NOVA XAVANTINA, MT 2011
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Todos os alunos que participaram da pesquisa já viram um morcego. Entre os alunos da escola CJM houve 77 citações de locais de visualizações, e na escola MJA foram 35 citações, verificados na tabela 3.
Tabela 3. Respostas apresentada pelos alunos das escolas Coronel João Mallet e Ministro João Alberto da área urbana do município de Nova Xavantina, Mato Grosso, Brasil. Sobre os locais que já viram um morcego.
Escola Coronel João Mallet % Escola Ministro João Alberto %
Casa 43 Casa 31,5
Esses resultados mostram como os morcegos estão presentes no cotidiano urbano de vários alunos que participaram da pesquisa, com muitos alunos tendo um contato direto com esses animais. A presença dos morcegos em área urbana já é relatada por uma série de estudos no Brasil (BREDT e UIEDA, 1996; SILVA et al., 1996; REIS et al., 2002; LIMA, 2008; PACHECO et al., 2010) que justificam a presença desses animais em atividades de forrageio em busca de alimentos em árvores frutíferas ou buscando insetos atraídos pela iluminação pública, ficando abrigados em árvores no ambiente urbano ou nas construções urbanas, o que faz com que a população humana tenha uma proximidade com esse grupo animal.
A concordância dos alunos que acreditam que os morcegos se originaram dos ratos (tabela 4) pode ser justificada pelos alunos unicamente na semelhança que algumas espécies de morcegos possuem com ratos. Esse tipo de associação de alguns aspectos físicos de algumas espécies de morcegos com ratos já foi discutido também por outros autores no Brasil, em uma pesquisa envolvendo adultos no estado do Rio de Janeiro através de questionário, onde quando indagados sobre a possibilidade dos morcegos serem ratos velhos, a maior parte dos entrevistados (53%) discordaram, mas uma parte (26%) concordaram que são parecidos (ESBÉRARD et al., 1996), resultado semelhante encontrado entre os alunos das escolas de Nova Xavantina.
Tabela 4. Respostas apresentada pelos alunos das escolas Coronel João Mallet e Ministro João Alberto da área urbana do município de Nova Xavantina, Mato Grosso, Brasil. Sobre os morcegos terem origens dos ratos.
Mesmo após a inserção da atividade de Educação Ambiental com teatro, os alunos permaneceram concordando que os morcegos têm origem dos ratos, mas não houve mudanças em relação ao motivo disso, a semelhança continua sendo a justificativa.
Já na etapa do segundo pós-diagnóstico, os alunos da escola CJM apresentaram diferenças negativas do primeiro pós-diagnóstico. Para os alunos da escola MJA a diferença foi positiva, com a diminuição no número de respostas favoráveis aos morcegos terem sido originados dos ratos quando comparado ao primeiro pós-diagnóstico.
Entre os alunos que concordaram que os morcegos são cegos (tabela 5) na escola CJM, os motivos para tal resposta foram: cegos apenas de dia (50%), não souberam dizer o porquê (28%), usa a audição para enxergar (5,5%) e usa algum tipo de sonar (16,5%), conforme relato abaixo.
“por que eles usam ondas sonoras para poder voar e para poder se comunicar (Escola CJM)”
Tabela 5. Respostas apresentadas pelos alunos das escolas Coronel João Mallet e Ministro João Alberto da área urbana do município de Nova Xavantina, Mato Grosso, Sobre os morcegos serem cegos.
Escola Coronel João
Na escola MJA os motivos se justificam à que os morcegos são cegos: apenas de dia (31%), não souberam (15,5%), enxergam através da audição (7,5%), viu na TV (7,5%), enxergam em vôo (7,5%) e já ouviram falar que são (31%) de acordo com o relato abaixo.
“eu já ouvi, várias pessoas falarem sobre isso (Escola MJA).”
