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4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

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4.1 Primeira Fase

Nesta fase procurou-se avaliar a percepção dos alunos em relação aos impactos ambientais provenientes da atividade do setor de suinocultura do CEFET – JANUÁRIA - MG.

4.1.1 Avaliação – Respostas dos alunos no que se refere aos impactos ambientais positivos e negativos oriundos da atividade da suinocultura do CEFET – JANUÁRIA - MG.

A avaliação descritiva dos aspectos negativos causados pelas atividades do setor de suinocultura na área do CEFET – JANUÁRIA - MG, obtida através da aplicação de questionário na primeira fase está relacionada na tabela 05.

Quanto à aplicação do questionário dos alunos, num primeiro momento, foi possível verificar que existia, uma uniformidade de opiniões sobre a importância da conservação do meio ambiente, mas ainda se apresentam com um baixo nível de percepção em relação aos problemas causados pelo acúmulo de dejetos não tratados e lançados diretamente ao meio ambiente.

Os pontos mais abordados, pela maior parte dos alunos foram as questões que envolviam a falta de uma infra-estrutura adequada para a criação dos animais, como por exemplo, as instalações muito antigas, que não condizem com a legislação ambiental vigente, bem como a ausência de um reservatório para o recebimento e estocagem dos dejetos suínos. Outro aspecto descrito foi à forma como são conduzidas as lavagens das baias, causando assim o desperdício de um grande volume de água e, conseqüentemente, um aumento considerável da quantidade de dejetos líquidos produzidos por dia, na atividade de suinocultura do CEFET – JANUÁRIA - MG.

TABELA 05: Percepção dos pontos negativos identificados pelos alunos na avaliação

descritiva no setor de suinocultura do CEFET – JANUÁRIA - MG.

Item Percepção dos pontos negativos identificados

Quantidade de alunos

Porcentagem (%) 1 Poluição ambiental pelo

lançamento de dejetos ao ar livre

10 50

2 Mau cheiro 01 5

3 Falta de tratamento dos dejetos gerados pelo setor

04 20

4 Falta de reaproveitamento dos dejetos gerados pelo setor

01 5

5 Não soube detectar o impacto ambiental gerado

04 20

6 Outros (estresse animal, proximidade a outros setores)

02 10

*Em universo amostral de 20 alunos

Nota-se, por exemplo, que no universo de alunos pesquisados, num total de 20 pessoas, somente 04 alunos (20%) perceberam a falta de tratamento desses dejetos e apenas 01 aluno (5%) observou que no setor de suinocultura do CEFET – JANUÁRIA - MG esses dejetos não são reaproveitados. Foi notado também que uma grande porcentagem dos alunos (50%) percebeu a grande poluição ambiental, causada pelo lançamento dos dejetos numa área a céu aberto, dentro da instituição.

4.2 Segunda Fase

Nessa fase foram registradas várias atividades, como as visitas feitas às granjas de pequenos produtores de suínos, que mantém seus animais num sistema de criação, diferente do sistema adotado no CEFET - JANUÁRIA – MG. Foi realizada a análise da qualidade físico-quimica e bacteriológica da água, tendo como pontos de coletas, a fase de gestação e terminação do setor de suinocultura.

4.2.1 Identificação dos impactos ambientais no setor da suinocultura do CEFET – JANUÁRIA – MG e granjas dos pequenos produtores.

Seguem alguns dos impactos ambientais identificados, através do método de listagem de controle (check list) causados pelos dejetos da suinocultura, apresentados na tabela 06, a seguir.

TABELA 06: Impactos Ambientais Identificados.

Impactos negativos gerados pelo acúmulo de dejetos de suínos 1. contaminação das águas superficiais e subsuperficiais 2. contaminação do solo

3. mau cheiro

4. proliferação de moscas e borrachudos

5. acúmulo de água pluviais nos dejetos (edificações antigas) 6. transmissão de doenças infecciosas

7. acréscimo da quantidade de dejetos pela adição de água na higienização

Alguns dos impactos identificados dentro do setor de suinocultura do CEFET – JANUÁRIA – MG estão ilustrados nas figuras 20, 21, 22 e 23.

FIGURA 20: edificações muito antigas

trazendo como conseqüência o acúmulo de águas pluviais.

FIGURA 21: grande desperdício de

FIGURA 22: dejetos lançados a céu aberto. .

