• Nenhum resultado encontrado

RESULTADOS E DISCUSSÃO

No documento Download/Open (páginas 33-70)

O exame dos esfregaços sangüíneos das aves experimentalmente infestadas por

Argas miniatus infectados por B. anserina (Grupo 1), revelou grande número de

espiroquetas (Figuras 2a e 2b). Os parâmetros biológicos de período pré-patente e de período de patência, para este grupo, tiveram valores médios em dias de 6 ± 0,83 e 5 ± 1,96, respectivamente (Tabela 1).

Os esfregaços sangüíneos das aves do grupo não exposto aos carrapatos (Grupo 3) e das aves expostas aos carrapatos livres de B. anserina (Grupo 2), mantiveram-se negativos durante todo o período experimental.

Tabela 1. Médias de período pré-patente e de período de patência de aves experimentalmente infestadas por Argas miniatus infectados por Borrelia anserina (Grupo 1).

Aves do grupo 1 (n = 9)

Período pré-patente (dias) 6 ± 0,83

Período de patência (dias) 5 ± 1,96

Hutyra et al. (1947) e Bier (1985) relatam que o período pré-patente para B.

anserina inoculada pelos carrapatos é de quatro a seis dias. Shommein e Khogali

(1974), em um estudo experimental, observaram o período pré-patente de dois dias para as raças White Leghorn e Baladi (raça indígena) e, de um dia para a raça Fayoumi, após a inoculação por via endovenosa de 0,5 ml de sangue, coletado utilizando-se citrato de sódio como anticoagulante, de aves naturalmente infectadas.

McNeil et al. (1949) mantiveram em seu laboratório duas cepas por passagens seriadas através de pintinhos a cada cinco dias e, relatam que o maior número de dias nos quais encontraram o sangue de um pintinho contendo espiroquetas foi de 17, a média é de sete dias. Esta média está de acordo com os resultados obtidos para o período médio de patência no presente trabalho.

No início da infecção das aves do grupo 1, foram observadas de uma a seis espiroquetas por campo o que ocorreu a partir do quinto dia após a exposição aos carrapatos (DPE). O número médio máximo de espiroquetas foi atingido entre seis a noveDPE. A formação de aglomerados de B. anserina foi observada em sete aves. As espiroquetas começaram a desaparecer do sangue periférico por volta do 10º DPE e desapareceram completamente a partir do 13º DPE, tendo os esfregaços sangüíneos permanecido negativos até o 25º DPE (Tabela 2).

Tabela 2. Número médio de espiroquetas por esfregaço sangüíneo, após a transmissão de Borrelia anserina via vetor Argas miniatus em Gallus gallus (Grupo 1).

Número

da ave Número médio de espiroquetas por campo* de esfregaço sangüíneo em dias pós-exposição aos carrapatos (DPE)

1º a 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º 13º a 25º 1 - - - 2 35*** 17** 9 - - - 2 - - <1 25 40** 34** 15*** 6** <1 - 3 - <1 >50 22 8*** 6** 6** <1 - - 4 - - - 3 15 10** <1 - - - 5 - - - - - - - 6 - - <1 30 7 3 - - - - 7 - - <1 22 >50 >50 >50 9*** <1 - 8 - - - <1 8 >50 17*** <1 - - 9 - 6 >50 50** 10** <1 - - - -

*: Média de 50 campos. Microscópio Leitz - Aumento de 1500 X **: pequenos aglomerados. ***: grandes aglomerados. -: negativo.

Marchoux e Salimbeni (1903) relataram que após o pico, as espiroquetas desaparecem da circulação não reaparecendo no sangue. A ave pode até caquetizar e morrer sem que as espiroquetas reapareçam no sangue. Estes dados também estão de acordo com Dickie e Barrera (1964), os quais relataram que a existência de aves “reservatórios” deste microrganismo por longo período, é relativamente rara ou não existe. Estes autores analisaram os esfregaços sangüíneos e cortes de tecido de aves inoculadas com sangue infectado e de aves que receberam macerados de tecidos destas aves inoculadas, os esfregaços sangüíneos do grupo que recebeu o inóculo se tornaram negativos por cerca de nove dias pós-infecção. E os esfregaços sangüíneos do grupo que recebeu macerados de tecidos permaneceram negativos até 28 dias após a infecção.