O maior percentual de respostas justificado ao fato de acreditarem que os morcegos sejam cegos somente de dia, está relacionado ao fato geralmente da associação dos hábitos noturnos dos morcegos, justificado pelos alunos em maior número que acreditam que devido ao isolamento desses animais durante o dia em ambientes escuros, eles só enxergariam no período noturno. Fato não verdadeiro, devido à grande confusão que muitas pessoas não compreendem que além da visão que todos os morcegos possuem, eles utilizam também frequentemente a ecolocalização, que é um sistema de percepção através da emissão e recepção de sons de alta frequência (GOULD, 1970) utilizada para se localizarem no ambiente e procurarem comida.
A concordância com o fato dos morcegos serem cegos teve um aumento no número de respostas no segundo pós-diagnóstico tanto na escola CJM (28,5%), como na escola MJA (21%). Mas a maior parte dos alunos da escola CJM (43%) não soube dizer o porquê da concordância.
A maioria dos alunos participantes da pesquisa concorda que os morcegos sejam transmissores do vírus da raiva (tabela 6). E na maior parte da citação de outros animais que podem transmitir o vírus, foi feita referências pelos alunos da escola CJM ao cachorro (53,5%) e gato (25%), como também pelos alunos da escola MJA o cachorro (51,5%) e gato (21,5%).
Tabela 6. Respostas apresentadas pelos alunos das escolas Coronel João Mallet e Ministro João Alberto da área urbana do município de Nova Xavantina, Mato Grosso, Brasil. Sobre os morcegos serem
A raiva é uma doença que pode acometer todos os mamíferos com exceções de áreas insulares do planeta terra (BREDT et al., 1998), os alunos das escolas do presente estudo possuem uma tendência aos transmissores da raiva como os animais domésticos, incluindo principalmente o cachorro e o gato, possivelmente pelas campanhas de vacinação comumente feitas nas áreas urbanas. Esses resultados demonstram a importância de maiores transmissão de informações para a sociedade em geral sobre a amplitude de animais que podem transmitir o vírus da raiva, incluindo todas as espécies de morcegos e não somente os de hábitos hematófagos.
Entre os animais além dos morcegos que podem transmitir o vírus da raiva, permaneceram as citações no primeiro pós-diagnóstico para os alunos da escola CJM para o cachorro (47,5%) e o gato (38,5%), como para os alunos da escola MJA também para o cachorro (44,5%) e o gato (25,5%).
No segundo pós-diagnóstico o cachorro e o gato continuaram sendo os mais citados além dos morcegos como transmissores da raiva. E na escola MJA o número de respostas que não concordaram que os morcegos são transmissores da raiva teve uma diminuição (66,5%) contrastante quando comparado com as etapas anteriores.
Dos alunos que concordam em matar um morcego caso o encontrem no chão (tabela 7), na escola CJM a maior representatividade das respostas se encaixaram no desprezo (45,5%) e no medo da transmissão de doenças (13,5%). Os mesmos resultados foram encontrados para os alunos da escola MJA: desprezo (43%) e doença (43%). Mas um resultado interessante encontrado entre os alunos que não concordam em matar um morcego e que boa parte deles (CJM: 42%; MJA: 31,5%) ajudaria de alguma forma o morcego, como dois relatos citados abaixo.
“eu colocava ele numa caixa e levaria para alguém que estuda sobre isso biologia (Escola CJM).”
“eu poderia chamar um especialista para cuidar disso (Escola MJA).”
Tabela 7. Respostas apresentadas pelos alunos das escolas Coronel João Mallet e Ministro João Alberto da área urbana do município de Nova Xavantina, Mato Grosso, Brasil. Sobre se matariam um morcego se encontrassem no chão. alguma forma o morcego caso encontrasse no chão, como também os alunos da escola MJA (73,5%).
O comportamento de exterminar um morcego no segundo pós-diagnóstico, obteve um pequeno aumento entre os alunos da escola CJM (1,5%) comparado ao pós-diagnóstico após o teatro e na escola MJA o número de alunos que ainda concordam em fazer tal fato diminuiu para 8,5%.