A figura 20 ilustra uma construção muito antiga, onde não se visava ainda as normas de vigilância ambiental. A figura 21 retrata o grande volume de água desperdiçada na higienização das baias, fato que leva ao acréscimo da quantidade de dejetos líquidos. Na figura 22 mostra os dejetos que são lançados a céu aberto, causando, como produto final, a formação de um lago, criado pelo represamento da água residuária da suinocultura, conforme ilustrado na figura 23.

4.2.2 Caracterização dos dejetos, obtidos através de análises físico-química e bacteriológica da água.

Os resultados obtidos nas análises físico-química e bacteriológica da água, conforme legislações ambientais, regidas pela Resolução do Conama nº 357/2005, que faz a classificação e diretrizes ambientais para o enquadramento dos corpos de águas doces, bem como condições e padrões de lançamento de efluentes, estão expressos nas tabelas 08 e 09 a seguir.

FIGURA 23: lagoa de armazenamento

de dejetos sem revestimento, causando contaminação do solo e lençol freático.

TABELA 07. – Resultado da análise da água obtida nos pontos de coletas para coleções

de águas doces classe 3.

Resultado da Amostra Análises A B C Padrão de qualidade DBO5 (mg.L-1) 1.817 1.749 2.046 10 mg.L-1 O.D (mg.L-1) 0,2 0,01 0,12 >4 mg.L-1 pH 7,7 6,72 8,06 5,0 – 9,0 Coliformes termotolerantes (NMP/100ml) 2.814 2.540 4.350 4.000 NMP* Sólidos totais 39.700 49.200 41.500 ausente Nota: A – após lavagem da baia na fase de gestação B – após lavagem da baia na fase

de terminação C – após o lançamento de todo a quantidade de dejetos na “lagoa” * índice válido para irrigação de culturas arbóreas, cerealíferas e forrageiras.

Os resultados das análises físico-químicas e dos parâmetros que definem a qualidade da água nas instalações do setor de suinocultura do CEFET – Januária – MG mostraram uma realidade imaginada, antes mesmo do início da pesquisa.

A princípio, já se acreditava que as atividades praticadas neste setor seriam desencadeadoras de processos que conduziriam a níveis bastante elevados de poluição das águas, do solo e do ar. Os resultados, comentados a seguir, ilustram a real situação encontrada.

Com relação às análises nota-se que:

A demanda bioquímica de oxigênio (DBO5), nas amostras analisadas,

encontram-se demasiadamente elevadas, em relação ao nível máximo permitido, conforme mostra o cap. IV da Resolução nº. 357, de 17 de março de 2005, do CONAMA, que estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes.

A Resolução fixa um limite máximo, para esse parâmetro, nas coleções de águas doces pertencentes à classe 3, o valor de até 10 mg.L-1. Portanto os valores encontrados são indicadores de um elevado grau de poluição orgânica.

Da mesma forma, a quantidade de Oxigênio dissolvido nos pontos de coletas A, B e C retrata a conseqüente poluição dos corpos de água, causada pelo despejo de produtos orgânicos sem um prévio tratamento. A Resolução CONAMA nº 357, de 17 de março de 2005, em seu art. 24 do capítulo IV, determina que os efluentes de qualquer fonte poluidora somente poderão ser lançados, direta ou indiretamente, nos corpos de água, após o devido tratamento e, desde que obedeçam às condições, padrões e

um limite para esse parâmetro nas coleções de águas doces pertencentes à classe 3, um valor não inferior a 4 mg.L-1, pois caso contrário não haveria a possibilidade de sobrevivência de seres aquáticos aeróbios. Portanto os valores encontrados de 0,2 mg.L-1, 0,01 mg.L-1, e 0,12 mg.L-1, respectivamente nos pontos de coleta A, B e C, chegando a índices próximos de ausência total de oxigênio, estão fora dos padrões de sobrevivência para os seres vivos da fauna aquática, pois com a falta do oxigênio, as condições anaeróbias de vida passam a predominar e com elas a geração de maus odores no ambiente.

O potencial hidrogeniônico (pH), parâmetro que indica a acidez ou alcalinidade de uma solução, nas amostras analisadas, mantiveram-se dentro dos padrões de lançamento estabelecidos pela Resolução CONAMA nº 357, de 17 de março de 2005. A Resolução fixa um limite entre 5,0 e 9,0 e os valores encontrados foram, respectivamente de 7,7, 6,72 e 8,06. A amostra analisada no ponto de coleta C apresenta-se com um pH um pouco mais alcalino, em relação aos pontos de coleta A e B. Esse índice é justificado, possivelmente, pela grande concentração de algas, existentes na lagoa, pois, é sabido que, as algas ao realizarem a fotossíntese, retiram grande parte do gás carbônico da água, que á principal fonte de acidez da mesma.