Apenas a ave número 5 do grupo 1, foi refratária à tentativa de transmissão da infecção, mas mesmo com os valores desta ave incluídos nas análises estatísticas, ocorreram diferenças significativas (p < 0,05) no desvio padrão.

Para assegurar a eficiência da transmissão, os carrapatos utilizados no presente estudo foram infectados 26 dias antes de serem utilizados. Segundo Bier (1985), as espiroquetas podem ser encontradas em todo o organismo do carrapato 14 dias após estes terem se alimentado em uma ave infectada.

No presente estudo foi observada também no grupo 1, uma alteração na consistência do sangue, que se tornou aquosa a partir do 5º DPE. Embora inespecífica, esta alteração fornece ao clínico, evidências imediatas de anormalidade, neste caso, possivelmente, relacionada ao processo anêmico desenvolvido. Não foram encontrados registros deste fenômeno na literatura. Nos grupos 2 e 3, a consistência sanguínea se manteve normal até o final do experimento.

4.2 Aspectos Clínicos da Infecção

A partir do 6º DPE, as aves 1, 4 e 9 do grupo 1 apresentaram os seguintes sinais clínicos: penas arrepiadas, crista pálida, sonolência e perda do apetite. Estes sintomas continuaram até o 12º DPE. No 7º DPE foram observados estes mesmos sintomas nas aves 2, 3, 6, 7 e 8, também perdurando até o 12º DPE (Figuras 2c e 2d). No 13º DPE as aves obtiveram uma melhora, retornando a alimentarem-se normalmente.

Boero (1967) relatou que o período de incubação foi de cinco a oito dias desde a picada dos carrapatos infectantes até a aparição da sintomatologia clínica. Sendo o período de incubação, inversamente proporcional à virulência e quantidades de espiroquetas inoculadas pelos carrapatos. Segundo Marchoux e Salimbeni (1903), as aves infectadas apresentam diarréia esverdeada, param de se alimentar, ficam sonolentas, com as penas eriçadas e crista pálida.

Boero (1967) relatou também, que a infiltração cérebro espinhal pelas espiroquetas deve-se a sua característica de neurotropismo, fenômeno responsável pelo estado de torpor, letargia e profunda sonolência nas aves enfermas. McNeil et al. (1949) e Boero (1967), descreveram que as aves tornam-se apáticas e freqüentemente assumem uma posição agachada. Diab e Soliman (1977) relacionaram a espiroquetose aviária como causa de anemia severa, emaciação e alta mortalidade nas aves.

No presente trabalho, observou-se diarréia esverdeada a partir do 7º DPE, perdurando até o 12º (Figuras 2e, 2f, 3e e 3f). As aves do grupo 2 e do grupo 3, não apresentaram alteração de coloração nas fezes (Figuras 3a, 3b, 3c e 3d). Boero (1967) relatou a ocorrência de séria inflamação intestinal e derrames biliares que tingem as fezes de uma cor verde intensa, além de provocar um grande peristaltismo com evacuações fétidas esverdeadas.

Em um estudo experimental, Bandopadhyay e Vegad (1984) observaram a diarréiaverde característica do 3º ao 6º dias após a inoculação intramuscular de 0,2 ml de sangue infectado. Este autores sugeriram que a alteração na cor das fezes pode ser uma conseqüência da enterite e hemossiderose.

As alterações clínicas determinadas por esta enfermidade podem evoluir para um quadro de hipotermia, podendo ocorrer transtornos paralíticos e morte, do contrário pode ocorrer cura espontânea (MARCHOUX; SALIMBENI, 1903; HUTYRA et al., 1947). No presente trabalho não ocorreu morte de aves em nenhum dos grupos experimentais, tendo as aves do grupo 1 (aves infectadas por B. anserina) apresentado auto-cura.

4.2.1 Perda de peso

Segundo o Guia de Manejo (2004), os pesos corporais das aves, devem ser verificados periodicamente durante o período de crescimento até que alcancem a produção máxima. É importante que se pese as aves antes de uma troca programada de alimento.

