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MATERIAIS E MÉTODOS

IV. RESULTADOS E DISCUSSÃO

IV. 1. Caracterização dos Participantes

Pretende-se apresentar na tabela abaixo algumas informações sobre as Terapeutas Ocupacionais que participaram do presente trabalho sobre a implantação do serviço de Terapia Ocupacional em cuidados paliativos em Hospitais Gerais e Especializados no Estado de São Paulo.

Quadro 1- Caracterização dos Participantes

Legenda: a – anos F - feminino T.O. – Terapeutas Ocupacionais

HC - FMRP-USP – Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo

IOP-GRAACC-UNIFESP – Instituto de Oncologia Pediátrica do Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer, vinculado ao ensino e pesquisa da Universidade Federal de São Paulo

USP – SP – Universidade de São Paulo

PUCCamp – Pontifícia Universidade Católica de Campinas

No Quadro 1 estão presentes algumas informações sobre as participantes deste trabalho, como : o sexo, a idade, tempo de formação, instituição onde foi formada, tipo do hospital onde implantou o serviço, tempo de serviço prestado neste hospital e a área onde o serviço foi implantado. Vê-se que a maioria das entrevistadas implantou o serviço no setor de cuidados paliativos e trabalha há mais de 10 anos no hospital.

Sexo Idade Tempo de Formação Onde se Formou Hospital onde implantou o serviço Tipo de Hospital Tempo de Serviço Área onde implantou o serviço

T.O-1 F 28 a 7 a USP-SP Hospital

Premier Privado 5 a Serviço de Cuidados Paliativos T.O-2 F 43 a 20 a USP-SP Instituto de Infectologia Emílio Ribas Público 17 a Serviço de Cuidados Paliativos T.O-3 F 53 a 31 a PUC- Camp IOP- GRAACC/UNI FESP Instituição sem fins lucrativos 16 a Terapia Ocupacional em Reabilitação Oncopediátric a T.O-4 F 36 a 13 a PUC- Camp HC- FMRP-USP Público 12 a Transplante de Medula Óssea

A Terapia Ocupacional está vinculada a vida ocupacional e utiliza atividades que são significativas para o sujeito, e de acordo com BASSANEZI e CARVALHO (2008) possibilita o desenvolvimento harmônico do indivíduo, prevenindo possíveis disfunções neuromotoras. Sua atuação é composta por técnicas e recursos, com o intuito de alcançar os objetivos do cuidado, maximizando os potenciais afetivos, cognitivos e sociais, que despertam no indivíduo a criatividade, a espontaneidade e a expressividade. Desta mesma maneira, a implantação do serviço de terapia ocupacional em cuidados paliativos vai ocorrer, ainda que o indivíduo esteja fora das possibilidades de cura, há a preocupação com o significado das atividades realizadas por este.

Das terapeutas ocupacionais entrevistadas, três participaram primeiro da implantação do serviço de terapia ocupacional no hospital para depois de algum tempo participarem da implantação do serviço de terapia ocupacional em cuidados paliativos. A única terapeuta ocupacional para implantou primeiramente o serviço de terapia ocupacional em cuidados paliativos, foi a que trabalha no Hospital Premier, que é um hospital especializado no atendimento a pacientes crônicos de alta dependência, e que segue os princípios dos cuidados paliativos.

Os hospitais onde o serviço foi implantado têm características diferentes de acordo com o tipo do hospital (público, privado ou Instituição sem fins lucrativos) o que influencia na sua dinâmica de funcionamento, número de funcionários, verba disponível entre outras questões que são levantadas ao longo dos resultados e discussões presentes abaixo.

Segundo Negrine e Uchôa-Figueiredo (2009) a história da implantação de um serviço deve ser contada através do cotidiano de quem a viveu e ainda vive, e não através de relatos frios e apagados de efemérides e de nomes. Por isso optou-se por uma pesquisa através de entrevista, onde as terapeutas ocupacionais puderam contar ao seu modo como se deu a implantação do serviço de terapia ocupacional em cuidados paliativos.

