Os resultados são apresentados, primeiramente, reportando à florística das duas sub-bacias e, na sequência, às comparações fitossociológicas das espécies arbóreas entre feições geomórficas – barra e interbarra, e entre as sub-bacias – Paso Vargas e Platón.
São apresentadas as análises das variáveis de crescimento relacionadas com a idade para as sete espécies consideradas neste estudo.
Os resultados do crescimento correlacionando com variáveis ambientais de temperatura, precipitação e solos, assim como a comparação das variáveis de crescimento entre feições geomórficas, sub-bacias e uso da encosta serão apresentados unicamente para Sebastiania commersoniana, espécie que foi mais fortemente amostrada, sendo possível, portanto, tais comparações com o auxílio da aplicação de procedimentos dendrocronológicos.
4.1 FLORÍSTICA
As espécies lenhosas encontradas neste estudo estão listadas na tabela 5, indicando a presença por sub-bacia, por feição geomórfica, assim como o grupo ecológico a que pertencem, em ordem de família botânica. Os resultados mostram 44 espécies botânicas identificadas, distribuídas em 25 famílias, das quais três espécies são exóticas.
De todas as famílias botânicas representadas nesses ambientes, Lauraceae, Myrtaceae e Solanaceae foram as que apresentaram a maior riqueza específica, quatro cada uma, na sequência destacam-se, Euphorbiaceae, Salicaceae e Sapindaceae, com três, Anacardiaceae, Bignoniaceae e Fabaceae, com duas espécies nativas. As demais famílias ocorreram com uma espécie. Duas famílias estiveram representadas apenas por espécies exóticas: Caprifoliaceae e Oleaceae, com Lonicera japonica Thunb. Ex Murray e Ligustrum lucidum W.T. Aiton, respectivamente. Há uma terceira espécie exótica invasora, Gleditsia triacanthos L., pertencente à Fabaceae (Tabela 5).
No Uruguai existem diversas espécies alóctones que têm se naturalizado e convertido em invasoras. Dentre as que se encontram nas florestas ribeirinhas estão Gleditsia triacanthos – espina-corona, Ligustrum lucidum – ligustro, Lonicera japonica – madreselva, Melia azedarach L. – paraíso, Acer negundo L. – arce, Fraxinus lanceolata Borkh., Fraxinus pennsylvanica Marshall – fresnos e Morus alba L. – morera. Essa condição tem sua origem por volta da primeira metade do século XX,
quando se promoveu o plantio de árvores exóticas em razão do maior valor da sua madeira e à rapidez de crescimento em comparação às autóctones. Achava-se ainda que os solos de aptidão florestal fossem aqueles onde naturalmente cresciam árvores, portanto, entendia-se que plantar árvores exóticas dentro da floresta nativa era um processo que contribuiria para a melhora de sua qualidade, fato que, atualmente, se reconhece como uma prática inadequada (BRUSSA e GRELA, 2007; BRUSSA, 2002 apud BRUSSA e GRELA, 2007).
Históricamente, a maioria das florestas de Rivera e Tacuarembó não têm sido afetadas de forma significativa pela invasão de espécies exóticas, porém nos últimos trinta anos esse processo vem se intensificado, gerando cada vez mais preocupação às autoridades encarregadas da conservação dos ecossistemas naturais na região. Contudo, reportam-se como de alto potencial invasor, para diversos países, algumas espécies que são utilizadas para plantios florestais na região, dentre elas, Pinus elliottii, Pinus taeda, Eucalyptus camaldulensis e Eucalyptus grandis. Salienta-se, também, sobre a necessidade de exercer um estrito controle para evitar que essas espécies se tornem em espécies naturalizadas e invasoras em diversos ambientes naturais (BRUSSA e GRELA, 2007).