Entre as referências aos benefícios dos morcegos da natureza (tabela 8), tanto os alunos da escola CJM (72%) como da MJA (72,5%) que acreditam que não há benefício não souberam dizer o motivo. Para os alunos que concordaram que sim, em ambas as escolas (CJM: 49%; MJA: 44,5%) não souberam dizer quais os benefícios. Já alguns alunos citaram benefícios dos morcegos para a natureza, como no relato abaixo de um aluno da escola CJM.
“os frutíferos comem as frutas e defecam as sementes de volta na natureza e por isso eles ajudam com o reflorestamento (Escola CJM).”
Tabela 8. Respostas apresentadas pelos alunos das escolas Coronel João Mallet e Ministro João Alberto da área urbana do município de Nova Xavantina, Mato Grosso, Brasil. Sobre se os morcegos oferecem (71%) como da MJA (72,5%) fizeram de alguma forma algum comentário a respeito de ensinamentos sobre a natureza em relação às atividades benéficas dos morcegos.
Na referência aos benefícios dos morcegos para a natureza, em ambas as escolas o aumento de respostas positivas aumentaram no segundo pós-diagnóstico, com os alunos da escola CJM mantendo o percentual de alunos (71%) que relataram ensinamentos sobre o meio ambiente e os alunos da escola MJA aumentou esse percentual (77,5%), quando comparado ao pós-diagnóstico após o teatro.
Como muitos alunos relataram já ter visto um morcego em casa, à maior parte dos alunos da escola CJM (71,5%) e da escola MJA (62%) acreditam que os morcegos vivam na área urbana (tabela 9).
Tabela 9. Respostas apresentadas pelos alunos das escolas Coronel João Mallet e Ministro João Alberto da área urbana do município de Nova Xavantina, Mato Grosso, Brasil. Sobre se os morcegos vivem na área urbana. pode estar associado à percepção dos alunos após as atividades de educação ambiental, que podem ter começado a observar melhor a movimentação dos morcegos geralmente no crepúsculo e durante o dia em abrigos em construções urbanas.
No decorrer da pesquisa em relação aos hábitos alimentares dos morcegos foram feitas 320 citações pelos alunos da escola CJM e 129 citações pelos alunos da escola MJA de itens alimentares que os morcegos utilizam que foram encaixados em padrões alimentares proposto por GARDNER (1977) (tabela 10).
Tabela 10. Respostas apresentadas pelos alunos das escolas Coronel João Mallet e Ministro João Alberto da área urbana do município de Nova Xavantina, Mato Grosso, Brasil. Sobre os itens alimentares utilizados pelos morcegos.
Escola Coronel João Mallet TOTAL % Escola Ministro João Alberto TOTAL %
Frugívoro (Frutos) 140 Frugívoro (Frutos) 58
Hematófago (Sangue) 92 Hematófago (Sangue) 29
Insetívoro (Inseto) 50 Insetívoro (Inseto) 17
Nectárivoro (Néctar) 13 Nectárivoro (Néctar) 11
Carnívoro (Animais) 13 Carnívoro (Animais) 2
Folhiváro (Folha) 5 Folhiváro (Folha) 7
Piscívoro (Peixe) 3 Pscívoro (Peixe) 2
Não sabe 2 Não sabe 7
TOTAL 320 TOTAL 129
A amplitude alimentar dos morcegos é bem extensa (REIS et al., 2007), justificando o grande número de espécies catalogadas para o Brasil, mas a maior parte dos alunos do presente estudo citou itens que compõem os hábitos alimentares frugívoros e hematófagos. Esses resultados se diferem do encontrado por Scravoni et al.