Não houve diferença significativa entre as médias dos pesos dos grupos até a quarta pesagem (p > 0,05) (Tabela 3, Gráfico 1). Na quinta pesagem, realizada no 10º DPE, o grupo 1 foi o único a perder peso e a média dos pesos deste grupo diferiu significativamente (p < 0,05) com relação aos demais grupos. Este fato se deve, provavelmente, à ausência de interesse pelo alimento devido ao estado de torpor e letargia, no qual estas aves se encontravam durante a fase de espiroquetemia. Uma semana depois, as aves já retornaram a ganhar peso, devido à melhora do estado geral e o desaparecimento das espiroquetas da circulação sanguínea. Estes dados confirmam os achados de Marchoux e Salimbeni (1903), os quais relataram que se o animal sobreviver, o estado geral melhora. Segundo estes autores, o peso da ave que desde o início da doença diminui rapidamente, volta a aumentar.

A ave de número 5 pertencente a este grupo, a qual não apresentou espiroquetas na circulação e nem sintomatologia clínica, foi a única que obteve ganho de peso. Todos os outros grupos ganharam peso normalmente como o esperado.

Fig. 2a – Esfregaço sanguíneo periférico

mostrando hemácias e espiroquetas. Fig. 2b – Esfregaço sanguíneo periférico mostrando hemácias e aglomerado de espiroquetas.

Fig 2c – Aves com aspecto sonolento, as quais

permaneciam sem interesse pelo alimento. Fig. 2d – Ave com penas arrepiadas, sonolência e perda do apetite.

Fig. 2e – Alteração da coloração das fezes, as quais tornaram-se diarréicas e esverdeadas.

Fig. 2f – Melhora da consistência e coloração, após a fase de espiroquetemia.

Figura 2 – Registro fotográfico da microscopia ótica de esfregaços corados pelo método Giemsa, aves clinicamente enfermas e aspecto das fezes das aves do grupo infectado por Borrelia anserina (aves do grupo 1).

Fig. 3a - Aves do grupo não exposto aos carrapatos.

Fig. 3b – Fezes normais observadas no chão da gaiola do grupo referido na Fig. 3a.

Fig. 3c - Aves do grupo infestado por Argas

miniatus livres de Borrelia anserina. Fig. 3d – Fezes normais observadas no chão da gaiola do grupo referido na Fig. 3c.

Fig. 3e - Aves do grupo infestado por Argas

miniatus infectados por Borrelia anserina. Fig. 3f – Fezes com aspecto diarréico, com coloração esverdeada, observadas no chão da gaiola do grupo referido na Fig. 3e.

Tabela 3. Valores das médias dos pesos de Gallus gallus durante o período experimental. Grupo 1 (aves expostas a Argas miniatus infectados com Borrelia anserina), Grupo 2 (aves expostas a Argas miniatus livres de Borrelia anserina) e Grupo 3 (aves não expostas a Argas

miniatus).

Pesagens Valores de média*

do grupo 1 Valores de média* do grupo 2 Valores de média* do grupo 3 Primeira 0,352 ± 0,12 0,390 ± 0,13 0,372 ± 0,09 Segunda 0,450 ± 0,15 0,534 ± 0,19 0,533 ± 0,15 Terceira 0,742 ± 0,18 0,778 ± 0,19 0,833 ± 0,17 Quarta 1,150 ± 0,25 1,261 ± 0,26 1,166 ± 0,16 Quinta 1,051 ± 0,17 1,322 ± 0,27 1,227 ± 0,12 Sexta 1,219 ± 0,19 1,419 ± 0,25 1,371 ± 0,13

* Valores de média ± desvio padrão; (n=9).

Gráfico 1. Representação gráfica da dinâmica de ganho de peso de Gallus gallus durante o período experimental. Grupo 1 (aves expostas a Argas miniatus infectados com Borrelia anserina), Grupo 2 (aves expostas a Argas miniatus livres de Borrelia

anserina) e Grupo 3 (aves não expostas aos carrapatos). Barras verticais indicam o

desvio padrão em referência às médias. A seta azul indica o momento da exposição dos grupos 1 e 2 aos carrapatos.

Tempo (dias) 1 14 26 35 41 49 Ga nh o de pe so (g ) 0.2 0.4 0.6 0.8 1.0 1.2 1.4 1.6 Grupo 1 Grupo 2 Grupo 3

4.3 Análises Hematológicas

Os valores obtidos nas análises hematológicas de cada grupo experimental, referentes à contagem de eritrócitos, volume globular (VG), volume globular médio (VGM), concentração de hemoglobina globular média (CHGM), hemoglobina, trombócitos, proteína plasmática total (PPT), fibrinogênio, leucócitos, contagem absoluta de linfócitos, heterófilos, monócitos, eosinófilos e basófilos; estão representados nas Tabelas 4 a 11.