A família botânica Lauraceae apresentou espécies cujos indivíduos são os mais conspícuos na floresta, localizando-se geralmente no dossel – Nectandra megapotamica (Spreng.) Mez, Ocotea acutifolia, Ocotea puberula (Rich.) Nees e Ocotea pulchella. Já Solanaceae caracterizou-se por apresentar espécimes arbustivos e uma trepadeira, Cestrum euanthes Schltdl., Cestrum parqui L’Hér., Cestrum strigillatum Ruiz & Pav. e Solanum laxum Spreng., presentes na borda da formação florestal e no sub-bosque (Tabela 5).
A família Myrtaceae esteve representada por espécies perenifólias e semidecíduas – Blepharocalyx salicifolius, Eugenia uniflora L., Myrcianthes pungens (O. Berg) D. Legrand e Myrrhinium atropurpureum var. octandrum Benth., enquanto que a família Euphorbiaceae por espécies decíduas – Sebastiania commersoniana, Sebastiania brasiliensis Spreng. e Manihot grahamii Hook (Tabela 5).
As duas espécies pertencentes à família Anacardiaceae, Lithraea molleoides Engl. e Schinus longifolia (Lindl.) Speg., são perenifólias, sendo que a primeira se distribui nas florestas do norte do Uruguai, exibindo no dossel exemplares de grande porte e constituindo-se em uma das espécies com capacidade de avanço sobre o campo;
a segunda também pode atingir grande porte em ambientes propícios, apresentando ainda grande plasticidade ecológica, adaptando-se a ambientes secos e distribuída por todo o território.
Tabela 5 Florística das espécies arbóreas, arbustivas e trepadeiras lenhosas por família botânica mostrando a presença por feição geomórfica – barra (B) e interbarra
2 Schinus longifolia (Lindl.) Speg. P
3 Macfadyena unguis-cati (L.) A.H. Gentry P 4 Clytostoma callistegioides (Cham.) Bureau ex Griseb. P
CANNABACEAE 5 Celtis iguanaea (Jacq.) Sarg. P
CAPRIFOLIACEAE 6 Lonicera japonica Thunb. ex Murray * P
CELASTRACEAE 7 Maytenus ilicifolia (Schrad.) Planch. P
ERYTHROXYLACEAE 8 Erythroxylum myrsinites Mart. CS
9 Sebastiania brasiliensis Spreng. CS
10Sebastiania commersoniana (Baill.) L.B. Sm. & Downs P
11Manihot grahamii Hook. P
12Calliandra tweediei Benth. CS
13Erythrina crista-galli L. P
14Gleditsia triacanthos L. * P
15Ocotea acutifolia (Nees) Mez P
16Ocotea pulchella (Nees) Mez P
17Ocotea puberula (Rich.) Nees P
18Nectandra megapotamica (Spreng.) Mez CL
MALVACEAE 19Abutilon sp Mill. CS
MYRSINACEAE 20Myrsine coriacea (Sw.) R. Br. ex Roem. & Schult. P 21Blepharocalyx salicifolius (Kunth) O. Berg CL
22Eugenia uniflora L. CS
23Myrrhinium atropurpureum var. octandrum Benth. CL 24Myrcianthes pungens (O. Berg) D. Legrand CL
OLEACEAE 25Ligustrum lucidum W.T. Aiton * P
QUILLAJACEAE 26Quillaja brasiliensis (A. St.-Hil. & Tul.) Mart. CL
RHAMNACEAE 27Scutia buxifolia Reissek CL
28Xylosma tweediana (Clos) Eichler CL
29Salix humboldtiana Willd. P
30Xylosma schroederi Sleumer ex Herter P
31Allophylus edulis (A. St.-Hil., Cambess. & A. Juss.) Radlk. CS
32Matayba elaeagnoides Radlk. CL
33Allophylus guaraniticus Radlk. CS
SAPOTACEAE 34Pouteria salicifolia (Spreng.) Radlk. P
SMILACACEAE 35Smilax campestris Griseb. P
36Cestrum euanthes Schltdl. P
37Cestrum strigillatum Ruiz & Pav. P
38Cestrum parqui L'Hér. P
39Solanum laxum Spreng. P
STYRACACEAE 40Styrax leprosus Hook. & Arn. P
THYMELAEACEAE 41Daphnopsis racemosa Griseb. CS
42Verbena sp L. P
43Citharexylum montevidense (Spreng.) Moldenke CL
VITACEAE 44Cissus striata Ruiz & Pav. CS
Totais 44 39 27 38 28
A família Bignoniaceae encontrou-se representada por duas trepadeiras lenhosas, Clytostoma callistegioides (Cham.) Bureau ex Griseb e Macfadyena
unguis-cati (L.) A.H. Gentry., que geralmente atingem o dossel, tendo as árvores como suporte.