(2008) na região urbana e rural de Botucatu no estado de São Paulo com alunos da 3°
série, que teve 93% dos participantes citando o hábito alimentar hematófago para os morcegos. Isso demonstra que os alunos do município de Nova Xavantina possuem um maior contato com morcegos, provavelmente pela presença de grande quantidade de árvores frutíferas no ambiente urbano, como citadas pelos alunos participantes da pesquisa (Apêndice C) que facilita a visualização de morcegos frugívoros em atividades de alimentação constante em período de frutificação.
Durante todo o período da pesquisa, observa que os hábitos alimentares frugívoro e hematófago dos morcegos predominaram no contexto de citações dos itens alimentares pelos os alunos de ambas as escolas envolvidas. Os hábitos frugívoros dos
morcegos são relatados para uma série de frutos em todo o Brasil (FÁBIAN et al., 2008), fato que corroba com a já citada diversidade de árvores que existem na área urbana do município de Nova Xavantina, como também o hábito dos morcegos frugívoros defecarem nas paredes das residências como já observado por outros autores no Brasil (UIEDA et al., 2003; PERINI et al., 2003) o que pode facilitar a identificação desse hábito pelos alunos.
Já os hábitos hematófagos devem estar associados às crendices populares transmitidas entre as pessoas (ALVES, 1999), pois paralelamente ao desenvolvimento das atividades desse estudo, outro trabalho visando identificar as espécies de morcegos na área urbana do município durante um ano de pesquisa, não capturou nenhuma espécie hematófaga (Observação Pessoal), como também em conversas informais com os alunos, nenhum deles mencionou já ter observado qualquer tipo de comportamento que ligue a presença do morcego hematófago na área urbana de Nova Xavantina.
Em relação a como evitar os morcegos nas construções urbanas (tabela 11), as respostas mais representativas no diagnóstico foram a de não saber o que fazer (CJM:
38,5%; MJA: 45%) no diagnóstico. Isso é um fato considerável, pois lidar com morcegos em construções urbanas ainda é um desafio para os próprios pesquisadores que trabalham com esse grupo animal (PACHECO et al., 2010).
Tabela 11. Respostas apresentadas pelos alunos das escolas Coronel João Mallet e Ministro João Alberto da área urbana do município de Nova Xavantina, Mato Grosso, Brasil no diagnóstico sobre o que pode ser feito para evitar morcegos em construções urbanas e o que o morcego representa para eles.
Negativo "matando todos." 9 15 Negativo "matar todos eles por que são perigosos."
Qual a representatividade do morcego para você:
Afetivo "uma eternidade de paz". 4 6.5 Afetivo "representa rápidos e inteligentes."
10 16.5 Natureza "representam a natureza."
5 17
Negativo "um bicho muito mal ." 10 16.5 Negativo "um animal parasita." 4 14 Não sabe "não sei explicar." 6 10 Não sabe "não sei." 3 10.5
Total 60 100 Total 29 100
Muitos outros alunos souberam dizer algo que pudesse de alguma forma proteger, ou seja, evitar a presença dos morcegos nas construções urbanas.
Posteriormente em termos de maiores números de respostas, em ambas as escolas, à categoria negativa aparece com idéias de extermínios das possíveis populações de morcegos que adentrem construções urbanas. Isso mostra que muitos alunos vêem os morcegos como seres vivos feios e maus (SCRAVONI et al., 2008) acreditando que mereçam ser exterminados. A categoria gestão ambiental aparece timidamente entre as respostas de alguns alunos que de alguma forma incitam uma forma de gerenciar a natureza de uma forma sustentável. Já na categoria ecológico positivo as respostas dos alunos se relacionam de alguma forma a preservação da natureza como os relatos abaixo.
“não desmatar, não fazer queimadas e não poluir a natureza (Escola CJM).”
“evitar desmatamento e queimadas nas florestas. Isso ajudaria muito, para que os morcegos, não viessem atrás de comida (Escola CJM).”