Foram utilizados controles internos dentro do grupo experimental e do próprio indivíduo, os quais foram submetidos às mesmas condições experimentais, que são considerados mais fidedignos do que os valores referenciais externos.

4.3.1 Hemograma e contagem de trombócitos

Os resultados da hematologia das aves do grupo 2 com relação ao VG (Gráfico 2), o número de eritrócitos (Gráfico 3), a dosagem de hemoglobina (Gráfico 4) e a CHGM (Gráfico 5) apresentaram-se próximos e até mais elevados do que os do grupo não exposto aos carrapatos.

Os resultados destes mesmos valores hematológicos para o grupo 1 em oito DPE se mostraram significativamente (p < 0,05) menores do que os valores dos demais grupos. Estes valores tiveram uma queda significativa no período correspondente ao de maior número de espiroquetas encontradas na circulação sanguínea, detectado através dos esfregaços de sangue. Em 18 DPE, estes valores apresentaram um aumento tendendo a se normalizarem.

Shommein e Khogali (1974) relataram a ocorrência de marcante diminuição do número de eritrócitos e da concentração de hemoglobina no sangue de aves parasitadas por B. anserina. O mesmo fenômeno foi observado no presente estudo.

No presente trabalho, os valores de volume globular médio não diferiram significativamente entre os três grupos (p > 0,05).

De acordo com os índices de Wintrobe (WINTROBE, 1933) analisados (VGM e CHGM), os quais classificam anemias e avaliam se a medula óssea produz hemácias de tamanho e com conteúdo de hemoglobina normal ou não, as aves do grupo 1 apresentaram um quadro de anemia normocítica normocrômica, quadro este, associado à ausência de resposta medular na compensação da anemia.

Anemia em aves é causada pelos mesmos mecanismos dos mamíferos tais como diminuição na produção de eritrócitos, sua destruição, ou perda de sangue (RUPLEY, 1999). Bandopadhyay e Vegad (1983), relataram que a anemia apresentada no quadro clínico da borreliose aviária pode ser causada pela destruição de eritrócitos em grande excesso ou por sua produção diminuída. Segundo Hutyra et al. (1947), essa diminuição da produção de eritrócitos ocorre devido à multiplicação inicial das espiroquetas no fígado, baço e medula óssea e a causa da destruição se atribui, provavelmente à substâncias tóxicas.

As contagens de trombócitos de todos os grupos diferiram significativamente entre si (p < 0,05) (Gráfico 6). A oscilação na evolução dos resultados da contagem de trombócitos não detectou alterações na interpretação dos dados pertinentes ao experimento, uma vez que estes dados obtidos apresentaram-se variáveis, principalmente no último tempo do controle, o que denota a possibilidade de variação fisiológica. Este fato permite considerar que a plaquetometria não mostrou sensibilidade para detectar alterações nas aves experimentalmente infectadas por B. anserina.

Ocorreu um aumento significativo no valor de proteínas plasmáticas totais do grupo 1 no hemograma do oitavo DPE (p < 0,05) (Gráfico 7). Tais alterações denotam a necessidade de estudos complementares para elucidar quais as frações protéicas gerais e específicas foram alteradas. Hiperproteinemia em aves pode ocorrer devido à hiperglobulinemia ou desidratação. Em função do estado clínico de diarréia no qual as aves se encontravam, pode-se supor um efeito de hemoconcentração nos resultados do hemograma do grupo 1, que poderá ser confirmado através da realização de estudos posteriores do proteinograma.

Os valores de determinação de fibrinogênio não diferiram significativamente (p > 0,05) nas aves dos três grupos experimentais, o que se supõe, que tal como os trombócitos, nas condições experimentais deste estudo, não houve sensibilidade técnica para detectar anormalidades neste parâmetro.

4.3.2 Leucograma

O grupo 2, exposto aos carrapatos não infectados, não apresentou alterações significativas no leucograma (p > 0,05), quando comparado ao grupo controle.

