• Nenhum resultado encontrado

RESULTADOS E DISCUSSÃO

No documento FACULDADE ASSIS GURGACZ (páginas 34-43)

Peso médio

Na tabela IIsão apresentados os resultados de peso médio dos comprimidos produzidos.

Tabela II: Peso médio, desvio padrão e coeficiente de variação.

Avaliações Formulação 1 Formulação 2 Formulação 3

Peso médio 339,5 267,5 293,5

Desvio padrão 8,31 7,06 19,72

Coeficiente de variação

2,44 2,64 6,722

A Farmacopéia Brasileira 5o edição (2010) preconiza que os comprimidos que tiverem peso acima de 250mg tenham a variação limite de ± 5,0% do seu peso médio, a formulação3 está fora das especificações estabelecidas.

y = 179,02x + 0,0214 R² = 1 0 0,2 0,4 0,6 0,8 1 1,2 1,4 1,6 0 0,002 0,004 0,006 0,008 0,01 Abso rb ân cia Concentração

É de suma importância o controle de qualidade, tanto na produção quanto na manutenção do maquinário, pois pode haver uma sequência de erros, causando uma perca tanto de material quanto de tempo.

Segundo Moises (2006) o peso do comprimido garante ao produto a dose terapêutica e, portanto, a sua eficácia no tratamento.

Em um estudo sobre avaliação da qualidade e perfil de dissolução de comprimidos de cloridrato de propranolol, Rigobello et.al.(2013), comparou o peso médio de comprimidos de referência, similares e genéricos sendo 2 de cada, percebendo entre eles uma diferença significativa, sendo que um de referência teve variação de 1,14% e outro de 4,26%. Demonstrando assim que mesmo em grandes indústrias há uma variação no peso médio.

No estudo de Bianchin et.al.(2012), sobre a avaliação da qualidade de comprimidos de propranolol e enalapril distribuídos no sistema público de saúde em uma cidade do sul do Brasil, foram avaliados o peso médio de cinco laboratórios que produzem o propranolol e apenas um foi reprovado.

Dureza

Em seguida foi realizado o teste de dureza, com os seguintes resultados expressos em KgF.

Tabela III: Dureza.

Dureza Formulação 1 Formulação 2 Formulação 3

Média (KgF) 24,9 6,8 10,9

Desvio padrão 1,91 2,23 2,76

A determinação da dureza de um comprimido avalia a sua resistência à quebra. Do ponto de vista tecnológico, trata-se de uma avaliação indireta do grau de consolidação dos comprimidos (LACHMAN; et.al, 2001).

Foi estabelecido pelos autores, baseados em algumas literaturas, que a dureza deveria ser maior que 20 KgF. A Farmacopéia Brasileira 4 ed. (1988) determina o limite mínimo de 3,0 kgf para dureza média de comprimidos, assim, percebe se também que o valor estabelecido pelos autores fica dentro das legislações estabelecidas.

No caso do comprimido matricial de liberação controlada, quanto maior a sua dureza menor será a porosidade que o comprimido vai apresentar e, consequentemente, mais dificuldade terá o liquido de dissolução em penetrar na matriz e mais lenta será a libertação do fármaco.

Assim percebe-se que apenas a formulação 1 atendeu as especificação. Este resultado teve uma grande variação, pois a máquina de compressão não alcançava a dureza desejada, assim todo o processo foi realizado manualmente, ou seja a força exercida não era igual para todos.

Perfil de dissolução

Na tabela IV são apresentados resultados das médias dos teores de principio ativo das 3 formulações.

Tabela IV: Média dos teores das formulações 1, 2 e 3 expressas em porcentagem(%). Tempo Formulação 1 Formulação 2 Formulação 3

0,5 30,57 101,56 112,09 1 44,15 106,65 117,52 1,5 62,83 109,71 127,71 2 76,08 113,11 122,96 2,5 81,86 112,09 126,01 3 88,99 109,03 130,43 3,5 97,82 111,75 126,01 4 102,58 115,48 123,98 4,5 101,22 115,48 122,96 5 116,84 113,11 121,26 6 123,89 111,75 119,56 7 123,64 124,66 120,24 8 105,63 128,37 117,18 9 109,71 112,42 116,84 10 111,41 111,41 122,28 11 114,13 114,81 12 116,84 114,81

GRÁFICO II: Média dos teores das formulações 1, 2 e 3 expressas em porcentagem

A taxa e o alcance de dissolução do fármaco são influenciados por várias características da formulação e/ou da forma farmacêutica, entre elas: tamanho e forma das partículas, quantidade e características dos agentes agregantes, desintegrantes e lubrificantes, tempos de mistura, uniformidade e umidade dos pós e grânulos (LIMA et al., 2005).