A família Fabaceae esteve representada por duas espécies nativas e uma exótica.
Calliandra tweediei Benth é uma espécie perenifólia, arbustiva, característica do estrato oligofótico das florestas do norte e leste do território uruguaio; Erythrina crista-galli L., espécie de folhagem decídua, característica das florestas ribeirinhas e paludosas do país.
As demais espécies podem ser observadas na tabela 5.
O tipo vegetacional, nas sub-bacias estudadas, corresponde a uma formação florestal aluvial designada no Uruguai como bosque ribereño ou bosque de galeria.
Essas expressões são absolutamente idênticas às utilizadas no Brasil, tal como recomenda RODRIGUES (2000) quando faz uma discussão nomenclatural a respeito das florestas aluviais, sugerindo que o termo floresta de galeria deveria ser usado para a designação genérica das formações florestais ribeirinhas, em regiões onde a vegetação do interflúvio não é de floresta contínua, como nos campos, dentre outras situações.
Dada a sua proximidade à cuesta basáltica (menos de 1 Km), onde se desenvolvem as Florestas de Quebrada, a florística das sub-bacias possui influencia dessas áreas a montante.
São espécies destacadas da Floresta de Quebrada, as quais constituem refúgios de espécies de origem tropical e subtropical no seu limite sul de distribuição, Erythroxylum myrsinites, Cestrum strigilatum, Cestrum euanthes, Ocotea acutifolia, Ocotea puberula, Ocotea pulchella, Myrcianthes pungens, Nectandra megapotamica, Cupania vernalis, Luehea divaricata Mart., Allophylus edulis e Sebastiania commersoniana (ALONSO PAZ e BASSAGODA, 2002; BONIFACINO et al., 1998;
GRELA e ROMERO, 1996).
No entanto, as florestas de galeria no nordeste do Uruguai se caracterizam por espécies que se distribuem em faixas paralelas ao curso d’água de acordo com os seus requerimentos hídricos. Nas margens em contato com a água se estabelecem espécies como Salix humboldtiana, Cephalanthus glabratus (Spreng.) K. Schum., Phyllanthus sellowianus (Klotzsch) Müll. Arg,, Sebastiania commersoniana, Pouteria salicifolia (Spreng.) Radlk. e Erythrina crista-galli L.; em zonas mais frequentemente livres de água e menos úmidas, áreas mésicas, ocorrem Allophylus edulis, Blepharocalyx salicifolius, Luehea divaricata, Myrcianthes cisplatensis (Cambess.) O. Berg,, Myrceugenia glaucescens (Cambess.) D. Legrand & Kausel, Myrsine laetevirens (Mez) Arechav., Nectandra megapotamica, Ocotea acutifolia, Ocotea pulchella, Sebastiania
commersoniana, Scutia buxifolia, dentre outras. Por outro lado, no limite com os campos ocorrem espécies xerófilas como Celtis tala, Scutia buxifolia, Schinus longifolia, Berberis laurina, Lithraea molleiodes, Quillaja brasiliensis, dentre outras (BRUSSA e GRELA, 2007).