Um processo de leucocitose significativa (p < 0,05) foi observado no grupo 1, em oito e dezoito dias após a exposição aos carrapatos (Gráfico 8), indicando uma resposta ao estado infeccioso.

Com relação à contagem diferencial dos leucócitos do grupo 1, os heterófilos predominaram nas fases iniciais do processo inflamatório, com uma heterofilia significativa (p < 0,05) observada oito e 18 DPE (Gráfico 9). As alterações nas contagens de heterófilos acompanharam paralelamente as mudanças na contagem total de leucócitos. Isto pode ser explicado conforme Jain (1986), que relatou que durante a inflamação aguda em galinhas, o desenvolvimento de leucocitose é o resultado da heterofilia.

Em função do discreto aumento dos valores das contagens de monócitos ter se manifestado apenas com relação aos valores referenciais descritos na literatura, e não aos dos controles, estes valores foram considerados dentro da normalidade. Uma monocitose significativa (p < 0,05) no grupo 1 se apresentou em oito e 18 DPE (Gráfico 10). Este aumento no número de monócitos pode ser explicado devido a uma maior demanda de células fagocitárias do sistema mononuclear fagocitário (SMF) indiretamente em decorrência de esplenomegalia, conforme descrito por Boero (1967); Bier (1985); Cooper e Bickford (1993). Esta esplenomegalia também pode estar associada à estimulação antigênica parasitária. Os achados de Bandopadhyay e Vegad (1983) sugerem que a esplenomegalia foi causada por uma reação inflamatória envolvendo uma resposta exagerada de macrófagos, hiperplasia reticular, eritrofagocitose e hemossiderose.

Além disso, segundo Campbell e Coles (1986) e Rupley (1999), a monocitose em aves, usualmente é descrita como uma conseqüência de doenças crônicas tais como lesões granulomatosas, infecções fúngicas e bacterianas e de necrose tecidual.

No presente trabalho, a heterofilia e a monocitose tiveram correlações significativas e positivas com a leucocitose (Anexo VIII).

O aumento nas contagens de linfócitos das aves do grupo 1 foi observado apenas em 18 DPE (Gráfico 11). Sendo que, a linfocitose teve correlação negativa com a leucocitose e com a monocitose, sem diferenças estatísticas significativas.

As médias da relação heterófilo/linfócito (H/L) obtidas em oito DPE para os grupos 1 e 2 foram 0,66 ± 0,38 e 0,57 ± 0,51 (média ± desvio padrão), com uma variação nos valores médios de 0,32 a 1,38 e 0,26 a 1,89 respectivamente. A média da

relação H/L para o grupo exposto aos carrapatos infectados foi 1,50 ± 0,95, com uma variação de 0,22 a 2,73 em oito DPE. O aumento destas taxas no grupo 1, demonstrado no Gráfico 12, ocorreu como resultado de uma marcada heterofilia e uma pequena diminuição dos valores de linfócitos sem diferir do grupo controle. Em 18 DPE ocorreu uma diminuição da média da proporção H/L do grupo 1 em decorrência da linfocitose, que segundo Jain (1986), possui uma correlação negativa com esta taxa.

No presente trabalho, o aumento da relação H/L teve uma correlação significativa e positiva com a heterofilia com a monocitose e com a leucocitose e, possivelmente com o aumento nas proteínas plasmáticas (Anexo VIII).

Noriega (2000) relatou que na maioria das espécies aviárias, a percentagem de linfócitos é maior do que qualquer outro elemento celular, compreendendo entre 40 a 70% das contagens totais, sendo os heterófilos o segundo grupo.

O aumento nas taxas de H/L durante os primeiros estágios de inflamação foram o resultado primário do desenvolvimento de heterofilia. Jain (1986) recomendou que ao interpretar taxas de H/L, deve-se lembrar que taxas aumentadas também podem resultar de linfopenia quando as contagens de heterófilos permanecem dentro dos intervalos de referência, o que não ocorreu no presente experimento.

As contagens de eosinófilos não diferiram da normalidade. Ocorreu uma diferença significativa (p < 0,05) entre as contagens de eosinófilos dos três grupos, apenas em três DPE (Gráfico 13). Este fato pode ter ocorrido devido à pequena quantidade normal destas células no sangue.

Os resultados gerais obtidos para o leucograma, corroboram com os resultados descritos por Boero (1967).