V. 2 Entrevista

Através das entrevistas realizadas pretendeu-se conhecer como se deu a implantação do serviço de cuidados paliativos em Terapia Ocupacional em diferentes hospitais gerais e especializados. Escolheu-se fazer esta pesquisa através de entrevistas, pois através destas pode-se obter informações contidas nas falas, sendo possível aos entrevistados compartilhar suas experiências e vivências. Durante as entrevistas as participantes puderam ampliar e

detalhar os temas abordados, o que tornou a entrevista rica e cheia de detalhes, atendendo aos objetivos desta pesquisa e sendo significativa para o contexto investigado.

Os tópicos abaixo mostram os resultados apresentados.  Demandas do serviço de terapia ocupacional no hospital  Inserção do Terapeuta Ocupacional na equipe de saúde  Quais profissionais faziam parte desta equipe.

 Relação com a equipe.

 Como era a atuação da equipe na época.

 Reconhecimento e entendimento da equipe sobre o trabalho da terapia ocupacional.  Recepção e aceitação do trabalho da terapia ocupacional pela equipe.

 Demandas que foram identificadas no hospital para a implantação do serviço de terapia ocupacional.

 Dificuldades encontradas durante a implantação do serviço de terapia ocupacional.  Bases teóricas que auxiliaram a implantação do serviço.

 Lista de materiais ligada à gestão, como a gestão influencia.  Verba para compra de materiais.

 Transporte de materiais para a realização dos atendimentos.  Manipulação e desinfecção dos materiais da terapia ocupacional.

 Retorno à unidade ou serviço quanto aos processos obtidos com os pacientes.  Produtividade mensal do atendimento de terapia ocupacional.

 Permanência no hospital onde implantou o serviço.

 Abertura para a contratação de profissionais terapeutas ocupacionais no serviço.  Terapeutas Ocupacionais no serviço.

 Experiência de implantação de serviço em Terapia Ocupacional.

V. 2.1 Demandas do serviço no hospital

Pretendeu-se apresentar quais foram as demandas identificadas pelas terapeutas ocupacionais durante a implantação do serviço e de que forma estas demandas foram identificadas.

Gráfico 1 - Demandas pelo serviço de terapia ocupacional no hospital surgiu de quem.

Pode-se observar no gráfico 1, que a demanda para a implantação do serviço de Terapia Ocupacional surgiu principalmente dos pacientes e da equipe, e em sua minoria pela direção do hospital. Para perceber a demanda vinda dos pacientes, os profissionais tem que estar atentos e sensibilizados quanto as necessidades dos pacientes além de estar dispostos a escutá-los. A inserção do atendimento de cuidados paliativos pela terapeuta ocupacional que fez atendimento em pacientes no transplante de medula óssea, foi possível por que a equipe desta unidade já sentia a necessidade de uma atenção voltada aos cuidados paliativos, e a terapeuta ocupacional também foi sentindo esta necessidade ao observar os pacientes e o seu atendimento com cada um deles.

Quando se diz que a demanda seurgiu dos pacientes, não foram os pacientes que sugeriram a implantação do serviço de terapia ocupacional naquela unidade, mas os profissionais lá inseridos viram a necessidade deste serviço para o atendimento integral ao paciente.

Na fala T.O-4, abaixo, pode-se perceber uma preocupação com o processo de morte dos pacientes e do que seria o ideal para este processo num trabalho de terapia ocupacional.

“[...] se a gente não vai atender especificamente esses casos ou se atende de uma forma superficial, você acaba não fazendo um cuidado específico para o final da vida. Então você perde quando ele vai morrer [...] quais são os últimos projetos que ele vai querer fazer da vida dele [...] eu fui percebendo, mas eu também fui me sensibilizando para as necessidades [...] isso foi me dando indícios de que eu precisava, naquele momento, organizar alguma coisa mais pronta e eficiente para atender essas pessoas.” (T.O-4)

Segundo (BARBOSA, 2011) pacientes de longa permanência representam uma situação clínica que frequentemente acarreta angústias. Necessitando de um cuidado específico, assim como a preocupação com os projetos de vida do paciente que são possíveis

37,5% 37,5%

25%

Demandas do serviço de terapia