Confrontando a florística das sub-bacias com as espécies que normalmente estão documentadas como sendo comuns às florestas ribeirinhas e de quebrada no Uruguai, verifica-se que no presente caso há influência de ambas. Destaca-se a ausência da maioria das espécies exclusivamente hidrófilas, características da floresta ribeirinha, em função do caudal com insuficiente volume e energia para erodir o arenito, depositar sedimentos nas margens e gerar as condições geomórficas clássicas de floresta ribeirinha. Em razão disso, a presença de lauráceas, mirtáceas e solanáceas características das quebradas atesta a influência dessa formação na florística de ambas as sub-bacias. Relativo a isso, RODRIGUES (2000) menciona que a florística das áreas ribeirinhas no Brasil é influenciada pelos tipos vegetacionais do entorno de origem, dada sua condição de corredor de interligação de regiões fitoecológicas e pelo seu importante papel de refúgio, passado e presente. Sem dúvida as funções descritas podem ser assumidas para as condições da região, reafirmando com os resultados as colocações do autor.
Considerando as espécies por grupo ecológico (Tabela 5), tem-se predomínio das pioneiras, com 27 espécies (61%), seguidas das clímax exigentes em luz, com 9 espécies (20%), e das climax tolerantes à sombra, com 8 espécies (18%). São exemplos de pioneiras Lithraea molleoides, Schinus longifolia, Sebastiania commersoniana, Ocotea acutifolia, O. pulchella, O. puberula, Styrax leprosus, Erythrina crista-galli, Pouteria salicifolia, Manihot grahamii, Celtis iguanaea e Salix humboldtiana.
As espécies do gênero Ocotea são heliófilas, de rápido crescimento, atingindo habitualmente o dossel da floresta. Ocotea acutifolia tem sido observada junto com Salix humboldtiana colonizando as superfícies de agradação na sub-bacia Paso Vargas, na borda de formações florestais juntamente com Lithraea molleoides, Schinus longifolia, ou em campo aberto, crescendo de forma isolada, sendo uma das poucas espécies com capacidade de competir com as gramíneas em campo nativo.
A sub-bacia Paso Vargas apresentou 38 espécies e Platón 28. Dentre as espécies exclusivas da sub-bacia Paso Vargas estão as três espécies exóticas mencionadas, lembrando que esta sub-bacia encontra-se somente a 13 Km da cidade,
onde a ação antrópica tem sido mais intensa do que em Platón, distante 22 Km da cidade.
Quando comparadas as feições geomórficas, verifica-se que na barra ocorreram 39 espécies e na interbarra 27. Conectando esta informação com a das sub-bacias, vê-se que das 16 espécies exclusivas de Paso Vargas, 11 ocorreram na barra e mantiveram a mesma proporção entre os grupos ecológicos (P, CL e CS), indicando que esta feição apresenta condições mais propícias para o desenvolvimento de espécies dos três grupos ecológicos, inclusive das exóticas.
4.2 ANÁLISE FITOSSOCIOLÓGICA COMPARATIVA
4.2.1 Comparação entre sub-bacias
Estimativa dos parâmetros fitossociológicos
Os parâmetros fitossociológicos foram obtidos de maneira expedita. Para isso, foram avaliados 800 m2 em parcelas distribuídas nas duas sub-bacias, 400 m2 em cada uma, registrando-se 174 indivíduos arbóreos (DAP ≥ 3 cm), resultando em 2.575 ind./ha em Paso Vargas e 2.250 ind./ha em Platón.
Apesar da pouca diferença quanto à densidade de indivíduos, Platón apresentou 136 m2/ha de área basal e Paso Vargas somente 45 m2/ha. A presença de árvores mortas em Platón representa uma dominância importante, da ordem de 27 m2/ha, ainda assim, Paso Vargas continua sendo amplamente superada na estimativa deste parâmetro (Tabela 6).