Tabela 4. Variáveis observadas no hemograma de Gallus gallus. Grupo 3 (aves não expostas a Argas miniatus), Grupo 2 (aves expostas a

Argas miniatus livres de Borrelia anserina) e Grupo 1 (aves expostas a Argas miniatus infectados com Borrelia anserina) três dias antes da

exposição aos carrapatos.

Variáveis Grupo 3 Grupo 2 Grupo 1

Inf* Sup** Média*** Inf* Sup** Média*** Inf* Sup** Média*** Eritrócitos (x 106/µL) 1,8 2,7 2,2 ± 0,3 1,5 2,8 2,1 ± 0,5 1,7 3,0 2,3 ± 0,4 VG (%) 29,0 35,0 31,0 ± 1,9 25,0 34,0 29,0 ± 2,8 27,0 32,0 29,0 ± 1,4 VGM (fl) 118,52 166,67 143,98 ± 13,8 110,71 206,67 144,26 ± 30,6 100,00 177,78 131,13 ± 26,0 CHGM (%) 19,67 44,84 30,46 ± 8,4 26,43 56,67 35,56 ± 10,9 25,19 30,67 27,53 ± 1,8 Hemoglobina (g/dL) 5,9 13,9 9,4 ± 2,8 7,4 15,3 10,2 ± 2,9 6,8 9,2 8,1 ± 0,7 Trombócitos (x 103/µL) 12,0 45,2 37,1 ± 10,9 8,6 49,6 35,3 ± 12,3 7,8 41,6 32,5 ± 10,3 PPT (g/dl) 3,4 4,2 3,7 ± 0,3 3,4 5,0 4,0 ± 0,5 3,6 5,0 4,0 ± 0,5 Fibrinogênio 200 600 400 ± 132,3 200 500 311 ± 105,4 200 600 311 ± 145,3

Tabela 5. Variáveis observadas no leucograma de Gallus gallus. Grupo 3 (aves não expostas a Argas miniatus), Grupo 2 (aves expostas a

Argas miniatus livres de Borrelia anserina) e Grupo 1 (aves expostas a Argas miniatus infectados com Borrelia anserina) três dias antes da

exposição aos carrapatos.

Variáveis Grupo 3 Grupo 2 Grupo 1

(x 103) Inf* Sup** Média*** Inf* Sup** Média*** Inf* Sup** Média***

Leucócitos 14,000 26,000 19,733 ± 4,6 8,200 27,400 17,044 ± 6,3 12,600 28,400 20,200 ± 5,2 Linfócitos 6,15 18,46 10,68 ± 4,2 5,248 11,8 9,06 ± 2,0 4,536 20,448 13,10 ± 4,7 Heterófilos imaturos 0,00 0,00 0,00 ± 0,0 0,00 0,00 0,00 ± 0,0 0,00 0,00 0,00 ± 0,0 Heterófilos maduros 3,358 8,064 6,21 ± 1,5 0,88 16,044 5,77 ± 4,8 1,992 5,472 3,42 ± 1,2 Monócitos 1,68 3,366 2,67 ± 0,6 0,924 11,842 3,29 ± 3,5 1,914 4,828 3,43 ± 0,9 Eosinófilos 0,00 0,99 0,17 ± 0,3 0,00 0,616 0,14 ± 0,2 0,00 0,664 0,22 ± 0,3 Basófilos 0,00 0,00 0,00 ± 0,0 0,00 0,00 0,00 ± 0,0 0,00 0,00 0,00 ± 0,0

Tabela 6. Variáveis observadas no hemograma de Gallus gallus. Grupo 3 (aves não expostas a Argas miniatus), Grupo 2 (aves expostas a

Argas miniatus livres de Borrelia anserina) e Grupo 1 (aves expostas a Argas miniatus infectados com Borrelia anserina) três dias após a

exposição aos carrapatos.