A quantidade de coliformes termotolerantes obtidos nas amostras analisadas, no ponto de coleta A e B, mantiveram-se dentro dos padrões estabelecidos pela Resolução CONAMA nº 357, de 17 de março de 2005, visto que, nela, o limite para o uso, com fins de irrigação de culturas arbóreas, cerealíferas e forrageiras não deve ultrapassar o valor de 4.000 por 100 mililitros da amostra. Entretanto, no ponto de coleta C, a amostra analisada apresenta-se acima do índice máximo permitido, com um valor de 4.350, comprovando, dessa maneira, que a água residuária da suinocultura encontra-se altamente poluída e imprópria, até mesmo para irrigação de hortaliças.

De acordo com Seganfredo et al. 2004, citado por Nogueira et al. 2006, em um dos seus trabalhos, onde analisava as águas de quatro rios de regiões suinículas de Jaborá, SC, em três amostragens, em pelo menos uma delas, foram encontrados valores excessivos, em 93% das amostras para coliformes totais e, em 87% para coliformes termo tolerantes. Assim pôde-se afirmar que os dejetos suínos não foram as únicas fontes de contaminação dos rios do meio rural, mas o seu uso como fertilizante do solo representou um risco de poluição microbiana das águas.

Os índices de sólidos totais encontrados, nas amostras analisadas, ultrapassam em demasia o limite máximo permitido, visto que a Resolução do Conama nº 357/2005, defina que, para o lançamento em lagos e lagoas, cuja a velocidade de circulação seja praticamente nula, os materiais sedimentáveis deveriam ser virtualmente ausentes. As amostras coletadas evidenciam, sobremaneira, valores altos, que refletem nitidamente o alto grau de degradação ambiental, advinda de uma prática suinícula, sem um prévio tratamento dos seu efluentes.

TABELA 08: Resultado da amostra coletada após a lavagem das baias na fase de

terminação. Análises Amostra B N total (mgL-1) 2.021 P total (mgL-1) 338 Ktotal (mgL-1) 275 Na total (mgL-1) 71 Mg total (mgL-1) 9,3 Fe total (mgL-1) 0,0 Cu total (mgL-1) 3,1 Zn total (mgL-1) 4,3 Mn total (mgL-1) 0,4 Cd total (mgL-1) 0,0 Pb total (mgL-1) 1,2

A eleição da fase de terminação como ponto de coleta para uma analise físico- quimica desses dejetos foi justificada pela grande quantidade de água utilizada na limpeza das baias na área da suinocultura do CEFET – JANUÁRIA – MG.

Analisando a tabela 08, têm-se as seguintes conclusões:

Os resultados obtidos após a lavagem das baias no ponto de coleta B mostram um percentual elevado de alguns dos metais pesados encontrados nos dejetos de suinos, como o chumbo, o cobre e o zinco. Já o manganês e o cádmio, na amostra analisada, não foram detectados.

Os metais pesados como o cobre e o zinco são elementos que devem estar presentes nas rações dos suínos, pois auxiliam no seu crescimento. (USDA/USEPA, 1999, citado por KUNZ, 2005).

De acordo com Perdomo et al, 2001, a indústria de ração para suínos costuma usar doses elevadas de Zn (3.000 ppm) para a prevenção de diarréias na ração de leitões e de Cu (250 ppm) como estimulante do crescimento.

Portanto, como os níveis dos micronutrientes zinco e cobre encontram-se elevados, esses metais pesados terão seu uso limitado no solo, para adubação de culturas.

De acordo com Zamparetti et al (2004), para uma utilização adequada dos dejetos como fertilizante, com o risco mínimo de poluição, não basta apenas levar em conta a sua composição. Faz-se também necessário um estudo adequado do solo, envolvendo análises físico químicas, para ver a sua composição, a determinação de sua classe de uso e aptidão e a necessidade nutricional da cultura que será implantada.

