSON e DONAGHY, 2001).

O aumento da adubação nitrogenada pode antecipar o momento de entrada dos animais no pasto, pelo fato de favorecer o fluxo de biomassa nas plantas forrageiras (LOPES et al., 2013). Destarte, a definição do momento certo de desfolhação deve basear-se no objetivo do manejo adotado na pastagem, evidenciando a fisiologia da forrageira, porém, a adubação nitrogenada vai interferir nesse momento, pois influencia na morfofisiologia da planta.

27 Para o comprimento médio final das folhas (CMF) das duas forrageiras, constatou-se resposta crescente com a elevação nas doses de nitrogênio (Tabela 1). Verificou-se aumento no CMF de 5,25 a 5,85 cm para o capim-tifton 85 e de 2,91 a 2,93 cm nas doses 0 e 600 mg dm-3 de nitrogênio, respectivamente. Observou-se incremento de 11,43% para o capim-tifton 85 na dose de 600 mg dm-3 de nitrogênio em relação à ausência de adubação nitrogenada. Isto pode ser atribuído principalmente ao aumento na taxa de alongamento foliar com a adubação nitrogenada (LOPES et al., 2013), que contribuiu para a reconstituição da área foliar após o corte, fundamental para manutenção da perenidade do pasto (ALEXANDRINO et al., 2004).

O desdobramento do fator gramínea (capins-Tifton 85 e vaquero), em cada dose de nitrogênio para as variáveis: taxa de alongamento foliar (TAlF), taxa de alongamento dos colmos (TAlC), taxa de senescência foliar (TSF), filocrono, número total de folhas (NTF) e comprimento médio final das folhas (CMF), estão apresentadas nas Tabelas 2 e 3.

Os capins-Tifton 85 e vaquero apresentaram TAlF semelhante na ausência de nitrogênio, porém para as plantas adubadas verificou-se valores superiores para o capim-Tifton 85 (Tabela 2), demonstrando ser uma forrageira mais responsiva a intensificação por meio da adubação nitrogenada. Para a TAlC e TSF constatou-se diferença entre as forrageiras em todas as doses estudadas, com maiores valores para o capim-vaquero (Tabela 2). A maior TAlC do capim-vaquero em comparação ao capim- Tifton 85 para todas as doses de nitrogênio reflete o crescimento pronunciado da gramínea em termos de colmo, em resposta a intensa produção de estolões, como característica revelada pela forrageira para maior cobertura de solo, que associado a redução na penetração de luz no interior dossel, possivelmente acarretou o desencadeamento do alongamento dos colmos por meio do estiolamento. A maior TSF do capim-vaquero em relação ao capim-Tifton 85 para todas as doses de nitrogênio estudadas justifica-se pelo crescimento mais acelerado da referida gramínea, ocasionando uma senescência espontânea, em função da duração de vida das primeiras folhas chegarem ao final.

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Tabela 2 - Características morfogênicas de Cynodon dactylon cv. Tifton 85 e cv. Vaquero em cada dose de nitrogênio estudada nas condições de casa de vegetação

Variável Dose de nitrogênio (mg dm-3) Gramínea Capim-Tifton 85 Capim-vaquero TAlF (cm perf-1 dia-1) 0 3,38 a 3,80 a 200 3,97 a 3,21 b 400 4,72 a 3,84 b 600 5,12 a 4,09 b TAlC (cm perf-1 dia-1) 0 0,40 b 1,75 a 200 0,49 b 1,74 a 400 0,73 b 2,01 a 600 0,70 b 2,38 a TSF (cm perf-1 dia-1) 0 0,80 b 1,13 a 200 0,79 b 1,02 a 400 0,81 b 1,06 a 600 0,83 b 1,14 a

Taxa de alongamento foliar (TAlF), taxa de alongamento dos colmos (TAlC) e taxa de senescência foliar (TSF); médias seguidas de letras iguais, na mesma linha (minúsculas), não diferem (P>0,05) pelo teste de tukey.

O capim-Tifton 85 apresentou maior filocrono em comparação ao capim- vaquero para todas as doses de nitrogênio estudadas (Tabela 3). O menor filocrono observado para o capim-vaquero, independente das doses de nitrogênio, demonstrou a diferença na genética das gramíneas estudadas, com o capim-vaquero apresentando redução no tempo de aparecimento de folhas sucessivas no perfilho, possivelmente pela maior produção de células, o que contribui positivamente na produção de folhas.

29 Destarte, o capim-vaquero revelou uma característica importante para o manejo do pasto, pois pode proporcionar a antecipação do momento de entrada dos animais no pasto quando comparado ao capim-Tifton 85, podendo resultar em maior número de ciclos durante o ano para os pastos manejados de forma semelhante.

Tabela 3 - Características estruturais de Cynodon dactylon cv. Tifton 85 e cv. Vaquero em função dos ciclos de rebrotação em condições de casa de vegetação Variável Doses de nitrogênio

(mg dm-3) Gramínea Capim-Tifton 85 Capim-vaquero Filocrono (dias folha-1) 0 1,57 a 0,90 b 200 1,50 a 0,93 b 400 1,36 a 0,87 b 600 1,33 a 0,86 b NTF (folhas perfilho-1) 0 10,40 b 20,51 a 200 11,02 b 20,13 a 400 12,42 b 20,71 a 600 12,62 b 22,89 a CMF (cm) 0 5,19 a 3,07 b 200 5,74 a 2,67 b 400 6,22 a 3,00 b 600 6,49 a 3,00 b

Número total de folhas (NTF) e comprimento médio final das folhas (CMF); médias seguidas de letras iguais, na mesma linha (minúsculas), não diferem (P>0,05) pelo teste de tukey.

O capim-vaquero apresentou maior NTF em comparação ao capim-Tifton 85 em todas as doses de nitrogênio estudadas (Tabela 3). O número total de folhas superior do capim-vaquero deveu-se ao reduzido filocrono da referida forrageira, que associado à

30 maior produção de “estolões” resultou em maior NTF para as plantas de capim-vaquero no mesmo intervalo de corte.

O capim-Tifton 85 apresentou maior CMF em comparação ao capim-vaquero para todas as doses de nitrogênio avaliadas (Tabela 3), podendo está associado à superioridade na TAlF do capim-vaquero, demonstrando ser uma gramínea que prioriza a produção de folhas, contrariamente ao que se verificou para o capim-vaquero, com destaque para o incremento em colmo quando comparado ao capim-Tifton 85.

CONCLUSÕES

A adubação nitrogenada proporciona respostas positivas sobre o fluxo de biomassa dos capins-Tifton 85 e vaquero nas condições do presente estudo.

O capim-vaquero foi superior ao capim-Tifton 85 nas características alongamento de colmo, senescência foliar e número total de folhas nas doses de nitrogênio estudadas. O capim-Tifton 85 apresenta-se superior para o alongamento foliar, filocrono e comprimento das folhas nas doses avaliadas.

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CAPÍTULO III

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