Variáveis Grupo 3 Grupo 2 Grupo 1

Inf* Sup** Média*** Inf* Sup** Média*** Inf* Sup** Média*** Eritrócitos (x 106/µL) 1,6 2,5 2,2 ± 0,3 1,6 2,6 2,1 ± 0,4 1,6 2,6 2,1 ± 0,4 VG (%) 26,0 32,0 28,0 ± 2,0 25,0 30,0 28,0 ± 1,6 24,0 37,0 28,0 ± 4,0 VGM (fl) 108,00 162,50 129,49 ± 19,9 111,54 162,50 136,18 ± 22,0 92,31 217,65 140,64 ± 36,5 CHGM (%) 28,33 35,38 31,7 ± 2,7 30,00 36,00 31,76 ± 1,8 22,97 35,42 30,51 ± 4,2 Hemoglobina (g/dL) 8,1 9,3 8,8 ± 0,4 8,0 9,2 8,9 ± 0,4 7,3 9,4 8,5 ± 0,6 Trombócitos (x 103/µL) 14,8 72,0 46,5 ± 15,4 34,2 62,2 44,7 ± 9,1 26,0 50,0 38,8 ± 9,2 PPT (g/dl) 3,2 3,6 3,44 ± 0,2 3,2 5,2 3,8 ± 0,6 3,4 4,6 3,9 ± 0,4 Fibrinogênio 200 600 311 ± 145,3 200 600 311 ± 145,3 200 600 422 ± 120,2

Tabela 7. Variáveis observadas no leucograma de Gallus gallus. Grupo 3 (aves não expostas a Argas miniatus), Grupo 2 (aves expostas a

Argas miniatus livres de Borrelia anserina) e Grupo 1 (aves expostas a Argas miniatus infectados com Borrelia anserina) três dias após a

exposição aos carrapatos.

Variáveis Grupo 3 Grupo 2 Grupo 1

(x 103) Inf* Sup** Média*** Inf* Sup** Média*** Inf* Sup** Média***

Leucócitos 12,600 34,400 21,644 ± 7,2 14,800 30,000 19,822 ± 5,5 20,800 37,600 27,933 ± 5,7 Linfócitos 5,61 20,984 12,52 ± 4,9 5,772 16,728 11,37 ± 3,5 12,272 23,04 16,42 ± 3,7 Heterófilos imaturos 0,00 0,696 0,25 ± 0,3 0,00 0,26 0,03 ± 0,1 0,00 0,568 0,23 ± 0,2 Heterófilos maduros 2,016 7,48 4,51 ± 1,8 2,064 11,7 5,69 ± 3,0 3,276 11,28 6,85 ± 2,6 Monócitos 0,664 5,848 2,47 ± 1,8 0,74 9,3 2,66 ± 2,6 1,45 5,64 3,37 ± 1,2 Eosinófilos 0,00 0,882 0,55 ± 0,4 0,00 0,52 0,08 ± 0,2 0,272 1,856 1,07 ± 0,5 Basófilos 0,00 0,00 0,00 ± 0,0 0,00 0,00 0,00 ± 0,0 0,00 0,00 0,00 ± 0,0

Tabela 8. Variáveis observadas no hemograma de Gallus gallus. Grupo 3 (aves não expostas a Argas miniatus), Grupo 2 (aves expostas a

Argas miniatus livres de Borrelia anserina) e Grupo 1 (aves expostas a Argas miniatus infectados com Borrelia anserina) oito dias após a

exposição aos carrapatos.

Variáveis Grupo 3 Grupo 2 Grupo 1

Inf* Sup** Média*** Inf* Sup** Média*** Inf* Sup** Média*** Eritrócitos (x 106/µL) 1,8 3,7 2,3 ± 0,6 1,8 2,6 2,2 ± 0,3 1,2 2,1 1,8 ± 0,3 VG (%) 26,0 37,0 29,0 ± 3,4 29,0 40,0 31,0 ± 3,5 20,0 31,0 26,0 ± 3,4 VGM (fl) 75,68 176,19 135,51 ± 31,2 119,23 161,11 144,77 ± 12,7 126,32 166,67 145,29 ± 15,6 CHGM (%) 22,70 32,59 29,06 ± 3,1 24,50 29,67 28,03 ± 1,5 23,21 30,83 26,87 ± 2,6 Hemoglobina (g/dL) 7,6 9,0 8,4 ± 0,5 8,0 9,8 8,7 ± 0,6 5,1 8,2 7,0 ± 0,9 Trombócitos (x 103/µL) 32,0 51,8 42,2 ± 8,4 40,2 62,8 48,6 ± 5,9 24,6 44,4 36,0 ± 6,7 PPT (g/dl) 3,2 4,0 3,7 ± 0,3 3,0 5,2 3,8 ± 0,7 3,8 5,8 4,7 ± 0,6 Fibrinogênio 200 600 333 ± 141,4 200 600 356 ± 166,7 200 800 444 ± 194,4

Tabela 9. Variáveis observadas no leucograma de Gallus gallus. Grupo 3 (aves não expostas a Argas miniatus), Grupo 2 (aves expostas a

Argas miniatus livres de Borrelia anserina) e Grupo 1 (aves expostas a Argas miniatus infectados com Borrelia anserina) oito dias após a

exposição aos carrapatos.