Com relação ao alto índice de Sódio(Na) obtido na amostra, Diesel et al, 2002 relata que a redução nos níveis de NaCl (cloreto de sódio) fornecidos na dieta, de maneira a atender apenas os níveis exigidos, reduzirá o Na e o Cl excretados, ao mesmo tempo que haverá uma utilização racional da água e menor volume de dejetos produzidos. O emprego da técnica de restrição alimentar, em suínos em terminação, reduz o volume de fezes produzido, bem como a excreção diária de fósforo, nitrogênio e outros minerais.

Analisando a quantidade de nitrogênio total encontrado na amostra “B” de 2.021 mg.L-1 e, levando-se em conta que o N disponível nos dejetos suínos, segundo Zamparetti et al. 2004, é utilizado como critério para a aplicação de esterco no solo porque são mais viáveis economicamente, e menos poluentes que os adubos nitrogenados, toma-se, então como exemplo uma cultura de milho.

Assim, para se adicionar uma concentração de 50 Kg.ha-1 de nitrogênio no solo, numa área de 01 hectare da cultura, sabendo-se que esse valor é a quantidade indicada de dejetos a ser adicionado no solo, será necessário um volume de 24.740 litros de dejetos de suínos. No entanto para se completar o valor recomendado para a cultura, que é de 140 Kg.ha-1, será necessário, segundo Seganfredo, 2004, uma suplementação através de fertilizante químico a base de uréia. Com esse procedimento, a produtividade do milho será semelhante á do fertilizante N-P-K e, embora o P se mostre insuficiente, os demais nutrientes do solo se mostrarão similares ao fertilizante químico. Dessa forma, embora a dose de dejetos seja de 1/3 daquela recomendada para suprir a demanda de Nitrogênio integralmente através dos dejetos, as quantidades de Cu e Zn

adicionadas ainda estão acima da capacidade de extração da cultura (SEGANFREDO, 2004).

4.3 Terceira Fase

Após a reavaliação, notou-se um avanço considerável no desempenho dos alunos envolvidos na pesquisa, com relação aos impactos ambientais causados pela suinocultura, como se pode perceber nos resultados apresentados na tabela 09.

TABELA 09: Respostas do questionário aplicado aos alunos com relação aos impactos

causados pela suinocultura.

Item Aspecto ambiental identificados Quantidade de alunos

Porcentagem (%) 1 Poluição ambiental pelo

lançamento de dejetos ao ar livre

18 90

2 Mau cheiro 13 65

3 Falta de tratamento dos dejetos gerado pelo setor

15 75

4 Falta de reaproveitamento dos dejetos gerado pelo setor

12 60

5 Desperdício de ração e de água na limpeza

11 55

6 Proliferação de moscas e doenças 10 50

7 Telhado sem proteção para água da chuva

04 20

8 Contaminação do lençol freático 10 50

9 Reconhece que os dejetos de suinos causam algum tipo de impacto

20 100

Observa-se que dentre os 20 alunos envolvidos na pesquisa, 15 alunos notaram a falta de tratamento dos dejetos; 12 alunos reconheceram a necessidade de reaproveitamento dos dejetos. Portanto, a percepção desses alunos, após aplicação do segundo questionário, foi notadamente superior em relação ao primeiro questionário, visto que todos os alunos pesquisados responderam e justificaram que a prática inadequada na criação d suinos gera algum tipo de impacto ao meio ambiente.

Os resultados analisados da terceira fase foram comparados com aqueles obtidos na primeira fase e tabulados, conforme mostra a tabela 10.

TABELA 10: Comparação entre os aspectos ambientais identificados pelos alunos na

primeira e segunda entrevista.

Item Aspecto Ambiental Identificado Número de Alunos Fase 01 Fase 03 1 Poluição ambiental pelo

lançamento de dejetos ao ar livre

10 18

2 Mau cheiro 01 13

3 Falta de tratamento dos dejetos gerado pelo setor

04 15

4 Falta de reaproveitamento dos dejetos gerado pelo setor

01 12

5 Desperdício de ração e de água na limpeza

00 11

6 Proliferação de moscas e doenças 00 10

7 Telhado sem proteção para água da chuva

00 04

8 Contaminação do lençol freático 00 10

9 Reconhece que os dejetos de suinos causam algum tipo de impacto

00 20

Os resultados obtidos foram levados à sala de aula e apresentados aos alunos, através de recursos de multimídia, conforme ilustra a figura 24.

Azul: primeira fase Violeta: terceira fase

0 5 10 15 20 25 A B C D E F G H I

FIGURA 24: Ilustração gráfica comparativa entre os aspectos ambientais identificados pelos alunos na primeira e segunda entrevista.

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