Uma possível explicação para a diferença em dominância entre sub-bacias poderia estar dada pela idade das árvores, sendo em média, mais antigas em Platón;
indicadores esses que serão apresentados em seções posteriores neste trabalho; assim como também o carater expedito da amostragem. Concomitantemente, a idade das árvores estaria provavelmente relacionada com o grau de antropismo a que se encontram sujeitas essas áreas, havendo dois fatores que indicam prevalência deste último em Paso Vargas. O primeiro é a proximidade com a cidade de Rivera (13 Km), além da existência de uma área de recreação à beira da estrada, utilizada tradicionalmente pelo público local como acampamento; e a segunda, a presença de pequenas estrebarias e chácaras que indubitavelmente utilizam a floresta como fonte de energia. Estes dois fatores estão ausentes em Platón, já que ali o uso da terra é com
pecuária extensiva e com povoamentos florestais, atividades que não requerem praticamente nenhum uso do recurso florestal nativo, somada à relativa maior distância da cidade (22 Km).
Nos dois locais houve uma visível prevalência de Ocotea acutifolia – canela ou laurel-negro, com valores muito similares de percentagem de importância, 16% em Paso Vargas e 17% em Platón, como se pode verificar na tabela 6. Da mesma forma, na figura 14 observa-se que essa prevalência foi determinada pela dominância, ou seja, árvores de grande porte quando comparadas às outras espécies. Em Platón foram encontrados exemplares de 57 cm, 67 cm e 97 cm de DAP, atingindo 44 m2/ha. No entanto, em Paso Vargas, a mesma espécie não superou os 35 cm de DAP, com 12 m2/ha (relativo aos indivíduos amostrados).
A distribuição da percentagem de importância é diferente nas sub-bacias, a exceção da convergência com relação a Ocotea acutifolia. Em Paso Vargas, a densidade é o parâmetro mais importante para Eugenia uniflora – pitanga, a dominância para Scutia buxifolia – coronilha e Allophylus edulis – vacum, a frequência para Styrax leprusus – carne-de-vaca, sendo Sebastiania commersoniana – branquilho e Blepharocalyx salicifolius – murta as espécies que apresentam maior equilíbrio entre os valores dos três parâmetros comparativamente às outras espécies, mesmo que o número de árvores por hectare apresente um leve destaque relativo.
Em Platón, apareceu em segunda posição de percentagem de importância Pouteria salicifolia – mata-olho, verificando-se, na figura 15, que a dominância foi o parâmetro relevante, seguido da densidade. Na sequência tem-se S. commersoniana, Calliandra tweediei e Styrax leprosus, onde houve influência tanto da frequência quanto da densidade. Para Ocotea pulchella – canela-lageana, a dominância foi o parâmetro mais significativo, já que se caracterizou por apresentar poucos exemplares, porém de grande porte, sendo muitas vezes as árvores de maiores dimensões da floresta, principalmente em altura e área de copa (Tabela 6 – 2.027 m2/ha).
O coeficiente de correlação entre área de copa e a área basal resultou alto (r = 0,81 – P 0,0004), tendência que pode ser observada na tabela 6, existindo, entretanto, exceções de dois tipos: árvores de copa pequena e área transversal grande e outras com copa ampla e pouca área transversal. Como exemplo da primeira situação está S.
commersoniana – branquilho, B. salicifolius – murta, A. edulis – vacum e P. salicifolius – sarandi-mata-olho, espécies típicas estabelecidas em ambientes com elevada
fluidalidade do substrato no período invernal, durante o qual, na região, há um excesso de água no solo. Uma copa leve confere menor peso à árvore, inclusive uma copa pequena e decídua como no caso do branquilho e do vacum confluem em adaptações de grande eficiência para as condições do ambiente ribeirinho.
Tabela 6 Estimativa dos parâmetros fitossociológicos para as duas sub-bacias, Paso Vargas e Platón, apresentados em ordem decrescente segundo a percentagem de importância, incluindo os seus componentes na forma relativa, assim como a superfície de copa e a área basal ao DAP, por espécie.