Variáveis Grupo 3 Grupo 2 Grupo 1

(x 103) Inf* Sup** Média*** Inf* Sup** Média*** Inf* Sup** Média***

Leucócitos 14,000 33,000 22,156 ± 6,2 8,800 24,000 16,644 ± 4,7 18,600 49,800 34,311 ± 8,5 Linfócitos 5,04 17,88 11,15 ± 4,3 5,808 12,416 9,33 ± 2,2 4,092 26,268 12,48 ± 6,4 Heterófilos imaturos 0,00 0,00 0,00 ± 0,0 0,00 0,00 0,00 ± 0,0 0,00 0,00 0,00 ± 0,0 Heterófilos maduros 2,12 13,5 6,79 ± 3,5 1,848 12,24 4,92 ± 3,2 5,97 29,88 14,53 ± 7,5 Monócitos 1,5 5,94 3,05 ± 1,5 0,498 5,28 2,36 ± 1,5 2,952 11,02 7,22 ± 2,7 Eosinófilos 0,00 0,25 0,06 ± 0,1 0,00 0,224 0,04 ± 0,1 0,00 0,398 0,08 ± 0,2 Basófilos 0,00 0,00 0,00 ± 0,0 0,00 0,00 0,00 ± 0,0 0,00 0,00 0,00 ± 0,0

Tabela 10. Variáveis observadas no hemograma de Gallus gallus. Grupo 3 (aves não expostas a Argas miniatus), Grupo 2 (aves expostas a

Argas miniatus livres de Borrelia anserina) e Grupo 1 (aves expostas a Argas miniatus infectados com Borrelia anserina) 18 dias após a

exposição aos carrapatos.

Variáveis Grupo 3 Grupo2 Grupo 1

Inf* Sup** Média*** Inf* Sup** Média*** Inf* Sup** Média*** Eritrócitos (x 106/µL) 1,7 2,9 2,3 ± 0,4 2,0 3,4 2,5 ± 0,4 1,6 2,6 1,9 ± 0,3 VG (%) 27,0 31,0 29,0 ± 1,4 26,0 36,0 31,8 ± 3,4 28,0 32,0 30,0 ± 1,1 VGM (fl) 96,43 164,71 131,58 ± 22,5 100,00 154,55 127,43 ± 17,5 123,08 193,75 157, 48 ± 23,0 CHGM (%) 25,81 32,41 29,32 ± 2,1 22,06 34,64 27,62 ± 3,9 18,33 34,64 25,07 ± 4,6 Hemoglobina (g/dL) 7,7 9,4 8,6 ± 0,6 6,4 10,1 8,8 ± 1,4 5,5 9,7 7,5 ± 1,2 Trombócitos (x 103/µL) 15,0 43,6 28,6 ± 10,9 24,0 54,0 41,0 ± 9,5 27,2 72,6 47,40 ± 14,3 PPT (g/dl) 3,6 4,2 3,8 ± 0,2 3,2 5,0 3,9 ± 0,6 3,4 5,4 4,5 ± 0,7 Fibrinogênio 200 600 356 ± 166,7 200 200 200 ± 0,0 200 800 444 ± 218,6

Tabela 11. Variáveis observadas no leucograma de Gallus gallus. Grupo 3 (aves não expostas a Argas miniatus), Grupo 2 (aves expostas a

Argas miniatus livres de Borrelia anserina) e Grupo 1 (aves expostas a Argas miniatus infectados com Borrelia anserina) 18 dias após a

exposição aos carrapatos.

Variáveis Grupo 3 Grupo 2 Grupo 1

(x 103) Inf* Sup** Média*** Inf* Sup** Média*** Inf* Sup** Média***

No documento Download/Open (páginas 33-70)

Documentos relacionados