A farmacopéia Brasileira 5ª ed.(2010) especifica que a tolerância do teor de cloridrato de propranolol é de 75%. O critério de aceitação para este teste determina que o produto pode ser aprovado no Estágio 1 se todas unidades apresentarem porcentagem dissolvida no meio de dissolução no tempo de 30 min. Neste caso este parâmetro é utilizado para comprimidos de liberação imediata. Para o de liberação controlada busca se retardar o tempo de liberação do fármaco.

Como é possível visualizar na tabela e no gráfico, apenas se conseguiu retardar a liberação na formulação 1, por ser a única com a dureza especificada. Assim pode se afirmar que a dureza está totalmente ligada à dissolução.

Em um estudo realizado pela BASF (2007) comparando comprimidos de propranolol utilizando o Kollicoat SR30 D em proporções de 20% e 30%, utilizando os mesmos componentes da formulação deste presente trabalho, foi avaliado o perfil de dissolução das

0 20 40 60 80 100 120 140 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 CONC E NTRA ÇÃ O % TEMPO Formulação 1 Formulação 2 Formulação 3

duas formulações em 24 horas, obteve o resultado que em 20 horas a formulação que obtinha 20% liberou 100% do seu principio ativo e a formula 2 com 30% demorou mais de 24 horas, concluindo se assim que à concentração ideal de Kollicoat deveria ser 25%.

Já no estudo de Rigobello et.al.(2013), que avaliou a qualidade e perfil de dissolução de comprimidos de cloridrato de propranolol, as 6 formulações testadas atenderam as limites especificados, mesmo assim apontaram diferenças entre lotes para os medicamentos referência genérico e similar, podendo sugerir que o processo produtivo não é constante.

A comparação de perfis é útil para se conhecer o comportamento de medicamentos antes de submetê-los ao estudo de bioequivalência e é obrigatório para solicitação de registro de produtos.

CONCLUSÃO

Conclui-se que a acetato polivinílico na concentração de 20 % reduziu a liberação do ativo e proporcionando uma liberação controlada por um período de 4 horas.

Estudos complementares devem ser realizados com o intuito de definir uma concentração de acetato polivinílico e uma metodologia de produção que sustente por a liberação de propranolol por um período maior de tempo.

ABSTRACT: An ideal drug treatment is one that assigns safety and efficacy in the reduction of adverse effects and the achievement of the desired therapeutic outcome after administration. The controlled release medicament aims: to make gastroresistant pharmaceutical form, prolong the therapeutic effect, releasing the drug at a specific site of the gastrointestinal tract, or after a defined period of time, thus consequently decreasing the daily dosage. This study aimed to produce and test formulations of propranolol hydrochloride tablets using the Kollicoat SR 30 D polymer and make the dissolution profile of the tablets. Were produced 3 formulations with concentrations of 20%, 15% and 10% Kollicoat SR 30 D and conducted to test the average weight, hardness and dissolution profile. In the dissolution profile of formulation 1 100% of the drug released after 4 hours, because the formulation 2 e 3 released in the first 30 minutes. So just the first formulation met the expectations. It can be concluded that the amount of Kollicoat SR 30 D should be greater than 20% to achieve the desired effect.

REFERÊNCIAS

ALDERBORN, G. Comprimidos e compressão. In: AULTON, M. E. Delineamento de formas farmacêuticas.2.ed. Porto Alegre: Artmed, 2005. cap.27, p.403-443.

ANSEL, H. C., POPOVICH, N. G., ALLE N, L. V. Formas farmacêuticas com velocidade controlada e sistemas de liberação de fármacos. In: ______. Farmacotécnica: formas farmacêuticas e sistemas de liberação de fármacos.São Paulo: Premier, 2007. cap. 9, p. 283-300.

BASF. Kollicoat grades. Functional polymers for the pharmaceutical industry. 2007.

Disponível em: http://www.pharma-

ingredients.basf.com/Documents/ENP/Brochure/EN/Book%20-%20Kollicoat.pdf. Acesso

em: 09 junho de 2015 às 13horas.