N Espécie Densidade
1 Ocotea acutifolia 13 27 9 16,1 7.613 12,1
2 Eugenia uniflora 23 12 12 15,5 5.544 5,2
3 Scutia buxifolia 14 18 12 14,4 3.067 8,1
4 Sebastiania commersoniana 13 10 9 10,5 168 4,5
5 Styrax leprosus 8 5 12 8,3 2.027 2,4
6 Blepharocalyx salicifolius 5 6 9 6,4 95 2,5
7 Allophylus edulis 3 6 6 4,8 1.198 2,5
8 Calliandra tweediei 6 1 6 4,3 1.473 0,6
9 Pouteria salicifolia 2 6 3 3,7 1.453 2,8
10Lithraea molleoides 1 4 3 2,5 2.376 1,6
11Xylosma schroederi 1 2 3 2,0 491 0,9
12Nectandra megapotamica 1 2 3 1,8 314 0,7
13Sebastiania brasiliensis 2 0 3 1,7 569 0,1
14Schinus longifolia 1 1 3 1,5 707 0,3
Arvores mortas 9 2 9 6,4 - 0,7
PLATÓN
1 Ocotea acutifolia 11 32 8 17,1 13.690 43,60
2 Pouteria salicifolia 17 27 5 16,3 7.127 36,46
3 Sebastiania commersoniana 12 3 11 8,7 1.767 4,24
4 Calliandra tweediei 12 3 11 8,6 4.236 3,64
5 Styrax leprosus 8 1 11 6,4 756 0,74
6 Ocotea pulchella 2 9 5 5,7 2.847 12,94
7 Eugenia uniflora 3 0 8 3,9 471 0,52
8 Sebastiania brasiliensis 6 1 5 3,9 648 0,98
9 Lithraea molleoides 3 2 5 3,7 1.532 3,20
10Allophylus edulis 4 1 5 3,5 825 0,83
11Cestrum parqui 3 1 3 2,3 108 1,02
12Matayba elaeagnoides 2 1 3 1,8 393 0,74
13Xylosma tweediana 2 0 3 1,7 157 0,24
14Cestrum euanthes 1 0 3 1,4 20 0,44
15Myrrhinium atropurpureum var. octandrum 1 0 3 1,3 123 0,06
Arvores mortas 11 20 11 13,8 - 26,72
Em outro sentido, e como exemplo da segunda exceção, está C. tweediei – topete-de-cardeal e E. uniflora – pitangueira, espécies típicas do estrato inferior da floresta, onde a possibilidade de captar a luz é crucial, e uma copa ampla e esparsa no sentido horizontal habilita à planta a se apoderar da pouca luminosidade que passa a través do dossel, atingindo o estrato oligifotico onde se posiciona.
PI
DR
DoR
FR
O. acutifolia E. uniflora S. buxifolia S. commersoniana S. leprosus B. salicifolius A. edulis C. tweediei P. salicifolia L. molleoides X. schroederi N. megapotamica S. brasiliensis S. longifolia Arvores mortas
Figura 14 Parâmetros fitossociológicos em ordem decrescente para a sub-bacia Paso Vargas.
Foi registrada elevada percentagem de importância para as árvores mortas na sub-bacia Platón, da ordem de 13,7% (11% de densidade relativa). Esta categoria, em geral, nas avaliações fitossociológicas de florestas aluviais subtropicais está em torno de 3 a 10% (BARDDAL et al., 2004; CORDEIRO e RODRIGUES, 2007). Inclusive LONGHI et al. (2008), estudando uma Floresta Estacional Semidecidual no Rio Grande do Sul, registraram 8,17% de indivíduos mortos na área, mencionando como um valor elevado, salientando que ultrapassou os valores de vários trabalhos por eles comparados, como BUDKE et al. (2004), DIAS et al. (1996) e LONGHI et al. (2000), os quais trabalharam com Floresta Estacional Decidual no Rio Grande do Sul. Dentre as possíveis causas da elevada percentagem de árvores mortas em Platón, uma poderia ser um efeito combinado do momento de tomada de dados coincidente com a morte de árvores de grandes dimensões, com madeira mais resistente à decomposição, mantendo-as em pé por muitos anos, ou até mesmo aliada a um período de mudança de estágio sucessional, onde indivíduos pioneiros longevos, já senescentes, estariam deixando o sistema.