Quanto à representatividade do morcego para os alunos, na escola CJM (20,5%) tiveram suas respostas encaixadas na categoria medo. Na escola MJA, as categorias mais representativas foram: aparência (20,5%) e medo (20,5%). Esses resultados demonstraram que o pouco conhecimento que os alunos tinham sobre os morcegos, leve-os a imaginar que esses animais sejam criaturas sugadoras de sangue de suas vítimas até a morte (FENTON, 1992), conforme desenho confeccionado por um aluno da escola CJM.
Figura 1. Desenho confeccionado por um aluno da escola Coronel João Mallet enquadrado na categoria medo sobre a representatividade dos morcegos para os alunos.
Entre os alunos da escola MJA as categorias aparência e medo também foram relatados através de desenhos.
Figura 2. Desenhos confeccionados por alunos da escola Ministro João Alberto enquadrado na categoria aparência e medo sobre a representatividade dos morcegos.
No primeiro pós-diagnóstico as respostas e os percentuais de como evitar morcegos nas construções urbanas e a representatividade dos morcegos para cada aluno estão representados na tabela 12.
Tabela 12. Respostas apresentadas pelos alunos das escolas Coronel João Mallet e Ministro João Alberto da área urbana do município de Nova Xavantina, Mato Grosso, Brasil no primeiro pós-diagnóstico sobre o que pode ser feito para evitar morcegos em construções urbanas e o que o morcego representa para eles.
Proteção “colocar telas nas janelas e fechar os buracos.”
17 33 Proteção “proteção.” 13 62
não sabe “não sei.” 8 15.5 Não sabe “não respondeu.” 1 4.5
Total 51 100 Total 21 100
Qual a representatividade do morcego para você:
Afetivo “nosso amigo porque a
Natureza “ele faz muitas coisas para a natureza.” apresentaram diferenças para os alunos da escola CJM com destaque para as categorias proteção (33%) e ecológico positivo (33,5%), mudando em relação ao diagnóstico que apresentou o maior índice de respostas (38,5%) no contexto de não saberem o que fazer.
Na escola MJA à categoria proteção (62%) teve um aumento quando comparada com o diagnóstico que teve 45% das respostas dos alunos em não saberem o que fazer.
As respostas sobre a representatividade dos morcegos também mudaram entre os alunos da escola CJM que tiveram à categoria natureza (27,5%) e afeto (23,5%), em vez da categoria medo (20,5%) mais relatada nas respostas do diagnóstico. Na escola
MJA a categoria afetivo (33,5%) e natureza (28,5%), superaram as respostas apresentadas no diagnóstico que tiveram as categorias aparência (20,5%) e medo (20,5%) como as mais relatadas.
Já as respostas apresentadas pelos alunos no segundo pós-diagnóstico em sobre o que pode ser feito para evitar os morcegos nas construções urbanas e qual a representatividade dos morcegos estão na tabela 13.
Tabela 13. Respostas apresentadas pelos alunos das escolas Coronel João Mallet e Ministro João Alberto da área urbana do município de Nova Xavantina, Mato Grosso, Brasil no segundo pós-diagnóstico sobre o que pode ser feito para evitar morcegos em construções urbanas e o que o morcego representa para eles.
Qual a representatividade do morcego para você:
Afeto “um animalzinho
Negativo “negativo.” 12 24.5 Natureza “represente a
natureza.”
6 25
Não sabe “Não respondeu.” 1 2 Não sabe “Nada.” 1 4
TOTAL 49 100 TOTAL 24 100
A categoria proteção foi a mais relatada nessa etapa tanto pelos alunos da escola CJM (51%) como da escola MJA (50%) sobe como evitar os morcegos nas construções urbanas. Reforçando que o tempo possivelmente associado com as observações de morcegos na área urbana no município tende a ter levado os conceitos a um maior nível
de racionalidade e uso no dia-a-dia das informações apresentadas no teatro e na palestra com exposição de imagens. Os alunos da escola MJA também tiveram um aumento no decorrer das etapas em relação aos que responderam no questionário respostas que se encaixou na categoria ecológico positivo demonstrando uma maior preocupação a cada etapa com a preocupação com a natureza, como relatado no depoimento abaixo.