BIANCHIN, M. D.; BLATT, C. R.; SOARES, A. S,; GUERREIRO, I. C. K.;Avaliação da qualidade de comprimidos de propranolol e enalapril distribuídos no sistema público de saúde em uma cidade do sul do Brasil. Faculdade de Farmácia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 2012.

COSTA, P.; LOBO, J. M. S. Formas farmacêuticas de liberação modificada. Rev. Port. Farm., Lisboa, v.49, n.4, p.181-190, 1999.Disponível em:

http://www.cff.org.br/sistemas/geral/revista/pdf/15/inf16a21.pdf. Acesso em: 02 nov 2014. FARMACOPÉIA BRASILEIRA, vol I e II – 4a edição. Brasília, 1988.

FARMACOPÉIA BRASILEIRA, vol I e II – 5a edição. Brasília, 2010.

FERREIRA, A. O., Guia prático de farmácia magistral. 4 ed., Vol 1 – São Paulo, Pharmabooks Editora, 2010.

GOODMAN, L. S.; GILMAN, A. As bases farmacológicas da terapêutica. 10. ed. Rio de Janeiro: McGraw Hill, 2001.

LACHMAN, L.; LIEBERMAN, H. A.; KANIE, J. L. Teoria e prática na indústria farmacêutica.Lisboa: Ed. Fundação Calouste Gulbenkia, 2001. v. II.

KUMAR, M. N. V. R.; DOMB, A. J. Controlled drug delivery. In: WNEK, G. E.; BOWLIN, G. L., (Eds.). Encyclopedia of biomaterials and biomedical engineering.New York: Marcel Dekker, 2004. v.1, p.467-477.

LEE, T. W.; ROBINSON, J. R. Controlled-release drugdelivery systems. In: GENARO, A. R. ed. Remington: the science and practice of pharmacy. 20.ed. Baltimore: Lippincott Williams & Wilkins, 2000. cap.47, p.903-929.

LIBERAL, J. P. M. Desenvolvimento e caracterização de comprimidos matriciais de dupla camada contendo paracetamol.Dissertação de mestrado. Universidade do Porto, 2008.

LIMA, A. C.; MICHELIN, D. C.; CRUZ, M. R.; SANTOS, M. R.; PAGANELLI, M. O.; IGNÁCIO, R. F.; CHAUD, M. V. Efeito da força de compressão e da umidade no perfil de dissolução de fármacos.Saúde em Revista, v. 7, n. 15, p. 39-43, 2005.

LIN, S.; LIN, K.; LI, M. Formulation design of double-layer in the outer shell of dry- coated tablet to modulate lag time and time-controlled dissolution function: studies on micronized ethylcellulose for dosage form design (VII). AAPS Journal, Arlington, v.6, n. 3, 2004. Disponível em: <http://www.aapsj.org>. Acesso em: 15/10/14

MOISES, R. P. Tecnologia de Produção de Comprimidos. Fármacos e Medicamentos, v. 7, n. 38, p. 38-46, 2006.

RIGOBELLO,C.; GASPARETTO, A. V.; DINIZ, A, RABITO, M. F.; NERY,M. M. F.; Avaliação da qualidade e perfil de dissolução de comprimidos de cloridrato de propranolol. Universidade Estadual de Londrina, 2013.

RODRIGUES, P. O.; STULZER, H. K.; CRUZ, A. P.; FOPPA, T.; CARDOSO, T. M.; SILVA, M. A. S. Equivalência farmacêutica entre comprimidos de Propranolol comercializados no mercado nacional. RevistaInfarma, v.18, nº 3/4, 2006.

SALOMON, J.L.; DOELKER, E. Formulation of sustained release tablets. I. Inert matrices. Pharm. ActaHelv., Amsterdam, v. 55, p.174-182, 1980.

TONGWEN, X.; BINGLIN, H. A mechanism on the drug release into a perfect sink from a coated planar matrix with a super-saturation loading in the core., Int. J. Pharm.,v.197, p. 23-24, 2000.

VERNON, B.; WEGNER, M. Controlled Release. In: WNEK, G. E.; BOWLIN, G. L., eds. Encyclopedia of Biomaterials and biomedical engineering.New York: Marcel Dekker, 2004. p.384-391.

YORK, P. Delineamento de formas farmacêuticas.In: AULTON, M. E., eds. Delineamento de formas farmacêuticas. 2.ed. Porto Alegre: Artmed, 2005. cap.1, p.17-28.

No documento FACULDADE ASSIS GURGACZ (páginas 34-43)

Documentos relacionados