PI
Dr
DoR
FR
O. acutifolia P. salicifolia S. commersoniana C. tweediei S. leprosus O. pulchella E. uniflora S. brasiliensis L. molleoides A. edulis C. parqui M. elaeagnoides X. tweediana C. euanthes M. atropurpureum Arvores mortas
Figura 15 Parâmetros fitossociológicos em ordem decrescente para a sub-bacia Platón.
Finalmente, 75% da percentagem de importância em Paso Vargas se completa com sete espécies e em Platón com dez espécies. Nas figuras 14 e 15 isso pode ser observado com o artifício de um separador situado à direita da espécie que completa essa percentagem.
Similaridade, diversidade e abundância
Os diferentes índices enfatizam, em alguns casos, a riqueza de espécies com maior relevância para as pouco comuns, outros, a dominância, dando maior peso às espécies mais abundantes (MAGURRAN, 1988).
O índice de diversidade de Simpson se destaca entre os mais utilizados por levar em consideração tanto o padrão de abundância, quanto a riqueza de espécies. Ele é calculado obtendo-se para cada espécie a proporção de indivíduos em relação ao total da amostra. Como desejado, para uma dada riqueza o índice aumenta com a equabilidade e para uma dada equabilidade o índice aumenta com a riqueza (BEGON et al., 2007).
Os três índices de diversidade utilizados foram coincidentes em mostrar que a sub-bacia Platón é mais diversa que Paso Vargas, como pode ser observado na tabela 7.
Por outro lado, o índice de abundância é maior em Paso Vargas, justificado pela forma de cálculo do índice, que atribui um maior peso às espécies com maior densidade. Na forma gráfica isto pode ser observado no diagrama de abundância relativa
(rank-abundance diagram) da figura 16, onde foi plotado, em ordem decrescente, a densidade relativa das espécies para as duas sub-bacias, onde mais abundantes antecedem as mais raras. Nessa figura, destaca-se a existência de um maior número de espécies em Platón, e que em Paso Vargas, além de ter menor riqueza, tem um peso maior das mais abundantes, ou seja, proporcionalmente há mais indivíduos das espécies mais comuns do que em Platón.
Tabela 7 Comparação entre as duas sub-bacias, Paso Vargas e Platón, a partir dos índices de similaridade de Jaccard e de SØrensen (Czekanowski), de diversidade de Margalef, Shannon (H’) e complemento Simpson (1-D), abundância de Berguer Parker e uniformidade de Pielou (J) e Simpson (E).
Indices / Abundância
sub-bacias Jaccard SØrensen Margalef H' (1-D) Berguer Parker J E
Paso Vargas 2,86 2,19 0,87 0,26 0,83 0,50
Platón 45 62 3,19 2,41 0,90 0,19 0,89 0,61
Equabilidade Similaridade Diversidade
Para confirmar essa distribuição comparativamente desigual das espécies entre as bacias, têm-se, na tabela 7, os índices de uniformidade de Pielou (J) e Simpson (E), mostrando justamente que Platón (J = 0,89 e E = 0,61) apresentou maior uniformidade que Paso Vargas (J = 0,83 e E = 0,50).
Os índices de similaridade de Jaccard e de SØrensen também informam que as sub-bacias, sob o ponto de vista florístico, são diferentes entre si (Tabela 7).
Similaridades inferiores a 50 para Jaccard e 70 para SØrensen indicam que as comunidades são diferentes entre as unidades comparadas. No presente caso, os valores encontrados (45 e 62, respectivamente) estão muito próximos dos limites estabelecidos.
Independentemente da comparação entre as duas sub-bacias, elas apresentam
Independentemente da comparação entre as duas sub-bacias, elas apresentam