“parar de destruir o lugar deles morarem que é a natureza (Escola MJA).”
Nessa última etapa, a representatividade dos morcegos para os alunos da escola CJM teve uma mudança em relação ao pós-diagnóstico da etapa anterior, com a categoria negativa (24,5%) se destacando nas respostas dadas pelos alunos, mas vários outros alunos tiveram suas respostas se encaixando na categoria natureza (20,5%) e EA sobre o MA (20,5%). Entre os ensinamentos sobre a natureza, um desenho que muito destaca o papel do morcego frugívoro como feito por um aluno da escola CJM (figura 3). Os alunos da escola MJA tiveram maiores respostas encaixadas nas categorias natureza (25%) e aparência (21%).
Figura 3. Desenho confeccionado por um aluno da escola Coronel João Mallet mostrando o papel ecológico do morcego frugívoro na natureza como dispersor de sementes.
Os resultados do diagnóstico mostram que as percepções dos alunos das escolas participantes do estudo estão envolvidas por uma série de erros e associações distorcidas sobre os morcegos como apresentado acima. Alguns alunos diferentemente apresentaram algum conhecimento correto acerca dos morcegos, denotando que em ambos os casos, as realidades dos alunos participantes está construída em relação um com o outro (amigos, família, entre outros), onde se apropriam se de significações socialmente construídas e estruturam uma realidade (FONTANA, 1997).
As atividades de Educação Ambiental utilizadas no presente estudo, como o teatro (figura 4) demonstram que os resultados são positivos entre os alunos, que teve aprovação pela maior parte dos alunos (CJM: 86,5%; MJA:76%) que afirmaram ter sido ótima.
Figura 4. Apresentação teatral nas escolas Coronel João Mallet e Ministro João Alberto sobre os morcegos, enfocando aspectos ecológicos, patológicos e procedimentos de como lidar com os morcegos e o que fazer em caso de acidentes.
Isso denota que o uso da atividade de educação ambiental através do teatro, se mostra proveitosa como forma de ensinamento para alunos do ensino fundamental. Pois o teatro na educação não deve ser somente entendido como lazer ou recreação, mas como forma de conhecimento que possa possibilitar a aprendizagem a partir de saberes específicos (CAVASSIN, 2008) levando os alunos a aprenderem enquanto estudam, de uma forma dinâmica e enriquecedora. Como exemplo disso, segue alguns depoimentos dos alunos das escolas.
“antes de ver a peça teatral sobre os morcegos, eu tinha muito medo. Mais agora consegui compreender a grande importância dos morcegos... (Escola CJM).”
“no início eu tinha preconceito com morcego, achava melhor matar, tinha medo. Mas agora mudei meus conceitos sobre o morcego, se por acaso eu encontrar um morcego na minha casa eu coloco ele numa caixa e procuro colocá-lo no mato... (Escola MJA)”
Mostrando que o papel da Educação Ambiental não é somente transmitir conhecimentos sobre a possibilidade de conservação e preservação do meio ambiente, mas sim garantir a formação e sensibilização de pessoas responsáveis que sabem respeitar o meio em que vivem, podendo mudar suas atitudes e aprender a promover ações de proteção ambiental (ZILLMER-OLIVEIRA, 2009) de grupos animais como os morcegos.
As mudanças não observadas em algumas respostas ao longo do estudo, mesmo após a inserção das atividades de Educação Ambiental que enfatizavam o conhecimento correto a respeito dos morcegos, pode estar relacionadas a não compreensão ou
As mudanças não observadas em algumas respostas ao longo do estudo, mesmo após a inserção das atividades de Educação Ambiental que enfatizavam o conhecimento correto a respeito dos morcegos, pode estar relacionadas a não compreensão ou